{"id":338816,"date":"2026-04-04T19:49:52","date_gmt":"2026-04-04T23:49:52","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=338816"},"modified":"2026-04-04T19:49:52","modified_gmt":"2026-04-04T23:49:52","slug":"milagre-economico-o-que-esta-por-tras-do-desemprego-em-minima-historica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=338816","title":{"rendered":"Milagre econ\u00f4mico? O que est\u00e1 por tr\u00e1s do desemprego em m\u00ednima hist\u00f3rica no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/desemprego-5-8-fevereiro-6-2-milhoes-busca-trabalho\/\">taxa de desemprego em fevereiro<\/a> deste ano foi de 5,8%, segundo o IBGE. O n\u00famero \u00e9 o menor para o m\u00eas desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, mas o recorde esconde uma armadilha silenciosa, que \u00e9 a inatividade em massa.<\/p>\n<p>O baixo \u00edndice de desemprego n\u00e3o significa que todos que buscavam encontraram trabalho, mas que milh\u00f5es de brasileiros simplesmente deixaram de procurar uma ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A taxa de participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, que mede o percentual da popula\u00e7\u00e3o em idade ativa que est\u00e1 trabalhando ou procurando emprego, recuou para 61,9% em fevereiro. Isso \u00e9 0,3 ponto percentual abaixo de novembro de 2025 (62,2%) e 2 pontos percentuais abaixo do per\u00edodo pr\u00e9-pandemia (63,9%).<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, significa que uma parcela significativa saiu da for\u00e7a de trabalho, seja por sa\u00fade, falta de qualifica\u00e7\u00e3o, desalento \u2013 quando a pessoa desiste de procurar emprego por acreditar que n\u00e3o vai conseguir uma vaga \u2013 ou porque encontrou outras fontes de renda.<\/p>\n<p>Segundo o Ita\u00fa, caso a taxa de participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho estivesse no n\u00edvel da m\u00e9dia hist\u00f3rica (62,9%), o desemprego atual seria de 7,2%. Se estivesse no n\u00edvel pr\u00e9-pandemia, o desemprego seria de 8%. H\u00e1, portanto, um &#8220;desemprego disfar\u00e7ado&#8221;, ou seja, uma subutiliza\u00e7\u00e3o maior do que a taxa de desemprego sugere.<\/p>\n<h2>Bolsa Fam\u00edlia incentiva sa\u00edda do mercado de trabalho, diz FGV<\/h2>\n<p>Um fator relevante \u00e9 o aumento das transfer\u00eancias fiscais pelo governo Lula. Programas como Bolsa Fam\u00edlia, Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC) e P\u00e9 de Meia cresceram significativamente na gest\u00e3o atual.<\/p>\n<p>Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (Ibre-FGV), divulgado no segundo semestre de 2025, mostra que <strong>para cada duas fam\u00edlias que recebem o Bolsa Fam\u00edlia, uma sai da for\u00e7a de trabalho<\/strong>. O programa cresceu expressivamente desde a pandemia: o valor m\u00e9dio mais que triplicou, e o n\u00famero de fam\u00edlias atendidas teve forte aumento.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Subutiliza\u00e7\u00e3o cresce e j\u00e1 ultrapassa 16 milh\u00f5es de pessoas<\/h2>\n<p>A taxa de subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho subiu de 13,5% em novembro de 2025 para 14,1% em fevereiro de 2026. Isso representa cerca de 16,1 milh\u00f5es de brasileiros \u2014 675 mil a mais no per\u00edodo.<\/p>\n<p>A subutiliza\u00e7\u00e3o inclui desempregados, pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e aquelas que est\u00e3o dispon\u00edveis para trabalhar, mas n\u00e3o procuram emprego. \u00c9 um indicador mais amplo que o desemprego tradicional e revela melhor a press\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n<h2>Baixo desemprego exp\u00f5e gargalo de produtividade<\/h2>\n<p>O baixo \u00edndice de desemprego esconde outro problema: o pa\u00eds atingiu o pleno emprego t\u00e9cnico sem que a riqueza gerada por trabalhador tenha crescido na mesma velocidade.<\/p>\n<p>Falta m\u00e3o de obra qualificada em oito em cada dez setores, segundo estudo do Banco Daycoval. Com o mercado &#8220;apertado&#8221;, o Banco Central tem dificuldade em baixar os juros. A primeira queda em dois anos ocorreu neste m\u00eas, mas foi m\u00ednima: 0,25 ponto percentual, passando de 15% ao ano para 14,75%.<\/p>\n<p>Esse modelo de crescimento d\u00e1 sinais de esgotamento. A barreira agora n\u00e3o \u00e9 mais a falta de emprego, mas a falta de m\u00e3o de obra qualificada. Sem resolver esse gargalo estrutural, a infla\u00e7\u00e3o tende a permanecer alta, os juros se mant\u00eam elevados e o crescimento fica estagnado.<\/p>\n<p>Na ind\u00fastria, a falta de trabalhadores capacitados saltou de 5% em 2019 para 23% em 2024, segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI). \u00c9 o quarto maior problema do setor, atr\u00e1s apenas de impostos, juros e demanda. Para pequenas e m\u00e9dias empresas, o problema j\u00e1 \u00e9 o principal obst\u00e1culo ao crescimento.<\/p>\n<h2>Baixa qualifica\u00e7\u00e3o limita produtividade e crescimento<\/h2>\n<p>Esse descompasso n\u00e3o \u00e9 apenas conjuntural. Ele tem ra\u00edzes estruturais na baixa qualifica\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho brasileira. A CNI estima que tr\u00eas em cada cinco trabalhadores na ind\u00fastria precisar\u00e3o de requalifica\u00e7\u00e3o at\u00e9 2027, reflexo da baixa qualidade da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo o diretor de economia da entidade, M\u00e1rio S\u00e9rgio Telles, as empresas enfrentam dificuldades para elevar a produtividade porque os trabalhadores rec\u00e9m-contratados possuem \u201clacunas na forma\u00e7\u00e3o educacional\u201d.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da intelig\u00eancia artificial e da automa\u00e7\u00e3o, esse desafio se intensifica. As empresas demandam profissionais com maior capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, enquanto a forma\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel n\u00e3o acompanha esse ritmo.<\/p>\n<p>A falta de m\u00e3o de obra qualificada aparece, nesse cen\u00e1rio, como um dos principais entraves ao crescimento, limitando ganhos de produtividade e pressionando a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>O peso da informalidade no desemprego<\/h2>\n<p>A incapacidade de formar trabalhadores qualificados limita o crescimento do PIB, impedindo que a economia se desenvolva de forma sustent\u00e1vel sem ganhos de produtividade.<\/p>\n<p>A informalidade reflete esse gargalo estrutural. A taxa caiu levemente para 37,5% em fevereiro (38,3 milh\u00f5es de trabalhadores informais), contra 37,7% no trimestre anterior \u2014 uma melhora sazonal. Trabalhadores informais, em m\u00e9dia, possuem menor qualifica\u00e7\u00e3o e menor produtividade.<\/p>\n<p>Enquanto a economia demanda por talentos qualificados, milh\u00f5es permanecem presos em ocupa\u00e7\u00f5es informais de baixa renda, um desperd\u00edcio que agrava o gargalo.<\/p>\n<p>Segundo Adriana Beringuy, coordenadora da PNAD Cont\u00ednua do IBGE, a retra\u00e7\u00e3o da informalidade neste trimestre foi influenciada principalmente pela queda na constru\u00e7\u00e3o e em segmentos menos formalizados da ind\u00fastria e agricultura. Mas essa melhora \u00e9 superficial: sem investimento em educa\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o, a informalidade permanecer\u00e1 como v\u00e1lvula de escape para trabalhadores sem oportunidades no mercado formal.<\/p>\n<h2>Sal\u00e1rios sobem mais que produtividade e trazem infla\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O aumento real dos sal\u00e1rios impulsiona o consumo, mas tamb\u00e9m pressiona o custo do trabalho. O problema \u00e9 que os sal\u00e1rios est\u00e3o subindo mais r\u00e1pido do que a produtividade.<\/p>\n<p>A massa salarial ampliada cresceu acima de 4,5% em 2025, segundo o Ibre-FGV, sem ganhos equivalentes de efici\u00eancia. Em um mercado de trabalho apertado, a escassez de m\u00e3o de obra qualificada leva empresas a elevar sal\u00e1rios para reter talentos.<\/p>\n<p>Como o setor de servi\u00e7os \u00e9 intensivo em m\u00e3o de obra e a economia opera pr\u00f3xima da capacidade m\u00e1xima, esse aumento de custos \u00e9 rapidamente repassado ao consumidor, resultando em infla\u00e7\u00e3o persistente e mantendo o IPCA bem acima da meta de 3%. O mercado de trabalho, antes motor de crescimento, agora alimenta a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Press\u00e3o sobre infla\u00e7\u00e3o e juros deve continuar em 2026<\/h2>\n<p>L\u00edvio Ribeiro, Katherine Hennings e Matheus Rosa Ribeiro, pesquisadores do Ibre-FGV, projetam que o mercado de trabalho permanecer\u00e1 pressionado em 2026. A taxa m\u00e9dia de desemprego dever\u00e1 ficar em 5,9% \u2014 apenas um pouco acima do patamar de 2025. Esse ajuste ser\u00e1 m\u00ednimo, mantendo o mercado de trabalho apertado e a taxa de desemprego abaixo do n\u00edvel que pressiona a infla\u00e7\u00e3o durante todo o ano.<\/p>\n<p>O crescimento real da massa salarial ampliada dever\u00e1 ser levemente superior a 4,5% em 2026, constru\u00eddo sobre expans\u00f5es vigorosas nos anos anteriores. Com a isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda para rendimentos at\u00e9 R$ 5 mil, a disponibilidade de recursos \u00e0s fam\u00edlias pode ser ainda maior.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica aquece a demanda e complica o trabalho do BC. A infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, que acelerou para 6,0% ao final de 2025, permanece acima da meta de infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A taxa de desemprego em fevereiro deste ano foi de 5,8%, segundo o IBGE. 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