{"id":429802,"date":"2026-05-21T14:58:24","date_gmt":"2026-05-21T18:58:24","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=429802"},"modified":"2026-05-21T14:58:24","modified_gmt":"2026-05-21T18:58:24","slug":"quem-foi-milton-santos-autor-de-esquerda-onipresente-nas-universidades-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=429802","title":{"rendered":"Quem foi Milton Santos, autor de esquerda onipresente nas universidades brasileiras"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Talvez voc\u00ea n\u00e3o saiba quem foi Milton Santos. Mas seus filhos e netos provavelmente o conhecem. O ge\u00f3grafo baiano, que faria 100 anos neste m\u00eas de maio, \u00e9 praticamente uma unanimidade na educa\u00e7\u00e3o brasileira atual.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/ideias\/paulo-freire-marx-foucault-lista-autores-mais-citados-universidades-brasil\/\">Um levantamento recente da <strong>Gazeta do Povo<\/strong><\/a>, baseado em 3 mil teses acad\u00eamicas, apontou que Santos \u00e9 um dos 20 autores mais citados nas universidades do pa\u00eds. Ele aparece na frente de intelectuais como o alem\u00e3o Max Weber, o su\u00ed\u00e7o Jean Piaget, o brasileiro Gilberto Freyre e at\u00e9 da americana Judith Butler \u2014 refer\u00eancia da turma feminista e identit\u00e1ria.<\/p>\n<p>As ideias de Milton Santos tamb\u00e9m s\u00e3o presen\u00e7a garantida nas quest\u00f5es e reda\u00e7\u00f5es do Enem. Qualquer cursinho preparat\u00f3rio tem uma aula baseada nele sobre como a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a culpada por quase tudo que deu errado no planeta.<\/p>\n<p>A economia, no entanto, \u00e9 mais complexa que isso. O processo fecha postos de trabalho em alguns setores e abre em outros, desloca trabalhadores para novas \u00e1reas e reorganiza mercados inteiros. Apresentar s\u00f3 metade da hist\u00f3ria como correta n\u00e3o \u00e9 ensinar, e sim doutrinar.<\/p>\n<h2><strong>Escola do MST<\/strong><\/h2>\n<p>O trabalho de Santos foi reconhecido com o maior pr\u00eamio da Geografia mundial, o Vautrin Lud, uma esp\u00e9cie de Nobel da \u00e1rea. Seus mais de 40 livros formaram gera\u00e7\u00f5es de professores, ge\u00f3grafos e cientistas sociais.<\/p>\n<p>Mas a obra do professor tamb\u00e9m influencia movimentos sociais, legendas de esquerda e qualquer lugar onde a cr\u00edtica ao capitalismo explica tudo. O MST, por exemplo, tem uma escola com o nome dele no Paran\u00e1. E, n\u00e3o por acaso, o PT usa suas ideias como fundamento te\u00f3rico na Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, a institui\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do partido.<\/p>\n<p>Diante desse hist\u00f3rico, o centen\u00e1rio de Milton Santos \u00e9 uma boa oportunidade para fazer o que nem sempre \u00e9 visto com bons olhos por seus admiradores: perguntar onde ele errou e acertou.<\/p>\n<h2><strong>Teoria pronta<\/strong><\/h2>\n<p>Apesar de publicar seus estudos desde 1948, Santos s\u00f3 virou uma febre na academia a partir do final da d\u00e9cada de 80. A conquista do Vautrin Lud, em 1994, teve um grande impacto nas universidades e na imprensa. Mas foi a globaliza\u00e7\u00e3o que o apresentou para um p\u00fablico maior.<\/p>\n<p>Nos anos 90, o tema tomou conta de todas as m\u00eddias e salas de aula. Estava nas capas de revistas, programas de TV e j\u00e1 come\u00e7ava a ser \u201ccobrado\u201d nos vestibulares. Era o cen\u00e1rio perfeito para Milton Santos popularizar suas ideias. Porque ele j\u00e1 tinha a teoria pronta para explicar o que estava acontecendo.<\/p>\n<p>Mais do que isso: o professor construiu uma narrativa com her\u00f3is e vil\u00f5es bem definidos. E quem n\u00e3o gosta de uma hist\u00f3ria assim? O pr\u00f3prio autor confessou ter ambi\u00e7\u00e3o de que seus conceitos aparecessem como \u201cverdadeiros atores de um romance\u201d.<\/p>\n<h2><strong>Oprimidos e opressores<\/strong><\/h2>\n<p>Na vis\u00e3o de Milton Santos, n\u00e3o existe neutralidade quando o assunto \u00e9 Geografia. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para falar em nada sem falar de pol\u00edtica\u201d, ele repetia.<\/p>\n<p>Para o professor, a disciplina funcionava como uma ferramenta de domina\u00e7\u00e3o e da expans\u00e3o capitalista. E os ge\u00f3grafos cl\u00e1ssicos apenas ajudavam a esconder o papel das elites por tr\u00e1s da organiza\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>\u00c9 uma leitura sedutora. Principalmente para quem j\u00e1 v\u00ea o mundo como uma disputa permanente entre opressores e oprimidos. Foi essa interpreta\u00e7\u00e3o que Santos levou para a discuss\u00e3o sobre a globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto muita gente tentava entender a abertura de mercados, os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e as novas oportunidades, Milton Santos preferia se concentrar em explora\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o e depend\u00eancia.<\/p>\n<h2><strong>\u201cA for\u00e7a dos lentos\u201d<\/strong><\/h2>\n<p>O professor descreve tr\u00eas formas de entender o fen\u00f4meno global. A primeira \u00e9 a \u201cf\u00e1bula\u201d: o discurso bonito e idealizado que vende a ideia de um mundo integrado onde todos ganham.<\/p>\n<p>Depois vem a \u201cperversidade\u201d, provavelmente a palavra favorita do professor. Aqui, o processo \u00e9 marcado por desigualdade, desemprego, pobreza, doen\u00e7as incur\u00e1veis, manipula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e competitividade. Ali\u00e1s, a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 vista por ele como uma \u201cguerra\u201d que destr\u00f3i a solidariedade.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 o que Santos chama de \u201cuma outra globaliza\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 uma proposta de mudan\u00e7a vinda de baixo, dos pa\u00edses subdesenvolvidos e das popula\u00e7\u00f5es marginalizadas, dotadas de criatividade e da \u201cfor\u00e7a dos lentos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA riqueza dos n\u00e3o possuidores \u00e9 a prontid\u00e3o dos sentidos\u201d, afirmou \u2014 numa defesa de que os pobres s\u00e3o mais aut\u00eanticos por viverem fora da l\u00f3gica do consumo e do poder econ\u00f4mico.<\/p>\n<h2><strong>Com J\u00e2nio em Cuba<\/strong><\/h2>\n<p>Nascido em Brotas de Maca\u00fabas, Milton Santos era filho de professores e come\u00e7ou a dar aulas ainda na adolesc\u00eancia \u2014 per\u00edodo em que j\u00e1 se envolvia com a milit\u00e2ncia estudantil.<\/p>\n<p>Ele se formou em Direito, por\u00e9m nunca trabalhou na \u00e1rea. Optou pelo magist\u00e9rio e pela carreira na imprensa. Em meados dos anos 50, cursou um doutorado em Geografia na Universidade de Estrasburgo, na Fran\u00e7a, e voltou de l\u00e1 para se tornar professor da Universidade Federal da Bahia.<\/p>\n<p>Em 1960, Santos acompanhou J\u00e2nio Quadros, ent\u00e3o candidato a presidente, em uma viagem para Cuba, como editor do jornal <em>A Tarde<\/em>. Em seus artigos, o acad\u00eamico chamou a revolu\u00e7\u00e3o de Fidel Castro de \u201cmoralizada e moralizadora\u201d e defendeu os tribunais que julgavam e executavam pessoas sumariamente \u2014 justificando que eles evitavam linchamentos.<\/p>\n<p>No ano seguinte, o professor foi convidado para ser subchefe da Casa Civil na Bahia, cargo onde ficou at\u00e9 o final do curt\u00edssimo mandato presidencial de J\u00e2nio.<\/p>\n<h2><strong>Novo totalitarismo<\/strong><\/h2>\n<p>Em 1963, Milton Santos foi nomeado presidente da Comiss\u00e3o de Planejamento Econ\u00f4mico de seu estado pelo governador Lomanto J\u00fanior, um pol\u00edtico com perfil tradicional e imagem de conciliador. Mas essa passagem pela gest\u00e3o p\u00fablica tamb\u00e9m durou pouco.<\/p>\n<p>Santos foi preso no ano seguinte, ap\u00f3s o in\u00edcio do regime militar, acusado de \u201catentar contra a seguran\u00e7a nacional\u201d. Al\u00e9m da proximidade com J\u00e2nio, pesou contra ele algumas posturas consideradas \u201csubversivas\u201d durante seu trabalho no governo baiano \u2014 entre elas a defesa de mais impostos sobre patrim\u00f4nio e heran\u00e7a.<\/p>\n<p>O professor foi exilado e acabou passando 13 anos no exterior, onde lecionou ou atuou como pesquisador em universidades da Fran\u00e7a, Canad\u00e1, EUA, Peru, Venezuela e Tanz\u00e2nia. Em 1984, j\u00e1 de volta ao Brasil, ele finalmente se estabeleceu como docente da USP.<\/p>\n<p>Por ironia do destino, Milton Santos chegou a escrever que \u201ca universidade \u00e9 um exemplo formid\u00e1vel desse novo totalitarismo\u201d. Ele falava do ensino pautado pelo mercado. Mas a frase tamb\u00e9m vale para o que aconteceu com sua pr\u00f3pria obra dentro de certos departamentos: virou um pensamento que n\u00e3o se discute, apenas se repete.<\/p>\n<h2><strong>\u201cTotalidade do diabo\u201d<\/strong><\/h2>\n<p>Milton Santos morreu em 2001, aos 75 anos. Mais de duas d\u00e9cadas depois, as periferias brasileiras tomaram um rumo que ele n\u00e3o gostaria de ver quando defendeu a volta de \u201cuma utopia que pode ser cient\u00edfica\u201d.<\/p>\n<p>Em vez da solidariedade coletiva, cresceu o empreendedorismo individual. A resist\u00eancia ao mercado deu espa\u00e7o ao desejo de entrar nele. No lugar de uma nova consci\u00eancia de esquerda, veio a virada conservadora que os seguidores da sua teoria ainda n\u00e3o conseguem entender muito bem.<\/p>\n<p>Essa dist\u00e2ncia entre o que o autor pregava nos livros e a realidade atual trouxe \u00e0 tona cr\u00edticas ao seu trabalho. Pesquisadores como Luis Lopes Diniz Filho e Fernando Loch, da Universidade Federal do Paran\u00e1, dizem que Santos trocou os dados e a ci\u00eancia por um discurso pol\u00edtico, al\u00e9m de usar conceitos vagos demais.<\/p>\n<p>Ou seja: ele pintava um cen\u00e1rio de globaliza\u00e7\u00e3o \u201cmalvada\u201d sem apresentar n\u00fameros ou provas que sustentassem esse diagn\u00f3stico. Afinal, como refutar uma \u201cverticalidade\u201d? Medir a \u201cpsicosfera\u201d? Ou demonstrar a quase m\u00edstica \u201ctotalidade do diabo\u201d?<\/p>\n<h2><strong>Romantiza\u00e7\u00e3o da pobreza<\/strong><\/h2>\n<p>O autor \u00e9 acusado de fazer um sil\u00eancio estrat\u00e9gico sobre os progressos trazidos pelo liberalismo. Ele ignorou, por exemplo, que a abertura da economia nos anos 90 derrubou a infla\u00e7\u00e3o e melhorou a vida dos mais pobres em v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Outro ponto pol\u00eamico \u00e9 a romantiza\u00e7\u00e3o da pobreza. O professor via nos exclu\u00eddos uma voca\u00e7\u00e3o quase natural para ajudar o pr\u00f3ximo e renunciar \u00e0s promessas do capitalismo. Ele esqueceu que o morador da periferia tamb\u00e9m quer ser patr\u00e3o, competir e, principalmente, consumir.<\/p>\n<p>Mas, para Santos, tudo isso \u00e9 fruto da manipula\u00e7\u00e3o da \u201cm\u00e1quina de perversidades\u201d chamada mercado.<\/p>\n<h2><strong>Nova York, China, Mato Grosso<\/strong><\/h2>\n<p>\u00c9 justo reconhecer onde o ge\u00f3grafo acertou. A descri\u00e7\u00e3o de como as grandes empresas redesenham as cidades e regi\u00f5es a seu favor \u00e9 uma das contribui\u00e7\u00f5es interessantes de seu trabalho.<\/p>\n<p>Santos ainda percebeu cedo que a globaliza\u00e7\u00e3o dependia de uma infraestrutura tecnol\u00f3gica para ligar o mundo \u2014 sistemas digitais conectados e funcionando em tempo real. Se no passado cada canto do planeta tinha seus pr\u00f3prios m\u00e9todos e equipamentos, hoje um banco em Nova York, uma f\u00e1brica na China e um produtor de soja no Mato Grosso trabalham praticamente com a mesma tecnologia.<\/p>\n<p>O pesquisador n\u00e3o foi o \u00fanico a enxergar esses fen\u00f4menos, mas ajudou a estimular o debate sobre eles no Brasil.<\/p>\n<h2><strong>Escrita \u201cpo\u00e9tica\u201d<\/strong><\/h2>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender o apelo de Milton Santos al\u00e9m das universidades. Sua escrita \u00e9 considerada \u201cpo\u00e9tica\u201d e \u201cemotiva\u201d \u2014 bem diferente da linguagem da maioria dos acad\u00eamicos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, seus livros s\u00e3o um prato cheio para quem quer se indignar com as injusti\u00e7as do mundo e ao mesmo tempo ainda ter alguma esperan\u00e7a num futuro melhor. Com o b\u00f4nus de que, s\u00f3 de ter um exemplar na estante, o leitor \u201cconsciente\u201d j\u00e1 se sente do lado certo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 o fato de Santos ser negro, nordestino e perseguido pela ditadura, o que refor\u00e7a sua imagem como s\u00edmbolo moral para boa parte do p\u00fablico progressista.<\/p>\n<h2><strong>Sempre com a raz\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>O problema, no fim das contas, \u00e9 que as teses de Milton Santos n\u00e3o podem ser testadas. Se a globaliza\u00e7\u00e3o traz benef\u00edcios para os pobres, Santos diz que \u00e9 ilus\u00e3o. Se prejudica, confirma sua teoria.<\/p>\n<p>De todo jeito, ele sempre tem raz\u00e3o. E, na ci\u00eancia, isso \u00e9 um sinal de alerta.<\/p>\n<p>\u201cA predomin\u00e2ncia da geografia cr\u00edtica [corrente de influ\u00eancia marxista da qual Santos \u00e9 um dos maiores nomes] traz consequ\u00eancias ruinosas para a pesquisa, por ser incompat\u00edvel com a aus\u00eancia de questionamento\u201d, afirma o ge\u00f3grafo Luis Lopes Diniz Filho, da UFPR.<\/p>\n<p>Traduzindo: uma teoria que n\u00e3o pode estar errada vira uma cren\u00e7a.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez voc\u00ea n\u00e3o saiba quem foi Milton Santos. Mas seus filhos e netos provavelmente o conhecem. 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