{"id":355760,"date":"2026-04-10T19:40:21","date_gmt":"2026-04-10T23:40:21","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=355760"},"modified":"2026-04-10T19:40:21","modified_gmt":"2026-04-10T23:40:21","slug":"juros-altos-e-politica-fiscal-de-lula-corroem-renda-e-empurram-familias-para-o-endividamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=355760","title":{"rendered":"Juros altos e pol\u00edtica fiscal de Lula corroem renda e empurram fam\u00edlias para o endividamento"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O Brasil vive um paradoxo econ\u00f4mico: o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/desemprego-brasil-queda-inflacao-alta\/\">desemprego est\u00e1 no menor n\u00edvel <\/a>da s\u00e9rie hist\u00f3rica, mas o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/inadimplencia-recorde-governo-lula-guerra-no-ira\/\">endividamento das fam\u00edlias segue pr\u00f3ximo do recorde<\/a>.<\/p>\n<p>Em janeiro deste ano, quase 80% dos lares brasileiros tinham d\u00edvidas, e quase um ter\u00e7o j\u00e1 estava inadimplente. Para analistas, o dado exp\u00f5e uma contradi\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda: h\u00e1 trabalho, mas falta renda suficiente para fechar as contas.<\/p>\n<p>Pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC) mostra que, em janeiro, 79,5% das fam\u00edlias brasileiras estavam endividadas. Destas, 29,3% tinham contas em atraso e 12,7% afirmavam n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de quitar as d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, avalia que o cen\u00e1rio \u00e9 preocupante, sobretudo quando considerados os <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/taxa-juros-recorde-governo-lula-divida-publica\/\">juros m\u00e9dios acima de 30% ao ano<\/a>, sem contar o rotativo, superior a 300%, mesmo com n\u00edvel recorde de emprego.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a constata\u00e7\u00e3o de que o real est\u00e1 muito desvalorizado, e que o sistema econ\u00f4mico est\u00e1 t\u00e3o desbalanceado que o que se paga para a maior parte das pessoas n\u00e3o viabiliza suas necessidades&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Engenheiro em produtos de cr\u00e9dito, Elber Laranja avalia que a quest\u00e3o \u00e9 estrutural: h\u00e1 baixa produtividade e pouco crescimento econ\u00f4mico no Brasil, o que leva as fam\u00edlias a contrair cr\u00e9dito para se refinanciar.<\/p>\n<p>Segundo ele, trocar uma linha por outra n\u00e3o amplia a capacidade de pagamento. \u201cO que vai devolver a adimpl\u00eancia para os indicadores \u00e9 a melhoria da capacidade de pagamento&#8221;, comentou.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Brasileiro contrai d\u00edvidas para pagar despesas<\/h2>\n<p>Um dos pontos que mais chamam a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas. O levantamento da CNC mostra que 85,4% das pend\u00eancias est\u00e3o no cart\u00e3o de cr\u00e9dito. Al\u00e9m disso, para 19,5% das fam\u00edlias, mais da metade da renda j\u00e1 \u00e9 consumida pelas d\u00edvidas \u2013 ou seja, sobra menos da metade para as despesas b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Corano afirma que o cen\u00e1rio brasileiro n\u00e3o diverge significativamente no percentual de endividamento de grandes economias: nos Estados Unidos, o patamar varia de 75% a 80%, enquanto na China \u00e9 de cerca de 60%. A diferen\u00e7a \u00e9 que nesses pa\u00edses o cr\u00e9dito financia majoritariamente a aquisi\u00e7\u00e3o de ativos, como im\u00f3veis. No Brasil, \u00e9 usado para custear despesas b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Outra diferen\u00e7a relevante aparece nos \u00edndices de inadimpl\u00eancia. Nos Estados Unidos, a taxa gira em torno de 4%, podendo chegar a 8% no rotativo em momentos de crise. No Brasil, atinge 29%. A combina\u00e7\u00e3o de juros elevados, inadimpl\u00eancia alta, renda baixa e endividamento pr\u00f3ximo ao de pa\u00edses ricos torna o cen\u00e1rio brasileiro mais preocupante, avalia Corano.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>13\u00ba n\u00e3o aliviou endividamento<\/h2>\n<p>Pedro Ricco, CEO do Delta Global Bank, afirma que ficaram para tr\u00e1s os tempos de maior consumo de lazer, viagens e forma\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio. \u201cNos \u00faltimos anos, com um mercado mais desafiador e com uma elevada carga de juros e de impostos, as fam\u00edlias se encontram muito apertadas&#8221;, explica.<\/p>\n<p>N\u00e3o surpreende, portanto, que a inadimpl\u00eancia permane\u00e7a elevada mesmo em janeiro, ap\u00f3s o pagamento do d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio. O indicativo \u00e9 de que a gratifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem sido suficiente para reduzir de forma mais significativa o endividamento. Para Ricco, as fam\u00edlias conseguem melhorar parcialmente as finan\u00e7as apenas ao longo do tempo, quando congelam o or\u00e7amento.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/02\/20134820\/endividamento-familias.jpg.webp\" \/><i>Emprego e 13\u00ba n\u00e3o t\u00eam sido suficientes para sanar endividamento das fam\u00edlias <\/i><\/p>\n<h2>Risco de superendividamento \u00e9 real<\/h2>\n<p>A pouca dissemina\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o financeira no pa\u00eds, somada \u00e0 escassez de recursos, faz com que o superendividamento seja um risco real. Thiago Oliveira, CEO da fintech Monest, afirma que, na m\u00e9dia, brasileiros costumam ter contas em cinco institui\u00e7\u00f5es financeiras diferentes.<\/p>\n<p>&#8220;Ou seja, o risco real de superendividamento fica camuflado&#8221;, aponta. Outra armadilha s\u00e3o as bets. Segundo ele, os consumidores da classe C passaram a ver o jogo como uma forma de mudar de classe social.<\/p>\n<p>&#8220;Na pr\u00e1tica, 57% dos endividados relatam* que seus problemas financeiros come\u00e7aram ap\u00f3s entrarem nas bets, e 44% chegam a apostar na tentativa desesperada de conseguir dinheiro para pagar seus d\u00e9bitos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><em>* Dados de pesquisa divulgada pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, em novembro de 2024.<\/em><\/p>\n<h2>Cr\u00e9dito consignado pode agravar d\u00edvidas<\/h2>\n<p>Medidas de expans\u00e3o de cr\u00e9dito aprovadas pelo governo Lula tamb\u00e9m podem trazer riscos adicionais. O consignado privado \u2013 ou &#8220;cr\u00e9dito do trabalhador&#8221;, como \u00e9 chamado pelo governo \u2013 \u00e9 um exemplo.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ada em mar\u00e7o de 2025, a modalidade movimentou R$ 52 bilh\u00f5es at\u00e9 janeiro de 2026. O volume \u00e9 inferior aos R$ 100 bilh\u00f5es estimados pelo governo para os tr\u00eas primeiros meses de vig\u00eancia.<\/p>\n<p>Se, por um lado, amplia o acesso ao cr\u00e9dito com a promessa de juros mais baixos, por outro pode incentivar uma nova rodada de endividamento para cobrir despesas correntes. Na avalia\u00e7\u00e3o de Elber Laranja, assim como outros programas de renegocia\u00e7\u00e3o, trata-se de solu\u00e7\u00e3o pontual, de alongamento de d\u00edvida, n\u00e3o estrutural.<\/p>\n<h2>Governo contribui para endividamento das fam\u00edlias<\/h2>\n<p>A gest\u00e3o Lula cumpre outro papel relevante na din\u00e2mica do endividamento das fam\u00edlias. Na vis\u00e3o dos especialistas, o principal fator por tr\u00e1s dos juros elevados \u00e9 a fragilidade da pol\u00edtica fiscal.<\/p>\n<p>Bruno Corano resume o quadro: sistema endividado, sens\u00edvel a juros, dependente de cr\u00e9dito e sustentado por uma pol\u00edtica fiscal fr\u00e1gil. &#8220;Historicamente, conjunturas assim n\u00e3o terminam bem&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Elber Laranja explica que, quando o governo amplia gastos e a d\u00edvida cresce, o mercado exige pr\u00eamio de risco maior para financi\u00e1-lo, o que se traduz em juros mais altos. Assim, pol\u00edticas fiscais expansionistas, com subs\u00eddios, benef\u00edcios e cr\u00e9dito direcionado, exigem resposta mais dura da pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel evitar que a demanda gerada pela inje\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos se transforme em infla\u00e7\u00e3o \u2013 especialmente em um cen\u00e1rio de desemprego baixo. \u201cEnt\u00e3o, o brasileiro est\u00e1 empregado, mas sua renda j\u00e1 est\u00e1 comprometida h\u00e1 tempos&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil vive um paradoxo econ\u00f4mico: o desemprego est\u00e1 no menor n\u00edvel da s\u00e9rie hist\u00f3rica, mas o endividamento das fam\u00edlias&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":350804,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-355760","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/355760","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=355760"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/355760\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/350804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=355760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=355760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=355760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}