{"id":403930,"date":"2026-05-12T17:12:53","date_gmt":"2026-05-12T21:12:53","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=403930"},"modified":"2026-05-12T17:12:53","modified_gmt":"2026-05-12T21:12:53","slug":"pacote-de-seguranca-de-lula-visa-eleicao-e-nao-aborda-preocupacoes-da-populacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=403930","title":{"rendered":"Pacote de seguran\u00e7a de Lula visa elei\u00e7\u00e3o e n\u00e3o aborda preocupa\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Em meio ao avan\u00e7o da preocupa\u00e7\u00e3o dos brasileiros com viol\u00eancia e criminalidade, o governo Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) lan\u00e7ou nesta ter\u00e7a-feira (12) <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/republica\/programa-bilionario-lula-seguranca-pubica-preve-reforcar-acoes-faccoes\/\">o programa \u201cBrasil Contra o Crime Organizado\u201d<\/a>, numa tentativa de transformar a seguran\u00e7a p\u00fablica em vitrine eleitoral para 2026. O pacote aposta em combate estrutural \u00e0s fac\u00e7\u00f5es criminosas, mas especialistas avaliam que a iniciativa pouco dialoga com o principal temor cotidiano do eleitorado: roubos, furtos e a sensa\u00e7\u00e3o imediata de inseguran\u00e7a nas ruas.<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio do Planalto anunciou investimentos de R$ 11,1 bilh\u00f5es na \u00e1rea da seguran\u00e7a. Mas s\u00f3 9,5% (R$ 1,06 bilh\u00e3o) do valor total ser\u00e1 custeado pela Uni\u00e3o, apontam o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que presidiu a CPI do Crime Organizado no Senado e o deputado delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP).<\/p>\n<p>O restante da verba anunciada por Lula, cerca de R$ 10 bilh\u00f5es, ser\u00e1 disponibilizado por meio de empr\u00e9stimos via BNDES para os governos estaduais.<\/p>\n<p>A parte custeada pelo governo federal ser\u00e1 destinada a quatro eixos principais: asfixia financeira das fac\u00e7\u00f5es criminosas, fortalecimento do sistema prisional, amplia\u00e7\u00e3o da taxa de esclarecimento de homic\u00eddios e combate ao tr\u00e1fico de armas.<\/p>\n<p>Contudo, segundo analistas ouvidos pela reportagem, essas medidas n\u00e3o geram redu\u00e7\u00e3o direta de crimes patrimoniais e viol\u00eancia urbana, que dependem mais de aumento do efetivo e de policiais melhor equipados e treinados nas ruas.<\/p>\n<p>O programa de Lula n\u00e3o prev\u00ea a contrata\u00e7\u00e3o de mais policiais e delega aos estados a tarefa de comprar carros de pol\u00edcia e armamentos por meio dos financiamentos. Mas a simples disponibiliza\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos est\u00e1 longe de gerar efeitos imediatos. Isso porque ela ainda exigir\u00e1 ades\u00e3o dos governos estaduais e capacidade administrativa deles para fazer licita\u00e7\u00f5es, executar os investimentos e depois pagar as d\u00edvidas.<\/p>\n<p>\u201cNo curto prazo, dificilmente haver\u00e1 impacto percept\u00edvel para a popula\u00e7\u00e3o. O que se v\u00ea \u00e9 muito mais uma tentativa de constru\u00e7\u00e3o narrativa de combate ao crime do que uma solu\u00e7\u00e3o efetiva para a inseguran\u00e7a cotidiana enfrentada pelos brasileiros&#8221;, defendeu o jurista Arc\u00eanio Rodrigues da Silva, mestre em Direito com especializa\u00e7\u00f5es em Direito Constitucional, P\u00fablico e Tribut\u00e1rio.<\/p>\n<h2>Especialistas veem pouco impacto imediato na viol\u00eancia urbana<\/h2>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o de integrantes da \u00e1rea de seguran\u00e7a \u00e9 que o programa pode at\u00e9 produzir efeitos importantes no enfraquecimento estrutural das fac\u00e7\u00f5es criminosas no longo prazo, mas dificilmente ter\u00e1 impacto imediato sobre a sensa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de inseguran\u00e7a vivida pela popula\u00e7\u00e3o nas grandes cidades.<\/p>\n<p>&#8220;A popula\u00e7\u00e3o sente a inseguran\u00e7a principalmente por meio da viol\u00eancia cotidiana: assaltos, furtos, roubos de ve\u00edculos e crimes urbanos recorrentes. O cidad\u00e3o comum quer perceber melhora concreta na seguran\u00e7a do dia a dia, e n\u00e3o apenas an\u00fancios de medidas institucionais de longo prazo&#8221;, explica o jurista Arc\u00eanio Rodrigues.<\/p>\n<p>Levantamento Ipsos \u201cWhat Worries the World\u201d, divulgado em abril, mostra que crime e viol\u00eancia s\u00e3o hoje a principal preocupa\u00e7\u00e3o dos brasileiros, citados por 47% dos entrevistados \u2014 acima de corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e financeira e pobreza. J\u00e1 o estudo \u201cMedo do crime e elei\u00e7\u00f5es 2026\u201d, elaborado pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica em parceria com o Datafolha, aponta que 41,2% dos brasileiros dizem conviver com fac\u00e7\u00f5es criminosas ou mil\u00edcias nos bairros onde vivem, o equivalente a cerca de 68,7 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>\u201cDados n\u00e3o devem ser lidos apenas como n\u00fameros, mas como um diagn\u00f3stico de uma epidemia criminal grave\u201d, aponta Andr\u00e9 Santos Pereira, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Delegados do Estado de S\u00e3o Paulo e especialista em intelig\u00eancia policial e seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>A pesquisa Datafolha apontou que, mesmo diante da redu\u00e7\u00e3o de alguns crimes violentos em determinadas regi\u00f5es, a popula\u00e7\u00e3o se priva de determinados h\u00e1bitos e da utiliza\u00e7\u00e3o de itens como forma de autopreserva\u00e7\u00e3o. Um exemplo \u00e9 o celular: 33,5% dos entrevistados deixam de sair com o aparelho para evitar assaltos.<\/p>\n<p>Os dados tamb\u00e9m revelam que 35,6% das pessoas deixaram de sair \u00e0 noite, e outros 26,8% retiram alian\u00e7a e outros objetos pessoais ao sair na rua. \u201cEsse cen\u00e1rio revela um descompasso preocupante, no qual a queda dos \u00edndices de crimes como homic\u00eddios n\u00e3o anula o impacto devastador do crime do dia a dia, como roubos de celulares e golpes virtuais, que invadem a privacidade e geram uma sensa\u00e7\u00e3o de onipresen\u00e7a da criminalidade\u201d, avalia o delegado da Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A pesquisa \u201cWhat Worries the World\u201d, da Ipsos, foi realizada em abril de 2026 em 29 pa\u00edses e mede mensalmente as principais preocupa\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o global. No Brasil, foram ouvidos adultos com menos de 75 anos por meio de entrevistas online em painel digital.<\/p>\n<p>J\u00e1 o estudo \u201cMedo do crime e elei\u00e7\u00f5es 2026\u201d, elaborado pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica em parceria com o Datafolha, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 munic\u00edpios brasileiros entre os dias 9 e 10 de mar\u00e7o de 2026. A margem de erro \u00e9 de dois pontos percentuais, com n\u00edvel de confian\u00e7a de 95%.<\/p>\n<h2>Maior parte do programa ser\u00e1 por meio de empr\u00e9stimo aos estados<\/h2>\n<p>Cerca de 95% da verba prevista pelo programa, cerca de R$ 10 bilh\u00f5es, ser\u00e1 disponibilizada por meio de linhas de financiamento via BNDES. Segundo o senador Alessandro Vieira, as condi\u00e7\u00f5es e crit\u00e9rios para esses financiamentos ainda n\u00e3o foram esclarecidas.<\/p>\n<p>Integrantes da \u00e1rea de seguran\u00e7a apontam que muitos estados enfrentam dificuldades t\u00e9cnicas para planejamento, licita\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de equipamentos policiais, o que pode limitar a efetividade do programa e retardar resultados concretos para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O desenho financeiro do programa revela uma fragilidade importante. Na pr\u00e1tica, a execu\u00e7\u00e3o depender\u00e1 da situa\u00e7\u00e3o fiscal dos estados, da capacidade de endividamento e da ades\u00e3o pol\u00edtica dos governadores. Existe o risco concreto de o programa ter baixa execu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica at\u00e9 o per\u00edodo eleitoral\u201d, argumenta o jurista Arc\u00eanio Rodrigues.<\/p>\n<p>Processos de licita\u00e7\u00e3o costumam levar muitos meses para se concretizar e ainda n\u00e3o h\u00e1 nem detalhes de quando os financiamentos ser\u00e3o de fato disponibilizados.<\/p>\n<h2>Lula tenta sobrevida eleitoral em meio \u00e0 queda nas pesquisas<\/h2>\n<p>O lan\u00e7amento do programa pelo governo neste momento marca uma tentativa do presidente Lula de reduzir uma das principais vulnerabilidades pol\u00edticas do PT \u00e0s v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o presidencial. Seus cr\u00edticos questionam o motivo do programa n\u00e3o ter sido lan\u00e7ado antes.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o entre assessores governistas \u00e9 de que o partido enfrenta dificuldades para consolidar uma agenda de seguran\u00e7a p\u00fablica capaz de disputar espa\u00e7o com o discurso da direita, tradicionalmente ligado ao endurecimento penal e ao combate ostensivo \u00e0 criminalidade.<\/p>\n<p>A movimenta\u00e7\u00e3o ocorre num momento de press\u00e3o eleitoral para o Pal\u00e1cio do Planalto. Pesquisa <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/eleicoes\/2026\/pesquisa-eleitoral-2026\/futura-inteligencia-presidente-maio-2026\/\">Futura\/Apex<\/a> divulgada nesta semana mostra empate t\u00e9cnico entre Lula e o pr\u00e9-candidato do PL, Fl\u00e1vio Bolsonaro. Em um dos cen\u00e1rios de segundo turno, o senador aparece com 46,9% das inten\u00e7\u00f5es de voto, contra 44,4% do petista.<\/p>\n<p>O levantamento ouviu 2 mil eleitores em 870 cidades brasileiras entre os dias 4 e 8 de maio, por entrevistas telef\u00f4nicas, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e n\u00edvel de confian\u00e7a de 95%. Registro no TSE n\u00ba BR-03678\/2026.<\/p>\n<p>Nos bastidores do governo, aliados de Lula avaliam que seguran\u00e7a p\u00fablica tende a ocupar papel central na disputa eleitoral de 2026, especialmente diante do avan\u00e7o da preocupa\u00e7\u00e3o popular com viol\u00eancia e crime organizado.<\/p>\n<p>&#8220;O programa tem forte vi\u00e9s eleitoral. O timing do lan\u00e7amento e a forma como foi apresentado refor\u00e7am muito mais uma estrat\u00e9gia de recupera\u00e7\u00e3o de imagem do que uma pol\u00edtica estrutural consolidada&#8221;, defendeu Arc\u00eanio Rodrigues.<\/p>\n<p>Durante o lan\u00e7amento do programa, Lula voltou a defender a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica e condicionou a medida \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da PEC da Seguran\u00e7a, parada no Senado h\u00e1 dois meses.<\/p>\n<p>A proposta \u00e9 considerada estrat\u00e9gica pelo governo porque amplia o poder da Uni\u00e3o sobre pol\u00edticas estaduais de seguran\u00e7a. O tema, por\u00e9m, esbarra no momento de tens\u00e3o entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Uni\u00e3o-AP), <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/republica\/senado-rejeita-indicacao-de-jorge-messias-para-o-stf\/\">ap\u00f3s a rejei\u00e7\u00e3o do indicado de Lula ao STF, Jorge Messias<\/a>.<\/p>\n<p>Do outro lado, Fl\u00e1vio Bolsonaro passou a refor\u00e7ar uma estrat\u00e9gia oposta, centrada em endurecimento penal e temas tradicionalmente associados ao eleitorado conservador. Nas \u00faltimas semanas, o pr\u00e9-candidato do PL intensificou a defesa da redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal como uma das principais bandeiras de sua pr\u00e9-campanha presidencial.<\/p>\n<p>A proposta defendida pelo senador reduz de 18 para 16 anos a responsabiliza\u00e7\u00e3o penal geral e prev\u00ea puni\u00e7\u00e3o criminal a partir dos 14 anos para adolescentes envolvidos em crimes hediondos, como estupro, homic\u00eddio, latroc\u00ednio e tortura. A PEC est\u00e1 parada na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ) do Senado desde o ano passado, mas Fl\u00e1vio come\u00e7ou a articular nos bastidores para acelerar sua tramita\u00e7\u00e3o diretamente no plen\u00e1rio da Casa.<\/p>\n<p>Interlocutores de Fl\u00e1vio afirmam que a campanha pretende associar o discurso da oposi\u00e7\u00e3o a temas de forte apelo popular, como combate ao crime violento, endurecimento penal, feminic\u00eddio e viol\u00eancia urbana.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio ao avan\u00e7o da preocupa\u00e7\u00e3o dos brasileiros com viol\u00eancia e criminalidade, o governo Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT)&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":400125,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-403930","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/403930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=403930"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/403930\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/400125"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=403930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=403930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=403930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}