{"id":366628,"date":"2026-04-16T17:49:10","date_gmt":"2026-04-16T21:49:10","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=366628"},"modified":"2026-04-16T17:49:10","modified_gmt":"2026-04-16T21:49:10","slug":"o-regime-luloalexandrino-e-a-repressao-transnacional-em-solo-americano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=366628","title":{"rendered":"O regime luloalexandrino e a repress\u00e3o transnacional em solo americano"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p><em>\u201cUm dos maiores desafios no combate \u00e0 repress\u00e3o transnacional \u00e9 a ampla falta de conscientiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Quando ela ocorre, mesmo \u00e0 vista de todos, frequentemente passa despercebida. Isso poderia ser mitigado por meio de uma campanha nacional de informa\u00e7\u00e3o que explique o que ela \u00e9, as amea\u00e7as que representa e como v\u00edtimas e testemunhas podem responder de forma eficaz.\u201d<\/em> (<em>Confronting Transnational Repression: A New Framework for U.S. Leadership<\/em>, relat\u00f3rio da Heritage Foundation)<\/p>\n<p>Em 12 de fevereiro do ano passado, o Comit\u00ea de Seguran\u00e7a Interna da C\u00e2mara dos Representantes dos EUA divulgou uma vers\u00e3o atualizada do relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/homeland.house.gov\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CCP-Threat-UPDATED-Feb-2025.pdf\">\u201cPanorama da Amea\u00e7a Chinesa\u201d<\/a> (<em>China Threat Snapshot<\/em>), detalhando mais de 60 casos de espionagem conduzidos pelo Partido Comunista Chin\u00eas (PCC) em solo americano de 2021 a 2025, incluindo a transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es militares sens\u00edveis, roubo de segredos comerciais, uso de opera\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o transnacional e obstru\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a. Portanto, quando, na sua audi\u00eancia de confirma\u00e7\u00e3o no Senado, o secret\u00e1rio de Estado Marco Rubio afirmou que \u201cgrande parte do que precisamos fazer para combater a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/china\/\">China <\/a>come\u00e7a aqui em casa\u201d, ele parece ter acertado no alvo.<\/p>\n<p>Aquelas 60 opera\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia conduzidas pelo PCC se espalharam por nada menos que 20 estados americanos. Um dos casos mais recentes envolveu o que se chama tecnicamente de <em>repress\u00e3o transnacional<\/em>: opera\u00e7\u00f5es por meios das quais regimes totalit\u00e1rios perseguem opositores fora de suas fronteiras, e que envolvem a\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia, infiltra\u00e7\u00e3o, intimida\u00e7\u00e3o, sequestro e assassinato.<\/p>\n<p>Em 18 de dezembro de 2024, um cidad\u00e3o chin\u00eas residente em Nova York se declarou culpado por conspirar para atuar como agente ilegal da Rep\u00fablica Popular da China, trabalhando na constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de uma delegacia policial clandestina, sob comando do Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica chin\u00eas, no cora\u00e7\u00e3o de Manhattan. Nesse mesmo ano, o Subcomit\u00ea de Contraterrorismo e Intelig\u00eancia ouviu o testemunho de Bob Fu, dissidente chin\u00eas e v\u00edtima de graves atos de repress\u00e3o transnacional por parte do PCC. Seu depoimento contribuiu para a apresenta\u00e7\u00e3o de tr\u00eas projetos de lei bipartid\u00e1rios destinados a combater esse tipo de repress\u00e3o em solo americano.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Na <em>repress\u00e3o transnacional<\/em>, regimes totalit\u00e1rios perseguem opositores fora de suas fronteiras, por meio de vigil\u00e2ncia, infiltra\u00e7\u00e3o, intimida\u00e7\u00e3o, sequestro e assassinato<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A respeito do problema, o senador democrata Jeff Merkley j\u00e1 havia resumido em audi\u00eancia na Comiss\u00e3o Executiva sobre a China do Congresso americano, ocorrida em junho de 2022:<\/p>\n<p><em>\u201cAl\u00e9m dos graves abusos de direitos humanos que cometem dentro das fronteiras da China, as autoridades chinesas t\u00eam cada vez mais estendido sua atua\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses para silenciar dissidentes, realizar vigil\u00e2ncia e <strong>for\u00e7ar o repatriamento de cr\u00edticos<\/strong>. Esse longo bra\u00e7o do autoritarismo al\u00e9m-fronteiras n\u00e3o constitui apenas uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, mas tamb\u00e9m uma viola\u00e7\u00e3o da soberania nacional dos pa\u00edses.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Mas, apesar de ter crescido em escala com a China (como, de resto, sempre acontece em se tratando do gigante asi\u00e1tico), a repress\u00e3o transnacional n\u00e3o \u00e9 um <em>modus operandi<\/em> especificamente chin\u00eas. Na verdade, trata-se de um padr\u00e3o recorrente na hist\u00f3ria dos regimes totalit\u00e1rios do s\u00e9culo 20, notadamente os de orienta\u00e7\u00e3o marxista-leninista (doutrinariamente internacionalistas): a incapacidade estrutural de tolerar a dissid\u00eancia mesmo quando ela se desloca para fora das fronteiras nacionais. O ex\u00edlio, que em outras tradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas representa uma forma de escape ou de rein\u00edcio, passa a ser interpretado, nesses contextos, como mera extens\u00e3o do campo de batalha ideol\u00f3gico. E o exilado \u00e9 concebido como \u201cum inimigo de classe permanente\u201d, um \u201cagente contrarrevolucion\u00e1rio\u201d ou \u201ctraidor imperialista\u201d \u2013 algu\u00e9m, em suma, cuja presen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 intoler\u00e1vel apenas dentro das pr\u00f3prias fronteiras, mas no planeta inteiro.<\/p>\n<p>Foi sob Josef Stalin que esse princ\u00edpio assumiu uma forma sistem\u00e1tica. O assassinato de Leon Trotsky no M\u00e9xico, em 1940, foi o s\u00edmbolo emblem\u00e1tico de uma pol\u00edtica oficial de elimina\u00e7\u00e3o de opositores onde quer que estivessem. A m\u00e1quina sovi\u00e9tica de intelig\u00eancia \u2013 primeiro a NKVD, depois a KGB \u2013 transformou o mundo em um espa\u00e7o potencial de opera\u00e7\u00e3o, combinando infiltra\u00e7\u00e3o, espionagem e assassinatos seletivos. D\u00e9cadas mais tarde, o caso do escritor b\u00falgaro Georgi Markov, morto em Londres com uma c\u00e1psula de ricina inserida por um dispositivo disfar\u00e7ado de guarda-chuva, mostraria que essa l\u00f3gica permanecia ativa, e que fora tecnicamente sofisticada.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Na Alemanha Oriental, a repress\u00e3o transnacional assumiu uma fei\u00e7\u00e3o menos espetacular, mas n\u00e3o menos eficaz. A Stasi desenvolveu um m\u00e9todo que dispensava, muitas vezes, a elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica: a chamada <em>Zersetzung<\/em>, uma estrat\u00e9gia de decomposi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica do advers\u00e1rio. Dissidentes exilados eram monitorados, infiltrados e, quando poss\u00edvel, desestabilizados \u00e0 dist\u00e2ncia, por meio de campanhas de difama\u00e7\u00e3o, sabotagem pessoal e isolamento social. O objetivo n\u00e3o era apenas silenciar, mas desintegrar \u2013 transformar o opositor em algu\u00e9m incapaz de agir politicamente, mesmo fora do alcance direto do Estado.<\/p>\n<p>O comunismo latino-americano seguiu a receita. No regime cubano, a atua\u00e7\u00e3o da Direcci\u00f3n General de Inteligencia (DGI) estendeu-se especialmente aos Estados Unidos e \u00e0 Am\u00e9rica Latina, onde exilados pol\u00edticos s\u00e3o vistos como amea\u00e7as permanentes. Casos de assassinatos em territ\u00f3rio estrangeiro \u2013 como os de dissidentes cubanos em Miami e Porto Rico nos anos 1970 \u2013 foram atribu\u00eddos a opera\u00e7\u00f5es coordenadas pelo aparato estatal. A l\u00f3gica permanecia a mesma: o dissidente n\u00e3o \u00e9 um cidad\u00e3o que discorda, mas um inimigo a ser apanhado e neutralizado pelo \u201clongo bra\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 express\u00e3o de origem trotskista que se se voltou contra o criador.<\/p>\n<p>Embora com menos recursos, a Venezuela chavista tamb\u00e9m enviou os seus sic\u00e1rios em busca de dissidentes. Epis\u00f3dios de persegui\u00e7\u00e3o e assassinato de opositores \u2013 inclusive aqueles que se distanciaram do regime \u2013 revelam um padr\u00e3o de intoler\u00e2ncia \u00e0 dissid\u00eancia e a concep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 jurisdi\u00e7\u00e3o territorial que impe\u00e7a a <em>Nomenklatura<\/em> revolucion\u00e1ria de perseguir seus objetivos e aniquilar seus opositores. Relembre-se, por exemplo, o caso de Villca Fern\u00e1ndez, opositor ao chavismo que, ap\u00f3s ter passado dois anos sob tortura na famigerada pris\u00e3o El Helicoide, relatou ter continuado a se sentir perseguido mesmo ap\u00f3s deixar a Venezuela, tendo topado com antigos agentes do regime fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O elemento comum a todos esses casos n\u00e3o \u00e9 apenas a viol\u00eancia, mas a concep\u00e7\u00e3o de poder que a justifica. Trata-se de regimes que n\u00e3o reconhecem limites externos \u00e0 sua autoridade ideol\u00f3gica. Se a legitimidade do sistema depende da elimina\u00e7\u00e3o do dissenso, ent\u00e3o o dissenso, onde quer que se manifeste, deve ser combatido. A fronteira nacional deixa de ser um limite jur\u00eddico e passa a ser apenas um obst\u00e1culo log\u00edstico \u2013 em tese contorn\u00e1vel mediante opera\u00e7\u00f5es clandestinas e\/ou colabora\u00e7\u00e3o com governos aliados.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Espionagem, monitoramento, persegui\u00e7\u00e3o, intimida\u00e7\u00e3o e sequestro s\u00e3o pr\u00e1ticas cl\u00e1ssicas de repress\u00e3o transnacional, que aparentemente est\u00e3o sendo aplicadas por agentes do regime luloalexandrino no exterior<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Sob o regime luloalexandrino \u2013 que utiliza um misto de t\u00e9cnicas modernas de poder desenvolvidas pelos totalitarismos do s\u00e9culo 20 \u2013, o Brasil tem entrado forte no jogo da repress\u00e3o transnacional, e, juntamente com a China, j\u00e1 come\u00e7a a surgir no radar americano. O caso recente da deten\u00e7\u00e3o do exilado pol\u00edtico <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/alexandre-ramagem\/\">Alexandre Ramagem<\/a> nos EUA ilustra-o com perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como ficou claro ap\u00f3s a soltura, era inteiramente falso o conte\u00fado da nota emitida pela c\u00fapula da <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/policia-federal\/\">Pol\u00edcia Federal<\/a> (endossada pelo governo brasileiro) por ocasi\u00e3o da deten\u00e7\u00e3o do ex-diretor da Abin por agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE). A deten\u00e7\u00e3o n\u00e3o resultou de nenhuma \u201ccoopera\u00e7\u00e3o internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado\u201d, como alegou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. E muito menos teve a ver com a condena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Ramagem por participa\u00e7\u00e3o na dita \u201ctrama golpista\u201d, como sugeriu Lula. Tal como haviam corretamente informado pessoas pr\u00f3ximas a Ramagem nos EUA \u2013 a exemplo do jornalista Paulo Figueiredo \u2013, a deten\u00e7\u00e3o teve a ver com uma averigua\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria do custodiado, que tem uma solicita\u00e7\u00e3o de asilo pol\u00edtico pendente, e que, portanto, est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o legal nos EUA.<\/p>\n<p>Mas, apesar de falsas, as alega\u00e7\u00f5es da c\u00fapula da PF revelam um dado interessante. Apesar de n\u00e3o haver coopera\u00e7\u00e3o formal alguma entre as pol\u00edcias brasileira e americana, tudo indica ter havido troca informal de informa\u00e7\u00f5es entre agentes da PF situados nos EUA e representantes do ICE. Resta que, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/yN1ZTdHDraE?t=2015s\">de acordo com informa\u00e7\u00f5es colhidas pelo coronel da reserva Gerson Gomes<\/a> (brasileiro que tamb\u00e9m reside permanentemente nos EUA e acompanha de perto o caso Ramagem), os agentes da PF respons\u00e1veis por espionar e delatar o ex-deputado Ramagem para o ICE estavam, eles sim, em situa\u00e7\u00e3o ilegal nos EUA. Tendo entrado no pa\u00eds com visto de turista, eles n\u00e3o estavam em hip\u00f3tese alguma autorizados a exercer atividade de pol\u00edcia dentro do pa\u00eds hospedeiro. Se essa informa\u00e7\u00e3o for correta, ser\u00e1 for\u00e7oso concluir que os perseguidores transnacionais de Ramagem agiram n\u00e3o como agentes da lei (pagos pelo contribuinte brasileiro), mas como capangas e arapongas do regime luloalexandrino.<\/p>\n<p>A suspeita torna-se ainda mais robusta se lembramos do caso an\u00e1logo de Fl\u00e1via Magalh\u00e3es, brasileira com cidadania americana, e tamb\u00e9m alvo de repress\u00e3o transnacional perpetrada por <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/alexandre-de-moraes\/\">Alexandre de Moraes<\/a>, contra quem, em junho de 2023, dirigira uma cr\u00edtica \u00e1cida na rede social X. O caso \u2013 que ganhou repercuss\u00e3o ap\u00f3s o bilion\u00e1rio Elon Musk oferecer a Fl\u00e1via uma bancada de advogados americanos para defend\u00ea-la \u2013 foi objeto de uma <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/ultima-analise\/apice-violacao-moraes-atinge-eua-caso-flavia-magalhaes\/\">mat\u00e9ria <\/a>desta <strong>Gazeta do Povo<\/strong>:<\/p>\n<p><em>\u201cO advogado de Fl\u00e1via Magalh\u00e3es, Paulo Faria, explicou a situa\u00e7\u00e3o de sua cliente. Um mandado de pris\u00e3o foi encaminhado em 8 de janeiro de 2024 a um agente da Pol\u00edcia Federal em Miami, Fl\u00f3rida. Ent\u00e3o, agentes ficaram no encal\u00e7o de Fl\u00e1via durante um evento p\u00fablico, na cidade de Fort Lauderdale, indicando que ela foi monitorada em pleno solo americano. \u2018O monitoramento de um cidad\u00e3o americano, em solo americano, \u00e9 o \u00e1pice da viola\u00e7\u00e3o. A possibilidade de uma pris\u00e3o ilegal na verdade foi um verdadeiro sequestro\u2019, critica Faria. Para ele, a poss\u00edvel opera\u00e7\u00e3o de Moraes seria uma grave viola\u00e7\u00e3o \u00e0 soberania americana.\u201d<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p>De acordo com o coronel da reserva Gerson Gomes (brasileiro que vive nos EUA e acompanha o caso Ramagem), os agentes da PF respons\u00e1veis por espionar e delatar o ex-deputado para o ICE estavam, eles sim, em situa\u00e7\u00e3o ilegal nos EUA<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Espionagem, monitoramento, persegui\u00e7\u00e3o, intimida\u00e7\u00e3o, sequestro. S\u00e3o pr\u00e1ticas cl\u00e1ssicas de repress\u00e3o transnacional, e aparentemente est\u00e3o sendo aplicadas por agentes do regime luloalexandrino no exterior. Trata-se de uma suspeita grav\u00edssima, que merece ser investigada, pois hoje a repress\u00e3o transnacional \u2013 que, em confirmada, pode acarretar uma crise diplom\u00e1tica de alta complexidade \u2013 est\u00e1 no topo das prioridades das preocupa\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas n\u00e3o apenas do governo americano, como de todos os pa\u00edses-membros do G7, que trataram do assunto na \u00faltima reuni\u00e3o ocorrida no Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Eis por que s\u00e3o louv\u00e1veis iniciativas como as da Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e de Defesa Nacional (Credn) \u2013 que acaba de aprovar uma den\u00fancia internacional contra Alexandre de Moraes, na qual se menciona o caso de Ramagem \u2013 e da deputada Bia Kicis, que acaba de enviar \u00e0 Pol\u00edcia Federal, ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, ao Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e \u00e0 Embaixada dos EUA no Brasil of\u00edcios solicitando informa\u00e7\u00f5es sobre o caso Ramagem. Kicis indaga esses \u00f3rg\u00e3os sobre a alegada coopera\u00e7\u00e3o policial internacional para a deten\u00e7\u00e3o do ex-deputado, querendo saber exatamente sua dimens\u00e3o e natureza, bem como sua base legal, grau de conhecimento das autoridades e os nomes dos agentes eventualmente envolvidos.<\/p>\n<p>Se o quadro que aqui esbo\u00e7amos estiver correto \u2013 e os ind\u00edcios apontam de maneira inquietante nessa dire\u00e7\u00e3o \u2013, ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o estamos diante de meros excessos pontuais ou \u201cinterpreta\u00e7\u00f5es criativas\u201d da lei, mas da ado\u00e7\u00e3o progressiva de um padr\u00e3o hist\u00f3rico aviltante: o da exporta\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o pol\u00edtica (em si mesma imoral) para al\u00e9m das fronteiras nacionais. O que come\u00e7ou como controle interno do dissenso tende, por sua pr\u00f3pria l\u00f3gica, a converter-se em persegui\u00e7\u00e3o extraterritorial, dissolvendo os limites entre jurisdi\u00e7\u00e3o e arb\u00edtrio, coopera\u00e7\u00e3o e conluio, legalidade e poder totalit\u00e1rio. O caso precisa ser investigado a fundo e os eventuais respons\u00e1veis, punidos exemplarmente, sob pena de arrastarem o Brasil para a posi\u00e7\u00e3o de p\u00e1ria internacional.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUm dos maiores desafios no combate \u00e0 repress\u00e3o transnacional \u00e9 a ampla falta de conscientiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica. 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