{"id":419130,"date":"2026-05-17T19:56:12","date_gmt":"2026-05-17T23:56:12","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=419130"},"modified":"2026-05-17T19:56:12","modified_gmt":"2026-05-17T23:56:12","slug":"sob-tempestade-perfeita-agro-pressiona-governo-para-mudar-financiamento-da-safra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=419130","title":{"rendered":"Sob \u201ctempestade perfeita\u201d, agro pressiona governo para mudar financiamento da safra"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Com uma taxa de inadimpl\u00eancia rural no maior patamar hist\u00f3rico e um endividamento que j\u00e1 ultrapassa a marca de R$ 800 bilh\u00f5es, o agroneg\u00f3cio brasileiro cobra do governo federal uma mudan\u00e7a estrutural no modelo de financiamento para o setor no Plano Safra 2026\/2027. O volume de investimentos do programa deve ser anunciado pelo governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) no m\u00eas de junho.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o do problema fica clara em um dado: no Plano Safra 2025\/2026, o governo anunciou R$ 516,2 bilh\u00f5es para a agropecu\u00e1ria, mas o Tesouro Nacional conseguiu equalizar juros \u2014 isto \u00e9, cobrir a diferen\u00e7a entre a taxa de mercado e a taxa subsidiada paga pelo produtor \u2014 para apenas R$ 113,8 bilh\u00f5es, menos de um quarto do total. O restante ficou no papel.<\/p>\n<p>Entidades do setor e a bancada ruralista no Congresso Nacional alertam que o pa\u00eds pode sofrer uma retra\u00e7\u00e3o na oferta agr\u00edcola com o esgotamento do atual sistema de subs\u00eddios diretos do Estado.<\/p>\n<p>Para a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura e Pecu\u00e1ria no governo de Jair Bolsonaro (PL) e atual vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA), o tamanho e as necessidades do agro brasileiro exigem uma reformula\u00e7\u00e3o no Plano Safra.<\/p>\n<p>Durante o 4\u00ba Congresso da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), realizado em Bras\u00edlia nesta semana, ela ressaltou que o produtor rural vive um momento de \u201ctempestade perfeita\u201d. O cen\u00e1rio \u00e9 composto por uma conjuntura prolongada de pre\u00e7os internacionais reduzidos, custos de produ\u00e7\u00e3o inflacionados e cr\u00e9dito restrito no mercado.<\/p>\n<p>Um dos fatores para a dificuldade de acesso a financiamentos seria a falta de garantias, em raz\u00e3o do alto endividamento do setor. \u201cN\u00e3o tem tempestade mais perfeita do que essa, e a\u00ed n\u00f3s temos um problema no Brasil, em especial dos juros, que n\u00e3o cabem no bolso do agricultor\u201d, afirmou a ex-ministra.<\/p>\n<h2>Senadora prop\u00f5e fundo garantidor de investimentos para o agroneg\u00f3cio<\/h2>\n<p>Uma das medidas defendidas pela FPA como fundamental \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um fundo garantidor de investimentos (FGI) para a agricultura. \u201cNa ind\u00fastria, desde a pandemia ele [o fundo garantidor] foi institu\u00eddo e vem funcionando muito bem\u201d, disse a parlamentar.<\/p>\n<p>Ao lado do ministro da Agricultura e Pecu\u00e1ria, Andr\u00e9 de Paula, e do vice-presidente da Rep\u00fablica, Geraldo Alckmin, Tereza Cristina chamou o governo \u00e0 responsabilidade. \u201cSe houver a sensibilidade do governo para trabalhar esse assunto, eu acho que n\u00f3s podemos avan\u00e7ar muito j\u00e1 para esse pr\u00f3ximo Plano Safra\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A senadora \u00e9 autora de uma emenda ao projeto de lei (PL) 5.122\/2023 que prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o do FGI e um aporte federal de R$ 20 bilh\u00f5es para o fundo. A reda\u00e7\u00e3o foi incorporada ao relat\u00f3rio do senador Renan Calheiros (MDB-AL) na Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos (CAE) do Senado.<\/p>\n<p>Conforme a discuss\u00e3o na CAE, os recursos seriam usados exclusivamente como garantia de cr\u00e9dito para o <strong>alongamento de passivos rurais<\/strong> \u2014 a renegocia\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o dos prazos das d\u00edvidas do setor junto ao sistema financeiro. A vota\u00e7\u00e3o do texto est\u00e1 prevista para a pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira (19).<\/p>\n<p>No Plano Safra do ano passado (2025\/2026), o governo anunciou um teto de R$ 516,2 bilh\u00f5es para a agropecu\u00e1ria, mas o Tesouro Nacional conseguiu bancar juros equalizados para apenas R$ 113,8 bilh\u00f5es desse montante, justamente por falta de garantias.<\/p>\n<p>\u201cSabemos das dificuldades fiscais, do problema do cr\u00e9dito e das despesas prim\u00e1rias, mas R$ 20 bilh\u00f5es neste fundo podem alavancar mais de R$ 70 bilh\u00f5es, podendo chegar at\u00e9 R$ 200 bilh\u00f5es\u201d, explicou a senadora na CAE.<\/p>\n<p>Pela proposta, em vez de o Tesouro custear os juros ano a ano a fundo perdido, o Estado ret\u00e9m um fundo de reserva para mitigar o risco das carteiras dos bancos comerciais. Com o risco segurado pelo FGI, as pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es financeiras reduzem as taxas e alongam as d\u00edvidas dos produtores sem exigir subs\u00eddio direto do governo.<\/p>\n<h2>CNA pede R$ 623 bilh\u00f5es para pr\u00f3ximo Plano Safra e or\u00e7amento plurianual cont\u00ednuo<\/h2>\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA) defende um novo modelo de or\u00e7amento plurianual para as pol\u00edticas agr\u00edcolas. A entidade argumenta que os atuais planos plurianuais s\u00e3o apresentados como um compromisso para todo o ciclo da safra. Sua execu\u00e7\u00e3o, no entanto, mant\u00e9m uma l\u00f3gica anual, fragmentada e sujeita a interrup\u00e7\u00f5es, contingenciamentos e reprograma\u00e7\u00f5es ao longo do per\u00edodo produtivo.<\/p>\n<p>Para a CNA, o novo modelo or\u00e7ament\u00e1rio do Plano Safra deve ser orientado pela previsibilidade, plurianualidade e continuidade de execu\u00e7\u00e3o. Em documento com propostas para o setor, a entidade defende que, mais do que ampliar os valores anunciados, o governo deve fortalecer a qualidade institucional do plano. Para tanto, \u00e9 preciso \u201cuma arquitetura or\u00e7ament\u00e1ria compat\u00edvel com a din\u00e2mica da produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para a pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o do plano, a entidade pede que sejam assegurados R$ 623 bilh\u00f5es, sendo R$ 518,2 bilh\u00f5es \u00e0 agricultura empresarial e R$ 104,9 bilh\u00f5es para a agricultura familiar.<\/p>\n<p>\u201cO Plano Safra hoje n\u00e3o chega a 20% do montante total do financiamento do setor. O financiamento do setor est\u00e1 muito mais no t\u00edtulo privado\u201d, diz o presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR).<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o \u00e9 isso que n\u00f3s estamos correndo atr\u00e1s, tentando buscar qual caminho a gente consegue dentro do Tesouro\u201d, afirma.<\/p>\n<h2>FPA quer Lei do Agro 3 para modernizar cr\u00e9dito<\/h2>\n<p>Outra demanda que a bancada exige que seja atendida nesta edi\u00e7\u00e3o do Plano Safra \u00e9 um or\u00e7amento de pelo menos R$ 4 bilh\u00f5es para o Programa de Subven\u00e7\u00e3o ao Pr\u00eamio do Seguro Rural (PSR).<\/p>\n<p>No PSR, o governo aporta uma subven\u00e7\u00e3o \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de seguros contra perdas \u2014 ou seja, banca parte do custo do seguro contratado pelo produtor. O subs\u00eddio varia de 30% a 35% dos custos do seguro para agricultura, pecu\u00e1ria, aquicultura e florestas.<\/p>\n<p>A FPA defende uma moderniza\u00e7\u00e3o geral no cr\u00e9dito para o setor agropecu\u00e1rio por meio de um pacote de propostas legislativas batizado de \u201cLei do Agro 3\u201d. O conjunto de medidas atualiza instrumentos como a <strong>C\u00e9dula de Produto Rural (CPR)<\/strong> \u2014 t\u00edtulo de cr\u00e9dito emitido pelo pr\u00f3prio produtor como promessa de entrega futura de mercadoria, usado como garantia de financiamento \u2014, ampliando as regras de subven\u00e7\u00e3o privada.<\/p>\n<p>Segundo a FPA, as mudan\u00e7as permitiriam a inje\u00e7\u00e3o de mais de R$ 800 bilh\u00f5es no financiamento rural por meio do mercado financeiro. O aporte corrige uma distor\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica: embora o agroneg\u00f3cio represente quase um quarto da economia nacional, ocupa apenas 3% do mercado de capitais brasileiro.<\/p>\n<p>O acesso facilitado a fundos estrangeiros e a desburocratiza\u00e7\u00e3o de garantias s\u00e3o vistos como a \u00fanica rota segura de crescimento fora do or\u00e7amento da Uni\u00e3o.<\/p>\n<h2>Ministro diz que trabalha para atender demandas do setor, mas que palavra final \u00e9 de Lula<\/h2>\n<p>Em participa\u00e7\u00e3o no Congresso da Abramilho nesta semana, o ministro da Agricultura e Pecu\u00e1ria, Andr\u00e9 de Paula, disse apoiar as demandas do setor. Por outro lado, admitiu que a palavra final caber\u00e1 ao presidente Lula.<\/p>\n<p>\u201cEstamos trabalhando muito para que a gente possa n\u00e3o apenas apresentar um Plano Safra que acomode as preocupa\u00e7\u00f5es que foram apontadas aqui, com juros que possam caber no bolso do produtor rural\u201d, disse o ministro logo ap\u00f3s a fala de Tereza Cristina.<\/p>\n<p>Ele disse considerar seu papel \u00e0 frente do Mapa, assumido no in\u00edcio de abril, como o de um advogado do agro na atual administra\u00e7\u00e3o federal. \u201cVou lutar dentro do governo. Agora, no final, o governo vai se posicionar, e eu vou apoiar a posi\u00e7\u00e3o oficial\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O vice-presidente Geraldo Alckmin, tamb\u00e9m presente ao evento, sinalizou abertura ao FGI, citando experi\u00eancia positiva com modelo semelhante no Rio Grande do Sul. Reconheceu, no entanto, que os recordes nominais dos \u00faltimos planos safra concentraram-se no Pronaf \u2014 o que, na pr\u00e1tica, deixou m\u00e9dios e grandes produtores \u00e0 margem do cr\u00e9dito subsidiado.<\/p>\n<p>A argumenta\u00e7\u00e3o esbarra, no entanto, na falta de recursos do Tesouro Nacional para a equaliza\u00e7\u00e3o das taxas de juros destinadas aos m\u00e9dios e grandes produtores. Sem esse subs\u00eddio, os bilh\u00f5es anunciados nos eventos oficiais t\u00eam ficado inacess\u00edveis na ponta da linha, for\u00e7ando o produtor a recorrer ao mercado a custos incompat\u00edveis com a margem da atividade.<\/p>\n<p><em>*O jornalista viajou a convite da Abramilho<\/em><\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma taxa de inadimpl\u00eancia rural no maior patamar hist\u00f3rico e um endividamento que j\u00e1 ultrapassa a marca de R$&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":417819,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-419130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/419130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=419130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/419130\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/417819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=419130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=419130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=419130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}