{"id":438748,"date":"2026-05-28T16:16:21","date_gmt":"2026-05-28T20:16:21","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=438748"},"modified":"2026-05-28T16:16:21","modified_gmt":"2026-05-28T20:16:21","slug":"combustivel-supera-cocaina-e-vira-uma-das-maiores-fontes-de-renda-do-crime-organizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=438748","title":{"rendered":"Combust\u00edvel supera coca\u00edna e vira uma das maiores fontes de renda do crime organizado"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Alvo da opera\u00e7\u00e3o Fluxo Oculto nesta quinta-feira (28), o setor de combust\u00edvel se tornou uma das principais fontes de receita do crime organizado e est\u00e1 conectado ao mercado financeiro para lavagem de dinheiro, por meio das <em>fintechs<\/em> e dos fundos de investimento. Segundo dados do <a href=\"https:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/server\/api\/core\/bitstreams\/320afcf2-bcb9-486f-a309-4dac6077cc10\/content\">Atlas da Viol\u00eancia de 2026<\/a>, divulgado na ter\u00e7a-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, o tr\u00e1fico de coca\u00edna representa apenas 10% da receita do crime organizado brasileiro, atr\u00e1s dos segmentos de combust\u00edveis, bebidas e ouro.<\/p>\n<p>O setor de combust\u00edveis lidera a explora\u00e7\u00e3o de mercados formais pelo crime organizado com receita anual acima de R$ 60 bilh\u00f5es, o que <strong>representa cerca de 40% da receita das fac\u00e7\u00f5es<\/strong>. \u201cCom o desenvolvimento e consolida\u00e7\u00e3o do modelo de neg\u00f3cio criminal mais sofisticado, houve um processo de diversifica\u00e7\u00e3o de atividades, em que as organiza\u00e7\u00f5es criminosas se inseriram, inclusive dentro das cadeias produtivas legais e nas administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas\u201d, avalia o Atlas da Viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente a sofistica\u00e7\u00e3o desse modelo de neg\u00f3cio que \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/brasil\/seis-fintechs-alvos-operacao-suspeita-lavagem-dinheiro-pcc\/\">alvo da opera\u00e7\u00e3o desta quinta-feira<\/a>, um desdobramento da Carbono Oculto, que mira o esquema bilion\u00e1rio de adultera\u00e7\u00e3o e fraudes no setor de combust\u00edveis e a utiliza\u00e7\u00e3o do centro financeiro da Faria Lima, em S\u00e3o Paulo, para a lavagem dos recursos il\u00edcitos. \u201cO andar de cima se profissionalizou: as lideran\u00e7as estruturaram redes sofisticadas de lavagem de dinheiro, infiltra\u00e7\u00e3o em mercados formais, blindagem patrimonial e conex\u00f5es pol\u00edticas\u201d, aponta o levantamento.<\/p>\n<p>O promotor do Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Jo\u00e3o Paulo Gabriel explica que as <em>fintechs<\/em> possuem camadas que contribuem para a blindagem patrimonial. Al\u00e9m disso, a intensa movimenta\u00e7\u00e3o financeira favorece o recebimento de valores de m\u00faltiplas origens e a redistribui\u00e7\u00e3o para diversas contas, o que possibilitou at\u00e9 a reorganiza\u00e7\u00e3o do esquema ap\u00f3s a primeira fase da opera\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo (MP-SP), em agosto do ano passado.<\/p>\n<p>\u201cEssas institui\u00e7\u00f5es financeiras se reestruturaram ap\u00f3s a Carbono Oculto. Identificamos a movimenta\u00e7\u00e3o de R$ 4 bilh\u00f5es que sa\u00edram das fintechs que foram alvo da primeira fase da opera\u00e7\u00e3o para aquelas investigadas na segunda fase&#8221;, informa.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>&#8220;PIB do crime&#8221; totaliza R$ 146 bilh\u00f5es com atividades do mercado formal<\/h2>\n<p>Segundo o estudo de rastreamento de produtos do crime organizado, realizado pelo F\u00f3rum de Seguran\u00e7a P\u00fablica e citado pelo Atlas da Viol\u00eancia, a estimativa anual de receita com a atividade ligada a combust\u00edveis e lubrificantes \u00e9 de R$ 61,5 bilh\u00f5es, o que representa 41,8% dos neg\u00f3cios das fac\u00e7\u00f5es na explora\u00e7\u00e3o de mercados da economia formal.\u00a0<\/p>\n<p>Confira os <strong>principais mercados explorados<\/strong> pelas organiza\u00e7\u00f5es criminosas, que totalizam uma receita anual m\u00e9dia de R$ 146,6 bilh\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<ul>\n<li><span><strong>Combust\u00edveis<\/strong>: a comercializa\u00e7\u00e3o ilegal chega a 13 bilh\u00f5es de litros por ano e provoca perdas fiscais de R$ 23 bilh\u00f5es.<\/span><\/li>\n<li><span><strong>Bebidas<\/strong>: produtos contrabandeados e falsificados representam 38,8% do mercado ilegal. A estimativa de receita anual \u00e9 de R$ 56,9 bilh\u00f5es.<\/span><\/li>\n<li><span><strong>Ouro<\/strong>: a extra\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o ilegal correspondem a 12,4% da receita criminosa, o equivalente a R$ 18,2 bilh\u00f5es por ano.<\/span><\/li>\n<li><span><strong>Tabaco<\/strong>: o mercado ilegal responde por 40% do consumo nacional de cigarros. A receita m\u00e9dia anual \u00e9 de R$ 10,3 bilh\u00f5es, o que representa 7% do faturamento proveniente da explora\u00e7\u00e3o de mercados formais. Nos \u00faltimos 11 anos, os preju\u00edzos fiscais superaram R$ 94 bilh\u00f5es.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Receita com combust\u00edveis fica atr\u00e1s apenas de crimes digitais<\/h2>\n<p>Segundo os dados do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, o tr\u00e1fico de coca\u00edna gerou receita estimado de R$ 15 bilh\u00f5es entre 2022 e 2023, um quarto do obtido pelo crime organizado com a explora\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Conforme o estudo de rastreamento de produtos ilegais, apenas a soma dos valores movimentados com crimes digitais e roubos de celulares, que totalizam mais de R$ 186 bilh\u00f5es por ano, supera a receita gerada pela infiltra\u00e7\u00e3o do crime organizado no setor de combust\u00edveis.\u00a0Ao todo, o <strong>crime organizado movimenta aproximadamente R$ 350 bilh\u00f5es<\/strong> anualmente, se somado os roubos de celulares e, principalmente, os crimes digitais.<\/p>\n<p>O Atlas da Viol\u00eancia deste ano afirma que entre 2018 e 2024, o n\u00famero de roubos reportados \u00e0 pol\u00edcia caiu pela metade. No entanto, o registro de estelionatos, principalmente virtuais, multiplicou mais de cinco vezes. \u201cA mudan\u00e7a do <em>modus operandi<\/em> do crime contra o patrim\u00f4nio e do seu espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o surpreendeu as autoridades, que n\u00e3o estavam preparadas para enfrentar adequadamente os novos desafios, ao mesmo tempo em que contribuiu para aumentar a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a\u201d, alerta.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Crime organizado migrou para mercados com menor repress\u00e3o<\/h2>\n<p>O especialista em Seguran\u00e7a P\u00fablica Wagner Mesquita confirma que o avan\u00e7o das fac\u00e7\u00f5es em setores como combust\u00edveis, contrabando e servi\u00e7os clandestinos acompanha uma mudan\u00e7a estrat\u00e9gica do crime organizado no Brasil. Segundo ele, organiza\u00e7\u00f5es criminosas passaram a priorizar atividades com alto retorno financeiro, mas com menor repress\u00e3o estatal e baixa reprova\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>\u201cO crime organizado percebeu que existem atividades com retorno financeiro t\u00e3o alto quanto o tr\u00e1fico de drogas, mas com penas mais brandas e menor reprova\u00e7\u00e3o social. No Paran\u00e1, por exemplo, o contrabando de cigarros gera lucros compar\u00e1veis aos do narcotr\u00e1fico, mas sem a mesma percep\u00e7\u00e3o negativa da sociedade e sem a mesma intensidade de repress\u00e3o\u201d, afirma o especialista.<\/p>\n<p>Mesquita tamb\u00e9m relaciona essa transforma\u00e7\u00e3o ao modelo adotado pelas mil\u00edcias no Rio de Janeiro, que ampliaram o controle sobre servi\u00e7os clandestinos e mercados paralelos voltados ao consumo cotidiano da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs mil\u00edcias no Rio de Janeiro abriram caminho para esse modelo ao explorar a internet clandestina e outros mercados dominados territorialmente. Essas atividades geram grande retorno financeiro e n\u00e3o provocam a mesma repercuss\u00e3o social do tr\u00e1fico de drogas\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Investiga\u00e7\u00f5es complexas sobre combust\u00edveis e fintechs exigem mais do poder p\u00fablico<\/h2>\n<p>Mesquita destaca ainda que investiga\u00e7\u00f5es envolvendo combust\u00edveis, fintechs e lavagem de dinheiro exigem uma separa\u00e7\u00e3o detalhada entre opera\u00e7\u00f5es legais e ilegais, o que amplia a complexidade das apura\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Em setores como combust\u00edveis ou <em>fintechs<\/em> existe uma atividade formal funcionando junto da parte ilegal. A pol\u00edcia precisa separar o que \u00e9 l\u00edcito do que \u00e9 il\u00edcito, identificar lavagem de dinheiro e demonstrar claramente a atividade criminosa. Isso torna a investiga\u00e7\u00e3o muito mais complexa\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Para ele, a estrutura montada para combater o narcotr\u00e1fico tamb\u00e9m contribuiu para essa migra\u00e7\u00e3o das fac\u00e7\u00f5es para crimes financeiros e setores econ\u00f4micos estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>\u201cHoje, o Estado possui estrutura e legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edficas para combater o tr\u00e1fico de drogas. J\u00e1 crimes ligados a combust\u00edveis, contrabando e opera\u00e7\u00f5es financeiras exigem investiga\u00e7\u00f5es mais complexas e integra\u00e7\u00e3o com \u00f3rg\u00e3os fiscais, o que dificulta a repress\u00e3o e favorece a migra\u00e7\u00e3o das fac\u00e7\u00f5es para esses setores&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alvo da opera\u00e7\u00e3o Fluxo Oculto nesta quinta-feira (28), o setor de combust\u00edvel se tornou uma das principais fontes de receita&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":438443,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-438748","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/438748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=438748"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/438748\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/438443"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=438748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=438748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=438748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}