{"id":416904,"date":"2026-05-17T13:00:00","date_gmt":"2026-05-17T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=416904"},"modified":"2026-05-17T13:00:00","modified_gmt":"2026-05-17T17:00:00","slug":"o-voo-do-albatroz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=416904","title":{"rendered":"O voo do albatroz"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/05\/14183004\/dia-das-maes-albatroz.jpg.webp\" \/><span>A maternidade \u00e9 como o voo do albatroz, que s\u00f3 \u00e9 alto porque as asas s\u00e3o pesadas. (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT\/Gazeta do Povo)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Ser\u00e1 tarde demais para desejar feliz <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/dia-das-maes\/\">Dia das M\u00e3es<\/a>? \u00c9 claro que n\u00e3o&#8230; Agora, enquanto escrevo, sei que os olhos do p\u00fablico s\u00f3 pousar\u00e3o sobre estas linhas no domingo que vem, mas adianto-me a tra\u00e7\u00e1-las ainda sob a gostosa influ\u00eancia do domingo rec\u00e9m passado, em que recebi o carinho dos meus <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/filhos\/\">filhos<\/a>. Digamos que hoje seja, com o perd\u00e3o da brincadeira, a \u201coitava\u201d do Dia das M\u00e3es. E n\u00e3o \u00e9 o m\u00eas de maio inteiro, segundo o costume cat\u00f3lico, dedicado \u00e0 Virgem Maria, a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/mae\/\">M\u00e3e <\/a>das m\u00e3es? No m\u00eas de maio, n\u00e3o s\u00e3o poucas as <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/criancas\/\">crian\u00e7as<\/a>, pelos col\u00e9gios e par\u00f3quias, que se vestem como anjos e, com sua candura infantil, representam o que deve ser cortejo celeste. Tomam p\u00e9talas de rosas e outras flores \u2013 \u00e9 a primavera do Hemisf\u00e9rio Norte a origem mais remota dessas comemora\u00e7\u00f5es \u2013, e louvam a m\u00e3e bendita do Cristo Senhor, por meio de quem nos veio a salva\u00e7\u00e3o. Coroam-na, enfim, com uma coroa simb\u00f3lica, que representa aquela verdadeira que o mesmo Jesus p\u00f4s em sua cabe\u00e7a, l\u00e1 no C\u00e9u, cumprindo as profecias e os salmos. E a M\u00e3e das m\u00e3es faz todo o m\u00eas de maio ser, se quisermos, um prolongado Dia das M\u00e3es \u2013 se quisermos, sobretudo, lembrar do seu exemplo, das suas alegrias, mas principalmente das suas dores, e do amor que teve e tem por Deus e por todos.<\/p>\n<p>\u00c9 como diz aquela velha ora\u00e7\u00e3o oriental, t\u00e3o linda: \u201cO C\u00e9u disse \u00e0 Terra: \u2013 Bem-aventurada sois! Como sois feliz, porque possu\u00eds o que h\u00e1 de mais precioso: as m\u00e3es. Dai-me uma m\u00e3e e, em troca, eu vos darei Deus! \u2013 E ent\u00e3o Deus desceu do C\u00e9u e tomou para si uma m\u00e3e; com ela habitou na Terra, e com ela depois regressou ao C\u00e9u, e ali a fez assentar-se ao seu lado&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Somos, n\u00f3s m\u00e3es, segundo a ora\u00e7\u00e3o, o que h\u00e1 de mais precioso, e a Terra \u00e9 chamada de bem-aventurada por nos possuir em seu territ\u00f3rio! Somos assim preciosas mesmo? Boa parte, qui\u00e7\u00e1 a maioria de n\u00f3s, tem, por nossas pr\u00f3prias m\u00e3es, um amor e um carinho imensos, t\u00e3o grandes que nos fazem de fato compreender essas afirma\u00e7\u00f5es. Mas, e quando olhamos para n\u00f3s pr\u00f3prias? Para a nossa <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/maternidade\/\">maternidade <\/a>que, comparada \u00e0 das m\u00e3es de algumas de n\u00f3s, ou, se n\u00e3o, comparada \u00e0 daquelas m\u00e3es que temos como modelares, como exemplos de dedica\u00e7\u00e3o, entrega, cuidado e afeto, parece coisa pouca, parece t\u00e3o imperfeita?&#8230;<\/p>\n<blockquote>\n<p>Somos, n\u00f3s m\u00e3es, segundo a ora\u00e7\u00e3o, o que h\u00e1 de mais precioso, e a Terra \u00e9 chamada de bem-aventurada por nos possuir em seu territ\u00f3rio<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Olhamos para o conjunto dos nossos dias, arrastados uns ap\u00f3s os outros, emendados por noites mal dormidas, noites claras \u00e0s vezes, e o que vemos? Quanta dificuldade&#8230; Um servi\u00e7o invis\u00edvel, na calada da noite, de oferecer no peito o leite que sustenta a vida, que robustece o corpo daquele que h\u00e1 pouco chegou ao mundo. De balan\u00e7ar, para c\u00e1 e para l\u00e1, o futuro da na\u00e7\u00e3o, para que durma outra vez. E cantar outra can\u00e7\u00e3o, e afagar uns cabelos, ou dar tapinhas no bumbum daquele que precisa disso para engatar no sono. E contar outra hist\u00f3ria, e conversar sobre um dia cheio de novidades, enquanto nos aguarda, bem distante, o descanso e o conforto do banho quente e da cama macia.<\/p>\n<p>E durante os dias, ap\u00f3s essa noite que n\u00e3o dormimos? \u00c9 preciso paci\u00eancia, para preparar todas as coisas, objetos, roupas, alimentos, das quais nossos filhos precisam, n\u00e3o s\u00f3 para viver, mas para aprender a viver. \u00c9 preciso paci\u00eancia, para arrumar a bagun\u00e7a que nossos filhos ainda n\u00e3o s\u00e3o capazes de arrumar sozinhos \u2013 e tamb\u00e9m ensin\u00e1-los a faz\u00ea-lo, fazer contando com sua \u201cajuda\u201d. E devemos, com nossa paci\u00eancia, ensinar-lhes a ter paci\u00eancia, a amar o seu pr\u00f3ximo, os seus irm\u00e3os, seus colegas; n\u00f3s os ensinamos at\u00e9 mesmo a nos amar&#8230;! Para ensin\u00e1-los, repetimos a mesma coisa, as mesmas frases, os mesmos ensinamentos uma vez e outra, e outra vez, e mais uma, todos os dias. E, enquanto isso, vemos nos ultrapassarem todas aquelas (para falar s\u00f3 das mulheres mesmo) que se dedicam integralmente \u00e0 carreira e \u00e0 profiss\u00e3o, a acumularem mais experi\u00eancia e prest\u00edgio, a galgarem posi\u00e7\u00f5es, sucessos, e al\u00e7arem altos voos profissionais. E n\u00f3s, que voos al\u00e7amos?<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Tudo isso me faz lembrar daquele famoso poema de Charles Baudelaire (1821-1867), <em>O albatroz<\/em>. A Baudelaire, apesar de ter ganhado mais tarde a alcunha de \u201cpoeta maldito\u201d, por causa de sua vida marginal e dos temas pesados recorrentes em sua poesia, n\u00e3o se pode negar a dignidade de ser, de algum modo, o fundador da poesia moderna. Isso quer dizer que a sua sensibilidade era muito rara, e a sua capacidade de plasmar nos versos aquilo que via da vida, dos sentimentos humanos e da sociedade ao seu redor, \u00edmpar.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Nesse belo poema, que saiu em seu importante livro <em>As flores do mal<\/em>, de 1857, o poeta pinta um quadro em que os marujos de um navio, grosseir\u00f5es e maldosos, pegam um albatroz para dele zombar. Aquele que, quando est\u00e1 no c\u00e9u, \u00e9 a ave mais bela, com suas asas imensas e poderosas abra\u00e7ando o oceano infindo, quando decai sobre o conv\u00e9s, \u00e9 alvo f\u00e1cil da humilha\u00e7\u00e3o. Os homens da equipagem sopram na sua cara a fuma\u00e7a espessa do cachimbo, s\u00f3 para fazer tro\u00e7a, e imitam o seu caminhar desengon\u00e7ado, entre gargalhadas. Leiamos juntos, porque merece, a tradu\u00e7\u00e3o de Ivan Junqueira (ainda que haja muitas tradu\u00e7\u00f5es diferentes desse poema, e v\u00e1rias igualmente boas \u2013 e os que sabem franc\u00eas podem com gosto apreciar os versos originais).<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><em>\u00c0s vezes, por prazer, os homens da equipagem<\/em><em>Pegam um albatroz, imensa ave dos mares,<\/em><em>Que acompanha, indolente parceiro de viagem,<\/em><em>O navio a singrar por glaucos patamares.<\/em><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><em>T\u00e3o logo o estendem sobre as t\u00e1buas do conv\u00e9s,<\/em><em>O monarca do azul, canhestro e envergonhado,<\/em><em>Deixa pender, qual par de remos junto aos p\u00e9s,<\/em><em>As asas em que fulge um branco imaculado.<\/em><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><em>Antes t\u00e3o belo, como \u00e9 feio na desgra\u00e7a<\/em><em>Esse viajante agora fl\u00e1cido e acanhado!<\/em><em>Um, com o cachimbo, lhe enche o bico de fuma\u00e7a,<\/em><em>Outro, a coxear, imita o enfermo outrora alado!<\/em><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><em>O Poeta se compara ao pr\u00edncipe da altura<\/em><em>Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;<\/em><em>Exilado no ch\u00e3o, em meio \u00e0 turba obscura,<\/em><em>As asas de gigante impedem-no de andar.<\/em><\/p>\n<p>Baudelaire, como veem, compara o albatroz, esse \u201cpr\u00edncipe da altura\u201d, \u00e0 pr\u00f3pria figura do poeta, que se sente exilado entre o vaiv\u00e9m da vida terrena, no ch\u00e3o, entre os homens comuns e rasos, sem esp\u00edrito. Suas asas enormes, que o tornam apto a grandes alturas e dist\u00e2ncias, capaz de abarcar com o olhar o azul infinito do horizonte, ali no ch\u00e3o fazem dele um pobre coitado, digno de pena e alvo da zombaria. Com aquelas asas gigantes, n\u00e3o consegue andar. Eu, por minha vez, lembrei do poema, e da imagem po\u00e9tica que ele carrega, por comparar a grande ave das alturas&#8230; conosco, m\u00e3es.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A maternidade \u00e9 um par de asas pesadas como as do albatroz. A n\u00f3s est\u00e3o reservados voos majestosos num reino que n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel aos olhos da marujada<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">N\u00e3o \u00e9 l\u00edcito compararmos a maternidade a esses p\u00e1ssaros que fazem voos majestosos? Quando est\u00e3o no alto, ganhando para si o gosto do infinito, eles nem sequer sentem o peso das asas enormes \u2013 embora elas sejam, sim, verdadeiramente pesadas. No alto, a sua grandeza e o seu peso s\u00e3o diretamente proporcionais \u00e0 altura e \u00e0 amplid\u00e3o do voo. E se essas asas lhe fossem cortadas? O albatroz poderia andar altivamente pelos conveses dos navios, e por onde mais quisesse. N\u00e3o seria chacota dos marujos, n\u00e3o lhes meteriam a fuma\u00e7a do cachimbo no bico e na cara. Do mesmo modo n\u00f3s, se n\u00e3o f\u00f4ssemos m\u00e3es, n\u00e3o ter\u00edamos todo o tempo do mundo para vencermos neste mundo, inteiramente dedicadas \u00e0 profiss\u00e3o? Ademais ter\u00edamos tempo livre, tempo para n\u00f3s, como se diz, para cuidarmos sem preocupa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, da beleza, dos nossos gostos, <em>hobbies<\/em>, divers\u00f5es. Nossa vida seria todinha nossa, s\u00f3 para n\u00f3s. E ent\u00e3o? Ent\u00e3o n\u00e3o voar\u00edamos alto, e n\u00e3o ser\u00edamos as mais belas e majestosas aves a singrar os ares, como um albatroz.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">As obriga\u00e7\u00f5es da maternidade, que envolvem muitos desafios e dificuldades, como os que listamos h\u00e1 pouco, <em>n\u00e3o s\u00e3o um peso<\/em>, n\u00e3o s\u00e3o algo negativo \u2013 perdas, limites, mutila\u00e7\u00f5es. S\u00e3o isto, \u00e9 claro, se forem olhados desde o ponto de vista errado: se forem interpretadas pelos marujos do conv\u00e9s. Mas, vistas por quem quer voar, ao contr\u00e1rio, s\u00e3o uma afirma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, quase ininterrupta, de um amor que se constitui de obras, de realidade, e n\u00e3o apenas de palavras e desejos de inten\u00e7\u00f5es. As obriga\u00e7\u00f5es da maternidade s\u00e3o asas: s\u00f3 fazem sentido quando nos lan\u00e7amos a voar, e s\u00f3 assim t\u00eam seu peso transmutado em gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Algumas pessoas, muito equivocadamente, repetem a frase: \u201cEsta ou aquela tem o dom da maternidade!\u201d, como se a ela tivesse sido dado algum dom especial que a isentasse das dores. Como se a ela custasse menos a priva\u00e7\u00e3o do sono, do descanso, da tranquilidade, o privar-se de dispor do pr\u00f3prio tempo como bem entende, o ficar acima do peso, as agruras de um puerp\u00e9rio, e todo o esfor\u00e7o e todo o empenho. E aquelas que sofrem, que choram desesperadas, que quase se racham de medo por n\u00e3o saber o que far\u00e3o no futuro pr\u00f3ximo, dado o peso das dificuldades? A essas n\u00e3o foi concedido o tal \u201cdom da maternidade\u201d? N\u00e3o pode ser verdade. O dom da maternidade \u00e9 nada mais que o filho que nos foi confiado e, com ele, a possibilidade de al\u00e7armos um voo \u00fanico. Junto com o filho, vem de Deus certamente a gra\u00e7a, a for\u00e7a de cuidarmos bem dele, se a acolhermos. A Virgem Maria, por acaso, n\u00e3o \u00e9 chamada a Senhora das Dores? E \u00e9 ao mesmo tempo chamada a M\u00e3e de Deus e da Igreja.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">N\u00e3o \u00e9 verdade que n\u00e3o custe, \u00e0s m\u00e3es, nem mesmo \u00e0quelas que parecem ter recebido o tal \u201cdom\u201d, todos esses sacrif\u00edcios. Custa a elas como a todas n\u00f3s. Entregar-se \u00e9 custoso para todas as m\u00e3es \u2013 entregar-se \u00e9 custoso a todos os seres humanos, tamb\u00e9m \u00e0s mulheres que n\u00e3o s\u00e3o m\u00e3es biol\u00f3gicas, e aos homens, de outro modo. Amar mais e mais aos nossos filhos, e principalmente, am\u00e1-los mais do que amamos a n\u00f3s mesmas, \u00e9 custoso, exigente, dif\u00edcil. E entregar tudo aquilo que antes cham\u00e1vamos de \u201cnossa vida\u201d por eles \u2013 ou, dito de outro modo, \u00e9 atualizar totalmente aquilo que entendemos pela express\u00e3o \u201cnossa vida\u201d, que agora ser\u00e1 preenchida pela mem\u00f3ria de seus rostos pequeninos e alegres, por seus cabelos, seus sorrisos, pela vida <em>deles<\/em> \u2013, isto \u00e9 verdadeiramente magn\u00e2nimo e belo. \u00c9 preciso escolh\u00ea-lo deliberadamente, por\u00e9m. \u00c9 preciso querer as asas maiores, que nos atrapalham \u201cc\u00e1 embaixo\u201d, mas nos sustentar\u00e3o \u201cl\u00e1 em cima\u201d, como ao albatroz.<\/p>\n<p>E nisso consiste todo o diferencial: inverter o pr\u00f3prio crit\u00e9rio do nosso pertencimento, da terra para o c\u00e9u, do conv\u00e9s do navio para o azul esperan\u00e7oso do horizonte sobre o mar. Devemos inverter a l\u00f3gica humana, que s\u00f3 v\u00ea naqueles apuros a nega\u00e7\u00e3o, o sofrimento e a dor, para uma l\u00f3gica de conquista, de miss\u00e3o, de voo largo. E essa mudan\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o, que nos faz viver de modo diferente, \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 poss\u00edvel como desej\u00e1vel para todas n\u00f3s. Se n\u00e3o operarmos essa transforma\u00e7\u00e3o, essa transmuta\u00e7\u00e3o do nosso cora\u00e7\u00e3o, direcionado para uma felicidade maior e mais duradoura, ser\u00e1 como tentar fazer voos majestosos&#8230; sem asas.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei, queridas m\u00e3es, onde voc\u00eas passaram o \u00faltimo Dia das M\u00e3es, se puderam estar com seus filhos, ou se s\u00f3 passaram saudades; se celebraram bem, ou se foram, na verdade, atormentadas por d\u00favidas e dores que nem a roseira ou a azaleia mais linda poderiam curar. Mas, para seu consolo, e para boa mem\u00f3ria desse inteiro m\u00eas de maio, m\u00eas maternal, m\u00eas das m\u00e3es porque m\u00eas da M\u00e3e das m\u00e3es, deixo-lhes esta compara\u00e7\u00e3o e este apelo. O albatroz, nas t\u00e1buas do conv\u00e9s, \u00e9 um rei destronado, humilde e constrangido \u2013 como era Jesus, protegido no est\u00e1bulo pelos bra\u00e7os amenos da Virgem M\u00e3e. Era dominador do espa\u00e7o, e agora&#8230; exilado no ch\u00e3o. Assim somos n\u00f3s, m\u00e3ezinhas: a maternidade \u00e9 um par de asas pesadas. A n\u00f3s est\u00e3o reservados voos majestosos num reino que n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel aos olhos da marujada, voos de amor e entrega que nos rendem verdadeira riqueza de esp\u00edrito, nesta vida e no seu desfecho eterno. A maternidade \u00e9 mesmo uma esp\u00e9cie de poesia. E haver\u00e1 poema mais lindo do que aquele filho que, a quatro m\u00e3os com Deus, escrevemos para a eternidade?<\/p>\n<\/div>\n<p>Conte\u00fado editado por: <a title=\"Link para o perfil de Marcio Antonio Campos\" href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/autor\/marcio-antonio-campos\/\">Marcio Antonio Campos<\/a><\/p>\n<h2>Voc\u00ea pode se interessar<\/h2>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maternidade \u00e9 como o voo do albatroz, que s\u00f3 \u00e9 alto porque as asas s\u00e3o pesadas. 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