{"id":410275,"date":"2026-05-15T12:08:13","date_gmt":"2026-05-15T16:08:13","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=410275"},"modified":"2026-05-15T12:08:13","modified_gmt":"2026-05-15T16:08:13","slug":"pequena-e-microempresa-encaram-reforma-tributaria-em-meio-a-custo-em-alta-e-juro-caro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=410275","title":{"rendered":"Pequena e microempresa encaram reforma tribut\u00e1ria em meio a custo em alta e juro caro"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A reforma tribut\u00e1ria chega em momento cr\u00edtico para as pequenas e microempresas (PMEs). Os juros para as empresas atingiram 24,6% ao ano, considerando os recursos livres \u2014 aqueles oferecidos pelo mercado. Segundo o Banco Central (BC), as taxas est\u00e3o entre as maiores desde 2022, enquanto o cr\u00e9dito segue restrito.<\/p>\n<p>As tens\u00f5es no Oriente M\u00e9dio tamb\u00e9m impactam essa equa\u00e7\u00e3o. De acordo com a Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP), o diesel ficou 15,8% mais caro desde o in\u00edcio das animosidades. Assim, os insumos utilizados pelas ind\u00fastrias aumentaram 2,53% no primeiro trimestre, pressionando as margens de lucro. \u00c9 a maior alta para o per\u00edodo desde 2022, conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Resolu\u00e7\u00e3o 186 do Comit\u00ea Gestor do Simples Nacional, publicada em 11 de maio, antecipou para setembro de 2026 uma decis\u00e3o fundamental sobre o regime tribut\u00e1rio, com efeitos j\u00e1 em janeiro de 2027. Empresas e contadores ter\u00e3o os pr\u00f3ximos meses para escolher entre permanecer no Simples, adotar o Simples H\u00edbrido ou migrar para o Lucro Real. A decis\u00e3o impacta diretamente a rentabilidade das empresas.<\/p>\n<h2>Cen\u00e1rio pressiona as PMEs e encolhe margens<\/h2>\n<p>A conjuntura externa pressiona os custos em um momento em que pequenas e microempresas se adequam \u00e0 reforma tribut\u00e1ria. A eleva\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e do diesel reduz as margens de lucro de quem n\u00e3o consegue repassar o aumento aos clientes.<\/p>\n<p>Ainda assim, no mesmo per\u00edodo, as PMEs registraram crescimento de 4,5% na movimenta\u00e7\u00e3o financeira em compara\u00e7\u00e3o com 2024, aponta a Omie, fabricante de sistemas de gest\u00e3o empresarial (ERP). O cen\u00e1rio, por\u00e9m, \u00e9 fragmentado: a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o expandiu 9,7% no faturamento m\u00e9dio real; o com\u00e9rcio entrou em seu quinto recuo trimestral consecutivo; e a infraestrutura contraiu 1,0%, pressionada pela taxa Selic em 14,5% ao ano.<\/p>\n<p>Segundo Maur\u00edcio Beraldi, economista da Omie, o crescimento das PMEs embute uma economia desigual. \u201cO novo sistema tribut\u00e1rio funde burocracia e estrat\u00e9gia comercial\u201d, afirma. Os impactos operacionais s\u00e3o imediatos:<\/p>\n<ul>\n<li>Visibilidade de margem: o empres\u00e1rio precisa conhecer a margem l\u00edquida ap\u00f3s tributa\u00e7\u00e3o em tempo real. Definir pre\u00e7os com base em estimativas m\u00e9dias pode gerar preju\u00edzo operacional imediato.<\/li>\n<li>Gest\u00e3o de compras: a decis\u00e3o de compra passa a depender da capacidade do fornecedor de gerar cr\u00e9dito tribut\u00e1rio integral. Comprar sem nota fiscal ou de fornecedores informais significa pagar imposto sobre o valor bruto, sem compensa\u00e7\u00f5es. O produto fica mais caro e menos competitivo.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Simples, h\u00edbrido e o dilema tribut\u00e1rio para 2027<\/h2>\n<p>\u201cEmpresas que continuarem no Simples Nacional n\u00e3o ter\u00e3o muita mudan\u00e7a de carga tribut\u00e1ria \u2014 v\u00e3o continuar em um regime favorecido\u201d, afirma Beraldi. \u201cJ\u00e1 as que forem pressionadas a mudar de regime ou adotar o Simples H\u00edbrido enfrentar\u00e3o tributa\u00e7\u00e3o maior.\u201d<\/p>\n<p>A neutralidade fiscal prometida pela reforma, por\u00e9m, \u00e9 mais nuan\u00e7ada. Os efeitos ser\u00e3o sentidos caso a caso, avaliam especialistas ouvidos pela <em>Gazeta do Povo<\/em>. Na pr\u00e1tica, algumas empresas ter\u00e3o aumento de tributa\u00e7\u00e3o se n\u00e3o ajustarem a gest\u00e3o de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios.<\/p>\n<p>No mercado entre empresas \u2014 quando uma vende para outra \u2014 a reforma introduz uma esp\u00e9cie de \u201csele\u00e7\u00e3o natural\u201d. As PMEs enfrentar\u00e3o a press\u00e3o dos clientes por cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios integrais.<\/p>\n<p>Sob essa perspectiva, o Simples pode se transformar em uma armadilha: ao n\u00e3o permitir que o comprador aproveite integralmente os cr\u00e9ditos de Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS) e Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS), a PME optante pelo regime se torna \u201cmais cara\u201d para o cliente corporativo.<\/p>\n<p>O empreendedor precisar\u00e1 enfrentar o dilema entre permanecer no Simples e perder mercado, ou migrar para o sistema de d\u00e9bito e cr\u00e9dito, no regime h\u00edbrido, assumindo carga administrativa e tribut\u00e1ria maior.<\/p>\n<p>Para Dayane Robledo, contadora e diretora financeira da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Jovens Empres\u00e1rios (Conaje), o Simples ainda faz sentido para empresas muito pequenas, com faturamento inicial e opera\u00e7\u00e3o enxuta. \u201cO Simples n\u00e3o \u00e9 automaticamente a melhor op\u00e7\u00e3o; \u00e9 a mais simples\u201d, afirma.<\/p>\n<h2>Escolha do regime exige an\u00e1lise profunda do neg\u00f3cio<\/h2>\n<p>A escolha exige simula\u00e7\u00f5es precisas e an\u00e1lise aprofundada da posi\u00e7\u00e3o da empresa na cadeia de suprimentos. Ao migrar para o sistema de d\u00e9bito e cr\u00e9dito, a empresa passa a lidar com a al\u00edquota padr\u00e3o do IVA, mas pode aproveitar abatimentos nas aquisi\u00e7\u00f5es \u2014 mecanismo crucial para neutralizar parte do aumento tribut\u00e1rio.<\/p>\n<p>A antecipa\u00e7\u00e3o do prazo para setembro deste ano reduz o tempo dispon\u00edvel para an\u00e1lise. J\u00e9ssica Amorim, diretora do n\u00facleo de Reforma Tribut\u00e1ria da Valestr\u00e1, observa que a resolu\u00e7\u00e3o transformou uma escolha \u201cquase de rotina\u201d em uma \u201can\u00e1lise aderente \u00e0 realidade de cada neg\u00f3cio, considerando perfil de custos, din\u00e2mica operacional e impactos concretos ao longo de 2027\u201d.<\/p>\n<p>A press\u00e3o afeta especialmente prestadores de servi\u00e7os voltados ao mercado corporativo \u2014 como consultorias, auditorias e empresas de engenharia. O principal custo dessas atividades \u00e9 a folha de pagamento, que n\u00e3o gera cr\u00e9dito no novo sistema e oferece poucas oportunidades de compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria nas aquisi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o fim do ISS e sua incorpora\u00e7\u00e3o ao IBS exigir\u00e3o revis\u00e3o rigorosa de contratos, sob risco de preju\u00edzos silenciosos e corros\u00e3o de margens, aponta Glaudson Ferreira, especialista em gest\u00e3o tribut\u00e1ria da Gest\u00e3oClick.<\/p>\n<h2>Reten\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de impostos pode provocar colapso de liquidez<\/h2>\n<p>Independentemente do regime escolhido, todas as PMEs enfrentar\u00e3o um desafio operacional severo: a reten\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de impostos no ato do pagamento, conhecida como split payment. A medida tende a provocar asfixia imediata de liquidez \u2014 problema que nenhuma das op\u00e7\u00f5es de regime elimina completamente.<\/p>\n<p>A reten\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica representa a maior mudan\u00e7a operacional das \u00faltimas d\u00e9cadas. Com esse mecanismo, o governo elimina o per\u00edodo em que o dinheiro do imposto permanecia temporariamente no caixa da empresa antes do recolhimento \u2014 intervalo frequentemente usado pelas PMEs para financiar capital de giro. Para muitas delas, o split payment poder\u00e1 ter impacto devastador.<\/p>\n<p>A liquidez passar\u00e1 a ser testada diariamente. Sem esse f\u00f4lego financeiro, empresas precisar\u00e3o de linhas de cr\u00e9dito mais robustas ou de gest\u00e3o de caixa praticamente impec\u00e1vel. O risco de colapso financeiro por insufici\u00eancia de liquidez imediata \u00e9 real para quem n\u00e3o reestruturar os ciclos financeiros antecipadamente.<\/p>\n<h2>As seis armadilhas cr\u00edticas da reforma tribut\u00e1ria para as PMEs<\/h2>\n<p>Ferreira, da Gest\u00e3oClick, alerta que \u201ca falta de preparo agora pode custar muito mais do que os novos tributos no futuro\u201d. A integra\u00e7\u00e3o entre sistemas de vendas, estoque e contabilidade deixa de ser um diferencial tecnol\u00f3gico para se tornar uma condi\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Sondagem da Omie, realizada em abril com 433 gestores de PMEs, mostra que 48% ainda n\u00e3o iniciaram an\u00e1lises ou permanecem em est\u00e1gios iniciais de adapta\u00e7\u00e3o, enquanto 29% j\u00e1 adaptam processos de forma efetiva.<\/p>\n<p>Entre os participantes, 68% reconhecem a necessidade de aderir a um sistema ERP atualizado para realizar a transi\u00e7\u00e3o at\u00e9 2033. Embora 79% reconhe\u00e7am a import\u00e2ncia do apoio estrat\u00e9gico do contador, apenas 50% participaram de reuni\u00f5es ou eventos sobre a reforma.<\/p>\n<p>Segundo Ferreira, empresas que n\u00e3o se prepararem enfrentar\u00e3o seis armadilhas cr\u00edticas capazes de comprometer sua viabilidade:<\/p>\n<ul>\n<li>Defini\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os baseada no modelo antigo: ignorar que IBS e CBS incidem sobre valor agregado, alterando a base de c\u00e1lculo real.<\/li>\n<li>Impostos em cascata sem compensa\u00e7\u00e3o: n\u00e3o identificar pontos em que tributos se acumulam sem gerar cr\u00e9ditos compensat\u00f3rios.<\/li>\n<li>Fornecedores informais: manter parceiros que n\u00e3o emitem documentos fiscais eletr\u00f4nicos, impedindo a gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos.<\/li>\n<li>Neglig\u00eancia com fluxo de caixa: n\u00e3o provisionar a perda de liquidez decorrente da reten\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de impostos.<\/li>\n<li>Aus\u00eancia de tecnologia de integra\u00e7\u00e3o: operar com sistemas desconectados, gerando erros de apura\u00e7\u00e3o e multas.<\/li>\n<li>Atraso na transi\u00e7\u00e3o cultural: tratar tributos como problema exclusivo da contabilidade, e n\u00e3o da estrat\u00e9gia comercial.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Empresas que ignorarem essas armadilhas tendem a perder espa\u00e7o para concorrentes mais eficientes.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma tribut\u00e1ria chega em momento cr\u00edtico para as pequenas e microempresas (PMEs). 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