{"id":432647,"date":"2026-05-26T10:03:02","date_gmt":"2026-05-26T14:03:02","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=432647"},"modified":"2026-05-26T10:03:02","modified_gmt":"2026-05-26T14:03:02","slug":"uma-em-cada-quatro-mulheres-sofre-com-depressao-pos-aborto-decadas-depois-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=432647","title":{"rendered":"Uma em cada quatro mulheres sofre com depress\u00e3o p\u00f3s-aborto d\u00e9cadas depois, diz estudo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Um estudo publicado no fim de 2025 no <em>International Journal of Women\u2019s Health Car<\/em>e mediu a preval\u00eancia e a intensidade dos casos de sofrimento emocional p\u00f3s-aborto. O objetivo era compreender se esses sintomas diminuem ou persistem com o passar dos anos. Para isso, um grupo de mulheres entre 41 e 45 anos participou da pesquisa, liderada pelo padre Donald Paul Sullins, da Universidade Cat\u00f3lica da Am\u00e9rica e do Instituto Ruth.<\/p>\n<p>No total, o estudo contou com mil mulheres residentes nos Estados Unidos. Deste grupo inicial, a amostra anal\u00edtica foi composta por 226 mulheres que relataram ter passado por pelo menos um aborto ao longo da vida. Analisando o hist\u00f3rico dos \u00faltimos 20 anos desse grupo, Sullins observou que o tempo n\u00e3o diminuiu o sofrimento p\u00f3s-aborto. Do contr\u00e1rio, ele persistiu por d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Entre as respostas obtidas pelo pesquisador nesse grupo, 44,8% das mulheres disseram ter lidado com um tipo de sofrimento emocional relacionado ao procedimento, sendo 20,7% de n\u00edvel moderado e 24,1% de n\u00edvel alto. Tamb\u00e9m 31,2% mencionaram ter sentimentos frequentes de perda, luto ou tristeza, enquanto 24,6% relataram ter pensamentos, sonhos ou flashbacks frequentes sobre o aborto.<\/p>\n<p>Baseado nessas informa\u00e7\u00f5es, Sullins concluiu que embora grande parte das mulheres que induziram o aborto n\u00e3o se sinta perturbada com a decis\u00e3o, h\u00e1 uma parcela significativa que permanece angustiada. O estudo mostra que, em 2022, estimava-se que 14 milh\u00f5es de mulheres nos EUA sofriam de estresse p\u00f3s-aborto.<\/p>\n<p>Segundo Sullins, na conclus\u00e3o do estudo, \u201cs\u00e3o necess\u00e1rias pesquisas para melhor compreender os fatores de risco para o sofrimento emocional a longo prazo ap\u00f3s um aborto e para desenvolver interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas eficazes. As mulheres que consideram fazer um aborto devem ser informadas sobre a possibilidade de vivenciarem sofrimento emocional persistente\u201d.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>A supera\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o p\u00f3s-aborto<\/h2>\n<p>A paraibana Zez\u00e9 Luz, mission\u00e1ria cat\u00f3lica, orientadora familiar e fundadora da Rede Colaborativa Brasil, \u00e9 um caso que ilustra com clareza o sofrimento p\u00f3s-aborto. Ela conta que engravidou ap\u00f3s sofrer uma viol\u00eancia na juventude. Sem o amparo de pessoas que valorizassem a vida na \u00e9poca, decidiu abortar e, como consequ\u00eancia psicol\u00f3gica, viveu em depress\u00e3o dos 19 aos 33 anos, entregou-se ao alcoolismo e manteve relacionamentos passageiros.<\/p>\n<p>Alguns anos mais tarde, Zez\u00e9 teve uma filha e, passados cinco anos do nascimento da crian\u00e7a, ela descobriu um endometrioma que, segundo o m\u00e9dico que a atendia, havia sido causado por restos daquele primeiro beb\u00ea que foi abortado. &#8220;Foi retirado um peda\u00e7o de carne viva dentro de mim e o m\u00e9dico disse que aquilo n\u00e3o era normal. Tratava-se dos restos do beb\u00ea que eu havia abortado. Era a sequela do aborto que eu tinha feito porque naquele procedimento o meu endom\u00e9trio foi perfurado e eu n\u00e3o sabia disso&#8221;, <a href=\"https:\/\/www.semprefamilia.com.br\/defesa-da-vida\/ela-abortou-e-15-anos-depois-descobriu-que-ainda-havia-restos-do-bebe-em-seu-corpo\/\">contou ela ao Sempre Fam\u00edlia<\/a>, em 2016.<\/p>\n<p>Em outubro de 2014, ap\u00f3s passar pelo Crisma e conhecer as pastorais e movimentos da Igreja Cat\u00f3lica, ela foi chamada para participar do lan\u00e7amento da Comiss\u00e3o Arquidiocesana de Defesa da Vida do Rio de Janeiro. \u201cFoi a\u00ed que entendi que aquela era uma oportunidade de repara\u00e7\u00e3o que eu estava recebendo, compreendendo a gravidade do que vivi, da depress\u00e3o e das consequ\u00eancias da pr\u00e1tica do aborto provocado\u201d, lembra ela em conversa recente com a Gazeta do Povo, ao explicar que foi ali que tomou consci\u00eancia de que poderia ajudar outras mulheres a n\u00e3o passarem pelo mesmo que ela.<\/p>\n<p>Nas palestras e acolhimentos a mulheres que faz hoje, Zez\u00e9 atesta o que Sullins observou em seu estudo, sobre o sofrimento emocional. \u201cH\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que se passaram 10, 20, 30 e at\u00e9 50 anos, casos de pessoas j\u00e1 idosas, que tiveram um aborto provocado e ainda hoje se lembram e sentem a perda. A grande maioria diz que, se tivesse conhecido a verdade no passado, n\u00e3o teria desistido dos seus filhos e se deixado persuadir\u201d.<\/p>\n<p>Para Zez\u00e9, esses s\u00e3o sofrimentos da alma que precisam ser ressignificados. E ela afirma isso baseada em sua experi\u00eancia e no que aprendeu no Projeto Esperan\u00e7a, que nasceu no Chile em 1988 e foi trazido ao Brasil em 2009.<\/p>\n<p>O programa oferece acompanhamento para o luto por um filho n\u00e3o nascido, em casos de aborto espont\u00e2neo ou provocado, e ajuda mulheres a superar as sequelas p\u00f3s-aborto.\u00a0\u201cSou da primeira turma deste projeto e ele fez toda a diferen\u00e7a na minha recupera\u00e7\u00e3o, mesmo eu j\u00e1 atuando nessa \u00e1rea. Foi importante para minha reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus e com minha filha n\u00e3o nascida\u201d, recorda-se.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso tratar o tema com seriedade e foco na dignidade da mulher. A partir do momento em que deixa de haver comunica\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 o aborto e passam a ser criadas pol\u00edticas p\u00fablicas que incentivam o ato, o Brasil comete um crime contra as mulheres\u201d, finaliza.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo publicado no fim de 2025 no International Journal of Women\u2019s Health Care mediu a preval\u00eancia e a intensidade&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":432648,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-432647","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/432647","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=432647"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/432647\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/432648"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=432647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=432647"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=432647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}