{"id":403657,"date":"2026-05-13T16:24:42","date_gmt":"2026-05-13T20:24:42","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=403657"},"modified":"2026-05-13T16:24:42","modified_gmt":"2026-05-13T20:24:42","slug":"trump-lula-e-o-desmonte-de-uma-parceria-historica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=403657","title":{"rendered":"Trump, Lula e o desmonte de uma parceria hist\u00f3rica"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/05\/08073156\/lula.trump_.suite_.jpg.webp\" \/><span>Presidente da Rep\u00fablica, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Casa Branca, Washington, D.C. (Foto: Ricardo Stuckert\/Presid\u00eancia da Rep\u00fablica\/EFE)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Os frutos de uma viagem de um governante brasileiro aos Estados Unidos podem ser muitos\u2026 Inclusive votos para governar o pr\u00f3prio pa\u00eds norte-americano. Sim, isso realmente aconteceu. Mas \u00e9 claro que eu n\u00e3o falo sobre a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/lula-trump-encontro-casa-branca\/\">visita de Lula a Trump<\/a>. Eu falo de Dom Pedro II, em 1876.<\/p>\n<p>Durante sua visita aos Estados Unidos, documentos da \u00e9poca apontam que o Imperador brasileiro recebeu entre 4 e 15 mil votos simb\u00f3licos para presidente dos Estados Unidos. Votos de americanos impressionados com sua postura intelectual, seu interesse por ci\u00eancia e tecnologia e sua vis\u00e3o de desenvolvimento econ\u00f4mico. O oposto da imagem que o atual presidente projeta.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, enquanto grande parte da elite latino-americana ainda voltava os olhos apenas para a Europa, Dom Pedro II percebeu cedo o potencial econ\u00f4mico e industrial americano, aproximando rela\u00e7\u00f5es comerciais e incentivando avan\u00e7os de infraestrutura e moderniza\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>E, de l\u00e1 para c\u00e1, diversos outros governantes brasileiros mantiveram e aprofundaram a rela\u00e7\u00e3o. Um dos exemplos mais marcantes foi Get\u00falio Vargas, que, em 1942, alinhou o Brasil aos americanos durante a Segunda Guerra Mundial no combate ao nazismo. At\u00e9 Get\u00falio Vargas, um dos presidentes mais autorit\u00e1rios que j\u00e1 tivemos, entendia a import\u00e2ncia de se aliar \u00e0 maior democracia ocidental do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>E essa aproxima\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m trouxe resultados concretos para a nossa economia. A parceria constru\u00edda naquele per\u00edodo garantiu apoio americano para a cria\u00e7\u00e3o da Companhia Sider\u00fargica Nacional. Pela primeira vez, o Brasil passou a produzir o pr\u00f3prio a\u00e7o, deixando de depender totalmente do exterior e abrindo caminho para o crescimento da ind\u00fastria automobil\u00edstica, ferrovi\u00e1ria e de constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Outro nome emblem\u00e1tico na consolida\u00e7\u00e3o da parceria foi Eurico Gaspar Dutra. Em 1947, no in\u00edcio da Guerra Fria, Dutra assinou o Tratado Interamericano de Assist\u00eancia Rec\u00edproca, alinhando o Brasil ao bloco liderado pelos Estados Unidos, e rompeu rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica de Josef Stalin.<\/p>\n<p>Em um mundo dividido entre democracia liberal e expansionismo do autoritarismo sovi\u00e9tico, o Brasil escolheu se aproximar das na\u00e7\u00f5es ocidentais.<\/p>\n<p>E esses s\u00e3o s\u00f3 tr\u00eas exemplos. Depois disso, ainda vieram os avan\u00e7os de infraestrutura e industrializa\u00e7\u00e3o do governo JK, impulsionados por investimentos e pela aproxima\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com os Estados Unidos; o pr\u00f3prio regime militar, que, apesar de todas as suas contradi\u00e7\u00f5es, aprofundou projetos de moderniza\u00e7\u00e3o dentro do eixo ocidental da Guerra Fria; e, d\u00e9cadas depois, a rela\u00e7\u00e3o entre Fernando Henrique Cardoso e Bill Clinton, vista como um s\u00edmbolo de estabilidade econ\u00f4mica e aproxima\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica entre as duas maiores democracias do continente.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, o Brasil construiu uma tradi\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica baseada em pragmatismo, neutralidade e defesa dos pr\u00f3prios interesses nacionais. O pa\u00eds era visto como um mediador confi\u00e1vel, capaz de dialogar com diferentes pot\u00eancias sem se tornar sat\u00e9lite ideol\u00f3gico de nenhum bloco. N\u00e3o por acaso, figuras como Oswaldo Aranha ajudaram a consolidar o protagonismo internacional brasileiro, a ponto de o Brasil abrir tradicionalmente a Assembleia Geral da ONU at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Agora, olhe para 2026. O governo Lula rompeu completamente com essa l\u00f3gica. Sua pol\u00edtica externa abandonou o pragmatismo hist\u00f3rico brasileiro para aderir a uma vis\u00e3o profundamente ideol\u00f3gica do mundo, baseada na divis\u00e3o entre um suposto \u201cSul Global\u201d oprimido e democracias ocidentais tratadas como pot\u00eancias imperialistas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Lula aproximou o Brasil de ditaduras, relativizou viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e inseriu o pa\u00eds em agendas cada vez mais hostis ao Ocidente<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>O exemplo mais claro veio na recente c\u00fapula dos BRICS, esvaziada pela aus\u00eancia de Xi Jinping e Vladimir Putin, onde Lula assumiu protagonismo em discursos contra a hegemonia do d\u00f3lar nas transa\u00e7\u00f5es internacionais e refor\u00e7ou a ret\u00f3rica antiamericana do bloco. E foi esse, justamente, o pontap\u00e9 inicial para a guerra de tarifas contra os EUA na qual estamos inseridos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>E o problema vai muito al\u00e9m. Lula relativizou a aus\u00eancia de elei\u00e7\u00f5es livres na Venezuela, aproximou-se da China enquanto integrantes do governo discutiam modelos de regulamenta\u00e7\u00e3o das redes sociais inspirados em um pa\u00eds sem liberdade de express\u00e3o e enviou o vice-presidente Geraldo Alckmin para a posse do novo presidente do Ir\u00e3, em uma cerim\u00f4nia em que estava a poucos metros de Ismail Haniyeh, ent\u00e3o chefe do Hamas. Cultural e diplomaticamente, o afastamento do Ocidente \u00e9 cada vez mais evidente.<\/p>\n<p>E agora, aos 45 do segundo tempo, acontece a fat\u00eddica reuni\u00e3o entre Lula e Trump, numa tentativa de reconstruir sua imagem desgastada pela maneira como conduziu a rela\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses. O problema \u00e9 que, para al\u00e9m das manchetes, pouco ficou de concreto.<\/p>\n<p>Temas centrais para a rela\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses, como o avan\u00e7o do crime organizado na Am\u00e9rica Latina, o fortalecimento de fac\u00e7\u00f5es brasileiras com conex\u00f5es internacionais e as tens\u00f5es comerciais envolvendo tarifas e inseguran\u00e7a regulat\u00f3ria, seguiram sem respostas.<\/p>\n<p>A coletiva de imprensa foi vaga, sem defini\u00e7\u00f5es ou an\u00fancios relevantes. Nem mesmo houve uma divulga\u00e7\u00e3o oficial das fotos da reuni\u00e3o pela Casa Branca, e jornalistas relataram que o car\u00e1ter discreto do encontro teria ocorrido a pedido do pr\u00f3prio governo Lula. No fim, a reuni\u00e3o parece menos uma mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o e mais um band-aid em uma crise diplom\u00e1tica constru\u00edda ao longo do pr\u00f3prio mandato.<\/p>\n<p>Tr\u00eas horas de reuni\u00e3o certamente n\u00e3o mudar\u00e3o a postura de Donald Trump, como disse Lula, e muito menos reconstruir\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica desgastada ao longo dos \u00faltimos anos. Mas talvez seja a primeira vez que vemos um governante brasileiro ir aos Estados Unidos e voltar com menos prest\u00edgio pol\u00edtico do que tinha antes. Enquanto Dom Pedro II voltou para o Brasil com votos at\u00e9 dos americanos, Lula conseguiu perder votos dos pr\u00f3prios brasileiros.<\/p>\n<\/div>\n<h2>Voc\u00ea pode se interessar<\/h2>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da Rep\u00fablica, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 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