{"id":396895,"date":"2026-05-11T13:38:00","date_gmt":"2026-05-11T17:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=396895"},"modified":"2026-05-11T13:38:00","modified_gmt":"2026-05-11T17:38:00","slug":"20-anos-depois-de-ataques-do-pcc-em-sp-41-notam-crime-organizado-presente-onde-moram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=396895","title":{"rendered":"20 anos depois de ataques do PCC em SP, 41% notam crime organizado presente onde moram"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Vinte anos depois de o ataque de uma fac\u00e7\u00e3o criminosa paralisar as atividades da maior cidade do pa\u00eds, uma pesquisa do Datafolha trouxe um n\u00famero perturbador: de cada dez brasileiros, quatro relatam notar a presen\u00e7a de criminosos organizados no bairro em que vivem. Destes, mais de um ter\u00e7o (35%) disseram que os grupos criminosos t\u00eam \u201cmuita\u201d influ\u00eancia nas regras de conviv\u00eancia do bairro.<\/p>\n<p>O medo da viol\u00eancia \u00e9 praticamente universal. Um total de 96,2% dos entrevistados declarou ter medo de, pelo menos, uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia. No topo das preocupa\u00e7\u00f5es dos brasileiros est\u00e3o os crimes patrimoniais e de estelionato digital: o maior temor da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 ser v\u00edtima de um golpe e perder dinheiro pela internet ou pelo celular, realidade que assombra 83,2% dos entrevistados.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, destacaram-se o medo de ser assaltado \u00e0 m\u00e3o armada (82,3%), de morrer durante um assalto (80,7%), de ter o celular roubado ou furtado (78,8%) e de ser assaltado na rua (78,6%). Al\u00e9m disso, a viol\u00eancia extrema tamb\u00e9m gera forte p\u00e2nico coletivo, visto que 77,5% das pessoas temem ser atingidas por &#8220;bala perdida&#8221; e 75,1% t\u00eam medo de ser assassinadas.<\/p>\n<h2>Metodologia da pesquisa<\/h2>\n<p>Encomendada pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, a pesquisa \u201cOs Gatilhos da Inseguran\u00e7a\u201d ouviu mais de duas mil pessoas (2.004) com 16 anos ou mais em 137 munic\u00edpios do pa\u00eds nos dias 9 e 10 de mar\u00e7o de 2026. A margem de erro \u00e9 de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o n\u00edvel de confian\u00e7a \u00e9 de 95%.<\/p>\n<p>Coordenadores da pesquisa e respons\u00e1veis pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP), o diretor-presidente da organiza\u00e7\u00e3o, Renato S\u00e9rgio de Lima, e a diretora-executiva, Samira Bueno, destacaram o papel do sentimento de inseguran\u00e7a no pa\u00eds e como ele pode influenciar nas elei\u00e7\u00f5es de outubro.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que tais gatilhos da inseguran\u00e7a estejam sendo disparados n\u00e3o s\u00f3 pela dimens\u00e3o da vitimiza\u00e7\u00e3o criminal, mas, sobretudo, pelo sentimento de medo e inseguran\u00e7a que eles provocam. (&#8230;) \u00c9 ele (o medo) \u2014 e n\u00e3o dados ou argumentos racionais \u2014 que determinar\u00e1 as escolhas eleitorais em outubro de 2026&#8243;, declararam os respons\u00e1veis pela pesquisa.<\/p>\n<h2>Ataques do PCC<\/h2>\n<p>A pesquisa foi divulgada no domingo (10), marco que fica \u00e0s v\u00e9speras de um dos acontecimentos mais assustadores envolvendo o crime organizado na hist\u00f3ria do pa\u00eds. No dia 12 de maio de 2006, uma sexta-feira, detentos das casas de cust\u00f3dia de Avar\u00e9 e Iaras, no interior de S\u00e3o Paulo, rebelaram-se.<\/p>\n<p>Logo em seguida, dezenas de penitenci\u00e1rias se amotinaram, num total de 74 pres\u00eddios em que os internos tomaram o controle das casas de deten\u00e7\u00e3o \u2014 algumas unidades da antiga Febem tamb\u00e9m integraram o movimento. O motivo foi uma transfer\u00eancia de presos, que passariam ao regime disciplinar diferenciado (RDD).<\/p>\n<p>A Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria (SAP) do Estado havia decidido transferir 765 presos para a Penitenci\u00e1ria 2 de Presidente Venceslau, na zona oeste do Estado, uma unidade de seguran\u00e7a m\u00e1xima isolada no interior paulista, a mais de 600 km da capital. Entre os presos estava Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o l\u00edder do chamado Primeiro Comando da Capital (PCC), que por muito tempo foi tratado pelo poder p\u00fablico apenas como um boato.<\/p>\n<p>Era a segunda vez que a organiza\u00e7\u00e3o promovia um amotinamento em massa com \u201cSALVES\u201d (comunicados por r\u00e1dio ou telefone direto da c\u00fapula do crime). Cinco anos antes, em fevereiro de 2001, mais de 20 casas haviam se rebelado, tornando o grupo mundialmente conhecido e desmoralizando o governo de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Nos anos 2000, a resposta oficial a perguntas sobre o PCC era dizer que o governo n\u00e3o reconhecia a exist\u00eancia de \u201csupostas organiza\u00e7\u00f5es\u201d. Havia o entendimento de que, ao reconhecer a o PCC e outras fac\u00e7\u00f5es, acabaria se fortalecendo sua atua\u00e7\u00e3o e dando mais poderes a elas.<\/p>\n<p>As rebeli\u00f5es nas penitenci\u00e1rias acompanharam uma onda de ataques que matou mais de 560 pessoas, destas ao menos 60 policiais \u2014 n\u00fameros que, 20 anos depois, seguem aproximados e sem confirma\u00e7\u00e3o oficial \u2014 e que levou terror \u00e0s ruas, paralisando o transporte p\u00fablico e mandando mais cedo para casa milh\u00f5es de pessoas na capital paulista.<\/p>\n<p>Depois da viol\u00eancia nos pres\u00eddios, os boatos sobre toques de recolher se espalharam entre a popula\u00e7\u00e3o e, rapidamente, supermercados foram fechados, universidades suspenderam as aulas, bases da Pol\u00edcia Militar foram atacadas e at\u00e9 a sede do Minist\u00e9rio P\u00fablico foi alvejada a tiros. \u00d4nibus deixaram de circular e era praticamente imposs\u00edvel encontrar t\u00e1xis dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>&#8220;Foi algo in\u00e9dito, que nunca tinha acontecido antes. Ningu\u00e9m imaginava que aquilo ia acontecer. N\u00e3o havia nenhum tipo de expectativa de que houvesse uma tens\u00e3o [anterior] no sistema penitenci\u00e1rio. Muita gente fala que este foi o nosso 11 de setembro aqui em S\u00e3o Paulo&#8221;, declarou o jornalista e pesquisador de seguran\u00e7a p\u00fablica Bruno Paes Manso, em entrevista \u00e0 <em>Ag\u00eancia Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>O ataque acabou controlado ap\u00f3s um encontro entre o l\u00edder do crime, Marcola, e uma advogada do ent\u00e3o governador Claudio Lembo (na \u00e9poca, pol\u00edtico do extinto PFL). Lembo morreu em 2025, mas, dez anos antes, admitiu em entrevista ao Estado de S. Paulo que o encontro de sua advogada com Marcola pode ter contribu\u00eddo para o fim dos ataques.<\/p>\n<p>Em resposta ao ataque dos grupos criminosos, a administra\u00e7\u00e3o estadual promoveu uma s\u00e9rie de medidas que inclu\u00edram a cria\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edcia penal e a amplia\u00e7\u00e3o de vagas no sistema prisional. Oficialmente, atribuem-se a esses fatores a aparente tranquilidade que passou a vigorar no sistema prisional. Apesar da alta percep\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a crimes patrimoniais, os \u00edndices de crimes contra a pessoa est\u00e3o em baixa em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Apesar disso, um crime mostrou todo o poder e aud\u00e1cia da fac\u00e7\u00e3o em 2024. O empres\u00e1rio Ant\u00f4nio Vin\u00edcius Lopes Gritzbach, ligado ao PCC e delator de um esquema de corrup\u00e7\u00e3o policial, foi morto em uma execu\u00e7\u00e3o p\u00fablica no Terminal 2 do aeroporto internacional de S\u00e3o Paulo, em Guarulhos. A morte foi vista como um recado de que a fac\u00e7\u00e3o poderia matar quem quisesse, onde quisesse e no momento que quisesse.<\/p>\n<p>A reportagem da <strong>Gazeta do Povo<\/strong> procurou tanto a <strong>SAP<\/strong> quanto a <strong>SSP<\/strong> para que comentassem as repercuss\u00f5es dos ataques, passadas duas d\u00e9cadas do acontecimento. At\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o, seus posicionamentos ainda n\u00e3o tinham chegado. Caso os \u00f3rg\u00e3os respondam, seus posicionamentos ser\u00e3o acrescentados.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vinte anos depois de o ataque de uma fac\u00e7\u00e3o criminosa paralisar as atividades da maior cidade do pa\u00eds, uma pesquisa&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":396860,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-396895","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/396895","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=396895"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/396895\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/396860"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=396895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=396895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=396895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}