{"id":400283,"date":"2026-05-12T20:06:25","date_gmt":"2026-05-13T00:06:25","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=400283"},"modified":"2026-05-12T20:06:25","modified_gmt":"2026-05-13T00:06:25","slug":"taiwan-repressao-tarifas-e-ira-o-que-esperar-do-encontro-entre-xi-e-trump-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=400283","title":{"rendered":"Taiwan, repress\u00e3o, tarifas e Ir\u00e3: o que esperar do encontro entre Xi e Trump na China"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarcou nesta ter\u00e7a-feira (12) rumo \u00e0 China para um encontro de dois dias com o ditador chin\u00eas, Xi Jinping, em Pequim. A visita \u00e9 a primeira de um presidente americano ao pa\u00eds comunista asi\u00e1tico desde 2017, quando o pr\u00f3prio Trump esteve l\u00e1 durante seu primeiro mandato, e ocorre em um momento de instabilidade nas rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre as duas maiores economias do mundo.<\/p>\n<p>A c\u00fapula desta semana deveria ter ocorrido no final de mar\u00e7o, mas Trump adiou o encontro para conduzir a guerra contra o Ir\u00e3. Agora, com uma fr\u00e1gil tr\u00e9gua em vigor no conflito no Oriente M\u00e9dio, os dois l\u00edderes se encontram carregando uma agenda densa: c<strong>om\u00e9rcio, Taiwan, intelig\u00eancia artificial, controle nuclear, repress\u00e3o a dissidentes e a sombra do Ir\u00e3<\/strong> \u2013 rival dos EUA e aliado de Pequim \u2013 <strong>que dever\u00e1 pairar sobre cada ponto da pauta<\/strong>.<\/p>\n<p>Acompanham Trump na viagem \u00e0 China alguns dos nomes mais poderosos do empresariado americano:<strong> Elon Musk (Tesla, X e SpaceX), Tim Cook (Apple), Kelly Ortberg (Boeing), Larry Fink (BlackRock), Stephen Schwarzman (Blackstone) e Larry Culp (GE Aerospace), entre outros 16 executivos<\/strong>. A presen\u00e7a do setor privado sinaliza que acordos comerciais de grande porte est\u00e3o no horizonte.<\/p>\n<p>Para o coordenador do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da ESPM, Alexandre Uehara, o encontro \u00e9 acompanhado com aten\u00e7\u00e3o pelo potencial impacto que pode ter sobre a economia mundial \u2013 e, por extens\u00e3o, sobre o Brasil, que mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas relevantes com ambas as pot\u00eancias.<\/p>\n<p>O especialista avalia que a simples retomada do di\u00e1logo entre os dois l\u00edderes j\u00e1 representa um sinal positivo para o mercado internacional, mas alerta para o risco de o encontro produzir apenas resultados simb\u00f3licos.<\/p>\n<h2>Discuss\u00e3o sobre o com\u00e9rcio e acordos<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s a guerra tarif\u00e1ria que chegou a impor taxas acima de 140% sobre produtos chineses, os dois pa\u00edses firmaram uma tr\u00e9gua durante o encontro Trump-Xi de outubro de 2025, em Busan, na Coreia do Sul, reduzindo parte da press\u00e3o de ambos os lados.<\/p>\n<p>Contudo, segundo dados citados pelo F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (FEM), as exporta\u00e7\u00f5es chinesas para os EUA continuaram caindo nos primeiros meses de 2026 \u2013 uma queda de 11% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. O n\u00famero indica que, mesmo ap\u00f3s a tr\u00e9gua, a reorienta\u00e7\u00e3o comercial chinesa para outros mercados seguiu em curso.<\/p>\n<p>Para o encontro desta semana, segundo funcion\u00e1rios americanos ouvidos pela ag\u00eancia <em>Reuters<\/em>, espera-se que China e EUA avancem na cria\u00e7\u00e3o de novos f\u00f3runs bilaterais permanentes que busquem institucionalizar a gest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o comercial e de investimentos entre os dois pa\u00edses, substituindo o atual modelo de escaladas e tr\u00e9guas pontuais por um <strong>canal estruturado de negocia\u00e7\u00e3o.<\/strong> Um deles pode ser o chamado &#8220;Conselho de Com\u00e9rcio&#8221; bilateral, uma esp\u00e9cie de f\u00f3rum permanente para gerir os fluxos comerciais entre os dois pa\u00edses, com listas de produtos sujeitos a tarifas reduzidas.<\/p>\n<p>Um &#8220;Conselho de Investimentos&#8221; paralelo tamb\u00e9m deve ser formalizado. Al\u00e9m disso, a China deve anunciar compromissos de compra de produtos agr\u00edcolas americanos e de energia. O maior neg\u00f3cio esperado, contudo, \u00e9 uma encomenda de at\u00e9 500 aeronaves Boeing 737 MAX, o que seria o maior pedido de avi\u00f5es da hist\u00f3ria e a primeira grande encomenda chinesa \u00e0 fabricante americana desde 2017, segundo fontes da ind\u00fastria ouvidas pela <em>Reuters<\/em>.<\/p>\n<p>Michael Froman, especialista em pol\u00edtica econ\u00f4mica internacional e presidente do <em>think tank Council on Foreign Relations <\/em>(CFR), avaliou em an\u00e1lise publicada no site da institui\u00e7\u00e3o que os acordos comerciais devem ser o principal resultado concreto da c\u00fapula desta semana.<\/p>\n<p>A professora do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker, avalia que a reuni\u00e3o pode ajudar a reabrir canais de di\u00e1logo e diminuir parte da instabilidade internacional, embora a imprevisibilidade de Trump siga como fator de aten\u00e7\u00e3o. Holzhacker aponta que o presidente americano chega ao encontro em um cen\u00e1rio de maior desgaste pol\u00edtico e econ\u00f4mico, impactado pelos efeitos internos de sua pol\u00edtica externa e pelas tens\u00f5es envolvendo o Ir\u00e3, enquanto Xi Jinping enfrenta um ambiente dom\u00e9stico mais est\u00e1vel e uma atua\u00e7\u00e3o internacional mais cautelosa, menos envolvida diretamente nos grandes conflitos globais.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Taiwan na mira<\/h2>\n<p>Taiwan tende a ser um dos temas mais sens\u00edveis da reuni\u00e3o entre Trump e Xi nesta semana. Para Pequim, a ilha democr\u00e1tica \u00e9 o ponto central da rela\u00e7\u00e3o bilateral com os Estados Unidos. O chanceler do regime chin\u00eas, Wang Yi, j\u00e1 advertiu o secret\u00e1rio de Estado americano, Marco Rubio, <strong>de que Taiwan representa \u201co maior risco nas rela\u00e7\u00f5es China-EUA\u201d<\/strong> e afirmou que Washington deveria \u201chonrar seus compromissos\u201d \u2013 uma forma diplom\u00e1tica de cobrar recuos americanos no apoio pol\u00edtico e militar a Taipei.<\/p>\n<p>Trump indicou que o assunto Taiwan far\u00e1 parte da conversa com Xi. Em declara\u00e7\u00e3o na Casa Branca nesta segunda-feira (11), <strong>o presidente americano disse que pretende discutir com o ditador chin\u00eas a venda de armas dos EUA \u00e0 ilha, alvo de amea\u00e7as de reunifica\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de Pequim.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO presidente Xi gostaria que n\u00e3o vend\u00eassemos armas para Taiwan, e terei essa conversa [com ele]\u201d, afirmou Trump.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o aumentou a incerteza em torno da posi\u00e7\u00e3o americana sobre a defesa da ilha. Historicamente, Washington evita consultar Pequim sobre vendas de armas defensivas a Taiwan, em linha com as chamadas \u201cSeis Garantias\u201d adotadas no governo de Ronald Reagan. Ao admitir que tratar\u00e1 do tema diretamente com Xi, <strong>Trump abre espa\u00e7o para d\u00favidas sobre at\u00e9 onde a Casa Branca estaria disposta a negociar em uma das quest\u00f5es mais delicadas da disputa entre Estados Unidos e China<\/strong>.<\/p>\n<p>David Sacks, pesquisador de estudos asi\u00e1ticos do CFR, aponta que Xi enxerga neste encontro uma janela de oportunidade para arrancar concess\u00f5es de Trump. Segundo Sacks, Pequim pode pressionar por uma mudan\u00e7a na linguagem americana, <strong>de &#8220;n\u00e3o apoiar&#8221; a independ\u00eancia de Taiwan para &#8220;se opor&#8221; a ela<\/strong>, al\u00e9m de buscar limitar as vendas de armas e enfraquecer a coopera\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a entre Washington e Taip\u00e9.<\/p>\n<p>Xi tamb\u00e9m pode tentar usar a recente visita da l\u00edder oposicionista taiwanesa Cheng Li-wun a Pequim para retratar o presidente taiwan\u00eas Lai Ching-te \u2013 que \u00e9 contra a reunifica\u00e7\u00e3o &#8211; como um elemento radical que tanto Pequim quanto Washington deveriam conter.<\/p>\n<p>&#8220;O que mais tememos \u00e9 que Taiwan seja colocada no card\u00e1pio das conversas entre Xi e Trump&#8221;, disse um alto funcion\u00e1rio taiwan\u00eas \u00e0 ag\u00eancia <em>Reuters<\/em>. O temor tem fundamento: <strong>o governo Trump j\u00e1 atrasou a entrega para Taiwan de um pacote de armas no valor de US$ 14 bilh\u00f5es (R$ 68,7 bilh\u00f5es), aparentemente para n\u00e3o irritar Pequim \u00e0s v\u00e9speras da c\u00fapula.<\/strong><\/p>\n<p>Raymond Kuo, especialista em seguran\u00e7a internacional do<em> think tank<\/em> <em>Chicago Council on Global Affairs<\/em>, avalia que a composi\u00e7\u00e3o da delega\u00e7\u00e3o americana ser\u00e1 um sinal importante sobre o peso de Taiwan nas conversas. Segundo ele, se a reuni\u00e3o for conduzida principalmente por autoridades da \u00e1rea econ\u00f4mica, como o secret\u00e1rio do Tesouro, Scott Bessent, cresce o risco de que Taiwan entre na mesa como moeda de troca em busca de um acordo comercial mais favor\u00e1vel com Pequim. Se a presen\u00e7a de autoridades militares e de seguran\u00e7a nacional for mais forte, a tend\u00eancia, segundo Kuo, \u00e9 de uma posi\u00e7\u00e3o americana mais firme em defesa da ilha.<\/p>\n<h2>Ir\u00e3 tamb\u00e9m dever\u00e1 estar em debate<\/h2>\n<p>A guerra entre EUA, Israel e o regime do Ir\u00e3, iniciada em 28 de fevereiro com ataques americanos e israelenses \u00e0s instala\u00e7\u00f5es militares e governamentais iranianas, tamb\u00e9m deve pesar na c\u00fapula.<\/p>\n<p><strong>Trump, segundo analistas, dever\u00e1 pedir a Xi Jinping que use sua influ\u00eancia sobre Teer\u00e3 para pressionar o regime isl\u00e2mico por um acordo que encerre a guerra em curso no Oriente M\u00e9dio e permita a reabertura do Estreito de Ormuz.<\/strong> O bloqueio da passagem afeta tanto os Estados Unidos \u2013 que veem os pre\u00e7os dos combust\u00edveis aumentarem \u2013 quanto a China, a maior compradora de petr\u00f3leo iraniano.<\/p>\n<p>Nos dias que antecederam a visita, Washington escalou a press\u00e3o sobre Pequim nessa frente. Em abril, o Departamento do Tesouro aplicou san\u00e7\u00f5es \u00e0 segunda maior refinaria independente da China, Hengli Petrochemical, acusada de ser uma das maiores compradoras de petr\u00f3leo iraniano, com bilh\u00f5es de d\u00f3lares em transa\u00e7\u00f5es com Teer\u00e3.<\/p>\n<p>Nesta segunda-feira (11), v\u00e9spera da partida de Trump, o Tesouro americano anunciou novas san\u00e7\u00f5es contra 12 indiv\u00edduos e entidades no Ir\u00e3, em Hong Kong, nos Emirados \u00c1rabes Unidos e em Om\u00e3, com foco no uso de empresas de fachada pela Guarda Revolucion\u00e1ria iraniana para disfar\u00e7ar vendas de petr\u00f3leo \u00e0 China.<\/p>\n<p>No total, cinco refinarias independentes chinesas j\u00e1 foram atingidas pelas san\u00e7\u00f5es americanas nas \u00faltimas semanas. Na semana passada, o Departamento de Estado tamb\u00e9m sancionou tr\u00eas empresas chinesas de sat\u00e9lite \u2013 Chang Guang Satellite Technology, The Earth Eye e MizarVision \u2013 acusadas de fornecer imagens que facilitaram ataques iranianos contra for\u00e7as americanas no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>O porta-voz do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Guo Jiakun, acusou os EUA de &#8220;difamar outros pa\u00edses aproveitando a situa\u00e7\u00e3o de guerra&#8221; e garantiu que a China continuar\u00e1 desempenhando um &#8220;papel construtivo&#8221; para promover um cessar-fogo no conflito em curso.<\/p>\n<p>Segundo an\u00e1lise do CFR, <strong>a China tem defendido publicamente uma sa\u00edda negociada para o conflito, mas ao mesmo tempo oferece apoio pol\u00edtico a Teer\u00e3 e mant\u00e9m canais econ\u00f4micos relevantes com o regime iraniano.<\/strong> Para analistas do CFR, Xi tem \u201cpouco apetite\u201d para pressionar o Ir\u00e3 de forma mais dura no conflito. <strong>A leitura \u00e9 que Pequim prefere ver os Estados Unidos presos a mais um conflito no Oriente M\u00e9dio<\/strong>, enquanto tenta ampliar sua influ\u00eancia global e preservar sua rela\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com Teer\u00e3.<\/p>\n<p>Um funcion\u00e1rio americano ouvido pela <em>Reuters<\/em> disse que Trump j\u00e1 tem tratado sobre a guerra diretamente com Xi. \u201cO presidente tem falado repetidamente com o secret\u00e1rio-geral Xi Jinping sobre o Ir\u00e3 e sobre a R\u00fassia, incluindo a receita que a China fornece a esses regimes, os bens de uso dual e os componentes\u201d, afirmou. \u201cEspero que essa conversa continue.\u201d<\/p>\n<h2>Minerais cr\u00edticos, IA e a quest\u00e3o nuclear<\/h2>\n<p>Al\u00e9m dos temas mais recentes, a c\u00fapula promete abordar outras tr\u00eas \u00e1reas estrat\u00e9gicas para a disputa a longo prazo entre Estados Unidos e China: minerais cr\u00edticos, intelig\u00eancia artificial e controle nuclear.<\/p>\n<p>A primeira envolve o dom\u00ednio chin\u00eas sobre minerais cr\u00edticos e terras raras, insumos essenciais para m\u00edsseis, eletr\u00f4nicos avan\u00e7ados, baterias e ve\u00edculos el\u00e9tricos. Depois de amea\u00e7ar restringir o fornecimento desses materiais aos EUA durante abril e outubro de 2025, pressionando Trump a recuar em pontos da guerra tarif\u00e1ria, Pequim chega \u00e0 mesa com uma vantagem importante.<\/p>\n<p>A China controla a maior parte do processamento global desses materiais, e os EUA ainda n\u00e3o desenvolveram cadeias de fornecimento alternativas em escala suficiente para reduzir essa depend\u00eancia. Os EUA e seus aliados t\u00eam investido na constru\u00e7\u00e3o de cadeias alternativas de minerais cr\u00edticos, mas esses esfor\u00e7os devem levar d\u00e9cadas para produzir resultados concretos.\u00a0<\/p>\n<p>A segunda frente deve ser a intelig\u00eancia artificial (IA). A disputa entre Estados Unidos e China nessa \u00e1rea deixou de ser apenas tecnol\u00f3gica e passou a envolver diretamente seguran\u00e7a nacional, j\u00e1 que modelos avan\u00e7ados de IA podem ser usados em sistemas militares, ataques cibern\u00e9ticos e decis\u00f5es estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p><strong>Hoje, os EUA mant\u00eam, segundo analistas, uma vantagem estimada em cerca de oito meses sobre a China no desenvolvimento de modelos de IA de ponta.<\/strong> <strong>Pequim, por\u00e9m, tenta reduzir essa dist\u00e2ncia. <\/strong>Para isso, v\u00ea os controles americanos sobre chips avan\u00e7ados, como os da Nvidia, como um dos principais obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>Por isso, analistas apontam que a China deve tentar vincular neste encontro qualquer di\u00e1logo sobre seguran\u00e7a em IA a concess\u00f5es dos EUA no acesso a semicondutores. Segundo a <em>Reuters<\/em>, autoridades americanas admitem abrir uma conversa sobre o tema, mas ainda n\u00e3o definiram o formato desse di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Chris McGuire, especialista em competi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica sino-americana do CFR, alerta que Trump n\u00e3o deve buscar agora um acordo amplo com Pequim sobre IA. Para ele, Washington deveria ampliar a press\u00e3o com controles de exporta\u00e7\u00e3o e tentar aumentar sua vantagem de oito meses para at\u00e9 dois anos antes de negociar algo mais amplo.<\/p>\n<p>\u201cSe a administra\u00e7\u00e3o Trump estabelecer um di\u00e1logo com a China sobre IA, deve deixar claro que ele ser\u00e1 estritamente focado em quest\u00f5es de seguran\u00e7a e n\u00e3o cobrir\u00e1 controles de exporta\u00e7\u00e3o\u201d, escreveu McGuire. Segundo ele, Pequim v\u00ea esse tipo de conversa como uma oportunidade para tentar ampliar o acesso \u00e0 tecnologia americana.<\/p>\n<p>A terceira frente \u00e9 o controle nuclear. Com o colapso do New START, o \u00faltimo tratado bilateral entre EUA e R\u00fassia que limitava arsenais nucleares, que expirou em fevereiro sem um acordo para prolongamento,<strong> o mundo entrou em uma era sem marcos formais de controle nuclear entre as grandes pot\u00eancias. Trump tem defendido um novo acordo que inclua a China, argumentando que os acordos anteriores n\u00e3o refletem mais as realidades estrat\u00e9gicas atuais.<\/strong><\/p>\n<p>O problema \u00e9 que Pequim n\u00e3o quer negociar nessa \u00e1rea. A China acelerou nos \u00faltimos anos a constru\u00e7\u00e3o de seu arsenal nuclear, com proje\u00e7\u00f5es que apontam para cerca de 1.500 ogivas at\u00e9 2035 \u2013 o ritmo de expans\u00e3o mais r\u00e1pido desde o in\u00edcio da Guerra Fria.<\/p>\n<p>Em p\u00fablico, Pequim argumenta que seu arsenal \u00e9 muito menor que o americano e o russo, e que n\u00e3o faz sentido negociar limites antes de haver \u201cparidade\u201d. Um funcion\u00e1rio americano ouvido pela Reuters j\u00e1 revelou que a China sinalizou \u00e0 Casa Branca que &#8220;n\u00e3o tem interesse em sentar e discutir qualquer tipo de controle de armas nucleares neste momento&#8221;.<\/p>\n<h2>Presos americanos e repress\u00e3o em Hong Kong<\/h2>\n<p>Trump tamb\u00e9m prometeu tratar com Xi de casos de presos pol\u00edticos e perseguidos pelo regime chin\u00eas. Entre eles est\u00e1 o de <strong>Jimmy Lai,<\/strong> magnata da m\u00eddia pr\u00f3-democracia condenado em fevereiro a 20 anos de pris\u00e3o em Hong Kong por \u201cconspira\u00e7\u00e3o com for\u00e7as estrangeiras\u201d. Outro caso que deve ser abordado \u00e9 o do pastor <strong>Jin Mingri<\/strong>, fundador da Igreja Zion, preso no fim do ano passado.<\/p>\n<p>O caso do pastor Jin insere-se num contexto mais amplo de <strong>escalada da repress\u00e3o religiosa na China<\/strong>. A pris\u00e3o dele foi acompanhada da deten\u00e7\u00e3o de cerca de 30 outros pastores e membros da Igreja Zion, num dos maiores ataques coordenados contra uma rede de igrejas crist\u00e3s \u201cn\u00e3o registradas\u201d pelo regime em anos.<\/p>\n<p>Neste m\u00eas, a Comiss\u00e3o dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) recomendou que a China seja designada como &#8220;pa\u00eds de preocupa\u00e7\u00e3o particular&#8221; e sujeita a san\u00e7\u00f5es Magnitsky. No relat\u00f3rio anual de 2026, a comiss\u00e3o instou o governo americano a aplicar sua nova pol\u00edtica de restri\u00e7\u00f5es de visto por viola\u00e7\u00f5es de liberdade religiosa com foco especial nos pa\u00edses recomendados para designa\u00e7\u00e3o, incluindo a China.<\/p>\n<p>A pauta tamb\u00e9m deve envolver a situa\u00e7\u00e3o de dois americanos presos na China h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada: <strong>Dawn Michelle Hunt e Nelson Wells Jr.<\/strong>, condenados por tr\u00e1fico de drogas em processos contestados por suas fam\u00edlias. Segundo o advogado James Zimmerman, assessor das fam\u00edlias dos dois americanos presos, Pequim j\u00e1 sinalizou abertura para uma poss\u00edvel liberta\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria dos dois americanos, mas espera uma demonstra\u00e7\u00e3o direta de interesse por parte de Washington.<\/p>\n<p>Para Holzhacker, a agenda do encontro desta semana deve ser ampla, com foco principal em temas econ\u00f4micos e comerciais, como as tarifas, cadeias globais de suprimentos, investimentos chineses nos EUA e setores estrat\u00e9gicos como soja, Boeing e minerais raros, mas com espa\u00e7o crescente para quest\u00f5es geopol\u00edticas, especialmente o conflito no Ir\u00e3 e os debates sobre intelig\u00eancia artificial e governan\u00e7a tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarcou nesta ter\u00e7a-feira (12) rumo \u00e0 China para um encontro de dois dias&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":400284,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-400283","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/400283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=400283"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/400283\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/400284"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=400283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=400283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=400283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}