{"id":352287,"date":"2026-04-11T09:50:14","date_gmt":"2026-04-11T13:50:14","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=352287"},"modified":"2026-04-11T09:50:14","modified_gmt":"2026-04-11T13:50:14","slug":"o-perfil-de-quem-desistiu-do-brasil-e-busca-uma-vida-melhor-no-paraguai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=352287","title":{"rendered":"O perfil de quem desistiu do Brasil e busca uma vida melhor no Paraguai"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Brasileira, Gabriela Nascimento ganhava R$ 22 mil por m\u00eas como engenheira em Santa Catarina \u2014 e boa parte do sal\u00e1rio sumia em impostos. Em julho de 2025, ela cruzou a fronteira, comprou um terreno em Ciudad del Este e decidiu recome\u00e7ar a vida no Paraguai.<\/p>\n<p>&#8220;Percebi que poderia viver bem aqui. Estou regularizando meu registro para atuar na minha \u00e1rea. Comprei um terreno e vou construir minha casa&#8221;, resume.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o est\u00e1 sozinha. <strong>Mais de 263 mil brasileiros vivem no Paraguai<\/strong> \u2014 a terceira maior comunidade brasileira no mundo, atr\u00e1s apenas de Estados Unidos (com cerca de 2,08 milh\u00f5es de residentes) e Portugal (que re\u00fane aproximadamente 513 mil brasileiros). S\u00f3 em 2025, mais de 17 mil brasileiros obtiveram resid\u00eancia no pa\u00eds vizinho, conforme <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/parana\/brasileiros-fazem-fila-ciudad-del-este-residencia-paraguai\/\">mostrou reportagem da <strong>Gazeta do Povo<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Esse total, considerado um recorde, reflete uma migra\u00e7\u00e3o acelerada nos \u00faltimos anos, impulsionada por impostos que variam entre 10% e 14% do PIB (Produto Interno Bruto), contra 33% no Brasil, energia at\u00e9 60% mais barata e produtos como carros que custam metade do pre\u00e7o.<\/p>\n<p>O movimento migrat\u00f3rio pelo pa\u00eds vizinho n\u00e3o se limita \u00e0 busca pelo custo de vida mais baixo. Ag\u00eancias de regulariza\u00e7\u00e3o de imigrantes relatam que muitos brasileiros citam desconfian\u00e7a com a pol\u00edtica brasileira, preocupa\u00e7\u00e3o com as elei\u00e7\u00f5es e o peso da tributa\u00e7\u00e3o como motivos para atravessar a fronteira.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas querem seguran\u00e7a e melhores oportunidades. Tamb\u00e9m reclamam da tributa\u00e7\u00e3o e dos valores altos dos produtos b\u00e1sicos\u201d, afirma o empres\u00e1rio Vanderson Paris, que atua h\u00e1 dez anos regularizando brasileiros no Paraguai.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, ele atendia apenas empresas e ind\u00fastrias que chegavam no pa\u00eds pelo regime Maquila, modelo que permite a instala\u00e7\u00e3o de empresas estrangeiras no pa\u00eds, com uma s\u00e9rie de benef\u00edcios. O empres\u00e1rio conta que nos \u00faltimos dois anos cresceu a procura por regulariza\u00e7\u00e3o de documenta\u00e7\u00e3o pelos brasileiros que buscam oportunidade de emprego no Paraguai.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Cresce a busca de brasileiros pelo Paraguai e total pode ser bem maior que os registros oficiais<\/h2>\n<p>De acordo com estimativas do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, cerca de 254 mil brasileiros viviam no pa\u00eds em 2022, n\u00famero que subiu para 263,2 mil em 2023. Os dados fazem parte do levantamento anual \u201cComunidades Brasileiras no Exterior\u201d, elaborado pelo Itamaraty a partir de informa\u00e7\u00f5es das representa\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio ressalta que os n\u00fameros s\u00e3o estimativas, j\u00e1 que a chamada matr\u00edcula consular <strong>(registro volunt\u00e1rio feito por brasileiros nos consulados) n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria<\/strong>. Por isso, o total efetivo de brasileiros vivendo no exterior tem potencial de ser bem maior do que o registrado oficialmente.<\/p>\n<p>Uma das brasileiras que fez a mudan\u00e7a de pa\u00eds pesando o custo de vida foi Cristina Maria dos Santos, que mora h\u00e1 poucos meses em Ciudad del Este. &#8220;Quando voc\u00ea coloca tudo na ponta do l\u00e1pis, viver aqui acaba sendo mais leve do que no Brasil. Consigo trabalhar mais tranquila, com uma qualidade de vida que em S\u00e3o Paulo n\u00e3o tinha&#8221;, afirma ela.<\/p>\n<p>A empres\u00e1ria destaca que os pre\u00e7os no Paraguai s\u00e3o mais baixos que os do Brasil e que morando no pa\u00eds consegue fechar as contas no azul. &#8220;O pre\u00e7o de eletr\u00f4nicos, dos uniformes escolares, das mensalidades de universidades, tudo \u00e9 mais barato. Al\u00e9m disso, as contas b\u00e1sicas pesam menos: \u00e1gua e luz, no geral, s\u00e3o menores&#8221;, enumera.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2019\/06\/11153618\/3ea29f1edce7e9b29df86d6a8a549ef9-full.jpg\" \/><i>Movimento di\u00e1rio na fronteira entre Foz do Igua\u00e7u e Ciudad del Este reflete a rotina de muitos brasileiros que atravessam a divisa para trabalhar ou morar no Paraguai. (Foto: Albari Rosa\/Arquivo Gazeta do Povo)<\/i><\/p>\n<p>Dentro do Paraguai, a presen\u00e7a brasileira se concentra sobretudo em cidades pr\u00f3ximas \u00e0 fronteira ou em centros econ\u00f4micos importantes. <strong>Ciudad del Este<\/strong>, na regi\u00e3o que faz divisa com o Brasil, abriga a maior comunidade: cerca de 105 mil brasileiros. Na capital <strong>Assun\u00e7\u00e3o<\/strong>, a estimativa \u00e9 de 50 mil, enquanto <strong>Encarnaci\u00f3n<\/strong> re\u00fane aproximadamente 36 mil brasileiros.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Brasileira fala sobre diferen\u00e7as trabalhistas entre os pa\u00edses<\/h2>\n<p>L\u00edder de conte\u00fado de uma loja de eletr\u00f4nicos no Paraguai, a brasileira Ana Paula Rosa conhece bem as particularidades do mercado de trabalho paraguaio e usa as redes sociais para narrar como \u00e9 trabalhar no Paraguai. H\u00e1 seis anos, ela trabalha com <em>marketing<\/em> digital no pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p>Segundo Rosa, a experi\u00eancia trouxe crescimento profissional e novas oportunidades. \u201cFoi a escolha certa. Aprendi muita coisa e cresci muito profissionalmente. Ciudad del Este \u00e9 um mar de possibilidades e tem espa\u00e7o para todo mundo\u201d, diz.<\/p>\n<p>A especialista em <em>marketing<\/em> ressalta que o regime de trabalho no Paraguai \u00e9 diferente do brasileiro. A carga hor\u00e1ria semanal chega a 48 horas, e alguns benef\u00edcios comuns no Brasil, como vale-alimenta\u00e7\u00e3o e vale-transporte, n\u00e3o s\u00e3o obrigat\u00f3rios e muitas empresas n\u00e3o oferecem. \u201cAs leis trabalhistas s\u00e3o diferentes, ent\u00e3o vale pesquisar bem antes de tomar qualquer decis\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m particularidades curiosas do calend\u00e1rio laboral. Ana Paula conta que costuma trabalhar em feriados, mas recebe folga compensat\u00f3ria depois. Outro momento esperado pelos trabalhadores \u00e9 o chamado \u201cAguinaldo\u201d, equivalente ao 13\u00ba sal\u00e1rio pago no pa\u00eds. \u201cA gente espera o ano todo pelo Aguinaldo\u201d, brinca.<\/p>\n<p>As f\u00e9rias tamb\u00e9m seguem outra l\u00f3gica: s\u00e3o 12 dias por ano, podendo chegar a 30 dias apenas ap\u00f3s dez anos de trabalho na mesma empresa. Apesar das diferen\u00e7as, ela diz que a experi\u00eancia tem valido a pena e aconselha quem pensa em seguir o mesmo caminho a conhecer bem o mercado antes de se mudar. \u201cEntender como funciona a sua \u00e1rea aqui faz toda a diferen\u00e7a\u201d, afirma.<\/p>\n<h2>Impostos menores e taxa\u00e7\u00e3o simplificada atraem brasileiros ao Paraguai<\/h2>\n<p>O economista Emerson Esteves aponta itens que fazem o custo de vida ser menor no Paraguai do que no Brasil. &#8220;A energia el\u00e9trica no Paraguai \u00e9 mais barata que no Brasil. As tarifas podem ser de 40% a 60% menores que as praticadas no mercado brasileiro. O custo reduzido resulta de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores&#8221;, aponta o economista.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica binacional da <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/usina-itaipu\/\">Itaipu Binacional<\/a> atende cerca de 90% da demanda el\u00e9trica do pa\u00eds vizinho. &#8220;O sistema paraguaio n\u00e3o adota o modelo de bandeiras tarif\u00e1rias usado no Brasil&#8221;, compara ele.<\/p>\n<p>Esteves ressalta que a <strong>carga tribut\u00e1ria brasileira<\/strong> gira em torno de 33% do Produto Interno Bruto (PIB), <strong>uma das maiores entre pa\u00edses emergentes<\/strong>. No Paraguai, esse \u00edndice fica entre 10% e 14% do PIB. Isso permite ao governo manter impostos individuais mais baixos.<\/p>\n<p>&#8220;No Brasil, o Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica chega a 27,5%. J\u00e1 no Paraguai, o <em>Impuesto a la Renta Personal <\/em>(IRP) tem al\u00edquota m\u00e1xima de 10%. Essa diferen\u00e7a reduz significativamente o valor pago por quem tem renda mais alta&#8221;, aponta o economista.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a tribut\u00e1ria ajuda a explicar por que muitos produtos s\u00e3o mais baratos no pa\u00eds vizinho. &#8220;No Brasil, em um carro de R$ 100 mil, cerca de metade do valor corresponde a impostos. J\u00e1 no Paraguai, o mesmo modelo pode custar aproximadamente metade do pre\u00e7o, com incid\u00eancia tribut\u00e1ria em torno de 10%&#8221;, exp\u00f5e Esteves.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasileira, Gabriela Nascimento ganhava R$ 22 mil por m\u00eas como engenheira em Santa Catarina \u2014 e boa parte do sal\u00e1rio&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":352159,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-352287","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/352287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=352287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/352287\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/352159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=352287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=352287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=352287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}