{"id":385847,"date":"2026-05-06T10:03:13","date_gmt":"2026-05-06T14:03:13","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=385847"},"modified":"2026-05-06T10:03:13","modified_gmt":"2026-05-06T14:03:13","slug":"a-fazenda-brasileira-que-produz-o-azeite-mais-premiado-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=385847","title":{"rendered":"A fazenda brasileira que produz o azeite mais premiado do mundo"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Luc\u00eddio Goelzer voltava de mais uma viagem \u00e0 Europa com a mesma sensa\u00e7\u00e3o. L\u00e1, ele provava azeites extraordin\u00e1rios \u2014 complexos, frescos, com camadas de sabor que ele n\u00e3o conseguia descrever direito, s\u00f3 sentir. Aqui no Brasil, as mesmas marcas chegavam diferentes: mais velhas, mais planas, uma decep\u00e7\u00e3o atr\u00e1s da outra. Um dia, ele decidiu parar de reclamar.<\/p>\n<p>O que nasceu como um projeto para &#8220;ter um azeite honesto para a fam\u00edlia&#8221; \u2014 nas palavras do pr\u00f3prio Goelzer \u2014 se tornou, 25 anos depois, o azeite mais premiado do mundo.Em abril, o Frantoio, r\u00f3tulo da <strong>Est\u00e2ncia das Oliveiras<\/strong>, fazenda localizada em Viam\u00e3o, na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, conquistou a nota 100\/100 no <em>European International Olive Oil Competition <\/em>(Eiooc), em Genebra.<\/p>\n<p><strong>Foi a primeira vez na hist\u00f3ria do concurso que um azeite atingiu a pontua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima \u2014 e a decis\u00e3o foi un\u00e2nime entre os jurados. <\/strong>Luc\u00eddio Goelzer percorreu olivais em Portugal, Espanha, It\u00e1lia, Gr\u00e9cia, Turquia, Argentina, Chile e Peru antes de plantar as primeiras \u00e1rvores em Viam\u00e3o. Queria entender o que os grandes produtores faziam de diferente.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o que escolheu fica a 110 metros de altitude e pr\u00f3xima ao litoral ga\u00facho \u2014 a brisa do mar interfere no <em>terroir<\/em>, termo franc\u00eas que se refere ao conjunto de caracter\u00edsticas naturais do solo e do clima que moldam o sabor das produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o comercial s\u00f3 come\u00e7ou em 2019. Sete anos depois, o Frantoio bateu um recorde que nenhum azeite havia conseguido antes.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Azeitona \u00e9 colhida antes do ponto de matura\u00e7\u00e3o convencional<\/h2>\n<p>O filho Rafael Goelzer conduz o neg\u00f3cio ao lado do irm\u00e3o Andr\u00e9 Goelzer, que se formou na It\u00e1lia como mestre lagareiro \u2014 o equivalente ao en\u00f3logo no mundo do azeite. Foi Andr\u00e9 quem desenvolveu o m\u00e9todo que define a identidade da Est\u00e2ncia das Oliveiras: colher a azeitona ainda verde, antes do ponto de matura\u00e7\u00e3o convencional.<\/p>\n<p>A escolha tem um custo. &#8220;Se eu colhesse azeitona madura, poderia produzir at\u00e9 30% a mais de azeite. A gente n\u00e3o quer quantidade, a gente quer qualidade&#8221;, diz Rafael Goelzer.<\/p>\n<p>A <strong>colheita precoce<\/strong> eleva a concentra\u00e7\u00e3o de polifen\u00f3is antioxidantes e multiplica as notas de sabor. Azeites de alta qualidade costumam apresentar at\u00e9 sete notas; os r\u00f3tulos da Est\u00e2ncia das Oliveiras t\u00eam atingido entre 12 e 14 nas avalia\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>O intervalo entre a colheita e o processamento \u00e9 de duas a quatro horas, tempo suficiente para preservar as caracter\u00edsticas do fruto antes que a oxida\u00e7\u00e3o comece. De dez quilos de azeitona colhida nesse formato, sai um litro de azeite. Da mesma quantidade de uva, um produtor de vinho obt\u00e9m entre cinco e sete litros.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o existe milagre para um azeite extravirgem de alta qualidade ser barato&#8221;, resume Rafael Goelzer. A Est\u00e2ncia das Oliveiras acumula mais de 250 pr\u00eamios internacionais desde 2019 e chegou a ser classificada como a terceira marca mais premiada do mundo pelo <em>Evoo World Ranking<\/em> em 2025 \u2014 concorrendo com produtores que t\u00eam mil\u00eanios de tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Pr\u00eamio abre mercado de luxo na \u00c1sia<\/h2>\n<p>A nota m\u00e1xima em Genebra foi precedida de uma constru\u00e7\u00e3o do produto. No ano passado, 11 compradores internacionais foram at\u00e9 Viam\u00e3o visitar a fazenda. A Est\u00e2ncia das Oliveiras escolheu come\u00e7ar pelo mercado de luxo de Jap\u00e3o, Singapura e Coreia do Sul. Em mar\u00e7o, os irm\u00e3os Goelzer estavam em T\u00f3quio, na <em>Food Expo<\/em>, a maior feira de alimentos &#8220;superpremium&#8221; do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A fazenda emprega cerca de 30 pessoas entre o manejo das oliveiras e o turismo rural. Viam\u00e3o, que fica a 28 quil\u00f4metros de Porto Alegre, come\u00e7a a se tornar um polo de olivicultura no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Rafael Goelzer diz que a Est\u00e2ncia abre as porteiras para outros produtores aprenderem com seus erros e acertos. &#8220;N\u00e3o quero que nenhum produtor ga\u00facho produza azeite de baixa qualidade, porque sen\u00e3o tu vai incentivar um estere\u00f3tipo de que o que \u00e9 estrangeiro \u00e9 melhor do que o nacional.&#8221;<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Setor cresce, mas fraude ainda amea\u00e7a o consumidor<\/h2>\n<p>O que a Est\u00e2ncia das Oliveiras faz em Viam\u00e3o se repete, em diferentes escalas, em mais de 200 munic\u00edpios brasileiros. O pa\u00eds conta com 550 produtores de azeite nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Esp\u00edrito Santo e Bahia.<\/p>\n<p>Na colheita, o setor ocupa 10 mil trabalhadores safristas diretos. A expectativa \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o nacional atinja 1 milh\u00e3o de litros em 2026 \u2014 a maior safra da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Com o pre\u00e7o m\u00e9dio do litro de azeite superpremium brasileiro em torno de R$ 300 ao consumidor final, o potencial de faturamento do setor ultrapassa R$ 300 milh\u00f5es nesta safra. Mesmo assim, <strong>98% do azeite consumido no Brasil ainda \u00e9 importado<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;Abarcamos apenas 1% dos consumidores nacionais de azeite \u2014 aquele que est\u00e1 disposto a pagar um pre\u00e7o justo por um produto diferenciado&#8221;, diz o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Fl\u00e1vio Obino Filho.<\/p>\n<blockquote>\n<p>O Brasil se tornou um destino de todos os azeites velhos do planeta.<\/p>\n<p><cite>Fl\u00e1vio Obino Filho, presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>O maior obst\u00e1culo, segundo ele, n\u00e3o \u00e9 produzir mais. \u00c9 competir com produtos que chegam ao Brasil fora das condi\u00e7\u00f5es que o r\u00f3tulo promete. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira permite que o prazo de validade do azeite seja contado a partir da data de envase \u2014 e n\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso significa que um produto armazenado por anos em tanques pode chegar \u00e0s prateleiras com dois anos adicionais de validade. &#8220;O Brasil se tornou um destino de todos os azeites velhos do planeta&#8221;, afirma Obino Filho.<\/p>\n<p>O efeito pr\u00e1tico, na explica\u00e7\u00e3o dele, \u00e9 que grande parte dos azeites vendidos como extravirgem no pa\u00eds n\u00e3o atende aos crit\u00e9rios da categoria, que exige aus\u00eancia de qualquer defeito sensorial. Os produtos europeus chegam ainda com subs\u00eddio da Uni\u00e3o Europeia e sem imposto de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Ibraoliva pressiona por duas mudan\u00e7as: fiscaliza\u00e7\u00e3o mais rigorosa do Minist\u00e9rio da Agricultura e equipara\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. &#8220;Queremos o mesmo tratamento, com o zeramento do imposto de circula\u00e7\u00e3o dentro do pa\u00eds&#8221;, reivindica Obino Filho.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, o governo estadual criou, em parceria com o Ibraoliva, um selo superpremium para lotes que ultrapassem os \u00edndices m\u00ednimos exigidos para o extravirgem. Para receber o selo, o azeite precisa ter acidez inferior a 0,3% \u2014 contra o limite de 0,8% da legisla\u00e7\u00e3o \u2014 e passar por painel sensorial sem registrar nenhum defeito. \u00c9 uma r\u00e9gua que, segundo o instituto, a maioria dos azeites importados vendidos no Brasil n\u00e3o conseguiria cruzar.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luc\u00eddio Goelzer voltava de mais uma viagem \u00e0 Europa com a mesma sensa\u00e7\u00e3o. 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