{"id":419491,"date":"2026-05-18T09:50:08","date_gmt":"2026-05-18T13:50:08","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=419491"},"modified":"2026-05-18T09:50:08","modified_gmt":"2026-05-18T13:50:08","slug":"fenomeno-raro-no-mundo-coloca-cidade-brasileira-no-radar-do-turismo-cientifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=419491","title":{"rendered":"Fen\u00f4meno raro no mundo coloca cidade brasileira no radar do turismo cient\u00edfico\u00a0"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Uma cidade de pouco mais de 3,7 mil habitantes no oeste catarinense guarda um segredo que levou d\u00e9cadas para ser desvendado \u2014 e que atrai cientistas da Nasa, da Europa e do Jap\u00e3o. O <strong>Domo de Varge\u00e3o<\/strong>, uma cratera formada pelo impacto de um meteorito que caiu entre 80 e 100 milh\u00f5es de anos, foi batizado com o nome da cidade e se tornou uma atra\u00e7\u00e3o do turismo cient\u00edfico brasileiro. Com 12 quil\u00f4metros de di\u00e2metro, ela \u00e9 a \u00fanica estrutura do g\u00eanero em Santa Catarina e um dos fen\u00f4menos geol\u00f3gicos mais raros do planeta.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do reconhecimento cient\u00edfico da cratera come\u00e7a na virada da d\u00e9cada de 1970 para 1980, quando o ge\u00f3logo \u00c1lvaro Penteado Crosta, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), iniciou uma pesquisa ap\u00f3s visitar a regi\u00e3o. Na \u00e9poca, dois ge\u00f3logos haviam descrito o fen\u00f4meno, mas a hip\u00f3tese deles era outra \u2014 acreditavam se tratar de uma forma\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica.<\/p>\n<p>&#8220;Na nossa primeira visita, tive a convic\u00e7\u00e3o de que aquilo de fato n\u00e3o era uma estrutura vulc\u00e2nica, mas sim uma cratera meteor\u00edtica. Isso est\u00e1 impresso nas rochas&#8221;, recordou Crosta em entrevista \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>. Segundo ele, o meteorito que atingiu o que hoje \u00e9 a cidade de Varge\u00e3o tinha entre 550 e 800 metros de di\u00e2metro, era composto de ferro e liberou uma <strong>energia equivalente a cerca de 500 mil bombas nucleares<\/strong>, como a que destruiu Hiroshima, no Jap\u00e3o, em 1945.<\/p>\n<p>O ge\u00f3logo afirmou que a for\u00e7a do choque deformou as rochas de maneira permanente e irrevers\u00edvel. Uma assinatura que, de acordo com ele, nenhum outro processo geol\u00f3gico \u00e9 capaz de reproduzir. &#8220;Mesmo que a cratera seja, com o passar do tempo, desgastada, erodida, as rochas permanecem com essa deforma\u00e7\u00e3o impressa nelas&#8221;, explicou Crosta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/05\/15145110\/fenomeno-raro-no-mundo-coloca-cidade-brasileira-no-radar-do-turismo-cientifico-6.jpg.webp\" \/><i>Ge\u00f3logos e pesquisadores de v\u00e1rias partes do mundo j\u00e1 visitaram o Domo de Varge\u00e3o.  (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Prefeitura de Varge\u00e3o)<\/i><\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Domo de Varge\u00e3o exp\u00f5e rochas raras e vira laborat\u00f3rio natural para estudos sobre Marte e a Lua<\/h2>\n<p>De acordo com o ge\u00f3logo,<strong> existem apenas 200 crateras<\/strong> de impacto catalogadas e cientificamente comprovadas no planeta. Nove delas est\u00e3o no Brasil. Por\u00e9m, o que torna Varge\u00e3o singular \u00e9 que a cratera \u00e9 uma das quatro no mundo formadas sobre basalto, a rocha predominante na superf\u00edcie da Lua e em Marte. Outras duas tamb\u00e9m ficam no Sul do Brasil \u2014 Vista Alegre, no Paran\u00e1, e Quara\u00ed, no Rio Grande do Sul \u2014 e uma est\u00e1 fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Uma cratera formada nesse tipo de rocha tem um interesse enorme, porque \u00e9 semelhante ao que acontece na Lua e em Marte. A gente pode, sem precisar ir \u00e0 Lua ou a Marte, estudar fen\u00f4menos de impacto em basalto usando o Domo de Varge\u00e3o&#8221;, afirmou Crosta.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outro fator que distingue o Domo de Varge\u00e3o. O impacto foi t\u00e3o intenso que removeu quase um quil\u00f4metro de espessura de basalto e exp\u00f4s o arenito do Aqu\u00edfero Guarani. \u201cO arenito existe nessa regi\u00e3o [do Sul do pa\u00eds], mas est\u00e1 a um quil\u00f4metro de profundidade. S\u00f3 que dentro do Domo de Varge\u00e3o, a gente o encontra na superf\u00edcie&#8221;, detalhou o ge\u00f3logo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a cratera est\u00e1 bem preservada e \u00e9 de f\u00e1cil acesso \u2014 caracter\u00edsticas que ampliam seu valor cient\u00edfico. &#8220;Ela n\u00e3o sofreu muita eros\u00e3o com o tempo. \u00c9 f\u00e1cil de se colher materiais, de se conhecer os locais&#8221;, informou a secret\u00e1ria de Cultura e Turismo de Varge\u00e3o, Vanda Gehlen Gregianin.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/05\/15145122\/fenomeno-raro-no-mundo-coloca-cidade-brasileira-no-radar-do-turismo-cientifico-5.jpg.webp\" \/><i>Cientistas e pesquisadores da Nasa conheceram o Domo de Varge\u00e3o.  (Foto:  \u00c1lvaro Penteado Crosta\/Acervo Pessoal)<\/i><\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Varge\u00e3o atrai cientistas do mundo e aposta em turismo cient\u00edfico<\/h2>\n<p>Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, Varge\u00e3o recebeu pesquisadores de dezenas de pa\u00edses. Crosta j\u00e1 participou de excurs\u00f5es com cientistas de 15 a 20 nacionalidades diferentes, al\u00e9m de pesquisadores da Nasa, que visitaram a cidade em diferentes ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2026, uma equipe italiana esteve na cidade coletando amostras do solo para comparar com o regolito lunar \u2014 a camada superficial da Lua. &#8220;A Nasa tem amostras do solo lunar e as comparou com o de Varge\u00e3o. O nosso solo ficou similar ao solo lunar&#8221;, ressaltou a secret\u00e1ria municipal.<\/p>\n<p>Para transformar esse potencial cient\u00edfico em atra\u00e7\u00e3o permanente, a prefeitura est\u00e1 promovendo a moderniza\u00e7\u00e3o do museu existente, com tecnologia de visualiza\u00e7\u00e3o 3D e recursos interativos, voltados especialmente para jovens e estudantes.<\/p>\n<p>O ge\u00f3logo da Unicamp, que atua como consultor cient\u00edfico, projetou a <strong>inaugura\u00e7\u00e3o do museu entre julho e agosto<\/strong> deste ano. &#8220;Vai ser um dos pouqu\u00edssimos museus desse tipo no mundo, um espa\u00e7o muito moderno&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/05\/15145130\/fenomeno-raro-no-mundo-coloca-cidade-brasileira-no-radar-do-turismo-cientifico-4.jpg.webp\" \/><i>Museu do meteorito deve atrair turistas e estudantes, al\u00e9m de cientistas. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Prefeitura de Varge\u00e3o)<\/i><\/p>\n<p>Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) tramita um projeto de lei para que Varge\u00e3o seja reconhecida oficialmente como a capital catarinense do meteorito. A secret\u00e1ria municipal tamb\u00e9m mencionou um plano de desenvolvimento tur\u00edstico em andamento, com 16 empreendedores locais recebendo assessoria para criar hospedagens, restaurantes e roteiros no munic\u00edpio e regi\u00e3o. &#8220;Queremos atender turistas, n\u00e3o apenas pessoas que passam pela regi\u00e3o&#8221;, disse Gregianin.<\/p>\n<p>Para Crosta, o desafio maior ainda \u00e9 cultural. &#8220;As pessoas n\u00e3o conseguem perceber muito o valor disso. \u00c9, de fato, um presente da natureza para a regi\u00e3o oeste de Santa Catarina. Uma coisa t\u00e3o rara no mundo, com um exemplar t\u00e3o bem preservado\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma cidade de pouco mais de 3,7 mil habitantes no oeste catarinense guarda um segredo que levou d\u00e9cadas para ser&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":419472,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-419491","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/419491","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=419491"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/419491\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/419472"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=419491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=419491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=419491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}