{"id":425570,"date":"2026-05-19T16:21:23","date_gmt":"2026-05-19T20:21:23","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=425570"},"modified":"2026-05-19T16:21:23","modified_gmt":"2026-05-19T20:21:23","slug":"fossil-na-bahia-revela-nova-especie-de-ave-do-terror-que-viveu-ate-a-era-do-gelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=425570","title":{"rendered":"F\u00f3ssil na Bahia revela nova esp\u00e9cie de \u201cave do terror\u201d que viveu at\u00e9 a Era do Gelo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Um osso encontrado em uma caverna da Chapada Diamantina, na Bahia, levou pesquisadores brasileiros \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie in\u00e9dita de \u201cave do terror\u201d, <strong>grupo de predadores<\/strong> que dominou o topo da cadeia alimentar da Am\u00e9rica do Sul por milh\u00f5es de anos. A descoberta indica que esses animais viveram no Brasil at\u00e9 aproximadamente 25 mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>O f\u00f3ssil foi localizado na Toca dos Ossos, caverna no munic\u00edpio baiano de Ourol\u00e2ndia. O material consiste em um fragmento incompleto do tibiotarso, osso localizado abaixo do f\u00eamur nas aves. Mesmo com a preserva\u00e7\u00e3o limitada, os pesquisadores conseguiram identificar caracter\u00edsticas anat\u00f4micas suficientes para descrever um novo g\u00eanero e esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>O animal recebeu o nome cient\u00edfico <em>Eschatornis aterradora<\/em>. O estudo foi publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico <em><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/spp2.70080\">Papers in Palaeontology<\/a><\/em> e re\u00fane pesquisadores da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais (PUC-MG), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do Centro de Pesquisas em Ci\u00eancias da Terra, na Argentina.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Nome da esp\u00e9cie faz refer\u00eancia \u00e0s \u201c\u00faltimas aves do terror\u201d<\/h2>\n<p>O nome <em>Eschatornis<\/em> deriva do grego e significa \u201c\u00faltima ave\u201d, refer\u00eancia ao desaparecimento do grupo, no fim do Pleistoceno, \u00e9poca geol\u00f3gica popularmente conhecida como a Era do Gelo, que ocorreu entre 2,5 milh\u00f5es e 11,7 mil anos atr\u00e1s. J\u00e1 o termo aterradora faz alus\u00e3o direta ao apelido popular das aves predadoras.<\/p>\n<p>\u201cO f\u00f3ssil pertence \u00e0 fam\u00edlia <em>Phorusrhacidae<\/em>, conhecida como a fam\u00edlia das aves do terror. Eram aves predadoras de grande porte, carn\u00edvoras, que ocupavam o topo da cadeia alimentar. Por causa do tamanho e dos h\u00e1bitos predat\u00f3rios, elas ficaram conhecidas popularmente dessa forma\u201d, explicou o bi\u00f3logo Victor Hugo Machado, que liderou o estudo.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, algumas dessas aves chegavam a quase <strong>tr\u00eas metros de altura e podiam ultrapassar 300 quilos<\/strong>, como esp\u00e9cies encontradas na Argentina. J\u00e1 a nova esp\u00e9cie brasileira apresentava porte bem menor. As estimativas apontam peso de at\u00e9 seis quilos e altura entre 70 e 90 cent\u00edmetros. As parentes vivas mais pr\u00f3ximas dessas esp\u00e9cies hoje s\u00e3o as seriemas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/05\/18075015\/ave-do-terror-.jpeg.webp\" \/><i>V\u00e1rios \u00e2ngulos do f\u00f3ssil encontrado na Bahia, que confirma a nova esp\u00e9cie da ave do terror. (Foto: Rodrigo Parisi Dutra\/PUC Minas Gerais)<\/i><\/p>\n<h2>Descoberta desafia teoria sobre extin\u00e7\u00e3o dos superpredadores<\/h2>\n<p>Segundo o bi\u00f3logo, a descoberta <strong>muda parte do entendimento sobre a extin\u00e7\u00e3o<\/strong> dessas aves predadoras. \u201cEssa descoberta mostra que as aves do terror sobreviveram at\u00e9 o final do Pleistoceno. A principal import\u00e2ncia do estudo \u00e9 justamente essa extens\u00e3o cronol\u00f3gica da fam\u00edlia at\u00e9 um per\u00edodo muito mais recente do que se imaginava anteriormente\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O pesquisador explicou que j\u00e1 existiam registros semelhantes em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, mas sem o mesmo grau de seguran\u00e7a alcan\u00e7ado agora.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 alguns achados no Uruguai, mas eles n\u00e3o d\u00e3o tanta certeza quanto esse trabalho trouxe agora. Com a data\u00e7\u00e3o por radiocarbono, conseguimos levantar informa\u00e7\u00f5es mais seguras e entender melhor quando esse animal viveu e em que ambiente ele estava inserido\u201d, disse Machado.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Estudo reconstr\u00f3i cen\u00e1rio da Bahia h\u00e1 25 mil anos<\/h2>\n<p>A an\u00e1lise tamb\u00e9m permitiu reconstruir parte do cen\u00e1rio ambiental da Bahia pr\u00e9-hist\u00f3rica. Segundo o bi\u00f3logo, a regi\u00e3o apresentava condi\u00e7\u00f5es diferentes das atuais.<\/p>\n<p>\u201cO ambiente onde esse animal viveu era um ambiente mais seco, com \u00e1reas de savana e tamb\u00e9m muitos arbustos. Isso ajuda a construir um paleoambiente que a gente n\u00e3o observa mais na regi\u00e3o atualmente. \u00c9 uma das informa\u00e7\u00f5es importantes que esse f\u00f3ssil consegue trazer\u201d, apontou Machado.<\/p>\n<p>Os pesquisadores acreditam que o porte reduzido da <em>Eschatornis aterradora <\/em>pode ter ajudado na sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie at\u00e9 per\u00edodos mais recentes. \u201cUma das possibilidades \u00e9 que essa esp\u00e9cie n\u00e3o competia diretamente com grandes carn\u00edvoros, como os ursos, os felinos e os can\u00eddeos que existiam na Am\u00e9rica do Sul. Isso pode ter permitido que ela sobrevivesse mais recentemente do que outras esp\u00e9cies da fam\u00edlia\u201d, analisou.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um osso encontrado em uma caverna da Chapada Diamantina, na Bahia, levou pesquisadores brasileiros \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie in\u00e9dita&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":423289,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-425570","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/425570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=425570"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/425570\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/423289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=425570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=425570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=425570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}