{"id":384348,"date":"2026-05-05T20:53:15","date_gmt":"2026-05-06T00:53:15","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=384348"},"modified":"2026-05-05T20:53:15","modified_gmt":"2026-05-06T00:53:15","slug":"briga-entre-trump-e-lider-da-alemanha-expoe-fragilidade-militar-da-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=384348","title":{"rendered":"Briga entre Trump e l\u00edder da Alemanha exp\u00f5e fragilidade militar da Europa"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A decis\u00e3o do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/eua-retirada-5-mil-soldados-alemanha\/\">retirar 5 mil militares americanos alocados na Alemanha<\/a> depois de o chanceler alem\u00e3o, Friedrich Merz, ter afirmado que os EUA est\u00e3o sendo \u201chumilhados\u201d na guerra no Ir\u00e3, exp\u00f5e a crescente divis\u00e3o entre Washington e seus aliados europeus.<\/p>\n<p>Embora um grande contingente americano deva permanecer na Alemanha \u2013 segundo dados do Departamento da Guerra divulgados pela imprensa dos EUA, mais de 36 mil militares americanos da ativa estavam estacionados na Alemanha em dezembro de 2025 \u2013, o governo Trump n\u00e3o descartou a retirada de mais militares e sugeriu que medidas semelhantes devem ser tomadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 It\u00e1lia e \u00e0 Espanha.<\/p>\n<p>Insatisfeito com os aliados europeus na Otan por n\u00e3o terem ajudado na guerra contra o Ir\u00e3, o presidente americano tem reiterado amea\u00e7as de retirar os EUA da alian\u00e7a militar do Ocidente e acelerar o processo de deixar a Europa cuidar sozinha da pr\u00f3pria seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em junho de 2025, o secret\u00e1rio-geral da Otan, Mark Rutte, estimou que a R\u00fassia poderia estar pronta para usar for\u00e7a militar contra membros da alian\u00e7a at\u00e9 2030. Al\u00e9m disso, em dezembro do ano passado, a ag\u00eancia Reuters informou que os Estados Unidos deram um ultimato para que a Europa assuma a maior parte das capacidades de defesa convencionais da Otan at\u00e9 2027.<\/p>\n<p>Apesar de pa\u00edses europeus estarem aumentando os gastos militares devido \u00e0 press\u00e3o de Trump, <strong>h\u00e1 poucos indicativos de que o continente vai atingir a autossufici\u00eancia em defesa em curto prazo.<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro problema \u00e9 a <strong>defasagem hist\u00f3rica em gastos militares.<\/strong> Um relat\u00f3rio da Otan, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/relatorio-paises-otan-atingem-meta-gastos-defesa\/\">divulgado no final de mar\u00e7o<\/a>, apontou que a meta de que todos os 32 pa\u00edses da alian\u00e7a militar do Ocidente investissem ao menos 2% do PIB em defesa, estabelecida em 2014, foi atingida pela primeira vez apenas no ano passado.<\/p>\n<p>Cinco pa\u00edses cumpriram apenas o patamar m\u00ednimo de 2%: Portugal, Espanha, Alb\u00e2nia, Canad\u00e1 e B\u00e9lgica.<\/p>\n<p>O segundo empecilho \u00e9 que <strong>n\u00e3o se pode esperar que organismos multilaterais coordenem a defesa do continente<\/strong>, alertam especialistas.<\/p>\n<p>\u201cO processo de coordena\u00e7\u00e3o em toda a UE [Uni\u00e3o Europeia] \u00e9 muito lento para cumprir os prazos prov\u00e1veis \u200b\u200bdiante de uma retirada dos EUA \u2014 sem mencionar as futuras provoca\u00e7\u00f5es russas\u201d, escreveram Ethan Kapstein, pesquisador da Universidade de Princeton, e Jonathan Caverley, da Faculdade de Guerra Naval dos EUA, em recente artigo para a revista <em>Foreign Affairs.<\/em><\/p>\n<p>Nesse sentido, os dois especialistas afirmaram que a tarefa de defender a Europa precisa ser liderada por quatro pot\u00eancias do continente: a<strong> Pol\u00f4nia<\/strong>, por ser o maior pa\u00eds da Otan pr\u00f3ximo da R\u00fassia, o que a obrigaria a \u201cresistir a qualquer ataque inicial russo\u201d em caso de invas\u00e3o; a <strong>Fran\u00e7a e o Reino Unido<\/strong>, os \u00fanicos pa\u00edses da Europa ocidental com armas nucleares; e a<strong> Alemanha<\/strong>, o membro europeu da Otan que mais gasta com defesa.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Fran\u00e7a e Reino Unido freiam gastos em defesa<\/h2>\n<p>Por\u00e9m, a\u00ed aparece o terceiro problema: <strong>o ritmo diferente no aumento de gastos militares dessas quatro pot\u00eancias.<\/strong><\/p>\n<p>O estudo anual do<em> think tank<\/em> sueco Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em ingl\u00eas) sobre gastos militares em todo o mundo, cujo relat\u00f3rio de 2025 foi divulgado na semana passada, apontou que Alemanha (aumento de 24%) e Pol\u00f4nia (23%) fizeram fortes incrementos nos investimentos em defesa no ano passado.<\/p>\n<p>Por outro lado, o Reino Unido <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/reino-unido-reduz-gastos-defesa-enquanto-pressionado-governo-milei-malvinas\/\">reduziu seus gastos militares em 2%<\/a> em compara\u00e7\u00e3o com 2024, enquanto a Fran\u00e7a registrou um aumento t\u00edmido, de apenas 1,5%.<\/p>\n<p>O quarto problema \u00e9 que as <strong>grandes pot\u00eancias militares europeias t\u00eam dificuldades de estabelecer parcerias na \u00e1rea.<\/strong><\/p>\n<p>Uma reportagem da semana passada do site<em> Euractiv<\/em>\u00a0apontou que o projeto de defesa a\u00e9rea <em>Future Combat Air System<\/em> (FCAS), iniciado em 2017 pela Fran\u00e7a e pela Alemanha e or\u00e7ado em 100 bilh\u00f5es de euros, est\u00e1 paralisado h\u00e1 mais de um ano, devido \u00e0s diverg\u00eancias entre as duas principais empresas contratadas (a Dassault Aviation, da Fran\u00e7a, e a Airbus Defence and Space, da Alemanha) e entre os governos de Paris e Berlim.<\/p>\n<p>Segundo o <em>Euractiv<\/em>, o colapso do projeto poderia ter consequ\u00eancias para o programa de tanques franco-alem\u00e3o, um carro-chefe de defesa da Europa e que est\u00e1 sendo desenvolvido como parte de um \u201cpacote\u201d que inclui o FCAS.<\/p>\n<p><strong>A hesita\u00e7\u00e3o europeia em sua pol\u00edtica de defesa atinge at\u00e9 a nova meta da Otan de investir ao menos 5% do PIB de cada pa\u00eds em defesa at\u00e9 2035<\/strong>, que foi aceita na c\u00fapula da alian\u00e7a militar realizada em Haia, na Holanda, em junho do ano passado, ap\u00f3s nova cobran\u00e7a de Trump.<\/p>\n<p>No seu relat\u00f3rio sobre gastos militares, o Sipri lembrou que o acordo estabeleceu que 3,5% devem ser alocados para despesas militares essenciais, enquanto o 1,5% restante pode ser aplicado no que a Otan denominou \u201cdespesas relacionadas \u00e0 defesa e seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA indefini\u00e7\u00e3o entre as categorias de despesas militares essenciais e despesas relacionadas \u00e0 defesa acarreta o risco de relat\u00f3rios inconsistentes e menor transpar\u00eancia, limitando o escrut\u00ednio p\u00fablico efetivo\u201d, alertou o Sipri.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m pode incentivar os membros da Otan a reclassificar atividades n\u00e3o militares como militares para atingir metas politizadas, gerando escopo para \u2018contabilidade criativa\u2019 e a militariza\u00e7\u00e3o de projetos civis, como a tentativa relatada da It\u00e1lia em 2025 de incluir os custos de constru\u00e7\u00e3o de uma ponte para a Sic\u00edlia em suas despesas relacionadas \u00e0 defesa\u201d, afirmou o<em> think tank <\/em>sueco.<\/p>\n<h2>Especialista destaca dificuldade para Europa fechar conta<\/h2>\n<p>Em entrevista \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, o coronel da reserva do Ex\u00e9rcito brasileiro Marco Antonio de Freitas Coutinho, especialista em rela\u00e7\u00f5es internacionais e mestre em ci\u00eancia pol\u00edtica internacional, disse que tr\u00eas \u201cexig\u00eancias\u201d impostas pelos Estados Unidos deixaram os europeus com uma conta dif\u00edcil de fechar: o aumento dos gastos em defesa para 5% do PIB; \u2060assumir as despesas da ajuda do Ocidente \u00e0 Ucr\u00e2nia na guerra contra a R\u00fassia; e comprar na ind\u00fastria americana os sistemas de armas a serem enviados para os ucranianos.<\/p>\n<p>\u201cBem, apenas dois pa\u00edses europeus conseguem aumentar seu patamar de gastos com defesa: Alemanha e Pol\u00f4nia. Os outros ter\u00e3o grande dificuldade, inclusive o Reino Unido e a Fran\u00e7a. A situa\u00e7\u00e3o dos demais, nem se fala. De onde cortar 3% do PIB e desviar para defesa? Retirar do bem-estar social europeu? Isso \u00e9 aceit\u00e1vel? Acho dif\u00edcil\u201d, disse Coutinho.<\/p>\n<p>\u201cComprar armas dos EUA, o outro ponto, prejudica a ind\u00fastria europeia. Mas em termos de defesa antia\u00e9rea, que \u00e9 cara, se mostra inevit\u00e1vel para poder manter a Ucr\u00e2nia lutando. Reestruturar a ind\u00fastria de defesa europeia levar\u00e1 tempo. E s\u00f3 com aumento de or\u00e7amento da Alemanha e Pol\u00f4nia, isso pode n\u00e3o ser sustent\u00e1vel\u201d, alertou o especialista.<\/p>\n<p>Coutinho afirmou que um empr\u00e9stimo da UE de 90 bilh\u00f5es de euros \u00e0 Ucr\u00e2nia, acordo finalizado em abril, ter\u00e1 que ser viabilizado com a capta\u00e7\u00e3o de recursos no mercado financeiro, \u201cmas os juros est\u00e3o mais caros hoje, em fun\u00e7\u00e3o do sumi\u00e7o dos petrod\u00f3lares e da guerra no Golfo P\u00e9rsico\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuem vai querer emprestar, se a garantia europeia seriam compensa\u00e7\u00f5es de guerra a serem pagas um dia pelos russos?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>\u201cE nem falei no aumento dos custos das commodities internacionais \u2013 petr\u00f3leo, g\u00e1s, alimentos, minerais estrat\u00e9gicos, insumos para explosivos \u2013 para um continente que se autoimp\u00f4s restri\u00e7\u00f5es ambientais severas e n\u00e3o pode contar com o volume de energia nuclear antes dispon\u00edvel. A perspectiva \u00e9 dura e, portanto, nada simples de ser solucionada\u201d, completou o analista.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar 5 mil militares americanos alocados na Alemanha depois de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":384349,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-384348","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/384348","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=384348"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/384348\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/384349"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=384348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=384348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=384348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}