{"id":447684,"date":"2026-05-31T13:00:00","date_gmt":"2026-05-31T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=447684"},"modified":"2026-05-31T13:00:00","modified_gmt":"2026-05-31T17:00:00","slug":"educar-em-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=447684","title":{"rendered":"Educar em casa"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Algumas decis\u00f5es recentes dos \u00f3rg\u00e3os de Justi\u00e7a envolvendo fam\u00edlias que educavam os seus filhos em modalidade de <em><a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/homeschooling\/\">homeschooling<\/a><\/em>, isto \u00e9, sem que as <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/criancas\/\">crian\u00e7as <\/a>frequentassem uma institui\u00e7\u00e3o escolar, deixou muita gente estupefata. E n\u00e3o sem raz\u00e3o. Algumas fam\u00edlias integralmente dedicadas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/filhos\/\">filhos<\/a>, cujos pais decidiram, em suma, orientar <em>todas as suas escolhas de vida<\/em> \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/educacao\/\">educa\u00e7\u00e3o <\/a>das crian\u00e7as em sentido amplo e profundo, podem acabar sendo julgadas como tendo cometido um \u201cabandono intelectual\u201d. O desconcerto da medida \u00e9 flagrante quando se o contrasta com algumas situa\u00e7\u00f5es vividas nas escolas, onde algumas crian\u00e7as s\u00e3o n\u00e3o apenas abandonadas intelectualmente, mas expostas a expedientes degradantes \u2013 quando n\u00e3o t\u00eam, por vezes, sua integridade f\u00edsica amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>Por ir\u00f4nica coincid\u00eancia, eu ouvi esta semana o relato de uma fam\u00edlia com recursos parcos que matriculou as filhas numa escola estadual, mas que, por orienta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria diretora!, levou a mais velha para casa, ap\u00f3s ter feito um boletim de ocorr\u00eancia registrando a quarta ou quinta agress\u00e3o que a menina sofria de um outro garoto (coisa perigosa, acabou caindo e batendo a coluna na quina de um banco&#8230;) O garoto, este sim, pobrezinho, padece de um abandono, n\u00e3o s\u00f3 intelectual, mas moral, afetivo, total. Foi f\u00e1cil para esses pais perdoarem o agressor mirim, ao notarem que ele simplesmente reage assim ao sofrimento que experimenta em casa, e que n\u00e3o recebe a devida orienta\u00e7\u00e3o para lidar com ele. Por mais que a escola fa\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel suprir aquilo de que o garoto precisa. Quem est\u00e1 \u201cabandonado\u201d?<\/p>\n<p>Esses meus questionamentos n\u00e3o t\u00eam como arcabou\u00e7o a afirma\u00e7\u00e3o t\u00e1cita de que todas as escolas s\u00e3o ruins, ou de que a concep\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as em contexto escolar seja intrinsecamente ruim. Tamb\u00e9m n\u00e3o veicula tacitamente a ideia de que a educa\u00e7\u00e3o domiciliar seja em absoluto um modelo excelente \u2013 at\u00e9 porque nenhum modelo existe em absoluto, mas sim em cada caso concreto \u2013, muito menos a de que o <em>homeschooling<\/em> seja recomendado, indicado, aconselhado para qualquer fam\u00edlia. N\u00e3o, nenhuma dessas coisas. Todas as minhas pondera\u00e7\u00f5es t\u00eam como fundamento, agora sim, um princ\u00edpio verdadeiro e geral, que deve ser respeitado por todos e levado em considera\u00e7\u00f5es por todos os governos, \u00f3rg\u00e3os, institui\u00e7\u00f5es educacionais e&#8230; pelas pr\u00f3prias fam\u00edlias. Falo ao mesmo tempo de um direito e de uma responsabilidade.<\/p>\n<p>Antes de citar qualquer documento que advenha da autoridade religiosa, reproduzo algo que se l\u00ea na <a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/declaracao-universal-dos-direitos-humanos\">Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos<\/a>, adotada na ONU em 1948. Artigo 26:<\/p>\n<p><em>\u201c1. Todo ser humano tem direito \u00e0 instru\u00e7\u00e3o. [&#8230;]\u00a0<br \/><\/em><em>2. A instru\u00e7\u00e3o ser\u00e1 orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do ser humano e pelas liberdades fundamentais. [&#8230;]<br \/><\/em><em>3. Os pais t\u00eam prioridade de direito na escolha do g\u00eanero de instru\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 ministrada a seus filhos.\u201d<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p>Uma tend\u00eancia bastante perigosa de nossa \u00e9poca \u00e9 imaginar, em suma, que de algum modo a educa\u00e7\u00e3o dos filhos pode ser terceirizada<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Diz \u2013 repito \u2013 que <em>os pais t\u00eam prioridade de direito na escolha do g\u00eanero de instru\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 ministrada a seus filhos<\/em>. O Brasil \u00e9 signat\u00e1rio dessa declara\u00e7\u00e3o, e ali\u00e1s participou ativamente de sua elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, em 1994, publicou uma importante <em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/letters\/1994\/documents\/hf_jp-ii_let_02021994_families.html\">Carta \u00e0s fam\u00edlias<\/a><\/em>. Pelo n\u00famero 16, dizia o pont\u00edfice polon\u00eas:<\/p>\n<p><em>\u201c<\/em><em>Os pais s\u00e3o os primeiros e principais educadores dos pr\u00f3prios filhos e t\u00eam tamb\u00e9m neste campo uma compet\u00eancia fundamental: s\u00e3o educadores porque s\u00e3o pais. Eles partilham a sua miss\u00e3o educadora com outras pessoas e institui\u00e7\u00f5es, tais como a Igreja e o Estado; todavia, isto deve verificar-se sempre na correta aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da subsidiariedade. Este implica a legitimidade e mesmo o \u00f4nus de oferecer uma ajuda aos pais, mas encontra no direito prevalecente deles e nas suas efetivas possibilidades o seu limite intr\u00ednseco e intranspon\u00edvel.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Ali se afirma que o fato de sermos pais est\u00e1 intrinsecamente ligado ao papel de educar: <em>s\u00e3o educadores porque s\u00e3o pais<\/em>. A subsidiariedade do papel que t\u00eam o Estado e a Igreja n\u00e3o pode ferir o <em>direito prevalecente<\/em> dos pais. Diz tamb\u00e9m, a esse respeito, o <em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/p3s2cap2_2196-2557_po.html\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/em>, nos n\u00fameros 2211 e 2221:<\/p>\n<p>\u201c<em>A comunidade pol\u00edtica tem o dever de honrar a fam\u00edlia, de a assistir e de nomeadamente lhe garantir &#8230; a liberdade de fundar um lar, ter filhos e educ\u00e1-los de acordo com as suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es morais e religiosas.<br \/><\/em><em>O papel dos pais na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 de tal import\u00e2ncia que \u00e9 imposs\u00edvel substitu\u00ed-los. O direito e o dever da educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o primordiais e inalien\u00e1veis para os pais.\u201d<\/em><\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Entre uma e outra coisa, quero dizer, entre estes princ\u00edpios de primazia e direito dos pais de escolherem o modo de educar seus filhos e aquelas medidas em que o Estado se arroga o direito de defini-lo, est\u00e1 o grande problema de nossa \u00e9poca. Todo o problema gira em torno da unidade, da indivisibilidade que h\u00e1 na autoridade dos pais, que \u00e9 composta de direito e responsabilidade.<\/p>\n<p>Giremos a quest\u00e3o no ar, como uma ma\u00e7\u00e3, para que possamos apreci\u00e1-la desde v\u00e1rios pontos de vista.<\/p>\n<p>Uma tend\u00eancia bastante perigosa de nossa \u00e9poca \u00e9 imaginar, em suma, que de algum modo a educa\u00e7\u00e3o dos filhos pode ser terceirizada. Muitos pais, ao encontrarem uma boa escola, experimentam um certo al\u00edvio \u00edntimo, como se houvessem finalmente transferido para m\u00e3os especializadas a tarefa dif\u00edcil de formar um ser humano. Mas nenhuma institui\u00e7\u00e3o, por excelente que seja, pode substituir aquilo que apenas uma fam\u00edlia \u00e9 capaz de oferecer. A forma\u00e7\u00e3o fundamental do homem acontece no lar.<\/p>\n<p>\u00c9 ali que a crian\u00e7a aprende a amar, a confiar, a obedecer, a falar, a olhar o mundo. \u00c9 no ambiente dom\u00e9stico que se formam os h\u00e1bitos mais profundos da alma: o modo de tratar as pessoas, a rela\u00e7\u00e3o com a verdade, o senso de ordem, a delicadeza, a capacidade de conviv\u00eancia, o gosto pelas coisas belas e bem-feitas. Tudo o mais ser\u00e1, em maior ou menor medida, um prolongamento dessa primeira escola invis\u00edvel que \u00e9 a fam\u00edlia. Por isso os pais continuam sendo os principais educadores dos filhos, ainda quando delegam parte da instru\u00e7\u00e3o a professores. A escola participa da miss\u00e3o educativa; <em>n\u00e3o a substitui<\/em>.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Os col\u00e9gios viraram algo mais parecido com uma f\u00e1brica da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, ou mesmo com uma penitenci\u00e1ria, do que com uma casa, ou um mosteiro, como antigamente<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Talvez um dos maiores erros modernos tenha sido transformar os col\u00e9gios em institui\u00e7\u00f5es cada vez mais parecidas com reparti\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas \u2013 ou pior: com mecanismos de controle coletivo. Muitos estabelecimentos de ensino perderam completamente a atmosfera humana necess\u00e1ria \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a. Tornaram-se lugares frios, impessoais, governados pela rotina, pela padroniza\u00e7\u00e3o e pelo anonimato. Os col\u00e9gios viraram algo mais parecido com uma f\u00e1brica da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, ou mesmo com uma penitenci\u00e1ria, do que com uma casa, ou um mosteiro (que \u00e9 um outro tipo de fam\u00edlia e de lar), como antigamente. E, bem, uma crian\u00e7a n\u00e3o pode amadurecer bem em ambientes desumanizados.<\/p>\n<p>Uma escola deveria ser, de certo modo, uma continua\u00e7\u00e3o do lar, no sentido de conservar algo da vida humana concreta: o cuidado com os detalhes, a limpeza, a ordem, a presen\u00e7a pessoal, a amizade, o interesse verdadeiro pelos alunos como pessoas. \u00c9 curioso quando alguns educadores desprezem as \u201cmeras apar\u00eancias\u201d, como algo puramente exterior. A limpeza das salas, o estado das carteiras, os vidros quebrados, as l\u00e2mpadas queimadas, o ambiente feio e descuidado \u2013 tudo isso seria secund\u00e1rio diante dos \u201cverdadeiros problemas pedag\u00f3gicos\u201d. No entanto, o descuido material nunca \u00e9 apenas material. Ele revela uma forma de olhar para as pessoas. Ambientes degradados comunicam silenciosamente que nada ali \u00e9 realmente amado (preciso colar junto do artigo fotos de escolas p\u00fablicas brasileiras, ou o leitor j\u00e1 sabe bem do que estou falando?).<\/p>\n<p>Toda casa simples procura conservar certa dignidade. Substituem-se os objetos quebrados, limpam-se os m\u00f3veis, organiza-se o espa\u00e7o. N\u00e3o porque isso seja luxo, mas porque o ser humano necessita de ordem exterior para respirar interiormente. Um col\u00e9gio incapaz de cuidar minimamente do ambiente dificilmente conseguir\u00e1 ensinar aos alunos o amor pelas coisas bem-feitas.<\/p>\n<p>No outro extremo do problema, temos os col\u00e9gios mais ricos e bem equipados, que mergulharam de cabe\u00e7a nas novas tecnologias, trocaram papel e l\u00e1pis por <em>tablets<\/em>, e&#8230; esqueceram-se totalmente de que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo material. A ordem, o cuidado, o zelo, a responsabilidade pelas coisas materiais n\u00e3o \u00e9, em si mesma, material, certo? N\u00e3o s\u00e3o as coisas por si mesmas que importam, afinal. \u00c9 poss\u00edvel que um col\u00e9gio tenha pr\u00e9dios magn\u00edficos, equipamentos modernos, programas sofisticados \u2013 e ainda assim fracasse miseravelmente na forma\u00e7\u00e3o das pessoas. E tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel, naturalmente, em ambientes modestos, quase pobres, construir verdadeiros lares educativos, onde as crian\u00e7as cres\u00e7am cercadas de ordem, amizade, exig\u00eancia e sentido humano.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Talvez essa seja a pergunta decisiva para toda escola: as crian\u00e7as sentem-se ali como n\u00fameros ou como pessoas? Porque um col\u00e9gio s\u00f3 se torna verdadeiramente educativo quando deixa de parecer uma pris\u00e3o ou um parque de divers\u00f5es e come\u00e7a, ainda que imperfeitamente, a parecer uma <em>casa<\/em>.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma diferen\u00e7a essencial entre ensinar e educar \u2013 diferen\u00e7a t\u00e3o grande quanto a que existe entre fabricar objetos e formar almas. Ensinar pode tornar-se um processo mec\u00e2nico. Antigamente, esse \u201censino mec\u00e2nico\u201d era a transmiss\u00e3o impessoal de datas, f\u00f3rmulas, listas, defini\u00e7\u00f5es, nomes de rios, capitais e presidentes, como quem alimentava uma m\u00e1quina de repeti\u00e7\u00e3o. Atualmente, o \u201censino mec\u00e2nico\u201d \u00e9 ainda um pouco mais cruel: trata-se da programa\u00e7\u00e3o de comportamentos e a inculca\u00e7\u00e3o de valores nem sempre verbalizados, por t\u00e9cnicas das quais pode-se ter not\u00edcia, por exemplo, por meio do livro <a href=\"https:\/\/videeditorial.com.br\/maquiavel-pedagogo?search=maquiavel%20pedagogo\"><em>Maquiavel pedagogo<\/em><\/a>. Educar, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 uma coisa nem outra&#8230; Educar \u00e9 coisa de gente de verdade. Exige presen\u00e7a, conhecimento pessoal, v\u00ednculo humano, responsabilidade moral. Exige olhar para um aluno e enxergar nele n\u00e3o um n\u00famero, mas uma pessoa. \u00c9 por isso que a educa\u00e7\u00e3o em massa, embora talvez inevit\u00e1vel em muitos contextos modernos, carrega consigo um perigo permanente: transformar o col\u00e9gio, ou numa reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica, ou num neg\u00f3cio lucrativo, e o aluno, numa pe\u00e7a indistinta de um sistema.<\/p>\n<p>Pode-se instruir multid\u00f5es. Pode-se ensinar conte\u00fados em massa. Mas educar \u00e9 necessariamente um ato pessoal. Tamb\u00e9m porque a educa\u00e7\u00e3o verdadeira n\u00e3o se dirige apenas \u00e0 intelig\u00eancia; dirige-se \u00e0 vontade, ao car\u00e1ter, \u00e0 sensibilidade, ao senso moral, ao gosto, \u00e0 capacidade de amar o bem e desejar a verdade. Ela procura formar o homem inteiro. O conhecimento que se recebe na educa\u00e7\u00e3o, quero dizer, todo seu aspecto <em>intelectual<\/em>, n\u00e3o pode ser um conte\u00fado \u00e0 parte, desconectado do restante. <em>O verdadeiro conhecimento transforma a pessoa<\/em>. Por isso o verdadeiro col\u00e9gio deve aspirar a ser uma extens\u00e3o do lar \u2013 e por isso o lar, se assim for desejado e organizado pelos pais educadores, pode ser o ambiente central de toda a educa\u00e7\u00e3o, e <em>pode, sim<\/em>, conter a forma\u00e7\u00e3o intelectual.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Um col\u00e9gio-lar nasce da convic\u00e7\u00e3o de que cada aluno merece aten\u00e7\u00e3o pessoal, e <em>respeito<\/em> como pessoa<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Num lar aut\u00eantico, ningu\u00e9m \u00e9 reduzido a uma matr\u00edcula. Cada filho \u00e9 conhecido pelo nome, pelo temperamento, pelas limita\u00e7\u00f5es, pelos talentos e pelas feridas. Conhece-se sua forma de estudar, suas facilidades e dificuldades, seus entusiasmos e medos. Sabe-se quem s\u00e3o seus pais, qual o ambiente em que vive, quais problemas o cercam. \u00c9 assim que deveria ser tamb\u00e9m numa escola verdadeiramente humana. Um col\u00e9gio-lar nasce precisamente dessa convic\u00e7\u00e3o: a de que cada aluno merece aten\u00e7\u00e3o pessoal, e <em>respeito<\/em> como pessoa. O ambiente escolar deveria reproduzir, nesse sentido, o clima de uma fam\u00edlia numerosa e bem orientada: firme, ordenada, mas tamb\u00e9m calorosa e humana. Isso exige um enorme esfor\u00e7o dos educadores. Exige entusiasmo \u2013 essa virtude esquecida sem a qual toda pedagogia apodrece.<\/p>\n<p>Os grandes centros de forma\u00e7\u00e3o nunca se distinguiram apenas pela qualidade t\u00e9cnica dos seus m\u00e9todos, mas por uma atmosfera invis\u00edvel que impregnava tudo: professores que acreditavam profundamente no valor da miss\u00e3o que exerciam. Onde existe entusiasmo verdadeiro, a rotina perde for\u00e7a. Onde ele desaparece, mesmo os melhores sistemas degeneram. Quando uma escola alcan\u00e7a essa atmosfera, muitas estruturas artificiais se tornam desnecess\u00e1rias. Desaparecem naturalmente os delatores, os castigos, as humilha\u00e7\u00f5es, os mecanismos obsessivos de controle. Permanece apenas aquilo que realmente educa: o encontro entre as pessoas.<\/p>\n<p>No fundo, toda a quest\u00e3o escolar talvez possa ser reduzida a uma \u00fanica pergunta: queremos formar homens livres ou apenas administrar comportamentos? Aquilo que vem do Estado revela um direcionamento bem claro para a segunda op\u00e7\u00e3o. E em nossas casas, no fim das contas, a grande pergunta talvez deva ser esta: o que estamos construindo dentro de nossas casas? Lares de verdade, ou um espa\u00e7o de mera sobreviv\u00eancia cansada? Eis o grande drama contempor\u00e2neo: multiplicamos escolas, tecnologias, m\u00e9todos e avalia\u00e7\u00f5es, mas esquecemos que a verdadeira educa\u00e7\u00e3o continua dependendo, como sempre dependeu, da qualidade humana daqueles que educam \u2013 como em nossas casas. Nenhuma reforma pedag\u00f3gica substituir\u00e1 um professor que ama a pr\u00f3pria miss\u00e3o, e nenhum sistema salvar\u00e1 uma escola em que desapareceu o esp\u00edrito de lar. Ou seja, nenhuma escola ser\u00e1 sin\u00f4nimo de verdadeira educa\u00e7\u00e3o se n\u00e3o for uma continua\u00e7\u00e3o daquilo que pretendem os pais.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Queremos formar homens livres ou apenas administrar comportamentos? Aquilo que vem do Estado revela um direcionamento bem claro para a segunda op\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cOs pais s\u00e3o os primeiros e principais educadores dos pr\u00f3prios filhos e t\u00eam tamb\u00e9m neste campo uma compet\u00eancia fundamental: s\u00e3o educadores porque s\u00e3o pais.\u201d \u201cOs pais t\u00eam prioridade de direito na escola do g\u00eanero de instru\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 ministrada a seus filhos.\u201d \u201cA comunidade pol\u00edtica tem o dever de honrar a fam\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p>Os pais, aqueles que assumem sua responsabilidade como tais, que buscam ser aquilo que deveriam, apesar de todas as dificuldades, transformam seu amor em fidelidade concreta mesmo quando o entusiasmo j\u00e1 passou; transformam o dever em servi\u00e7o; transformam a rotina em ocasi\u00e3o de entrega; transformam suas casas em lugares onde os filhos possam respirar estabilidade, verdade, esperan\u00e7a e afeto. Os filhos talvez nunca percebam imediatamente o tamanho desse esfor\u00e7o&#8230; A inf\u00e2ncia costuma ser distra\u00edda demais para compreender a grandeza dos sacrif\u00edcios cotidianos! Mas o ambiente espiritual de uma casa molda silenciosamente a alma deles. Uma fam\u00edlia em que h\u00e1 presen\u00e7a verdadeira, coer\u00eancia, perd\u00e3o e f\u00e9 deixa marcas que nenhuma pedagogia consegue substituir.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o servem aos pais e \u00e0quilo que eles, em seu direito e responsabilidade inalien\u00e1veis, desejam para seus filhos, as escolas podem ser fechadas sem nenhum preju\u00edzo para as pessoas. Talvez quem se prejudique sejam os pol\u00edticos e os empres\u00e1rios&#8230; Se servem aos pais e os apoiam e ajudam na educa\u00e7\u00e3o de seus filhos, se s\u00e3o extens\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, as escolas merecem ser louvadas e favorecidas. Ningu\u00e9m sequer questionaria serem ou n\u00e3o obrigat\u00f3rias, porque seriam desej\u00e1veis e desejadas. Pois, dito numa frase, educar \u00e9 sempre algo que se faz em casa. Cabe \u00e0s escolas parecerem-se, mais ou menos, com um verdadeiro lar.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas decis\u00f5es recentes dos \u00f3rg\u00e3os de Justi\u00e7a envolvendo fam\u00edlias que educavam os seus filhos em modalidade de homeschooling, isto \u00e9,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":447685,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-447684","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/447684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=447684"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/447684\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/447685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=447684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=447684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=447684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}