{"id":393215,"date":"2026-05-09T17:00:00","date_gmt":"2026-05-09T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=393215"},"modified":"2026-05-09T17:00:00","modified_gmt":"2026-05-09T21:00:00","slug":"a-pobreza-e-os-ricos-do-judiciario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=393215","title":{"rendered":"A pobreza e os ricos do Judici\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Recentemente, a desembargadora\u00a0do Tribunal de Justi\u00e7a do Par\u00e1 Eva do Amaral Coelho reclamou em p\u00fablico do que ela classificou como p\u00e9ssima situa\u00e7\u00e3o salarial dos ju\u00edzes. Ela chegou a dizer que, se o corte dos penduricalhos pagos aos ju\u00edzes continuar, a magistratura pode chegar a trabalhar em <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/republica\/juizes-estao-perto-de-escravidao-e-nao-terao-como-pagar-contas-diz-desembargadora\/\">regime de escravid\u00e3o<\/a>, sem dinheiro para pagar necessidades b\u00e1sicas, como plano de sa\u00fade e consultas m\u00e9dicas. A fala da magistrada teve enorme repercuss\u00e3o nas redes sociais e na m\u00eddia em geral, principalmente quando foi divulgado que essa mesma magistrada teve remunera\u00e7\u00e3o superior a R$ 117 mil brutos em mar\u00e7o de 2026, o que lhe rendeu o valor l\u00edquido de R$ 91 mil no m\u00eas, ap\u00f3s os descontos tribut\u00e1rios e outros. A essa informa\u00e7\u00e3o foi acrescentado que a m\u00e9dia salarial mensal da mesma desembargadora em 2025 foi de R$ 85 mil.<\/p>\n<p>Esta <strong>Gazeta do Povo<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/editoriais\/desembargadora-eva-coelho-juizes-escravos\/\">j\u00e1 tratou especificamente deste assunto neste espa\u00e7o<\/a>, mas \u00e9 preciso insistir e amplificar a discuss\u00e3o, pois o Brasil deve enfrentar com vigor suas feridas sociais e suas mazelas pol\u00edticas, caso o povo brasileiro queira chegar ao dia em que poder\u00e1 dizer que habita um pa\u00eds desenvolvido, com institui\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis e o m\u00ednimo de justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de ser contra a remunera\u00e7\u00e3o adequada dos magistrados, nem de menosprezar a elevada fun\u00e7\u00e3o que ocupam, conquistada em concursos p\u00fablicos sempre muito concorridos. O objetivo aqui \u00e9 denunciar a brutal dist\u00e2ncia salarial entre determinadas carreiras do <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/servidores-publicos\/\">funcionalismo estatal<\/a> e os demais trabalhadores dos setores p\u00fablico e privado, principalmente quando a aliena\u00e7\u00e3o \u00e9 tamanha a ponto de um membro do <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/judiciario\/\">Judici\u00e1rio<\/a>, no cargo de desembargador, ter a coragem de afirmar que um funcion\u00e1rio com estabilidade no emprego e aposentadoria integral, mesmo recebendo um sal\u00e1rio l\u00edquido de R$ 91 mil ao m\u00eas, se aproxima de um trabalhador pobre, quase escravo.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Servidores ganhando somas que ultrapassam R$ 80 mil mensais constituem uma casta de privilegiados em um pa\u00eds pobre<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Dados sobre a distribui\u00e7\u00e3o de renda no Brasil informam que 90% da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora tem renda inferior a tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos por m\u00eas, enquanto apenas 1% dos trabalhadores mais ricos recebe sal\u00e1rio mensal entre R$ 22 mil e R$ 30 mil, de forma que servidores ganhando somas que ultrapassam R$ 80 mil mensais constituem uma casta de privilegiados em um pa\u00eds pobre. Al\u00e9m da enorme injusti\u00e7a moral que todo esse quadro apresenta, h\u00e1 uma quest\u00e3o essencial sobre a desigualdade de renda no Brasil: qual a contribui\u00e7\u00e3o do governo como um todo sobre as disparidades na distribui\u00e7\u00e3o de renda no pa\u00eds?<\/p>\n<p>A an\u00e1lise t\u00e9cnica do problema come\u00e7a pela identifica\u00e7\u00e3o do PIB, do qual se deve descontar a parte referente \u00e0 renda do capital, para obter o saldo que forma a renda do trabalho. A partir deste valor, que \u00e9 o total da massa de renda do trabalho no pa\u00eds, \u00e9 apresentada a distribui\u00e7\u00e3o pelas dez classes de trabalhadores classificados por n\u00edvel de renda. Vale lembrar que a simples compara\u00e7\u00e3o entre os trabalhadores do setor privado e os do setor estatal (prefeituras, estados e Uni\u00e3o) com base apenas na remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o defeituosa, porquanto o setor p\u00fablico oferece benef\u00edcios que os trabalhadores n\u00e3o t\u00eam, a exemplo de estabilidade no emprego, aposentadorias iguais ou pr\u00f3ximas ao sal\u00e1rio da ativa, quase impossibilidade de demiss\u00e3o por fraco desempenho, sal\u00e1rios acima da m\u00e9dia do setor privado para fun\u00e7\u00f5es equivalentes, f\u00e9rias especiais por per\u00edodos longos para algumas categorias etc.<\/p>\n<p>A fala da desembargadora Eva Coelho merece rep\u00fadio, portanto, n\u00e3o apenas pela falta completa de no\u00e7\u00e3o a respeito do tamanho da remunera\u00e7\u00e3o que ela e seus iguais recebem em compara\u00e7\u00e3o com os sal\u00e1rios m\u00e9dios de um pa\u00eds pobre, como \u00e9 o Brasil, mas tamb\u00e9m porque convenientemente se esquece de mencionar outros benef\u00edcios que somente os funcion\u00e1rios do governo t\u00eam. Uma realidade que merece ser lembrada \u00e9 que nem mesmo em situa\u00e7\u00f5es de trag\u00e9dia os \u00f4nus recaem igualmente sobre os trabalhadores p\u00fablicos e privados \u2013 isso foi amplamente demonstrado na pandemia, que imp\u00f4s redu\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de sal\u00e1rios e volumosas demiss\u00f5es impostas em raz\u00e3o da quase fal\u00eancia das empresas e empregadores privados.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>O esc\u00e1rnio contido na declara\u00e7\u00e3o da magistrada certamente n\u00e3o \u00e9 endossado por todos os servidores p\u00fablicos \u2013 nem sequer pela maioria deles, inclusive na magistratura, assim queremos crer. Nunca \u00e9 demais repetir que dentro do pr\u00f3prio servi\u00e7o p\u00fablico h\u00e1 categorias recebendo baixos sal\u00e1rios, e que tamb\u00e9m veem com revolta as alt\u00edssimas remunera\u00e7\u00f5es de parte dos servidores no topo da escala salarial governamental. Levantamentos divulgados em datas passadas j\u00e1 mostraram que, em boa parte dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros, h\u00e1 sal\u00e1rios baixos e m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho para determinados funcion\u00e1rios de estados e prefeituras \u2013 \u00e9 o caso de professores de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, policiais, agentes de sa\u00fade e outros tantos.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de renda, vale registrar que o pr\u00f3prio Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), \u00f3rg\u00e3o do governo federal, j\u00e1 fez estudos concluindo que o setor p\u00fablico contribui para a concentra\u00e7\u00e3o de renda no Brasil. Assim, \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m recordar que a insist\u00eancia de governos petistas em dizer o tempo todo que \u00e9 preciso melhorar a distribui\u00e7\u00e3o de renda e, para isso, n\u00e3o h\u00e1 outra forma a n\u00e3o ser elevar a carga tribut\u00e1ria \u00e9 um discurso carregado de desfa\u00e7atez e hipocrisia.<\/p>\n<p>A desigualdade de renda existe em todos os pa\u00edses, e sempre ser\u00e1 assim; \u00e9 da ess\u00eancia humana a diferen\u00e7a individual e a diferen\u00e7a entre as tarefas. A desigualdade em si n\u00e3o \u00e9 um problema. O problema come\u00e7a a se tornar grave quando amplas faixas da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ganham o suficiente para um padr\u00e3o de vida digno, e nisso reside a grande mazela a ser combatida com as armas da educa\u00e7\u00e3o de qualidade, prepara\u00e7\u00e3o profissional, gera\u00e7\u00e3o de empregos e impostos moderados, ou seja, tudo o que o governo n\u00e3o vem fazendo.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, a desembargadora\u00a0do Tribunal de Justi\u00e7a do Par\u00e1 Eva do Amaral Coelho reclamou em p\u00fablico do que ela classificou como&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":393216,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-393215","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/393215","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=393215"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/393215\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/393216"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=393215"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=393215"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=393215"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}