{"id":426330,"date":"2026-05-20T13:08:16","date_gmt":"2026-05-20T17:08:16","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=426330"},"modified":"2026-05-20T13:08:16","modified_gmt":"2026-05-20T17:08:16","slug":"como-o-brasil-pode-parar-de-desperdicar-dinheiro-em-obras-que-duram-pouco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=426330","title":{"rendered":"Como o Brasil pode parar de desperdi\u00e7ar dinheiro em obras que duram pouco"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O Brasil tem um problema antigo com obras p\u00fablicas: constr\u00f3i barato e paga caro depois. A l\u00f3gica das licita\u00e7\u00f5es favorece quem oferece o menor pre\u00e7o no edital, mas ignora quanto vai custar manter aquela obra nos anos seguintes.<\/p>\n<p>O resultado s\u00e3o estradas que precisam ser refeitas a cada cinco anos, ativos que se deterioram antes do prazo e or\u00e7amentos p\u00fablicos pressionados por reconstru\u00e7\u00f5es que poderiam ter sido evitadas. Um estudo do Centro de Lideran\u00e7a P\u00fablica (CLP) prop\u00f5e mudar essa l\u00f3gica e usa o Paran\u00e1 para mostrar que isso j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A nota t\u00e9cnica do instituto, publicada neste m\u00eas, defende que estados e munic\u00edpios passem a avaliar o custo total da infraestrutura ao longo de toda a sua vida \u00fatil, levando em conta manuten\u00e7\u00e3o, consumo de energia e emiss\u00f5es de CO\u2082 na hora de decidir qual obra fazer.<\/p>\n<p>&#8220;A gente quer um or\u00e7amento controlado e quer sustentabilidade, mas essas duas coisas acontecem hoje de forma separada, o que gera inefici\u00eancias&#8221;, disse Daniel Duque, gerente de intelig\u00eancia t\u00e9cnica do CLP, em entrevista \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Paran\u00e1 usa isen\u00e7\u00e3o de ICMS para induzir obras mais eficientes e menos poluentes<\/h2>\n<p>O exemplo concreto que ancora a proposta \u00e9 um decreto assinado pelo governador <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/ratinho-jr\/\">Ratinho Junior<\/a> (PSD-PR) em mar\u00e7o. O estado zerou o ICMS sobre o cimento destinado \u00e0 pavimenta\u00e7\u00e3o de rodovias estaduais. O imposto era de 19,5%.<\/p>\n<p>A isen\u00e7\u00e3o vale at\u00e9 dezembro de 2027, tem limite de 884.990 toneladas de cimento e j\u00e1 est\u00e1 em vigor. Hoje o Paran\u00e1 tem cerca de 755 quil\u00f4metros de rodovias com obras de pavimenta\u00e7\u00e3o ou duplica\u00e7\u00e3o em concreto em andamento.<\/p>\n<p>O que diferencia a medida de uma desonera\u00e7\u00e3o comum \u00e9 o que ela exige em troca. Ao final de cada ano, a Secretaria de Infraestrutura e Log\u00edstica do estado precisa comprovar que os custos de manuten\u00e7\u00e3o ca\u00edram e que os acidentes diminu\u00edram nas rodovias beneficiadas. Se os resultados n\u00e3o aparecerem, a Secretaria da Fazenda pode cancelar o benef\u00edcio.<\/p>\n<p>&#8220;Incentivos fiscais sustent\u00e1veis devem ser tempor\u00e1rios, monitor\u00e1veis e vinculados a resultados. Caso contr\u00e1rio, podem se converter em ren\u00fancia de receita sem comprova\u00e7\u00e3o de ganho real&#8221;, diz a nota do CLP.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica fica mais clara com um caso real. Um estudo do Departamento de Estradas de Rodagem do Paran\u00e1 (DER-PR), feito em parceria com a FGV Ibre e a Votorantim Cimentos, comparou duas formas de recuperar a PRC-280, rodovia no sudoeste do estado, ao longo de 20 anos.<\/p>\n<p>O asfalto convencional consumia 4,4 vezes mais energia e emitia cerca de 40% mais CO\u2082 do que o <em>whitetopping<\/em> \u2014 t\u00e9cnica que aplica uma camada de concreto sobre o pavimento deteriorado, aproveitando a estrutura existente como base. O DER escolheu o <em>whitetopping<\/em> para os 59,55 quil\u00f4metros entre Palmas e o entroncamento com a BR-153.<\/p>\n<p>Duque ressalva que o estudo n\u00e3o defende, necessariamente, o concreto como solu\u00e7\u00e3o universal. Para ele, o que importa \u00e9 a metodologia \u2014 a an\u00e1lise de ciclo de vida \u2014, n\u00e3o o material escolhido. &#8220;A boa pr\u00e1tica \u00e9 exigir que cada projeto demonstre, com base em evid\u00eancias, qual alternativa \u00e9 melhor no longo prazo&#8221;, disse.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Paran\u00e1 lidera ranking ambiental mesmo j\u00e1 estando entre os melhores<\/h2>\n<p>O estado que serve de modelo para a proposta do CLP ocupa o <strong>primeiro lugar em sustentabilidade ambiental<\/strong> entre os estados brasileiros, segundo o pr\u00f3prio ranking do instituto.<\/p>\n<p>Estava em segundo lugar em 2023, subiu para o primeiro em 2024 e manteve a posi\u00e7\u00e3o em 2025 \u2014 e ainda ficou entre os tr\u00eas que mais avan\u00e7aram no per\u00edodo, combina\u00e7\u00e3o que Duque descreve como rara. &#8220;Se voc\u00ea est\u00e1 muito atr\u00e1s, melhorar \u00e9 relativamente f\u00e1cil. Se voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 na fronteira, como o Paran\u00e1, \u00e9 muito mais dif\u00edcil. E mesmo assim o estado ficou no top 3 de melhora&#8221;, afirmou o gerente de intelig\u00eancia t\u00e9cnica do CLP.<\/p>\n<p>Nos indicadores individuais, o Paran\u00e1 \u00e9 o primeiro em recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, o terceiro em transpar\u00eancia das a\u00e7\u00f5es de combate ao desmatamento e o quarto em reciclagem de lixo. A pior coloca\u00e7\u00e3o fica no indicador de servi\u00e7os urbanos, em 20\u00ba lugar.<\/p>\n<p>Para Duque, o resultado reflete uma escolha de gest\u00e3o: integrar objetivos ambientais \u00e0 pol\u00edtica fiscal e de infraestrutura, em vez de trat\u00e1-los como agendas separadas. &#8220;Com esse tipo de medida, que parece pequena, mas adotada em escala, o impacto no longo prazo \u00e9 muito maior do que outras pol\u00edticas mais ativas&#8221;, disse.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Brasil pode replicar o modelo mas precisa mudar a l\u00f3gica das licita\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>O CLP defende que outros estados e munic\u00edpios podem seguir o mesmo caminho, mas isso exige abandonar a pr\u00e1tica de escolher obras pelo menor pre\u00e7o no edital,<strong> ignorando o custo de mant\u00ea-las nos anos seguintes<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;Uma falha recorrente da infraestrutura p\u00fablica brasileira \u00e9 separar a obra de sua manuten\u00e7\u00e3o. Isso gera ativos que se deterioram rapidamente e exigem reconstru\u00e7\u00f5es mais caras&#8221;, afirmou a nota t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>No plano federal, o instituto defende que projetos financiados com recursos p\u00fablicos apresentem an\u00e1lise de ciclo de vida, estimativa de emiss\u00f5es e avalia\u00e7\u00e3o de risco clim\u00e1tico \u2014 para que diferentes alternativas de engenharia sejam comparadas por desempenho, n\u00e3o s\u00f3 por pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Nos estados, o caminho seria criar incentivos fiscais condicionados a metas, como fez o Paran\u00e1. Nos munic\u00edpios, a mudan\u00e7a poderia come\u00e7ar pelos editais de licita\u00e7\u00e3o, concess\u00f5es e PPPs.<\/p>\n<p>As ferramentas j\u00e1 existem, lembra Duque \u2014 planos plurianuais e ag\u00eancias reguladoras j\u00e1 t\u00eam mecanismos para criar metas de m\u00e9dio e longo prazo. O que falta \u00e9 fazer essas agendas conversarem.<\/p>\n<p>Hoje, diz ele, o governo federal tem pol\u00edticas de incentivo \u00e0 pesquisa ambiental de um lado e licita\u00e7\u00f5es sem nenhum crit\u00e9rio de sustentabilidade de longo prazo do outro \u2014 e as duas n\u00e3o se falam.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil tem um problema antigo com obras p\u00fablicas: constr\u00f3i barato e paga caro depois. 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