{"id":394336,"date":"2026-05-10T07:00:00","date_gmt":"2026-05-10T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=394336"},"modified":"2026-05-10T07:00:00","modified_gmt":"2026-05-10T11:00:00","slug":"o-que-aprendi-em-decadas-de-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=394336","title":{"rendered":"O que aprendi em d\u00e9cadas de jornalismo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Meu sonho, quando menino, era estudar Literatura Brasileira. Cresci na enorme biblioteca do meu av\u00f4 materno, Am\u00e9rico Jacobina Lacombe, imortal da Academia Brasileira de Letras, e aquele era o mundo que queria para mim. Infelizmente, meu pai, um administrador de empresas, um executivo, nunca gostou da ideia. Por press\u00e3o dele, fui estudar Processamento de Dados (era assim que se chamava na \u00e9poca) na PUC\/RJ e Estat\u00edstica na Uerj. Sim, meu pai achava fundamental que, al\u00e9m de cursar inform\u00e1tica, eu tamb\u00e9m me dedicasse a uma faculdade com base matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Foram quase tr\u00eas anos de pura tortura, \u00e0s voltas com C\u00e1lculo, C\u00e1lculo Integral, \u00c1lgebra, \u00c1lgebra Linear, programas de Cobol de 700 comandos, linguagem de m\u00e1quina, opera\u00e7\u00f5es em sistema bin\u00e1rio, hexadecimal, cart\u00f5es perfurados (n\u00e3o existiam terminais de computador)&#8230; Quase enlouqueci. Acabei trancando as duas faculdades, para desgosto do meu pai, que me obrigou a fazer terapia. Sim, eu s\u00f3 podia estar louco. Ele tinha me apontado para o mercado que mais crescia, para a \u201cprofiss\u00e3o do futuro\u201d, e eu&#8230; Eu n\u00e3o servia para aquilo.<\/p>\n<p>Como eu n\u00e3o conseguia \u201cpermiss\u00e3o\u201d para cursar Letras, da terapia para a faculdade de Psicologia foi um pulo. Fiz um ano do curso, tamb\u00e9m na PUC. Estive \u00e0s voltas com c\u00e9rebros e medulas nas aulas de Neuroanatomia, sempre incomodado pelo formol e pela dist\u00e2ncia que eu continuava tomando do meu sonho&#8230; Dois per\u00edodos, e pronto. Eu me enchi de coragem e fui ao meu pai: \u201cEu quero estudar Letras, Literatura Brasileira\u201d. E a resposta dele foi assim: \u201cAh, \u00e9? Quer ler e escrever? Ent\u00e3o, vai fazer Jornalismo\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Mesmo inexperiente e n\u00e3o tendo incialmente o desejo de atuar com c\u00e2mera e microfone, fui bem na cobertura das elei\u00e7\u00f5es de 1989<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Meu pai comemorou comigo quando eu passei no vestibular para Comunica\u00e7\u00e3o Social em segundo lugar, mas, infelizmente, n\u00e3o acompanhou nada da minha experi\u00eancia no jornalismo. Ele morreu quando eu cursava o terceiro per\u00edodo. N\u00e3o estava ao meu lado quando passei na sele\u00e7\u00e3o para est\u00e1gio na TV Bandeirantes&#8230; E aqui se confirma a s\u00e9rie de acasos que me encaminharam para uma carreira feita quase toda em televis\u00e3o. O que eu queria mesmo era trabalhar com impressos \u2013 jornal ou revista \u2013, mas a primeira oportunidade que surgiu foi na Band, que na \u00e9poca ningu\u00e9m chamava assim.<\/p>\n<p>Minha primeira grande cobertura foi a das elei\u00e7\u00f5es de 1989. Um rep\u00f3rter teve problemas e n\u00e3o p\u00f4de trabalhar. Naquele momento t\u00e3o importante \u2013 a primeira elei\u00e7\u00e3o presidencial direta depois do regime militar \u2013, fui para a rua pela primeira vez como rep\u00f3rter. E, mesmo inexperiente e n\u00e3o tendo incialmente o desejo de atuar com c\u00e2mera e microfone, fui bem. Em pouco tempo, j\u00e1 estava me dedicando n\u00e3o apenas \u00e0 reportagem, mas tamb\u00e9m \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o do telejornal local.<\/p>\n<p>Depois da Bandeirantes, fui para a Rede Manchete, na qual me tornei rep\u00f3rter especial. Em 1992, com a crise na emissora da fam\u00edlia Bloch, aceitei um convite de uma amiga para trabalhar na RBS TV, afiliada \u00e0 Rede Globo, em Florian\u00f3polis. Depois de cinco anos, voltei ao Rio, contratado como rep\u00f3rter da emissora dos Marinho. Ainda passei pela Globo News, pelo SporTV, at\u00e9 me firmar como apresentador do <em>Esporte Espetacular<\/em> e, depois, dos blocos de esporte do <em>Bom Dia, Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>Quando sa\u00ed da Globo, depois de 20 anos, de volta \u00e0 Bandeirantes, o <em>Aqui na Band<\/em>, atra\u00e7\u00e3o originalmente de variedades que eu apresentava, passou por uma transforma\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e me reconduziu prioritariamente \u00e0s pautas pol\u00edticas. Enfrentei todo tipo de press\u00e3o nessa \u00e9poca, at\u00e9 que a emissora resolveu tirar o programa do ar. Acabei me transferindo para a RedeTV!. No primeiro e no segundo anos, tudo correu bem. Quando chegou 2022, com elei\u00e7\u00f5es importantes se aproximando, eu perdi a liberdade para trabalhar.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Nesses quase 40 anos de carreira, tamb\u00e9m tenho me dedicado a jornais impressos \u2013 <em>Di\u00e1rio Catarinense<\/em>, <em>ND<\/em> (SC), <em>O Liberal<\/em> (PA) \u2013, jornais digitais e portais de not\u00edcias \u2013 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, Brasil Paralelo e, mais recentemente, <em>O Cruzeiro<\/em>, meu novo projeto. Portanto, minha experi\u00eancia \u00e9 vasta, em m\u00eddias variadas e em in\u00fameras fun\u00e7\u00f5es: produtor, rep\u00f3rter, rep\u00f3rter especial, editor de texto, editor-executivo, apresentador, \u00e2ncora, narrador e comentarista.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais ou menos seis anos, comecei a planejar o lan\u00e7amento de um curso de Jornalismo. Nesse per\u00edodo, reuni vasto material de jornais e revistas impressos e digitais, portais de not\u00edcias e emissoras de televis\u00e3o. Exemplos positivos e, em n\u00famero muito maior, negativos. E descobri que n\u00e3o havia no mercado nenhum curso decente, feito por jornalistas com uma experi\u00eancia m\u00ednima e carreira reconhecida. Encontrei apenas alguns produtos oferecidos por profissionais ainda inexperientes, e at\u00e9 por estudantes de Jornalismo.<\/p>\n<p>Organizei tudo o que vivi, vi e testemunhei em quase quatro d\u00e9cadas de trabalho nos maiores ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Preparei uma mescla de teoria com exemplos pr\u00e1ticos, destrinchando de forma clara e objetiva todos os processos do jornalismo: pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o; produ\u00e7\u00e3o; reportagem; edi\u00e7\u00e3o; fechamento; e apresenta\u00e7\u00e3o de telejornal ou programa jornal\u00edstico.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A virada pode se dar com jornalistas comprometidos incondicionalmente com todos os princ\u00edpios da sua profiss\u00e3o e com consumidores de not\u00edcias com senso cr\u00edtico agu\u00e7ado<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Inicialmente, pensei nos estudantes de Jornalismo e nos jornalistas rec\u00e9m-formados ou buscando ascens\u00e3o no trabalho \u2013 uma turma que eu gostaria de trazer para trabalhar comigo \u2013, e nos produtores de conte\u00fado para redes sociais e plataformas de v\u00eddeo. Mas tamb\u00e9m me interessavam profissionais de outras \u00e1reas \u2013 advogados, publicit\u00e1rios, m\u00e9dicos, executivos, empreendedores. Quem n\u00e3o quer se tornar mais observador, mais argumentativo? Quem n\u00e3o quer escrever, falar, se comunicar melhor?<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o me esqueci dos consumidores de not\u00edcias, os que n\u00e3o aguentam mais ser enganados por uma imprensa que deixou de ser imprensa. Eles querem saber como os jornalistas trabalham \u2013 para o bem e para o mal \u2013, para poder identificar todas as artimanhas empregadas num esquema que transforma not\u00edcias falsas, ou parcialmente falsas, em verdade absoluta.<\/p>\n<p>Assim, o nome do meu curso \u00e9 Jornalismo para Todos. \u00c9 o trabalho de uma vida, com um objetivo ambicioso: plantar a semente de uma virada. E isso pode se dar com jornalistas comprometidos incondicionalmente com todos os princ\u00edpios da sua profiss\u00e3o e com consumidores de not\u00edcias com senso cr\u00edtico agu\u00e7ado, capazes de escapar do jornalismo corrompido e subvertido. Por isso, convido todos voc\u00eas, leitores da <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, a conhecer o meu curso e se juntar a mim nessa empreitada de resgate do verdadeiro jornalismo.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu sonho, quando menino, era estudar Literatura Brasileira. 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