{"id":435082,"date":"2026-05-27T14:12:08","date_gmt":"2026-05-27T18:12:08","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=435082"},"modified":"2026-05-27T14:12:08","modified_gmt":"2026-05-27T18:12:08","slug":"se-o-fim-da-escala-6x1-for-aprovado-quanto-vai-custar-meu-costelao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=435082","title":{"rendered":"Se o fim da escala 6\u00d71 for aprovado, quanto vai custar meu Costel\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/05\/27151055\/ChatGPT-Image-27-de-mai.-de-2026-14_51_52.jpg.webp\" \/><span>Fim da escala 6&#8243;1 pode encarecer servi\u00e7os, reduzir empregos e aumentar o custo de vida sem melhorar a produtividade. (Foto: Imagem criada utilizando Chatgpt\/Gazeta do Povo)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O Costel\u00e3o \u00e9 um tradicional tipo de restaurante curitibano. A proposta \u00e9 simples: servir costela r\u00fastica como prato principal, al\u00e9m de outras carnes feitas na brasa e, claro, um vasto buffet de acompanhamentos. Uma das curiosidades \u00e9 que algumas unidades funcionam todos os dias, por 24 horas. Quem \u00e9 curitibano sabe exatamente do que estou falando. E quem n\u00e3o \u00e9, espero que j\u00e1 tenha tido a sorte de visitar Curitiba acompanhado de algu\u00e9m que o levou a um Costel\u00e3o.<\/p>\n<p>Estive em uma dessas unidades neste fim de semana e sa\u00ed de l\u00e1 com uma pergunta na cabe\u00e7a: quanto custaria um almo\u00e7o no Costel\u00e3o se o fim da escala 6&#215;1 for aprovado?<\/p>\n<p>Para responder \u00e0 pergunta, precisei fazer algumas contas. O meu prato foi a escolha cl\u00e1ssica: o executivo com uma op\u00e7\u00e3o de carne, a R$ 60,00.<\/p>\n<p>Um Costel\u00e3o de pequeno porte, com cerca de 30 lugares, funcionando 24 horas por dia, 7 dias por semana, opera em 3 turnos de 8 horas, totalizando 21 turnos ao longo da semana inteira. Para manter um estabelecimento desse rodando, voc\u00ea precisa de gente em, no m\u00ednimo, quatro frentes: atendimento, cozinha, caixa e limpeza.<\/p>\n<p>No atendimento, s\u00e3o necess\u00e1rios, no m\u00ednimo, 5 gar\u00e7ons por turno. Com a jornada atual de 44 horas semanais, isso exige cerca de 10 gar\u00e7ons na folha. O sal\u00e1rio m\u00e9dio de um gar\u00e7om em Curitiba \u00e9 de R$ 1.900, mas o empres\u00e1rio n\u00e3o paga s\u00f3 R$ 1.900.<\/p>\n<p>Ele paga o custo CLT, que inclui INSS patronal, FGTS, 13\u00ba sal\u00e1rio, f\u00e9rias, vale-transporte e vale-refei\u00e7\u00e3o, chegando a 1,75 vez o sal\u00e1rio l\u00edquido que o gar\u00e7om recebe. Cada gar\u00e7om custa, portanto, R$ 3.325 por m\u00eas, e os 10 somam R$ 33.250.<\/p>\n<p>Na cozinha, o m\u00ednimo por turno s\u00e3o 3 pessoas: um churrasqueiro, um auxiliar e um respons\u00e1vel pelo buffet. Para cobrir os tr\u00eas turnos com folgas regulares, s\u00e3o necess\u00e1rios cerca de 8 funcion\u00e1rios, custando R$ 3.150 cada, o que totaliza R$ 25.200.<\/p>\n<p>No caixa, ao menos 1 operador por turno exige 4 funcion\u00e1rios na escala, totalizando R$ 11.900. A limpeza tamb\u00e9m exige ao menos 2 pessoas por turno para dar conta do sal\u00e3o, dos banheiros e da \u00e1rea da churrasqueira, o que soma mais 7 funcion\u00e1rios na escala, custando R$ 2.800 cada e totalizando R$ 19.600.<\/p>\n<p>No total, s\u00e3o 29 funcion\u00e1rios e uma folha mensal de R$ 89.950 s\u00f3 de pessoal.<\/p>\n<p>Com a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/reducao-jornada-trabalho-fim-escala-6x1-impactos\/\">PEC <\/a>aprovada, pela relatoria apresentada pelo deputado L\u00e9o Prates, isto \u00e9, a escala 5&#215;2, cada funcion\u00e1rio deixa de trabalhar 44 horas por semana e passa a trabalhar 40 horas, com direito a dois dias de folga, sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio. Com menos horas dispon\u00edveis por semana, cada um cobre menos turnos e, para manter as mesmas 168 horas semanais de opera\u00e7\u00e3o, o restaurante precisaria contratar mais 2 gar\u00e7ons, mais 2 na cozinha, mais 1 no caixa e mais 2 na limpeza.<\/p>\n<p>S\u00e3o 7 novos funcion\u00e1rios e R$ 21.525 a mais por m\u00eas s\u00f3 de pessoal. Sem contar insumos, energia e aluguel, que tamb\u00e9m sobem quando toda a cadeia produtiva sofre o mesmo impacto ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Se diluirmos os R$ 21.525 pelos cerca de 1.800 pratos servidos por m\u00eas em um restaurante desse porte, o prato que hoje custa R$ 60,00 precisaria ir para pelo menos R$ 72,00, somente para cobrir o custo adicional de pessoal. Um aumento de 20%, sem que nada no prato tenha mudado.<\/p>\n<p>E o detalhe \u00e9 que o que acabamos de calcular aqui \u00e9 a proposta mais moderada, a escala 5&#215;2. S\u00f3 que, de \u00faltima hora, o presidente do PL, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/pl-tenta-enquadrar-esquerda-com-apoio-a-escala-de-trabalho-4x3\/\">S\u00f3stenes Cavalcante<\/a>, anunciou apoio \u00e0 escala 4&#215;3, a mesma proposta apresentada por Erika Hilton, do PSOL. Estamos falando do maior partido de oposi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, que, em tese, deveria defender uma economia menos engessada e mais favor\u00e1vel \u00e0 livre iniciativa.<\/p>\n<p>Se essa vers\u00e3o for aprovada, o mesmo restaurante precisaria contratar n\u00e3o 7, mas cerca de 12 novos funcion\u00e1rios para manter a opera\u00e7\u00e3o. O custo adicional saltaria para aproximadamente R$ 36.000 por m\u00eas, e o prato que hoje custa R$ 60,00 precisaria ser vendido a pelo menos R$ 80,00 para cobrir s\u00f3 a folha. Um aumento de 33%, sem que nada no prato tenha mudado.<\/p>\n<p>E o problema vai al\u00e9m: em um cen\u00e1rio em que se obriga, na canetada, milhares de estabelecimentos a aumentarem seus custos operacionais, o pre\u00e7o de tudo sobe junto. O custo de vida do brasileiro fica mais alto. Ou seja, aquele curitibano que n\u00e3o tinha grandes dificuldades para pagar um costel\u00e3o uma vez por semana provavelmente vai trocar a experi\u00eancia por um PF mais barato ou por compras no mercado. E \u00e9 assim que a economia come\u00e7a a se retrair.<\/p>\n<blockquote>\n<p>No fim das contas, quem mant\u00e9m qualquer empresa de p\u00e9 \u00e9 sempre o cliente. E, quando o cliente come\u00e7a a cortar gastos, a conta deixa de fechar. O restaurante reduz a opera\u00e7\u00e3o, corta funcion\u00e1rios ou simplesmente fecha as portas<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>E a\u00ed vem a ironia: aqueles gar\u00e7ons que, em tese, deveriam comemorar o fim da escala 6&#215;1 podem acabar ficando sem emprego.<\/p>\n<p>E \u00e9 assim que pol\u00edticas populistas funcionam: vendendo a ilus\u00e3o de que problemas complexos podem ser resolvidos na base da canetada. Se a escala atual \u00e9 pesada, a solu\u00e7\u00e3o deveria ser um debate sobre uma legisla\u00e7\u00e3o trabalhista engessada e ultrapassada, que torna contratar no Brasil cada vez mais caro.<\/p>\n<p>No fim, a conta sempre chega. E ela chega no bolso do gar\u00e7om, do caixa, do churrasqueiro, da diarista e, \u00e9 claro, no seu bolso.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fim da escala 6&#8243;1 pode encarecer servi\u00e7os, reduzir empregos e aumentar o custo de vida sem melhorar a produtividade. 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