{"id":363585,"date":"2026-04-15T10:33:19","date_gmt":"2026-04-15T14:33:19","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=363585"},"modified":"2026-04-15T10:33:19","modified_gmt":"2026-04-15T14:33:19","slug":"como-megaoperacoes-contra-o-crime-redesenham-o-ranking-das-maiores-distribuidoras-de-combustivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=363585","title":{"rendered":"Como megaopera\u00e7\u00f5es contra o crime redesenham o ranking das maiores distribuidoras de combust\u00edvel"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O setor de combust\u00edveis no Brasil encerrou o \u00faltimo ano com marcas hist\u00f3ricas e reviravoltas surpreendentes. Segundo dados consolidados pela Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP), o consumo de diesel atingiu o recorde de 69,47 bilh\u00f5es de litros, enquanto a gasolina avan\u00e7ou 5,1%, chegando a 46,65 bilh\u00f5es de litros.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s desses n\u00fameros, ocorre uma t<strong>ransforma\u00e7\u00e3o silenciosa e profunda na organiza\u00e7\u00e3o deste mercado<\/strong>. O <em>ranking<\/em> das maiores distribuidoras do Brasil, antes congestionado por empresas de crescimento s\u00fabito e origem duvidosa, est\u00e1 sendo redesenhado.<\/p>\n<p>No estado de S\u00e3o Paulo, principal mercado consumidor de combust\u00edveis do pa\u00eds, a lista das maiores vendedoras do segmento mudou drasticamente entre o fim de 2024 e o fim de 2025, segundo a ANP.\u00a0Cinco das dez primeiras colocadas n\u00e3o apenas despencaram no <strong>ranking<\/strong> como praticamente desapareceram ap\u00f3s as megaopera\u00e7\u00f5es policiais\u00a0contra empresas suspeitas de fraudes no setor\u00a0no ano passado.<\/p>\n<p>Em 2024 <strong>Ra\u00edzen<\/strong>,<strong> Ipiranga<\/strong> e <strong>Vibra<\/strong> ocupavam o p\u00f3dio com 21,68%, 19,01% e 16,35% de participa\u00e7\u00e3o no mercado, respectivamente. Em 2025, as fatias passaram para 23,53%, 20,71% e 18,41%. <strong>Maximus<\/strong>, <strong>Estrela<\/strong>, <strong>Arka<\/strong>, <strong>Duvale<\/strong> e <strong>Petroworld<\/strong>, que em 2024 ocupavam respectivamente a quarta, sexta, s\u00e9tima, oitava e nona coloca\u00e7\u00e3o no <em>ranking <\/em>das maiores distribuidoras do estado, praticamente desapareceram.<\/p>\n<p>A reportagem da <strong>Gazeta do Povo<\/strong> tentou contato com as cinco empresas e n\u00e3o localizou um representante para comentar os motivos do encolhimento do neg\u00f3cio. O espa\u00e7o continua aberto para manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No estado, empresas de m\u00e9dio porte dobraram sua fatia de mercado com a sa\u00edda das suspeitas de fraude. A <strong>Avant<\/strong>, hoje a quarta maior no estado, por exemplo, passou de 1,9% para 3,8% das vendas. A fatia de mercado da <strong>ALL<\/strong>, a quinta, subiu de 1,5% para 2,8%.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Antes das opera\u00e7\u00f5es contra fraude em combust\u00edveis, distribuidoras sem infraestrutura robusta superavam grupos tradicionais<\/h2>\n<p>At\u00e9 meados de 2025, antes das opera\u00e7\u00f5es, o <em>ranking<\/em> da ANP em S\u00e3o Paulo apresentava anomalias que desafiavam a l\u00f3gica de mercado. Distribuidoras sem infraestrutura log\u00edstica robusta ou hist\u00f3rico de atua\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a figurar entre as dez maiores do estado, superando grupos tradicionais e consolidados.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito nacional, a tend\u00eancia se repete. Dados da ANP apontam que, de dezembro de 2024 a dezembro de 2025, a fatia de mercado das tr\u00eas maiores distribuidoras do pa\u00eds \u2014 Vibra, Raizen e Ipiranga \u2014 nas vendas nacionais de gasolina subiu de 53,16% para 55,41%. No\u00a0diesel, foi de 56,15% a 59,50%.<\/p>\n<p>Investiga\u00e7\u00f5es do Gaeco do Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo (MP-SP) e da Pol\u00edcia Federal, como as opera\u00e7\u00e3o Carbono Oculto e a Soldi Sporchi, revelaram que fac\u00e7\u00f5es criminosas, notoriamente o Primeiro Comando da Capital (PCC), utilizam o setor para lavar dinheiro e maximizar os lucros com combust\u00edveis adulterados e fraude fiscal. Diversas distribuidoras e centenas de postos foram lacrados ou est\u00e3o na mira da pol\u00edcia e MP.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es revelaram que o capital oriundo do tr\u00e1fico de drogas financiava a compra de grandes volumes de combust\u00edvel, que eram vendidos abaixo do pre\u00e7o de custo gra\u00e7as a esquemas de sonega\u00e7\u00e3o de ICMS e adulterado com o uso de metanol.<\/p>\n<p>Com a intensifica\u00e7\u00e3o das megaopera\u00e7\u00f5es entre agosto de 2025 e o in\u00edcio de 2026, o cen\u00e1rio mudou. Em S\u00e3o Paulo, as fatias de mercado que estavam pulverizadas em distribuidoras de fachada come\u00e7aram a retornar para as grandes empresas tradicionais do setor. Nomes que apareciam nos relat\u00f3rios mensais da ANP como &#8220;fen\u00f4menos regionais&#8221; desapareceram das planilhas. Em contrapartida, as gigantes Vibra (postos BR), Ra\u00edzen (postos Shell) e Ipiranga (postos Ipiranga) recuperaram terreno em volume de vendas.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Modelo de neg\u00f3cios de quem dependia do pre\u00e7o predat\u00f3rio sofre rev\u00e9s<\/h2>\n<p>No in\u00edcio de abril, a C\u00e2mara dos Deputados aprovou projeto de lei que autoriza a ANP a acessar dados fiscais permanentes (NF-e, NFC-e e CT-e) das empresas do setor, o que deve apertar mais a fiscaliza\u00e7\u00e3o na \u00e1rea. Sem isso, a ag\u00eancia reguladora fica com uma vis\u00e3o limitada, dependendo de informa\u00e7\u00f5es declarat\u00f3rias das pr\u00f3prias empresas.<\/p>\n<p>Agora, o cruzamento de dados em tempo real permite identificar inconsist\u00eancias entre o que a distribuidora diz que comprou e o que o fisco registra que foi vendido. Essa transpar\u00eancia for\u00e7ada ataca o cora\u00e7\u00e3o das distribuidoras piratas: a sonega\u00e7\u00e3o estruturada que permeia a fraude no setor de combust\u00edveis.<\/p>\n<p>Sem a capacidade de sonegar, o modelo de neg\u00f3cios dessas empresas, que dependia do pre\u00e7o predat\u00f3rio para ganhar volume e subir no <em>ranking<\/em>, colapsou. O mercado agora assiste \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o de distribuidores m\u00e9dios e regionais que, antes asfixiados pela concorr\u00eancia desleal, voltam a respirar e a expandir suas opera\u00e7\u00f5es de forma leg\u00edtima.<\/p>\n<p>A Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro, por exemplo, informa que a arrecada\u00e7\u00e3o de ICMS com combust\u00edveis cresceu 8,12% em 2025, para R$ 9,5 bilh\u00f5es, puxada por &#8220;fatores como a expans\u00e3o da atividade econ\u00f4mica e a varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os e o fortalecimento das a\u00e7\u00f5es de combate a irregularidades tribut\u00e1rias\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Em entrevista ao jornal\u00a0<em>Folha de S. Paulo<\/em>\u00a0publicada em mar\u00e7o, Rafael Grisolia, presidente da Ale, quarta maior distribuidora de combust\u00edveis do pa\u00eds, diz que as vendas do grupo cresceram 8,2% em 2025. &#8220;Em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, onde as a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o tiveram maior intensidade, os reflexos foram ainda mais evidentes&#8221;, afirma Grisolia ao jornal. Segundo o executivo, entre agosto e setembro, as vendas da Ale avan\u00e7aram 30% no mercado paulista e 40% no do Rio.<\/p>\n<h2>Setor de combust\u00edveis volta a despertar interesse de grandes grupos<\/h2>\n<p>Em relat\u00f3rio de an\u00e1lise distribu\u00eddo a investidores no in\u00edcio de fevereiro sobre o mercado de combust\u00edveis brasileiro p\u00f3s-megaopera\u00e7\u00f5es, o Ita\u00fa BBA afirma que &#8220;o setor de distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis no Brasil est\u00e1 vivendo uma transforma\u00e7\u00e3o profunda\u201d, voltando a despertar at\u00e9 o interesse de grandes investidores.\u00a0<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro onde ocorreu a maior recupera\u00e7\u00e3o de mercado pelas tr\u00eas maiores empresas do setor. Segundo o Ita\u00fa BBA, entre mar\u00e7o e dezembro, elas avan\u00e7aram 9 pontos percentuais no mercado paulista de gasolina e 13 pontos no mercado fluminense. No diesel, completa o relat\u00f3rio do banco, as tr\u00eas companhias recuperaram 6 pontos percentuais em S\u00e3o Paulo e tamb\u00e9m 13 pontos percentuais no Rio.<\/p>\n<p>No balan\u00e7o p\u00fablico de 2025, a Ipiranga fala em &#8220;forte expans\u00e3o, principalmente pela retomada do mercado ap\u00f3s as medidas de combate \u00e0s irregularidades no setor durante o segundo semestre&#8221;. As margens da empresa cresceram 7% no quarto trimestre em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2024. A Ipiranga \u00e9 a segunda maior empresa do setor.<\/p>\n<p>A maior, a Vibra Energia, tamb\u00e9m viu um cen\u00e1rio de crescimento consistente, influenciado &#8220;pelo fortalecimento do arcabou\u00e7o regulat\u00f3rio, maior rigor no combate a irregularidades e redu\u00e7\u00e3o de assimetrias competitivas\u201d.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O setor de combust\u00edveis no Brasil encerrou o \u00faltimo ano com marcas hist\u00f3ricas e reviravoltas surpreendentes. 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