{"id":356982,"date":"2026-04-11T20:18:59","date_gmt":"2026-04-12T00:18:59","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=356982"},"modified":"2026-04-11T20:18:59","modified_gmt":"2026-04-12T00:18:59","slug":"fim-da-escala-6x1-impoe-choque-de-custo-ao-produtor-e-comida-mais-cara-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=356982","title":{"rendered":"Fim da escala 6\u00d71 imp\u00f5e choque de custo ao produtor e comida mais cara para todos"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Aposta de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) para ganho de capital pol\u00edtico junto \u00e0 sua base eleitoral, o fim da escala 6&#215;1 geraria um choque de custos estrutural imediato ao agro brasileiro.<\/p>\n<p>Se a transi\u00e7\u00e3o ao novo modelo sugere um impacto absorv\u00edvel para determinados setores da economia, para o setor rural a mudan\u00e7a exigiria uma reorganiza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada com potencial de afetar a competitividade das exporta\u00e7\u00f5es e respingar em uma conta bilion\u00e1ria para a infla\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>A obrigatoriedade de dois dias de descanso semanais est\u00e1 prevista na proposta de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) 8\/2025, de autoria da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), com previs\u00e3o de entrada em pauta na C\u00e2mara dos Deputados em maio, segundo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).<\/p>\n<p>Em movimento liderado pela Frente Parlamentar do Agroneg\u00f3cio (FPA) junto com a Coaliz\u00e3o de Frente Produtivas, parlamentares t\u00eam pedido que a discuss\u00e3o ocorra sem precipita\u00e7\u00e3o e com a participa\u00e7\u00e3o dos diferentes setores.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre as din\u00e2micas da economia urbana e os ciclos clim\u00e1ticos e biol\u00f3gicos do campo explica como a redu\u00e7\u00e3o na escala de trabalho afetaria a agropecu\u00e1ria de forma distinta aos demais ramos da atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Segundo dados da FPA, na produ\u00e7\u00e3o de etanol a redu\u00e7\u00e3o da jornada de 44 para 40 horas semanais geraria aumento de custo entre R$ 4 bilh\u00f5es e R$ 5 bilh\u00f5es, devido \u00e0 necessidade de novas contrata\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No setor de prote\u00edna su\u00edna e av\u00edcola, o impacto pode chegar a R$ 9 bilh\u00f5es e, em cooperativas agroindustriais, a R$ 2,5 bilh\u00f5es, segundo a frente parlamentar.<\/p>\n<h2>Quase 97% dos empregos formais no agro seriam afetados com fim da escala 6&#215;1, diz Ipea<\/h2>\n<p>Nota t\u00e9cnica do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), funda\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal vinculada ao Minist\u00e9rio do Planejamento e Or\u00e7amento, aponta que a extin\u00e7\u00e3o da jornada 6&#215;1 ter\u00e1 impacto considerado baixo para um contingente de aproximadamente 13 milh\u00f5es de trabalhadores alocados em setores espec\u00edficos, onde o custo de readequa\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es gravitaria em torno de 1%.<\/p>\n<p>No setor rural e nos servi\u00e7os diretamente relacionados, por\u00e9m, 96,6% dos v\u00ednculos formais seriam diretamente afetados pela nova regra. O porcentual representa mais de 1,5 milh\u00e3o de trabalhadores que precisariam ter suas escalas readequadas, o que geraria um aumento imediato de 9,6% no custo da hora trabalhada, sem aumento de produtividade.<\/p>\n<p>Diferentemente de empresas no setor de tecnologia ou com\u00e9rcio de alto valor agregado, nos quais um ganho de efici\u00eancia marginal pode compensar a redu\u00e7\u00e3o de horas de trabalho, o campo tem elasticidade muito menor, avaliam os autores do estudo.<\/p>\n<p>Os ciclos de plantio e colheita dependem de m\u00e1quinas em opera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, e animais confinados exigem manejo di\u00e1rio. A consequ\u00eancia matem\u00e1tica desse engessamento, segundo os t\u00e9cnicos do Ipea, seria o fechamento de cerca de 28 mil vagas na agropecu\u00e1ria em curto prazo.<\/p>\n<p>Estudo preliminar do pr\u00f3prio Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) apresentado no \u00faltimo dia 10 na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e de Cidadania (CCJC) da C\u00e2mara mostra que a agropecu\u00e1ria, a constru\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio podem ter um custo adicional que varia entre 7,8% e 8,6%, bem acima da m\u00e9dia geral (4,7%).<\/p>\n<p>Setores de transporte aquavi\u00e1rio e da ind\u00fastria de alimentos sofreriam ainda mais, com eleva\u00e7\u00e3o de despesas estimada em 10,5%.<\/p>\n<p>De acordo com o chefe da pasta, Luiz Marinho, o estudo ainda est\u00e1 sendo elaborado, e os setores poder\u00e3o participar da mensura\u00e7\u00e3o dos impactos. \u201cN\u00f3s estamos abertos para sentar com a bancada de empregadores de todos os setores da economia, inclusive, para aprofundar cada setor qual o tamanho do impacto que deve ter\u201d, disse.<\/p>\n<h2>No Paran\u00e1, fim da escala 6&#215;1 custaria R$ 4,1 bilh\u00f5es por ano ao agro<\/h2>\n<p>Estudos realizados por entidades locais do setor mostram como os impactos atingiriam as atividades em que se especializaram as diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Departamento T\u00e9cnico e Econ\u00f4mico (DTE) da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Estado do Paran\u00e1 (Faep) calculou que a jornada de 36 horas, conforme prev\u00ea a PEC 8\/2025, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/parana\/impactos-fim-escala-6x1-alerta-parana\/\">custaria ao agroneg\u00f3cio paranaense R$ 4,1 bilh\u00f5es por ano<\/a>.<\/p>\n<p>Para preencher o \u201cv\u00e1cuo operacional\u201d e impedir que frigor\u00edficos parem ou lavouras apodre\u00e7am, o estado necessitaria de 107 mil novas contrata\u00e7\u00f5es apenas para manter o atual n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A avicultura e a suinocultura concentram a maior fatia desse custo (R$ 1,72 bilh\u00e3o ao ano), devido \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de m\u00faltiplos turnos e ao manejo cont\u00ednuo.<\/p>\n<p>\u201cO acr\u00e9scimo representa uma press\u00e3o direta sobre a rentabilidade do produtor rural, que j\u00e1 convive com custos e juros altos, falta de m\u00e3o de obra e endividamento clim\u00e1tico\u201d, avalia \u00c1gide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>O Paran\u00e1 \u00e9 l\u00edder nacional na produ\u00e7\u00e3o de frangos de corte, respondendo por um ter\u00e7o dos abates do pa\u00eds. E o rebanho su\u00edno do estado representa 16,6% do total, segundo a pesquisa Produ\u00e7\u00e3o da Pecu\u00e1ria Municipal 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<h2>Em Minas Gerais, custo de m\u00e3o de obra na pecu\u00e1ria leiteira subiria at\u00e9 80% com fim da escala 6&#215;1<\/h2>\n<p>Em Minas Gerais, a Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado (Faemg) projeta que o custo da m\u00e3o de obra por litro de leite produzido em pequenas propriedades pode saltar at\u00e9 80%.<\/p>\n<p>Vacas exigem ordenhas di\u00e1rias regulares e n\u00e3o obedecem a pausas de fim de semana. A contrata\u00e7\u00e3o de folguistas elevaria os custos a um patamar incompat\u00edvel com as margens atuais.<\/p>\n<p>O estado \u00e9 o maior produtor de leite do pa\u00eds, com cerca de 9,3 bilh\u00f5es de litros por ano \u2013 27% da produ\u00e7\u00e3o nacional, segundo a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Seapa).<\/p>\n<p>A atividade \u00e9 desenvolvida em quase todos os 853 munic\u00edpios mineiros, sendo uma importante fonte de renda para milhares de pessoas, principalmente agricultores familiares.<\/p>\n<p>No quadro macroecon\u00f4mico mineiro, a federa\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias do estado (Fiemg) alerta que a redu\u00e7\u00e3o abrupta sem contrapartida de produtividade tem potencial de derrubar o PIB nacional em at\u00e9 16%, com risco a 18 milh\u00f5es de empregos em todas as cadeias.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Em Mato Grosso, agro teria de contratar mais 34 mil pessoas com fim da escala 6&#215;1<\/h2>\n<p>No estado de Mato Grosso, maior produtor de soja, milho e algod\u00e3o do pa\u00eds, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecu\u00e1ria (Imea) e a Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria de Mato Grosso (Famato) indicam que a mudan\u00e7a para 36 horas demandaria mais de 34 mil contrata\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A medida desequilibra a balan\u00e7a financeira das cadeias de soja e milho, empurrando para o vermelho lavouras que j\u00e1 operam com margens estranguladas.<\/p>\n<p>Um aumento de custos ao produtor inevitavelmente seria repassado, ao menos em parte, para o consumidor final. Proje\u00e7\u00f5es da Federa\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo do Mato Grosso (Fecom\u00e9rcio-MT) apontam que, no varejo, os produtos podem ficar at\u00e9 24% mais caros.<\/p>\n<p>A gerente do Observat\u00f3rio de Mato Grosso, Vanessa Gasch, alerta tamb\u00e9m para a explos\u00e3o no mercado informal do estado.<\/p>\n<p>\u201cCerca de 31% dos trabalhadores que hoje atuam em Mato Grosso est\u00e3o na informalidade. Nossos estudos, que j\u00e1 apresentam n\u00fameros preocupantes para o setor produtivo, representam apenas uma parte da realidade, visto que ainda temos um percentual elevado de trabalhadores informais\u201d, disse, em evento recente.<\/p>\n<h2>Nuances de diferentes atividades n\u00e3o podem ajustadas por lei, diz soci\u00f3lgo<\/h2>\n<p>Jos\u00e9 Pastore, soci\u00f3logo e professor titular aposentado Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), defende a manuten\u00e7\u00e3o do regime 6&#215;1, sob o argumento de n\u00e3o haver lei capaz de atender as particularidades dos diferentes trabalhos.<\/p>\n<p>\u201cNa pecu\u00e1ria de leite, trabalha-se a escala 6&#215;1, mas a jornada di\u00e1ria \u00e9 quebrada em duas para respeitar a fisiologia das vacas: uma ordenha de manh\u00e3 e outra \u00e0 tarde\u201d, exemplifica, em artigo recente.<\/p>\n<p>\u201cNa pecu\u00e1ria de corte, ao contr\u00e1rio, os vaqueiros supervisionam o gado no pasto o dia todo\u201d, complementa o pesquisador, uma das maiores autoridades em rela\u00e7\u00f5es do trabalho no Brasil. \u201cEssas nuances n\u00e3o podem ser ajustadas por lei ou Constitui\u00e7\u00e3o como quer a PEC 8\/2025, por ora em debate no Congresso Nacional.\u201d<\/p>\n<p>Estudo de Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), mostra que o Brasil produz em m\u00e9dia US$ 17 por hora trabalhada \u2014 muito distante dos US$ 60 em pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE).<\/p>\n<p>\u201cDentre os potenciais efeitos colaterais da medida proposta, pode-se destacar a perda de valor adicionado, redu\u00e7\u00e3o de renda per capita, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, fechamento de empresas e at\u00e9 mesmo perda de emprego\u201d, escreve o economista em artigo.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Entidades do agro assinam manifesto contra PEC do fim da escala 6&#215;1<\/h2>\n<p>Um manifesto assinado por mais de 100 entidades do setor produtivo contra a aprova\u00e7\u00e3o da PEC ressalta que, nos pa\u00edses onde ocorreu a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de horas trabalhadas, o debate evoluiu por meio de um processo hist\u00f3rico vinculado a ganhos de produtividade.<\/p>\n<p>\u201cQuando a produ\u00e7\u00e3o por hora trabalhada cresce, a sociedade consegue reduzir o volume de trabalho e preservar renda e pre\u00e7os. Isto torna o processo sustent\u00e1vel\u201d, diz trecho do documento.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, quando a mudan\u00e7a ocorre sem esse equil\u00edbrio, o resultado pode ser o aumento de custos, a redu\u00e7\u00e3o de contrata\u00e7\u00f5es formais e\/ou o repasse de pre\u00e7os para o consumidor.\u201d<\/p>\n<p>Entre os signat\u00e1rios da carta p\u00fablica est\u00e3o a Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA), a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Agroneg\u00f3cio (Abag), a Sociedade Rural do Brasil (SRB), al\u00e9m de diversas associa\u00e7\u00f5es de diferentes segmentos agropecu\u00e1rios e federa\u00e7\u00f5es estaduais do agro.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aposta de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) para ganho de capital pol\u00edtico junto \u00e0 sua base eleitoral, o fim&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":353490,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[241],"tags":[],"class_list":["post-356982","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-senado-federal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/356982","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=356982"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/356982\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/353490"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=356982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=356982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=356982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}