{"id":419452,"date":"2026-05-18T09:47:24","date_gmt":"2026-05-18T13:47:24","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=419452"},"modified":"2026-05-18T09:47:24","modified_gmt":"2026-05-18T13:47:24","slug":"letra-cursiva-ativa-redes-neurais-unicas-e-e-insubstituivel-na-alfabetizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=419452","title":{"rendered":"Letra cursiva ativa redes neurais \u00fanicas e \u00e9 insubstitu\u00edvel na alfabetiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Nossa rotina est\u00e1 cada vez mais cercada de aparelhos que nos levam a digitar. Isso vale tanto para os adultos quanto para as crian\u00e7as, que parecem j\u00e1 nascer familiarizadas com a tecnologia. Aos poucos, a escrita \u00e0 m\u00e3o perde espa\u00e7o, j\u00e1 que a comunica\u00e7\u00e3o digital \u00e9 mais r\u00e1pida e pr\u00e1tica. Entretanto, especialmente na fase de alfabetiza\u00e7\u00e3o, a escrita manual \u00e9 fundamental para ativar importantes redes neurais e estimular o desenvolvimento cognitivo das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Nesse contexto, um tipo espec\u00edfico de escrita tem papel especialmente relevante: a letra cursiva. Mais do que um simples desenho de palavras, ela exige a integra\u00e7\u00e3o coordenada de diferentes sistemas cognitivos e motores. A neuropsicopedagoga Marjorie Collere explica que a escrita cursiva favorece a integra\u00e7\u00e3o visomotora da crian\u00e7a, estimulando sua capacidade de coordenar aquilo que v\u00ea com os movimentos das m\u00e3os e dos dedos. Isso ocorre porque esse tipo de escrita exige a conex\u00e3o cont\u00ednua entre as letras que formam cada palavra.<\/p>\n<p>\u201cQuando escrevemos na letra cursiva isso exige um maior planejamento motor e automatiza\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7ados. Dessa maneira o c\u00e9rebro participa mais ativamente da aprendizagem aprimorando a aten\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria, a linguagem e o processamento da informa\u00e7\u00e3o. Isso contribui especialmente na mem\u00f3ria de longo prazo\u201d, diz a especialista, ao explicar que o mesmo n\u00e3o acontece com o uso da chamada escrita bast\u00e3o, que \u00e9 mais fragmentada, embora tenha tamb\u00e9m seu papel no desenvolvimento cognitivo.<\/p>\n<p>Um estudo publicado em 2024 na revista Frontiers in Psychology, conduzido pelos psic\u00f3logos e pesquisadores Audrey van der Meer e Ruud van der Weel, refor\u00e7a esse entendimento. Os pesquisadores analisaram a atividade cerebral de estudantes universit\u00e1rios durante tarefas de digita\u00e7\u00e3o e de escrita manual em letra cursiva. Ao comparar as duas atividades, observaram que a escrita \u00e0 m\u00e3o, diferentemente da digita\u00e7\u00e3o, aumentava a conectividade entre regi\u00f5es cerebrais ligadas \u00e0s fun\u00e7\u00f5es motoras e sensoriais, al\u00e9m de estimular de forma mais intensa \u00e1reas relacionadas \u00e0 mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>E, se para os adultos a escrita manual j\u00e1 exerce um impacto importante, na inf\u00e2ncia seus efeitos s\u00e3o ainda mais significativos. Segundo Marjorie, \u00e9 nesse per\u00edodo, marcado por maior plasticidade neural, que o c\u00e9rebro apresenta mais facilidade para desenvolver novas aprendizagens e formar conex\u00f5es neurais.<\/p>\n<p>\u201cO treino da letra cursiva \u00e9 bem completo para o c\u00e9rebro infantil, porque a crian\u00e7a vai precisar ativar v\u00e1rias \u00e1reas cerebrais, desde a coordena\u00e7\u00e3o motora at\u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o espacial. S\u00e3o novas conex\u00f5es neurais sendo fortalecidas\u201d, diz.<\/p>\n<h2>Existe uma idade certa para aprender a letra cursiva?<\/h2>\n<p>Tanto a neuropsicopedagoga Marjorie Collere quanto a professora do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo, Silvia Colello, afirmam que n\u00e3o existe uma idade exata para aprender a letra cursiva. O mais importante, segundo elas, \u00e9 que o educador observe o est\u00e1gio de desenvolvimento e aprendizagem da crian\u00e7a. Marjorie destaca, inclusive, que em determinados momentos \u00e9 necess\u00e1rio priorizar o fortalecimento de outras habilidades. \u201cAssim, ao conhecer esse modo de escrita, a crian\u00e7a o far\u00e1 com mais qualidade, sem produzir por produzir, mas se apropriando dessa forma de linguagem.\u201d<\/p>\n<p>Silvia Colello explica que a alfabetiza\u00e7\u00e3o costuma come\u00e7ar com a letra bast\u00e3o, para que a crian\u00e7a desenvolva familiaridade e agilidade no reconhecimento das letras e compreenda a forma\u00e7\u00e3o das palavras. No entanto, uma vez assimilado o sistema alfab\u00e9tico e consolidada a base da escrita, ela j\u00e1 pode iniciar o aprendizado da letra cursiva. Nesse processo, a escola desempenha um papel fundamental.<\/p>\n<p>\u201cMuitas vezes a pr\u00f3pria crian\u00e7a manifesta o desejo de aprender a letra cursiva, que algumas chamam de \u2018letra de gente grande\u2019. Mas a escola tamb\u00e9m tem que cumprir o seu papel de despertar desejos, e se a crian\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o motivada, a escola tem que fazer o seu papel de provocando, desafiando, convocando essa crian\u00e7a para se envolver nas atividades de aprendizagem da letra cursiva.\u201d<\/p>\n<h2>Letramento digital e escrita manual<\/h2>\n<p>Tanto do ponto de vista neurol\u00f3gico quanto educacional, as especialistas concordam que, no contexto atual, n\u00e3o faz sentido excluir a comunica\u00e7\u00e3o escrita manual ou a digitada. Ambas s\u00e3o importantes para a inser\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as na sociedade contempor\u00e2nea. Al\u00e9m disso, para muitas delas, a escrita cursiva representa tamb\u00e9m um marco emocional de autonomia e amadurecimento.<\/p>\n<p>Segundo Silvia Colello, vivemos em uma cultura essencialmente escrita. Aprender a ler e escrever, portanto, \u00e9 parte fundamental da capacidade de viver, participar, agir, produzir e interagir em uma sociedade letrada. \u201cE, se \u00e9 verdade que essa sociedade est\u00e1 cada vez mais digital, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que a letra cursiva continua presente no nosso cotidiano e nas nossas pr\u00e1ticas di\u00e1rias\u201d, afirma a professora. Para ela, embora a tecnologia ofere\u00e7a in\u00fameras facilidades, a crian\u00e7a possui um c\u00e9rebro naturalmente preparado para aprender.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o caso de a gente ficar pensando como aliviar a crian\u00e7a de aprender menos coisas. A crian\u00e7a pode aprender tudo. Se ela pode aprender a letra bast\u00e3o ou a letra de imprensa, inclusive para lidar com toda essa parafern\u00e1lia digital que a gente tem no mundo, ela pode aprender tamb\u00e9m a letra cursiva que faz parte do nosso mundo\u201d, ao refor\u00e7ar que \u00e9 preciso formar crian\u00e7as como leitoras e escritoras.<\/p>\n<p>&#8220;Se a gente pode ensinar o mais, por que vamos nos conformar com o menos? A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se trata de economia, mas de formar leitores e escritores com tudo o que t\u00eam direito. Posso levar a turma ao laborat\u00f3rio de inform\u00e1tica hoje e, amanh\u00e3, escrever uma carta para o \u2018Papai Noel\u2019 em letra cursiva&#8221;, defende a professora.\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com a neuropsicopedagoga Marjorie, \u00e9 importante para o desenvolvimento cognitivo da crian\u00e7a que exista esse equil\u00edbrio entre o uso da tecnologia e a escrita manual. Isso porque, embora os recursos digitais sejam cada vez mais presentes e necess\u00e1rios, a escrita \u00e0 m\u00e3o continua desempenhando um papel fundamental. \u201cS\u00e3o habilidades distintas, mas igualmente imprescind\u00edveis nos dias de hoje. A escrita cursiva \u00e9 valiosa para a matura\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica do indiv\u00edduo\u201d, afirma.<\/p>\n<h2>Um rito de passagem<\/h2>\n<p>Conquistar a linguagem escrita \u2014 especialmente a manuscrita \u2014 funciona como um verdadeiro rito de passagem para as crian\u00e7as e tamb\u00e9m para adultos em processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o tardia. Segundo Silvia Colello, os pequenos t\u00eam uma motiva\u00e7\u00e3o natural para compreender o mundo ao seu redor. E, apesar do avan\u00e7o da tecnologia, a letra cursiva continua presente nas pr\u00e1ticas cotidianas dos adultos com quem convivem.<\/p>\n<p>\u201cPara os adultos, dominar a escrita cursiva pode ser ainda mais significativo. No caso daqueles que foram alfabetizados tardiamente, a letra bast\u00e3o muitas vezes representa uma marca de limita\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a letra cursiva funciona como um rito de passagem, mostrando que eles tamb\u00e9m podem escrever como os demais adultos da sua \u00e9poca\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Observando as crian\u00e7as com as quais j\u00e1 trabalhou, Marjorie destaca o papel que a escrita manual e cursiva, especificamente, tem no desenvolvimento social da crian\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEles se sentem mais competentes e aut\u00f4nomos. Percebemos que come\u00e7am a se identificar como pertencentes a um novo grupo\u201d, afirma a especialista. Ela ressalta, por\u00e9m, a import\u00e2ncia de observar os objetivos e a funcionalidade desse aprendizado para cada crian\u00e7a. Atualmente, trabalhando diretamente com crian\u00e7as autistas, a especialista destaca a necessidade de alinhar expectativas para que esse rito de passagem aconte\u00e7a com qualidade e seja, de fato, ben\u00e9fico ao desenvolvimento do aluno.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa rotina est\u00e1 cada vez mais cercada de aparelhos que nos levam a digitar. 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