{"id":420305,"date":"2026-05-18T15:39:43","date_gmt":"2026-05-18T19:39:43","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=420305"},"modified":"2026-05-18T15:39:43","modified_gmt":"2026-05-18T19:39:43","slug":"o-que-esta-por-tras-do-programa-que-promete-r-70-milhoes-a-produtores-por-floresta-em-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=420305","title":{"rendered":"O que est\u00e1 por tr\u00e1s do programa que promete R$ 70 milh\u00f5es a produtores por floresta em p\u00e9"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O estado de Santa Catarina vai pagar, em dinheiro, os pequenos produtores que preservam florestas nativas em suas propriedades. Segundo o governo catarinense, a iniciativa investir\u00e1 R$ 70 milh\u00f5es em pagamentos diretos a quem comprovar \u00e1reas conservadas e pretende alcan\u00e7ar at\u00e9 20 mil propriet\u00e1rios rurais, com impacto direto na conserva\u00e7\u00e3o de aproximadamente 100 mil hectares de florestas nativas e efeito indireto sobre 80 mil pessoas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s vamos pagar para quem preserva. [&#8230;] Aquele que preserva nascente de \u00e1gua, que preserva a mata nativa e que cuida do meio ambiente, vai receber direto na conta dele um valor por hectare\u201d, anunciou o governador Jorginho Mello (PL-SC).<\/p>\n<p>De acordo com o programa Mais Verde, poder\u00e3o ser beneficiadas pequenas propriedades rurais com at\u00e9 quatro m\u00f3dulos fiscais, registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo, com cobertura de floresta nativa em pelo menos 40% da \u00e1rea. Tamb\u00e9m \u00e9 exigida a regularidade da posse ou propriedade e \u00e9 admitido limite m\u00e1ximo de 10% de sobreposi\u00e7\u00e3o territorial, conforme dados do CAR.<\/p>\n<p>O pagamento ser\u00e1 feito em parcela \u00fanica, estruturado como incentivo financeiro direto, com valores calculados por hectare de vegeta\u00e7\u00e3o nativa conservada. O programa define um m\u00ednimo de 1 hectare e um m\u00e1ximo de 10 hectares por propriedade para receber a remunera\u00e7\u00e3o, podendo alcan\u00e7ar at\u00e9 R$ 5,4 mil por benefici\u00e1rio, com possibilidade de bonifica\u00e7\u00e3o que eleva o valor final para at\u00e9 R$ 7,5 mil.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma forma de valorizar quem j\u00e1 contribui para a conserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e para a prote\u00e7\u00e3o dos nossos recursos naturais. Ao mesmo tempo, a iniciativa fortalece a seguran\u00e7a h\u00eddrica em regi\u00f5es cr\u00edticas, incentiva a regulariza\u00e7\u00e3o ambiental e estimula pr\u00e1ticas mais sustent\u00e1veis no meio rural&#8221;, disse o secret\u00e1rio do Meio Ambiente e da Economia Verde, Guilherme Dallacosta.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>O que muda para o pequeno produtor<\/h2>\n<p>Na pr\u00e1tica, o programa altera a forma como o pequeno produtor enxerga a floresta nativa que ainda existe na \u00e1rea rural. Em vez de ser apenas a \u00e1rea que a lei obriga a manter, o governo quer que essa vegeta\u00e7\u00e3o passe a ser vista como um componente do patrim\u00f4nio da propriedade, com valor econ\u00f4mico associado \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ambientais.<\/p>\n<p>Engenheiro agr\u00f4nomo especialista em gest\u00e3o ambiental e gerente de Economia Verde da Secretaria do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae), Robson Cunha, afirmou que a vegeta\u00e7\u00e3o nativa caracteriza um servi\u00e7o ambiental que melhora a provis\u00e3o de \u00e1gua, a qualidade do ar, a estrutura do solo e a preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de fauna e flora na regi\u00e3o. Segundo ele, esses servi\u00e7os s\u00e3o fundamentais para a produtividade rural e para a qualidade ambiental do estado. \u201cQuando o governo paga pela conserva\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, refor\u00e7a esse entendimento e valoriza efetivamente o servi\u00e7o ambiental prestado pelo propriet\u00e1rio\u201d, completou.<\/p>\n<p>O engenheiro agr\u00f4nomo apontou que estudos comprovam que o pagamento por servi\u00e7os ambientais \u00e9 uma motiva\u00e7\u00e3o importante para o engajamento inicial em a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o florestal e que a aus\u00eancia de remunera\u00e7\u00e3o pode limitar o desenvolvimento de pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Cunha ressaltou que esse tipo de mecanismo altera a l\u00f3gica tradicional de comando e controle. Em vez de focar apenas no princ\u00edpio do \u201cpoluidor-pagador\u201d, passa a aplicar a l\u00f3gica do \u201cprovedor-recebedor\u201d, em que o produtor que conserva tem o potencial de ser estimulado a ampliar a conserva\u00e7\u00e3o e gerar benef\u00edcios tanto para si quanto para a sociedade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/05\/15110856\/programa-mais-verde-e-lancado-em-santa-catarina.jpg.webp\" \/><i>Programa Mais Verde foi lan\u00e7ado durante a 25\u00aa Festa Nacional da Ma\u00e7\u00e3, em S\u00e3o Joaquim.  (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Secom\/Governo de Santa Catarina)<\/i><\/p>\n<p>A ades\u00e3o ser\u00e1 por meio de edital p\u00fablico, com prazo estimado de cerca de dois meses ou at\u00e9 o atingimento da cota de hectares definida. O passo a passo do processo de inscri\u00e7\u00e3o est\u00e1 detalhado no <a href=\"https:\/\/www.sc.gov.br\/servicos\/participar-do-programa-mais-verde\">portal do governo de Santa Catarina<\/a>.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o dos recursos entre as regi\u00f5es seguir\u00e1 crit\u00e9rios t\u00e9cnicos de prioriza\u00e7\u00e3o, considerando o n\u00edvel de desenvolvimento socioecon\u00f4mico (IDH), a frequ\u00eancia de estiagens severas, o n\u00famero de estabelecimentos agropecu\u00e1rios e a propor\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Ainda segundo o governo, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 direcionar os investimentos para \u00e1reas \u201cmais vulner\u00e1veis e estrat\u00e9gicas do ponto de vista ambiental e social\u201d.<\/p>\n<p>O programa tamb\u00e9m prev\u00ea prioriza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas consideradas de alta relev\u00e2ncia ecol\u00f3gica e h\u00eddrica, como regi\u00f5es com hist\u00f3rico de secas e estiagens, corredores ecol\u00f3gicos, \u00e1reas inseridas em planos de a\u00e7\u00e3o territorial para conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas, Reservas Particulares do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN) e propriedades com produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica certificada, que poder\u00e3o acessar bonifica\u00e7\u00f5es adicionais.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Economista critica programa por meta \u201cirreal\u201d para produtores rurais<\/h2>\n<p>Do ponto de vista econ\u00f4mico, por\u00e9m, h\u00e1 leituras mais cautelosas sobre quanto isso efetivamente muda a realidade da agricultura familiar. O economista Lauro Francisco Mattei, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), lembrou que o estado tinha 184 mil propriedades rurais, das quais aproximadamente 140 mil eram de agricultura familiar, conforme o Censo Agropecu\u00e1rio de 2017. \u201cA meta de alcan\u00e7ar at\u00e9 20 mil propriedades corresponde a menos de 14% dos agricultores familiares catarinenses\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Mattei tamb\u00e9m criticou o crit\u00e9rio que exige pelo menos 40% da \u00e1rea da propriedade com vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Para ele, esse requisito \u00e9 extremamente irreal. \u201cPouqu\u00edssimos agricultores familiares catarinenses poder\u00e3o cumprir as regras do programa, j\u00e1 que em sua grande maioria s\u00e3o propriedades com pequenas extens\u00f5es e com baixa densidade florestal.\u201d<\/p>\n<p>O economista ainda avaliou que o impacto financeiro ser\u00e1 \u201cpraticamente nulo\u201d sobre a renda das fam\u00edlias. \u201cO plantio de um hectare de soja no local da mata poder\u00e1 ter um rendimento at\u00e9 quatro vezes maior que o valor monet\u00e1rio disponibilizado pelo programa\u201d, comparou.<\/p>\n<p>Cunha ressaltou que o Mais Verde deve ser acompanhado de outros mecanismos e projetos, que monitorem, avaliem e ampliem as a\u00e7\u00f5es voltadas para preserva\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estado de Santa Catarina vai pagar, em dinheiro, os pequenos produtores que preservam florestas nativas em suas propriedades. 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