{"id":347890,"date":"2026-04-09T10:06:36","date_gmt":"2026-04-09T14:06:36","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=347890"},"modified":"2026-04-09T10:06:36","modified_gmt":"2026-04-09T14:06:36","slug":"com-lula-juros-bancarios-atingem-o-maior-nivel-em-nove-anos-quem-paga-a-conta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=347890","title":{"rendered":"Com Lula, juros banc\u00e1rios atingem o maior n\u00edvel em nove anos. Quem paga a conta?"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A taxa m\u00e9dia de juros no Brasil atingiu 32,8% ao ano em janeiro \u2013 o maior patamar desde novembro de 2016, segundo o Banco Central (BC).<\/p>\n<p>Empresas e pessoas f\u00edsicas est\u00e3o pagando 7,8% a mais do que no in\u00edcio do governo Lula (PT), pressionados pela deteriora\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. E mesmo com uma <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/copom-reduz-taxa-selic\/\">leve redu\u00e7\u00e3o da Selic em mar\u00e7o<\/a>, especialistas alertam que os efeitos s\u00f3 chegar\u00e3o ao bolso ap\u00f3s seis a nove meses.<\/p>\n<p>O aperto atinge de forma mais dura as pessoas f\u00edsicas: a taxa m\u00e9dia chegou a 38% ao ano em janeiro deste ano \u2013 o maior patamar desde maio de 2017. Mas as empresas tamb\u00e9m sofrem, com juros de 21,4% ao ano, o maior custo em mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O reflexo j\u00e1 aparece na inadimpl\u00eancia: o \u00edndice m\u00e9dio do sistema financeiro atingiu 4,2% em janeiro, o maior n\u00edvel da s\u00e9rie hist\u00f3rica do Banco Central, iniciada em 2011.<\/p>\n<p>Os dados mostram uma deteriora\u00e7\u00e3o generalizada do cr\u00e9dito, cujo encarecimento n\u00e3o se explica apenas pela Selic. O spread banc\u00e1rio \u2013 diferen\u00e7a entre o que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram dos tomadores \u2013 atingiu 21,9 pontos percentuais em janeiro, o maior n\u00edvel desde abril de 2017.<\/p>\n<p>Como o custo de capta\u00e7\u00e3o permaneceu est\u00e1vel, a alta foi impulsionada pelo risco crescente: bancos cobram mais de quem pede emprestado porque confiam menos na capacidade de pagamento.<\/p>\n<p>Mesmo caro, o cr\u00e9dito tende a encolher: grandes institui\u00e7\u00f5es financeiras j\u00e1 sinalizam aumento da seletividade na concess\u00e3o de cr\u00e9dito ao longo de 2026, segundo M\u00f4nica Ara\u00fajo, economista-chefe da InvestSmart XP.<\/p>\n<p>Um dos principais motivos para a manuten\u00e7\u00e3o da Selic em n\u00edveis elevados \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o fiscal, que se deteriorou ao longo do terceiro mandato de Lula. Segundo Peterson Rizzo, gerente de rela\u00e7\u00e3o com investidores da gestora Multiplike, o descontrole fiscal funciona como freio que limita movimentos mais agressivos de queda nos juros.<\/p>\n<p>A taxa Selic pr\u00f3xima de 15% ao ano, o maior patamar em quase duas d\u00e9cadas, coloca o Brasil como o segundo pa\u00eds com os maiores juros reais do mundo: 9,23%, segundo a Lev Intelligence.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Contas p\u00fablicas no vermelho travam juros<\/h2>\n<p>As contas p\u00fablicas registram d\u00e9ficits desde novembro de 2014, no governo Dilma Rousseff. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o ocorreu entre o final de 2021 e o in\u00edcio de 2023, quando receitas extraordin\u00e1rias p\u00f3s-pandemia equilibraram temporariamente as contas.<\/p>\n<p>O problema se acentuou no terceiro mandato de Lula. Dos 36 meses at\u00e9 dezembro de 2025, as contas fecharam no vermelho em 29. O endividamento p\u00fablico saltou 7 pontos percentuais, atingindo 78,7% do PIB.<\/p>\n<p>E h\u00e1 perspectiva de agravamento fiscal, com proje\u00e7\u00e3o de d\u00edvida de 83,8% do PIB em 2026 e de 94,1% em 2030, segundo o boletim Focus do Banco Central. Na pr\u00e1tica, esse cen\u00e1rio restringe cortes mais agressivos na Selic, dando sobrevida aos juros altos.<\/p>\n<h2>Desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica abre janela estreita para cortes<\/h2>\n<p>A piora fiscal n\u00e3o foi suficiente para impedir o primeiro corte na Selic desde junho de 2024. Em mar\u00e7o, o Copom reduziu a taxa, de 15% para 14,75%, pressionado pela desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pela necessidade de evitar recess\u00e3o \u2013 ainda que o cen\u00e1rio fiscal recomendasse cautela.<\/p>\n<p>O crescimento do PIB em 12 meses desacelerou de 3,6% no primeiro trimestre de 2025 para 2,7% no terceiro trimestre, segundo o IBGE. Indicadores de alta frequ\u00eancia confirmam a tend\u00eancia: o <em>Monitor do PIB, <\/em>da FGV-Ibre, registrou em novembro taxa acumulada de 2,2% em 12 meses, sinalizando continuidade do arrefecimento.<\/p>\n<h2>Infla\u00e7\u00e3o impede al\u00edvio mais r\u00e1pido nos juros<\/h2>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses ficou em 4,4% em janeiro, dentro do intervalo de toler\u00e2ncia da meta, mas as medidas subjacentes de infla\u00e7\u00e3o \u2013 como servi\u00e7os e bens industriais \u2013 vieram acima do esperado.<\/p>\n<p>Segundo Pablo Spyer, conselheiro da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Corretoras de Valores (Ancord), o resultado mostra que &#8220;a desinfla\u00e7\u00e3o segue irregular e sujeita a ru\u00eddos&#8221;. Para ele, o dado n\u00e3o impede o ciclo de cortes da Selic, mas reduz o grau de conforto do Banco Central.<\/p>\n<p>Gabriel Gal\u00edpolo, presidente do BC, tem sido enf\u00e1tico: a pol\u00edtica monet\u00e1ria exige cautela, parcim\u00f4nia e &#8220;calibragem&#8221;. A mensagem ganha peso com o IPCA de janeiro, que mostra desinfla\u00e7\u00e3o irregular \u2013 cen\u00e1rio que ainda justifica postura defensiva e cortes de juros graduais.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A taxa m\u00e9dia de juros no Brasil atingiu 32,8% ao ano em janeiro \u2013 o maior patamar desde novembro de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":347232,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-347890","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/347890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=347890"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/347890\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/347232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=347890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=347890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=347890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}