{"id":379860,"date":"2026-04-21T21:32:51","date_gmt":"2026-04-22T01:32:51","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=379860"},"modified":"2026-04-21T21:32:51","modified_gmt":"2026-04-22T01:32:51","slug":"como-o-governo-atrapalha-o-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=379860","title":{"rendered":"Como o governo atrapalha o crescimento"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds pobre. As provas dessa constata\u00e7\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rias. A primeira est\u00e1 no \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) informado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) sobre seus 193 pa\u00edses filiados. No relat\u00f3rio, os 36 pa\u00edses com IDH acima de 0,900 s\u00e3o considerados desenvolvidos; o Brasil est\u00e1 na 84.\u00aa posi\u00e7\u00e3o, com \u00edndice 0,786. A segunda prova est\u00e1 na compara\u00e7\u00e3o da renda por habitante brasileira, que est\u00e1 abaixo de US$ 11 mil\/ano, com a mesma renda nos Estados Unidos, que \u00e9 superior a US$ 85 mil\/ano. Este dado nos leva \u00e0 terceira prova: a classifica\u00e7\u00e3o do Brasil no ranking da renda por habitante: de 193 pa\u00edses, dos quais 36 s\u00e3o considerados desenvolvidos, e o Brasil oscila em torno da 80.\u00aa posi\u00e7\u00e3o, conforme o momento em que os dados s\u00e3o coletados.<\/p>\n<p>Uma vez aceita a realidade de que o pa\u00eds \u00e9 rico de recursos naturais e pobre em padr\u00e3o de vida e de bem-estar social m\u00e9dio, um dos principais temas de debate nas elei\u00e7\u00f5es deste ano, sobretudo a elei\u00e7\u00e3o presidencial, girar\u00e1 em torno das propostas para fazer a economia crescer e melhorar os indicadores sociais. Sem d\u00favida, os discursos de campanha recair\u00e3o sobre propostas para combater a pobreza, diminuir o desemprego e reduzir as car\u00eancias sociais que afetam a maior parte da popula\u00e7\u00e3o. Seguramente, a safra de promessas ser\u00e1 grande e conter\u00e1, como sempre, as mais diversas demagogias recheadas de solu\u00e7\u00f5es invi\u00e1veis.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o das causas da pobreza no Brasil \u00e9 carregada de mitos e meias-verdades, sem que sejam levantadas e analisadas as causas que historicamente v\u00eam solapando os esfor\u00e7os de desenvolvimento. As campanhas eleitorais sempre contribuem para a dissemina\u00e7\u00e3o da ideia demag\u00f3gica de que os pobres ser\u00e3o salvos pelo governo, pelo aumento dos impostos e por mais benef\u00edcios distribu\u00eddos aos pobres. Por \u00f3bvio, h\u00e1 programais sociais bons e defens\u00e1veis, como \u00e9 o caso de benef\u00edcios aliados a mecanismos pelos quais os beneficiados possam se preparar e se qualificar para inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Sem o empreendedor, que corre riscos, e o incentivo do ambiente legal ao esp\u00edrito de iniciativa empresarial, o sonho do desenvolvimento n\u00e3o ser\u00e1 realizado<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Nunca \u00e9 demais lembrar a velha tese de que o melhor programa social \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de empregos. Programa social que tenha apenas a porta de entrada, sem nenhum esquema que funcione como porta de sa\u00edda, somente \u00e9 aceit\u00e1vel para aquelas pessoas que, em fun\u00e7\u00e3o de limita\u00e7\u00f5es severas (\u00e0s vezes insan\u00e1veis), n\u00e3o tenham condi\u00e7\u00f5es de disputar as oportunidades, trabalhar, produzir e obter renda. Embora sem precis\u00e3o absoluta, estima-se que no Brasil haja 94 milh\u00f5es de pessoas dependentes de programas de ajuda do governo, conforme dados do Cadastro Social \u00danico. Essa enorme fra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o dependente de ajuda governamental exige profunda reflex\u00e3o sobre as verdadeiras causas da pobreza constante. Sem respostas v\u00e1lidas e tecnicamente corretas, o enfrentamento da mis\u00e9ria, da pobreza e do desemprego acaba sendo feito de modo deficiente, por meio de medidas e pol\u00edticas erradas, que terminam por n\u00e3o funcionar.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, sabe-se que a mis\u00e9ria e a pobreza na maioria dos pa\u00edses pobres v\u00eam de cinco causas: infla\u00e7\u00e3o, elevada carga tribut\u00e1ria, baixo n\u00edvel educacional, baixo crescimento da infraestrutura f\u00edsica e baixa produtividade\/hora do trabalho. Outras causas existem, como bem explicou o fil\u00f3sofo e economista austr\u00edaco Ludwig von Mises: quando perguntado sobre a causa hist\u00f3rica inibidora do crescimento econ\u00f4mico nos mais diversos pa\u00edses em compara\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos, ele respondeu: \u201co povo dos Estados Unidos \u00e9 mais pr\u00f3spero que os habitantes de todos os outros pa\u00edses porque seus governos resistiram a adotar pol\u00edticas de obstru\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios e incentivaram a economia\u201d.<\/p>\n<p>Por longo tempo, Mises alertou que a seguran\u00e7a jur\u00eddica e o bom ambiente para fazer neg\u00f3cios s\u00e3o dois elementos que definem se a economia de um pa\u00eds vai crescer ou vai continuar emperrada e pobre. Roberto Campos, economista, diplomata, pol\u00edtico, escritor e ministro do Planejamento de 1964 a 1967, passou parte do tempo que viveu insistindo na tese de que \u201co respeito ao produtor de riqueza \u00e9 o come\u00e7o da solu\u00e7\u00e3o da pobreza\u201d. Ou seja, sem o empreendedor, que corre riscos, e o incentivo do ambiente legal ao esp\u00edrito de iniciativa empresarial, o sonho do desenvolvimento n\u00e3o ser\u00e1 realizado.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de outubro, socialistas e estatizantes de todos os matizes ir\u00e3o propor mais Estado, mais impostos, maior interfer\u00eancia na vida das pessoas e mais regulamenta\u00e7\u00e3o dos investimentos e do mercado. Quanto ao aumento de impostos, apesar da alta carga tribut\u00e1ria j\u00e1 existente, seus defensores dar\u00e3o como justificativa que com isso a vida dos pobres ser\u00e1 melhorada \u2013 o que, apesar de falso, tem apoio de certos intelectuais e amplas faixas da popula\u00e7\u00e3o. Um desses casos \u00e9 o badalado economista franc\u00eas de esquerda Thomas Piketty, cujo livro <em>O Capital no S\u00e9culo XXI<\/em> vem fazendo sucesso desde sua publica\u00e7\u00e3o, em 2013, com sua tese central de que o combate \u00e0s desigualdades deve ser travado com aumento de impostos.<\/p>\n<p>A fal\u00e1cia desse racioc\u00ednio vem da prova mostrada pela hist\u00f3ria: o aumento da carga tribut\u00e1ria n\u00e3o resolve a pobreza, at\u00e9 porque s\u00e3o vastos os exemplos, em todo o mundo, de que aumento de impostos tem servido prioritariamente para o incha\u00e7o do setor estatal, o aumento da burocracia, a eleva\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e benef\u00edcios de funcion\u00e1rios p\u00fablicos dos tr\u00eas poderes, a eterna inefici\u00eancia e a elevada corrup\u00e7\u00e3o nos governos e aparatos estatais. Al\u00e9m disso, o aumento da carga tribut\u00e1ria n\u00e3o tem levado os governos a conter o crescimento perigoso da d\u00edvida p\u00fablica, pela simples raz\u00e3o de que seus gastos crescem mais que o aumento da receita tribut\u00e1ria, como mostram os d\u00e9ficits fiscais cr\u00f4nicos. Isso tem sido verdadeiro neste Brasil do PT, pois o pr\u00f3prio presidente Lula disse mais de uma vez que o d\u00e9ficit p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 importante e que os livros de Economia est\u00e3o superados. Descontrole de gastos p\u00fablicos, d\u00e9ficits fiscais e aumento da d\u00edvida do governo s\u00e3o freios ao crescimento econ\u00f4mico e ao desenvolvimento social.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds pobre. As provas dessa constata\u00e7\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rias. 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