{"id":437926,"date":"2026-05-28T11:01:43","date_gmt":"2026-05-28T15:01:43","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=437926"},"modified":"2026-05-28T11:01:43","modified_gmt":"2026-05-28T15:01:43","slug":"fintechs-se-tornaram-duto-do-crime-organizado-para-lavagem-de-dinheiro-do-pcc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=437926","title":{"rendered":"Fintechs se tornaram \u201cduto do crime organizado\u201d para lavagem de dinheiro do PCC"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo (MPSP) afirmou nesta quinta-feira (28) que fintechs passaram a ser usadas como \u201cduto do crime organizado\u201d para lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), em um esquema bilion\u00e1rio que movimentou recursos do tr\u00e1fico de drogas e armas e adultera\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis. As declara\u00e7\u00f5es foram feitas durante uma entrevista coletiva sobre a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/brasil\/seis-fintechs-alvos-operacao-suspeita-lavagem-dinheiro-pcc\/\">Opera\u00e7\u00e3o Fluxo Oculto, realizada mais cedo em cinco estados<\/a> e voltada contra seis empresas do setor financeiro digital suspeitas de liga\u00e7\u00e3o com a fac\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o ocorreu nos estados de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paran\u00e1 e Mato Grosso do Sul e \u00e9 considerada um desdobramento da Opera\u00e7\u00e3o Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado. Segundo o Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o PCC reorganizou sua estrutura financeira ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o de 2025 e ampliou o n\u00famero de fintechs usadas para ocultar dinheiro il\u00edcito.<\/p>\n<p>\u201cEssas fintechs est\u00e3o sendo exploradas n\u00e3o apenas por essa organiza\u00e7\u00e3o criminosa, como por outros grupos criminosos tamb\u00e9m, compartilhando os mesmos espa\u00e7os de fluxo financeiro. Essas empresas t\u00eam se tornado um duto do crime organizado para esse fluxo de lavagem do dinheiro il\u00edcito\u201d, afirmou o promotor Jo\u00e3o Paulo Gabriel.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>O promotor explicou que as investiga\u00e7\u00f5es identificaram quatro frentes principais envolvendo as fintechs. A primeira delas est\u00e1 relacionada \u00e0 pr\u00f3pria estrutura dessas empresas, que utilizam \u201ccontas-bols\u00f5es\u201d para esconder a origem e o destino dos recursos, criando camadas de blindagem patrimonial exploradas pelas organiza\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p>Essas opera\u00e7\u00f5es passaram a ser proibidas pelo Banco Central, no ano passado, por reunirem recursos de v\u00e1rios clientes em apenas uma conta para a compensa\u00e7\u00e3o do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Desde ent\u00e3o, uma norma obrigou as fintechs a informarem \u00e0 Receita Federal quem s\u00e3o os respons\u00e1veis e benefici\u00e1rios pelos recursos.<\/p>\n<p>Segundo a Receita Federal, tr\u00eas das fintechs alvos da opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o prestaram contas \u00e0 Receita Federal sobre os investimentos, e outras tr\u00eas declararam ter movimentado cerca de R$ 8 bilh\u00f5es entre janeiro e dezembro de 2025.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo Gabriel explicou que, durante a Opera\u00e7\u00e3o Carbono Oculto, se descobriu que pelo menos tr\u00eas fintechs era utilizadas pelo PCC. Ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o, a fac\u00e7\u00e3o se reorganizou e passou a utilizar seis empresas, \u201co que propiciou criar v\u00e1rias camadas para o fluxo financeiro\u201d, afirmou pontuando que a investiga\u00e7\u00e3o rastreou a transfer\u00eancia de R$ 4 bilh\u00f5es das empresas j\u00e1 investigadas para as fintechs alvo da nova opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A terceira linha apontada pelo Gaeco envolve a cria\u00e7\u00e3o de fintechs de fachada em nome de laranjas logo ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o do ano passado. Segundo Jo\u00e3o Paulo Gabriel, uma das empresas investigadas teria encerrado contratos antigos e refeito toda a estrutura operacional usando novas companhias fict\u00edcias, inclusive com capital social formado por t\u00edtulos podres, ou seja, sem lastro financeiro comprovado.<\/p>\n<p>O promotor afirmou ainda que o setor apresenta sinais de contamina\u00e7\u00e3o pelo crime organizado. \u201cA pr\u00f3pria estrutura das fintechs, nesse cen\u00e1rio, mas sem generalizar, est\u00e1 bastante contaminada. V\u00e1rias j\u00e1 foram alvos de outras opera\u00e7\u00f5es tanto da Pol\u00edcia Federal como do Gaeco\u201d, declarou.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Conex\u00e3o entre fac\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>E, por fim, o quarto eixo que \u00e9 considerado pelas autoridades como \u201ctalvez o mais preocupante\u201d, por envolver a converg\u00eancia entre diferentes organiza\u00e7\u00f5es criminosas dentro do mesmo sistema financeiro. Segundo o Gaeco, as fintechs investigadas eram utilizadas simultaneamente por v\u00e1rios grupos criminosos, compartilhando os mesmos canais de movimenta\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que a Carbono Oculto foi \u201ca maior opera\u00e7\u00e3o contra organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d j\u00e1 realizada no pa\u00eds. Segundo ele, as investiga\u00e7\u00f5es descobriram \u201ccomplexas estruturas de cadeias de fundos de investimentos utilizados para lavar dinheiro e ocultar os reais benefici\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAquelas pessoas que, do conforto das suas mans\u00f5es e apartamentos de luxo nas \u00e1reas mais nobres do pa\u00eds e do exterior, financiam e ganham com o desespero da popula\u00e7\u00e3o brasileira que \u00e9 v\u00edtima das organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, declarou.<\/p>\n<p>A Receita Federal informou que o avan\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es s\u00f3 foi poss\u00edvel ap\u00f3s mudan\u00e7as regulat\u00f3rias que passaram a exigir mais transpar\u00eancia das fintechs e fundos de investimentos. Segundo Barreirinhas, o Brasil convivia com um \u201cv\u00e1cuo regulat\u00f3rio e de governan\u00e7a\u201d que permitia a essas empresas atuarem sem as mesmas obriga\u00e7\u00f5es impostas aos bancos tradicionais.<\/p>\n<p>As autoridades revelaram ainda que as fintechs investigadas movimentaram R$ 26 bilh\u00f5es e que parte dessas opera\u00e7\u00f5es ocorreu com dinheiro em esp\u00e9cie. Segundo a Receita, algumas empresas chegaram a movimentar R$ 1 bilh\u00e3o em dinheiro vivo e uma delas realizou opera\u00e7\u00f5es de R$ 1 milh\u00e3o diretamente em esp\u00e9cie.<\/p>\n<h2>Espalhamento da adultera\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis<\/h2>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o desta quinta-feira (28) tamb\u00e9m avan\u00e7ou sobre o esquema de adultera\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis pelo PCC descoberto no ano passado durante a Opera\u00e7\u00e3o Carbono Oculto. O promotor Yuri Fisberg afirmou que, ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o, empresas ligadas \u00e0 fraude passaram a abrir novas companhias de fachada em diversos estados do pa\u00eds, principalmente nas regi\u00f5es Norte e Nordeste.<\/p>\n<p>\u201cEssas empresas simulavam compras milion\u00e1rias de nafta enquanto o combust\u00edvel era entregue em postos da capital paulista e da Grande S\u00e3o Paulo\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m resultaram na identifica\u00e7\u00e3o e lacra\u00e7\u00e3o de empresas e terminais terrestres ligados ao esquema. De acordo com o Gaeco, toda a movimenta\u00e7\u00e3o financeira encontrada apresenta conex\u00e3o direta com os alvos j\u00e1 investigados na opera\u00e7\u00e3o anterior e com estruturas ligadas a fundos de investimentos e fintechs utilizadas pelo PCC.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo (MPSP) afirmou nesta quinta-feira (28) que fintechs passaram a ser usadas como \u201cduto do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":437642,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-437926","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/437926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=437926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/437926\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/437642"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=437926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=437926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=437926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}