{"id":381019,"date":"2026-04-20T20:34:24","date_gmt":"2026-04-21T00:34:24","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=381019"},"modified":"2026-04-20T20:34:24","modified_gmt":"2026-04-21T00:34:24","slug":"juros-altos-eleicoes-e-tensao-no-oriente-medio-derrubam-confianca-empresarial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=381019","title":{"rendered":"Juros altos, elei\u00e7\u00f5es e tens\u00e3o no Oriente M\u00e9dio derrubam confian\u00e7a empresarial"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A confian\u00e7a empresarial no presente e as expectativas para o futuro da economia brasileira est\u00e3o piorando. O\u00a0\u00cdndice de Confian\u00e7a Empresarial (ICE), do\u00a0Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV-Ibre), recuou 0,4 ponto em mar\u00e7o, para 91,9 pontos. O resultado representa a segunda queda consecutiva do \u00edndice ap\u00f3s cinco meses em alta.<\/p>\n<p>A incerteza, que j\u00e1 era grande devido aos <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/taxa-juros-recorde-governo-lula-divida-publica\/\">juros altos<\/a> e ao tensionamento com as elei\u00e7\u00f5es deste ano, ganhou um novo componente no final de fevereiro, com o in\u00edcio da guerra no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>As expectativas econ\u00f4micas tamb\u00e9m pioraram no per\u00edodo. O mercado elevou a proje\u00e7\u00e3o da taxa Selic para 12,5% ao fim do ano, em meio \u00e0 alta das estimativas de infla\u00e7\u00e3o, que passaram de 3,9% para 4,3%.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a economia brasileira se divide: consumidores ganham f\u00f4lego com a infla\u00e7\u00e3o ainda sob controle, mas empres\u00e1rios enfrentam juros altos e incertezas geopol\u00edticas que travam investimentos. H\u00e1, portanto, um paradoxo: enquanto o consumo resiste, o investimento privado desacelera.<\/p>\n<h2>Selic nas alturas freia a confian\u00e7a empresarial<\/h2>\n<p>A taxa de juros Selic \u00e9 o principal obst\u00e1culo \u00e0 confian\u00e7a empresarial. O <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/copom-reduz-taxa-selic\/\">corte recente de apenas 0,25 ponto percentual<\/a> \u00e9 insuficiente para destravar a ind\u00fastria. A taxa atual, em 14,75%, est\u00e1 entre as maiores nominais do mundo \u2013 em termos reais, tamb\u00e9m \u00e9 uma das mais elevadas globalmente, atr\u00e1s apenas da Turquia.<\/p>\n<p>&#8220;O percentual de empresas que n\u00e3o pretende investir \u00e9 elevado, principalmente por conta dos juros altos. Isso prejudica o aumento da produtividade que a economia brasileira precisa&#8221;, diz Marcelo Azevedo, gerente de An\u00e1lise Econ\u00f4mica da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias (CNI).<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, 23 dos 29 setores industriais apontaram pessimismo \u2013 o maior n\u00famero desde o in\u00edcio de 2025 \u2013, com empres\u00e1rios projetando queda no n\u00famero de empregados e no lan\u00e7amento de novos empreendimentos.<\/p>\n<p>O bloqueio ao cr\u00e9dito \u00e9 estrutural. 62% das ind\u00fastrias planejam usar apenas capital pr\u00f3prio para investir em 2026, devido ao alto custo dos recursos e \u00e0s exig\u00eancias excessivas de garantias. Isso limita drasticamente o alcance dos projetos de expans\u00e3o.<\/p>\n<p>No varejo e nos servi\u00e7os, o impacto \u00e9 duplo: al\u00e9m da Selic elevada, h\u00e1 o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/endividamento-juros-altos-politica-fiscal-lula\/\">endividamento das fam\u00edlias, que limita a renda dispon\u00edvel <\/a>e a demanda real, aponta Ge\u00f3rgia Veloso, economista do FGV-Ibre.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Desemprego baixo contrasta com piora na percep\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<\/h2>\n<p>O desemprego em 5,8% em fevereiro, o mais baixo desde 2012, sugere robustez. Mas a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o conta outra hist\u00f3ria: 53,6% dos brasileiros afirmam que conseguir trabalho est\u00e1 &#8220;dif\u00edcil ou muito dif\u00edcil&#8221;, e pela primeira vez desde outubro do ano passado, aumentou o percentual que acredita na piora do mercado nos pr\u00f3ximos seis meses.<\/p>\n<p>A contradi\u00e7\u00e3o reflete a qualidade dos postos criados: informalidade, baixa remunera\u00e7\u00e3o e medo de recoloca\u00e7\u00e3o em setores em retra\u00e7\u00e3o. Essa desconfian\u00e7a j\u00e1 reduz contrata\u00e7\u00f5es no setor fabril, gerando um ciclo vicioso de menor renda e menor crescimento do PIB.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Petr\u00f3leo acima de US$ 100 e risco global<\/h2>\n<p>Mas h\u00e1 um terceiro fator que complica ainda mais o cen\u00e1rio: a geopol\u00edtica. O conflito no Oriente M\u00e9dio e a consequente alta do petr\u00f3leo aumentam a cautela entre empres\u00e1rios. &#8220;O cen\u00e1rio global turbulento pesa nas avalia\u00e7\u00f5es, limitando o avan\u00e7o da confian\u00e7a. Mesmo com redu\u00e7\u00e3o de juros, a turbul\u00eancia internacional \u00e9 o fator determinante&#8221;, avalia Rodolpho Tobler, do FGV-Ibre.<\/p>\n<p>A cota\u00e7\u00e3o, que tem oscilado pr\u00f3xima de US$ 100 por barril desde o in\u00edcio do conflito, n\u00e3o apenas encarece combust\u00edveis e log\u00edstica, pressionando a infla\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, mas tamb\u00e9m gera temor de gargalos no fornecimento de insumos globais.<\/p>\n<p>&#8220;A estabilidade da confian\u00e7a acende um alerta para os pr\u00f3ximos meses diante de um cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico internacional de alta no pre\u00e7o do petr\u00f3leo e um poss\u00edvel desarranjo na cadeia produtiva&#8221;, aponta o economista St\u00e9fano Pacini.<\/p>\n<p>Para o consumidor, o risco \u00e9 de revers\u00e3o da trajet\u00f3ria de redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o. Se o petr\u00f3leo permanecer elevado, o Banco Central ser\u00e1 for\u00e7ado a manter juros altos por mais tempo para conter a infla\u00e7\u00e3o importada.<\/p>\n<h2>Elei\u00e7\u00f5es impulsionam infraestrutura, mas mant\u00eam incerteza<\/h2>\n<p>Em ano eleitoral, governos tendem a acelerar obras p\u00fablicas para demonstrar realiza\u00e7\u00f5es, criando demanda tempor\u00e1ria por constru\u00e7\u00e3o pesada. Al\u00e9m disso, contratos de infraestrutura j\u00e1 assinados tendem a se materializar neste per\u00edodo.<\/p>\n<p>Diferente do pessimismo disseminado na ind\u00fastria, o setor de infraestrutura apresenta vi\u00e9s mais positivo, ancorado na din\u00e2mica eleitoral. Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Constru\u00e7\u00e3o do FGV-Ibre, explica:<\/p>\n<p>&#8220;O setor de infraestrutura mostrou maior otimismo, impulsionado pela expectativa de crescimento em 2026 com base em investimentos privados j\u00e1 contratados e no ciclo eleitoral&#8221;.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma ressalva cr\u00edtica: para analistas ouvidos pela reportagem, o hist\u00f3rico brasileiro mostra que per\u00edodos eleitorais podem trazer volatilidade e incerteza jur\u00eddica, travando aportes de longo prazo que dependem de estabilidade regulat\u00f3ria.<\/p>\n<p>A press\u00e3o de custos, alimentada tanto pelo cen\u00e1rio pol\u00edtico interno quanto pela turbul\u00eancia externa, complica ainda mais o quadro. Segundo a CNI, 23% dos industriais n\u00e3o pretendem investir em 2026, citando incertezas econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A confian\u00e7a empresarial no presente e as expectativas para o futuro da economia brasileira est\u00e3o piorando. 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