{"id":348983,"date":"2026-04-10T05:02:00","date_gmt":"2026-04-10T09:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=348983"},"modified":"2026-04-10T05:02:00","modified_gmt":"2026-04-10T09:02:00","slug":"o-enquadramento-juridico-dos-ataques-contra-o-ira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=348983","title":{"rendered":"O enquadramento jur\u00eddico dos ataques contra o Ir\u00e3"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A escalada recente entre Israel, Estados Unidos e o Ir\u00e3 reacendeu um debate recorrente no direito internacional: em que circunst\u00e2ncias \u00e9 legal recorrer \u00e0 for\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es entre Estados. Desde a ado\u00e7\u00e3o da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em 1945, o sistema jur\u00eddico internacional parte de uma regra fundamental: o uso da for\u00e7a \u00e9, em princ\u00edpio, proibido. O artigo 2(4) da Carta estabelece essa proibi\u00e7\u00e3o como um dos pilares da ordem internacional contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Mas admite exce\u00e7\u00f5es. A principal delas est\u00e1 no artigo 51 da Carta, que reconhece o direito inerente de leg\u00edtima defesa individual ou coletiva quando ocorre um ataque armado contra um Estado \u2013 ou quando um ataque \u00e9 iminente e inevit\u00e1vel, situa\u00e7\u00e3o em que a resposta militar pode ser considerada necess\u00e1ria para prevenir uma agress\u00e3o prestes a ocorrer.<\/p>\n<p>Grande parte das discuss\u00f5es sobre os ataques contra o Ir\u00e3 tem sido conduzida dentro desse enquadramento cl\u00e1ssico do jus ad bellum \u2013 o conjunto de normas que regula quando o uso da for\u00e7a entre Estados \u00e9 permitido. No entanto, essa talvez n\u00e3o seja a lente jur\u00eddica mais adequada para analisar o caso atual.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/oriente-medio\/\">Oriente M\u00e9dio<\/a> tem sido marcado por um conflito armado prolongado envolvendo Israel e uma rede de grupos terroristas apoiados pelo Ir\u00e3, que atuam como seus \u201cproxies\u201d. Esses confrontos incluem ataques de foguetes, drones e outras opera\u00e7\u00f5es armadas realizadas por grupos como o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/hezbollah\/\">Hezbollah<\/a>, no L\u00edbano; o Hamas, na Faixa de Gaza; os Houthis, no I\u00eamen; e mil\u00edcias no Iraque.<\/p>\n<blockquote>\n<p> Visto que tratamos de um conflito armado que j\u00e1 est\u00e1 em curso, o direito internacional exige examinar como a guerra \u00e9 conduzida, e n\u00e3o necessariamente a legalidade inicial do uso da for\u00e7a<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>N\u00e3o estamos diante de um epis\u00f3dio isolado de uso da for\u00e7a que exigiria uma avalia\u00e7\u00e3o exclusivamente sob a \u00f3tica do jus ad bellum. Um conflito armado j\u00e1 existe e est\u00e1 em curso entre as partes \u2013 ainda que, em muitos momentos, de natureza indireta, h\u00edbrida e regionalizada.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a an\u00e1lise jur\u00eddica passa a ser guiada principalmente pelo jus in bello, que regula a condu\u00e7\u00e3o das hostilidades independentemente de quem iniciou o conflito. Nesse campo, a quest\u00e3o central deixa de ser apenas a legalidade do recurso \u00e0 for\u00e7a e passa a concentrar-se no cumprimento dos princ\u00edpios fundamentais do direito internacional humanit\u00e1rio: necessidade militar, distin\u00e7\u00e3o, proporcionalidade e precau\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A necessidade militar estabelece que o uso da for\u00e7a deve estar orientado para alcan\u00e7ar um objetivo militar leg\u00edtimo. O princ\u00edpio da distin\u00e7\u00e3o exige que ataques sejam dirigidos exclusivamente contra objetivos militares e n\u00e3o contra civis ou bens civis.<\/p>\n<p>Aqui emerge uma diferen\u00e7a entre as partes envolvidas no conflito. Israel e os Estados Unidos conduzem as opera\u00e7\u00f5es dentro dessa estrutura jur\u00eddica, adotando procedimentos como avisos pr\u00e9vios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o civil, sele\u00e7\u00e3o de alvos militares e revis\u00e3o jur\u00eddica das opera\u00e7\u00f5es, integrando os princ\u00edpios do direito internacional humanit\u00e1rio ao planejamento militar.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>J\u00e1 o padr\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o do regime do Ir\u00e3 \u2013 semelhante ao de diversos grupos terroristas que apoia \u2013 tem inclu\u00eddo ataques deliberados ou indiscriminados contra \u00e1reas civis, incluindo o lan\u00e7amento de m\u00edsseis e drones contra centros urbanos densamente povoados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Ir\u00e3 envia m\u00edsseis projetados para maximizar o impacto sobre \u00e1reas amplas, que se fragmentam no ar e espalham m\u00faltiplos proj\u00e9teis. M\u00e9todos dessa natureza entram em conflito direto com princ\u00edpios fundamentais do direito internacional humanit\u00e1rio, em especial a separa\u00e7\u00e3o clara entre alvos militares e popula\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Nesse contexto, visto que tratamos de um conflito armado que j\u00e1 est\u00e1 em curso, o direito internacional exige examinar como a guerra \u00e9 conduzida, e n\u00e3o necessariamente a legalidade inicial do uso da for\u00e7a.<\/p>\n<p><em><strong>Rafael Rozenszajn <\/strong>\u00e9 o primeiro porta-voz em portugu\u00eas das For\u00e7as de Defesa de Israel (FDI). Advogado especialista em direito internacional, major da reserva e autor do livro &#8220;Guerra de Narrativas&#8221;.<\/em><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escalada recente entre Israel, Estados Unidos e o Ir\u00e3 reacendeu um debate recorrente no direito internacional: em que circunst\u00e2ncias&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":348984,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-348983","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/348983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=348983"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/348983\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/348984"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=348983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=348983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=348983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}