{"id":410450,"date":"2026-05-15T13:36:03","date_gmt":"2026-05-15T17:36:03","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=410450"},"modified":"2026-05-15T13:36:03","modified_gmt":"2026-05-15T17:36:03","slug":"a-onu-e-o-antissemitismo-como-politica-institucional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=410450","title":{"rendered":"A ONU e o antissemitismo como pol\u00edtica institucional"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/05\/15143411\/francesca-albanese-onu-israel.jpg.webp\" \/><span>Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territ\u00f3rios palestinos, em foto de julho de 2025. (Foto: Carlos Ortega\/EFE)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Como informa <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/relatora-da-onu-e-acusada-de-apoiar-o-hamas-e-fazer-campanha-contra-israel-e-os-eua\/\">o rep\u00f3rter John Lucas<\/a> para esta <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, uma ju\u00edza federal norte-americana suspendeu as san\u00e7\u00f5es impostas pelo governo Trump contra Francesca Albanese, relatora especial da <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/onu\/\">ONU <\/a>para os territ\u00f3rios palestinos. Albanese comemorou a decis\u00e3o nas redes sociais com o entusiasmo de quem acabou de ganhar uma batalha em campo inimigo \u2013 e, de certa forma, \u00e9 exatamente isso. O embaixador israelense Danny Danon n\u00e3o tardou a responder: a relatora, afirmou ele, usa seu cargo para travar uma campanha de incita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/israel\/\">Israel <\/a>e os Estados Unidos, espalha mentiras e cal\u00fanias de sangue, e presta apoio consistente aos terroristas do <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/hamas\/\">Hamas<\/a>, mesmo ap\u00f3s o massacre de 7 de outubro.<\/p>\n<p>S\u00e3o palavras duras. O que surpreende no caso n\u00e3o \u00e9 propriamente a acusa\u00e7\u00e3o de Danon, mas o fato de que ela seja necess\u00e1ria em pleno ano de 2026, como se a ONU e o antissemitismo fossem uma novidade. N\u00e3o s\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o entre as Na\u00e7\u00f5es Unidas e o \u00f3dio aos <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/judeus\/\">judeus <\/a>\u00e9 t\u00e3o velha quanto as pr\u00f3prias Na\u00e7\u00f5es Unidas. E, para compreend\u00ea-la em profundidade, \u00e9 preciso come\u00e7ar n\u00e3o em Nova York ou em Durban, mas em Moscou.<\/p>\n<h2>A URSS e a inven\u00e7\u00e3o do antissionismo moderno<\/h2>\n<p>A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica foi a grande f\u00e1brica ideol\u00f3gica do antissemitismo moderno disfar\u00e7ado de antissionismo. Ap\u00f3s uma lua de mel inicial \u2013 a URSS foi um dos primeiros pa\u00edses a reconhecer Israel, em 1948 \u2013, Moscou virou rapidamente o tabuleiro. J\u00e1 sob Stalin, os judeus sovi\u00e9ticos eram perseguidos como cosmopolitas sem ra\u00edzes; com a Guerra Fria em pleno vigor, o regime encontrou na causa palestina um instrumento perfeito para desestabilizar o Ocidente e conquistar aliados no Terceiro Mundo.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<p>Moscou financiou, treinou e orquestrou grupos terroristas palestinos, ao mesmo tempo em que produzia e exportava propaganda que redefinia o sionismo como imperialismo, colonialismo e, finalmente, racismo<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A KGB foi central nesse processo. O general Ion Mihai Pacepa, chefe da intelig\u00eancia romena que desertou para o Ocidente em 1978, deixou testemunho detalhado de como Moscou financiou, treinou e orquestrou grupos terroristas palestinos, ao mesmo tempo em que produzia e exportava propaganda que redefinia o sionismo \u2013 o movimento de autodetermina\u00e7\u00e3o nacional dos judeus \u2013 como imperialismo, colonialismo e, finalmente, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/racismo\/\">racismo<\/a>. N\u00e3o era uma met\u00e1fora pol\u00edtica gratuita, mas uma campanha deliberada de engenharia sem\u00e2ntica.<\/p>\n<p>O passo mais ousado dessa campanha foi equiparar o sionismo ao <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/nazismo\/\">nazismo<\/a>. Em 1965, o Comit\u00ea Central do Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica aprovou um documento interno que instru\u00eda os aparatos de propaganda a tratar Israel como um Estado fascista e a tra\u00e7ar paralelos expl\u00edcitos entre a estrela de Davi e a su\u00e1stica. A perversidade da manobra era diab\u00f3lica: usar o Holocausto \u2013 o maior crime cometido contra o povo judeu \u2013 como arma contra os pr\u00f3prios judeus, invertendo v\u00edtimas e algozes. O sionismo, que nasceu precisamente da necessidade de os judeus terem um lugar seguro ap\u00f3s s\u00e9culos de persegui\u00e7\u00f5es e depois do exterm\u00ednio nazista, era agora apresentado como a reencarna\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio nazismo.<\/p>\n<p>Essa narrativa chegou \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas por dois canais: os pa\u00edses do bloco sovi\u00e9tico, que votavam em bloco, e os pa\u00edses \u00e1rabes e africanos que Moscou cortejava com armas, dinheiro e discurso anticolonial. A ONU, nesse contexto, n\u00e3o era um f\u00f3rum neutro. Era um campo de batalha da Guerra Fria, e os sovi\u00e9ticos jogavam para valer.<\/p>\n<h2>1975: a resolu\u00e7\u00e3o que envergonhou o mundo<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Em 10 de novembro de 1975 \u2013 data que o governo israelense escolheria para marcar o Dia Internacional contra o Fascismo e o Antissemitismo \u2013, a Assembleia Geral da ONU aprovou, por 72 votos a 35, com 32 absten\u00e7\u00f5es, a infame Resolu\u00e7\u00e3o 3379. O texto era simples e devastador: o sionismo \u00e9 uma forma de racismo e discrimina\u00e7\u00e3o racial. Com essa frase, a ONU n\u00e3o apenas atacava o Estado de Israel, como tamb\u00e9m colocava o projeto nacional de autodetermina\u00e7\u00e3o do povo judeu no mesmo n\u00edvel moral do <em>apartheid<\/em> sul-africano \u2013 a grande causa da \u00e9poca. A manobra era, em sua ess\u00eancia, uma tentativa de privar Israel de legitimidade moral perante o mundo.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A resolu\u00e7\u00e3o era o fruto maduro de d\u00e9cadas de propaganda sovi\u00e9tica. Seu patroc\u00ednio formal revelava a coaliz\u00e3o que Moscou havia pacientemente constru\u00eddo: 25 Estados cossignat\u00e1rios, entre eles Cuba, Egito, S\u00edria, Iraque, Arg\u00e9lia e uma s\u00e9rie de pa\u00edses \u00e1rabes e africanos alinhados \u00e0 URSS. O vocabul\u00e1rio do texto \u2013 sionismo como racismo, Israel como herdeiro do <em>apartheid<\/em>, autodetermina\u00e7\u00e3o judaica como projeto colonial \u2013 sa\u00edra diretamente dos manuais ideol\u00f3gicos sovi\u00e9ticos. A resolu\u00e7\u00e3o era, em suma, produto de anos de trabalho met\u00f3dico de Moscou junto ao Movimento dos N\u00e3o Alinhados e \u00e0 Liga \u00c1rabe.<\/p>\n<p>O embaixador israelense Chaim Herzog rasgou a resolu\u00e7\u00e3o no plen\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Mais que um gesto teatral, tratava-se da \u00fanica resposta honesta poss\u00edvel a um documento desonesto. Herzog, ele pr\u00f3prio filho de um rabino-chefe da Irlanda e oficial que combatera na Segunda Guerra Mundial, entendeu imediatamente o que estava em jogo: a resolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o era apenas uma afronta pol\u00edtica, mas a continua\u00e7\u00e3o, por outros meios, do projeto de destrui\u00e7\u00e3o moral do povo judeu. A Resolu\u00e7\u00e3o 3379 seria revogada em 1991, ap\u00f3s a Guerra do Golfo, quando os EUA fizeram de sua revoga\u00e7\u00e3o condi\u00e7\u00e3o para o ingresso de v\u00e1rios pa\u00edses no processo de paz de Madri. Mas o dano estava feito.<\/p>\n<h2>2001: o circo de Durban<\/h2>\n<p>Vinte e seis anos depois, em setembro de 2001, o mundo deveria ter aprendido a li\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o aprendeu.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A III Confer\u00eancia Mundial contra o Racismo, a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, a Xenofobia e a Intoler\u00e2ncia Correlata foi realizada em Durban, na \u00c1frica do Sul, entre 31 de agosto e 8 de setembro daquele ano \u2013 encerrando-se dois dias antes do 11 de setembro. O relato mais perturbador do que aconteceu ali vem do congressista americano Tom Lantos, sobrevivente do Holocausto e delegado oficial dos Estados Unidos na confer\u00eancia. Seu artigo <em>The Durban Debacle<\/em>, publicado no Fletcher Forum of World Affairs em 2002, \u00e9 um documento que todo defensor do multilateralismo deveria ser obrigado a ler.<\/p>\n<blockquote>\n<p> Um cargo criado para promover direitos humanos se tornou, mais uma vez, um instrumento de persegui\u00e7\u00e3o ao \u00fanico Estado predominantemente judeu do mundo<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Lantos descreve como a confer\u00eancia, concebida com o nobre prop\u00f3sito de enfrentar o racismo contempor\u00e2neo em todas as suas formas, foi sistematicamente sequestrada por um bloco de pa\u00edses isl\u00e2micos, liderados na pr\u00e1tica pelo <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/ira\/\">Ir\u00e3 <\/a>e pelo Egito, com o objetivo declarado de transformar Israel em um p\u00e1ria internacional. O plano era reproduzir o que acontecera com a \u00c1frica do Sul nos anos do <em>apartheid<\/em>: se Israel pudesse ser equiparado \u00e0quele regime, a comunidade internacional poderia ser mobilizada para isol\u00e1-lo, sancion\u00e1-lo e deslegitim\u00e1-lo. Era, em ess\u00eancia, o mesmo roteiro sovi\u00e9tico \u2013 desta vez sem Moscou para assinar embaixo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A reuni\u00e3o preparat\u00f3ria realizada em Teer\u00e3, em fevereiro de 2001, j\u00e1 deu o tom. Israel foi exclu\u00eddo. Representantes de ONGs judaicas foram impedidos de participar. Os documentos produzidos ali falavam em limpeza \u00e9tnica da popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe da <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/palestina\/\">Palestina <\/a>hist\u00f3rica, em novo tipo de <em>apartheid<\/em> praticado por Israel e em aumento das pr\u00e1ticas racistas do sionismo. No plen\u00e1rio de Genebra, quando a palavra \u201cHolocausto\u201d aparecia no texto, delegados eg\u00edpcios intervinham para substitu\u00ed-la por \u201cholocaustos\u201d, no plural \u2013 e ent\u00e3o inseriam a seguir a express\u00e3o e a limpeza \u00e9tnica da popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe da Palestina hist\u00f3rica. A manobra era expl\u00edcita: equiparar o Holocausto ao conflito \u00e1rabe-israelense era a velha t\u00e1tica sovi\u00e9tica reencarnada, desta vez em \u00e1rabe.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">No f\u00f3rum de ONGs, paralelo \u00e0 confer\u00eancia oficial, a degrada\u00e7\u00e3o foi ainda mais expl\u00edcita. Panfletos chegaram a ser distribu\u00eddos com a foto de Hitler e a pergunta: \u201cE se eu tivesse vencido?\u201d A resposta impressa: <em>N\u00e3o haveria Israel<\/em>. A Uni\u00e3o de Advogados \u00c1rabes distribuiu um livreto repleto de caricaturas antissemitas que, segundo Lantos, eram assustadoramente semelhantes \u00e0 literatura nazista dos anos 1930. Lantos, que sobrevivera pessoalmente ao Holocausto, escreveu que foi a exposi\u00e7\u00e3o mais nauseante e desavergonhada de \u00f3dio aos judeus que presenciara desde o per\u00edodo nazista. O documento oficial aprovado pela maioria das 3 mil ONGs presentes classificava Israel como um Estado de <em>apartheid<\/em> racista culpado de genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos retiraram sua delega\u00e7\u00e3o em 3 de setembro. A confer\u00eancia prosseguiu.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>O sistema que funciona como projetado<\/h2>\n<p>O que liga a propaganda sovi\u00e9tica, a Resolu\u00e7\u00e3o 3379 de 1975, a Confer\u00eancia de Durban de 2001 e a relatora Francesca Albanese em 2026? A continuidade de um projeto. N\u00e3o se trata de epis\u00f3dios isolados de m\u00e1 gest\u00e3o institucional ou de decis\u00f5es equivocadas tomadas sob press\u00e3o pol\u00edtica. Trata-se de um fio condutor: a instrumentaliza\u00e7\u00e3o das estruturas multilaterais \u2013 primeiro pela URSS, depois por regimes que herdaram seu vocabul\u00e1rio e seus m\u00e9todos \u2013 para conferir verniz de legitimidade internacional ao antissemitismo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Albanese n\u00e3o caiu do c\u00e9u. Ela \u00e9 o produto de uma institui\u00e7\u00e3o que nunca processou adequadamente o que foi Durban, que nunca expulsou de seus mecanismos de direitos humanos os agentes que os corrompem, que mant\u00e9m no Conselho de Direitos Humanos pa\u00edses como Cuba, China e Venezuela enquanto professa falar em nome da dignidade humana. Ela usa o mesmo repert\u00f3rio sem\u00e2ntico \u2013 genoc\u00eddio, <em>apartheid<\/em>, regime colonial racista \u2013 que Moscou p\u00f4s em circula\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo e que foi depois exportado para as ruas de Durban. Ela faz exatamente o que o sistema foi constru\u00eddo para deix\u00e1-la fazer.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se suas afirma\u00e7\u00f5es sobre Israel s\u00e3o verdadeiras ou falsas \u2013 embora sejam, em grande medida, falsas e inflamat\u00f3rias. A quest\u00e3o \u00e9 que um cargo criado para promover direitos humanos se tornou, mais uma vez, um instrumento de persegui\u00e7\u00e3o ao \u00fanico Estado predominantemente judeu do mundo. Isso tem nome. E chamar as coisas pelo nome n\u00e3o \u00e9 provoca\u00e7\u00e3o, mas um dever moral e intelectual.<\/p>\n<p>Francesca Albanese comemorou sua vit\u00f3ria judicial. Tem raz\u00e3o em comemorar: o sistema que a abriga est\u00e1 funcionando exatamente como sempre funcionou. O p\u00f3s-7 de outubro de 2023 s\u00f3 o tornou mais descarado.<\/p>\n<\/div>\n<p>Conte\u00fado editado por: <a title=\"Link para o perfil de Marcio Antonio Campos\" href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/autor\/marcio-antonio-campos\/\">Marcio Antonio Campos<\/a><\/p>\n<h2>Voc\u00ea pode se interessar<\/h2>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territ\u00f3rios palestinos, em foto de julho de 2025. 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