{"id":331533,"date":"2026-04-02T14:25:44","date_gmt":"2026-04-02T18:25:44","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=331533"},"modified":"2026-04-02T14:25:44","modified_gmt":"2026-04-02T18:25:44","slug":"rodovia-que-ficara-sem-novos-investimentos-federais-e-a-que-mais-registra-mortes-em-sc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=331533","title":{"rendered":"Rodovia que ficar\u00e1 sem novos investimentos federais \u00e9 a que mais registra mortes em SC"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A BR-101, rodovia federal mais perigosa de Santa Catarina, ficar\u00e1 sem novos <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/santa-catarina\/sem-consenso-com-governo-federal-br-101-em-santa-catarina-ficara-sem-novos-investimentos\/\">investimentos imediatos do governo federal<\/a>, ap\u00f3s o fracasso das negocia\u00e7\u00f5es para repactua\u00e7\u00e3o do contrato de concess\u00e3o da Arteris Litoral Sul no trecho norte do estado.<\/p>\n<p>O impasse encerrou anos de tratativas e mant\u00e9m a via sem perspectiva de obras estruturais no curto prazo, mesmo diante de \u00edndices elevados de acidentes com mortes e gargalos hist\u00f3ricos. Os principais impactos s\u00e3o a falta de previs\u00e3o de investimentos urgentes, como a constru\u00e7\u00e3o de t\u00faneis no trecho da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/santa-catarina\/tuneis-br-101-morro-dos-cavalos-pagos-via-pedagio\/?ref=veja-tambem\">regi\u00e3o do Morro dos Cavalos<\/a>, em Palho\u00e7a, e a amplia\u00e7\u00e3o de capacidade da rodovia entre os munic\u00edpios de Bigua\u00e7u e Garuva, na divisa com o Paran\u00e1.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Satura\u00e7\u00e3o da BR-101 compromete diretamente a efici\u00eancia das cadeias produtivas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Levantamento da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte (CNT) evidencia a dimens\u00e3o do problema. A BR-101 concentra mais da metade dos acidentes nas rodovias federais catarinenses: 4.219 acidentes em 2025 (51,6% do total).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 esta a rodovia que concentra o n\u00famero de mortes em decorr\u00eancia dos acidentes, totalizando 147 \u00f3bitos no \u00faltimo ano, o equivalente a 33,9% do total. As rodovias federais que cortam o estado catarinense registraram um total de 8.184 acidentes, com 434 mortes e 9.397 feridos \u2014 o equivalente a cinco mortes a cada 100 ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p>Conforme a CNT, o n\u00famero de ocorr\u00eancias est\u00e1 ligado ao comportamento dos motoristas e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da infraestrutura. Entre os tipos de acidentes, as colis\u00f5es s\u00e3o maioria \u2014 5.647, o correspondente a 69% dos casos, e 300 mortes. A principal causa de acidentes, ainda de acordo com o levantamento, \u00e9 a <strong>rea\u00e7\u00e3o tardia ou ineficiente do condutor<\/strong>.<\/p>\n<p>J\u00e1 as colis\u00f5es que provocam mortes est\u00e3o mais associadas a situa\u00e7\u00f5es de <strong>tr\u00e2nsito na contram\u00e3o<\/strong>. Em rela\u00e7\u00e3o aos problemas estruturais em rodovias federais catarinenses, o relat\u00f3rio da CNT aponta para:<\/p>\n<ul>\n<li>63,2% da extens\u00e3o com algum tipo de defici\u00eancia<\/li>\n<li>56,2% com problemas no pavimento<\/li>\n<li>50,1% com falhas de sinaliza\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>67,9% com defici\u00eancia na geometria da via<\/li>\n<li>26 pontos cr\u00edticos identificados nas rodovias.<\/li>\n<\/ul>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>BR-101 \u00e9 eixo central da economia e opera no limite da capacidade em SC<\/h2>\n<p>A BR-101 conecta o litoral catarinense aos principais mercados de Sul e Sudeste, sendo o principal corredor log\u00edstico do estado, essencial para o acesso aos portos e o escoamento da produ\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do presidente da C\u00e2mara de Transporte e Log\u00edstica da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Eg\u00eddio Martorano, a satura\u00e7\u00e3o da rodovia compromete diretamente a efici\u00eancia das cadeias produtivas. &#8220;Congestionamentos frequentes aumentam o tempo de deslocamento, o consumo de combust\u00edvel e a necessidade de maior gest\u00e3o log\u00edstica, reduzindo a efici\u00eancia das cadeias produtivas&#8221;.<\/p>\n<p>Conforme a Fiesc, os trechos mais cr\u00edticos se concentram em regi\u00f5es com forte press\u00e3o de tr\u00e1fego, como a <strong>Grande Florian\u00f3polis<\/strong> e o <strong>eixo entre Itapema e Joinville<\/strong>, onde a rodovia frequentemente opera pr\u00f3xima do limite. &#8220;A implanta\u00e7\u00e3o de terceiras faixas e vias marginais cont\u00ednuas, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o do uso direto das \u00e1reas lindeiras, s\u00e3o medidas essenciais para diminuir conflitos entre o tr\u00e1fego local e o de longa dist\u00e2ncia&#8221;, defende Martorano.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/11162616\/Morro-dos-Cavalos_Marcos-Ferreira.jpeg\" \/><i>Com o fim das discuss\u00f5es no TCU, BR-101 no norte de Santa Catarina n\u00e3o tem perspectiva de novas obras sob o atual contrato de concess\u00e3o. (Foto: M\u00e1rcio Ferreira\/Minist\u00e9rio dos Transportes)<\/i><\/p>\n<p>A Fiesc estima que gargalos na rodovia geraram perdas de R$ 14,6 bilh\u00f5es, refletindo atrasos, interrup\u00e7\u00f5es e aumento dos custos log\u00edsticos em diversos setores. Al\u00e9m disso, o custo total dos acidentes entre 2011 e 2025 chega a um c\u00e1lculo de R$ 17,9 bilh\u00f5es, sendo R$ 2,3 bilh\u00f5es associados \u00e0s mortes.<\/p>\n<p>Como solu\u00e7\u00e3o m\u00ednima para adequar a capacidade da via, a Fiesc defende a amplia\u00e7\u00e3o da infraestrutura com a implanta\u00e7\u00e3o de 191 quil\u00f4metros de faixas adicionais e 152 quil\u00f4metros de vias marginais, al\u00e9m de interven\u00e7\u00f5es em pontos cr\u00edticos e melhorias em trechos considerados inseguros para pedestres e ciclistas. Segundo o \u00f3rg\u00e3o representativo da ind\u00fastria, as medidas s\u00e3o essenciais para melhorar a fluidez, aumentar a seguran\u00e7a e propiciar mais efici\u00eancia log\u00edstica no estado.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Fim da repactua\u00e7\u00e3o trava obras e mant\u00e9m impasse at\u00e9 2033<\/h2>\n<p>A aus\u00eancia de novos investimentos est\u00e1 diretamente ligada ao encerramento da Comiss\u00e3o de Solu\u00e7\u00e3o Consensual no Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), conduzida pelo Minist\u00e9rio dos Transportes e pela Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A proposta previa a repactua\u00e7\u00e3o do contrato da Arteris Litoral Sul, com prorroga\u00e7\u00e3o da concess\u00e3o em troca da execu\u00e7\u00e3o imediata de obras estruturais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2025\/12\/22165125\/obras-de-infraestrutura-de-transportes-em-sc.jpg.webp\" \/><i>A Via Mar \u00e9 uma das obras vistas como priorit\u00e1rias para a log\u00edstica e a mobilidade catarinense.  (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Arteris Litoral Sul)<\/i><\/p>\n<p>Sem acordo, a concess\u00e3o segue v\u00e1lida at\u00e9 2033, mas limitada ao contrato original, o que restringe novos investimentos. Para o presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Empresas de Transporte de Carga e Log\u00edstica no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc), Dagnor Schneider, o desfecho confirma problemas apontados ao longo dos anos.<\/p>\n<p>&#8220;Acabou se confirmando aquilo que n\u00f3s prev\u00edamos. Uma rela\u00e7\u00e3o contratual da ANTT com a concession\u00e1ria que vinha com problemas, por conta das mais de 900 notifica\u00e7\u00f5es que a concession\u00e1ria recebeu durante o per\u00edodo de vig\u00eancia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O setor de transportes avalia que a situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 resultado de mais de uma d\u00e9cada sem avan\u00e7o nas obras consideradas priorit\u00e1rias. &#8220;O que estamos vivendo \u00e9 uma conta que estamos pagando h\u00e1, pelo menos, 11 anos&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com Schneider, uma lista com mais de 90 interven\u00e7\u00f5es foi apresentada ainda em 2015. &#8220;E nada foi feito, nenhuma obra foi entregue para os catarinenses&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da mobilidade, os impactos s\u00e3o econ\u00f4micos. A estimativa do presidente da Fetrancesc \u00e9 de preju\u00edzo anual de R$ 1,2 bilh\u00e3o por ano em perda de produtividade e consumo do \u00f3leo diesel. &#8220;O resultado s\u00e3o congestionamentos constantes, aumento no n\u00famero de acidentes e perdas de vida. Um dado que evidencia a urg\u00eancia de tratar a seguran\u00e7a vi\u00e1ria como prioridade&#8221;.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Solu\u00e7\u00f5es devem demorar e exigem medidas emergenciais<\/h2>\n<p>Com o fim das negocia\u00e7\u00f5es, cresce o risco de a rodovia permanecer anos sem investimentos de vulto em infraestrutura. Isso porque processos de nova concess\u00e3o ou reestrutura\u00e7\u00e3o contratual costumam ser longos.<\/p>\n<p>Diante disso, o setor defende a\u00e7\u00f5es emergenciais para reduzir acidentes e melhorar o fluxo. &#8220;Por isso defendemos que, paralelamente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma solu\u00e7\u00e3o estrutural de longo prazo, sejam executadas interven\u00e7\u00f5es emergenciais que possam melhorar a fluidez do tr\u00e1fego e reduzir os \u00edndices de acidentes no trecho&#8221;.<\/p>\n<p>Como alternativa estrutural, a Fetrancesc defende a constru\u00e7\u00e3o da <strong>Via Mar, rodovia paralela \u00e0 BR-101<\/strong>. A proposta busca redistribuir o fluxo e reduzir a sobrecarga do principal eixo log\u00edstico do estado. &#8220;Acreditamos que o projeto seja a \u00fanica alternativa para desafogar a BR 101 e melhorar a mobilidade de uma regi\u00e3o que est\u00e1 colapsada&#8221;.<\/p>\n<h2>ANTT informa que interven\u00e7\u00e3o adicional no trecho do Morro dos Cavalos est\u00e1 em an\u00e1lise t\u00e9cnica<\/h2>\n<p>Em resposta \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, a ANTT pontua que permanecem vigentes todas as obriga\u00e7\u00f5es contratuais da concession\u00e1ria Arteris Litoral Sul, respons\u00e1vel pela BR-101 em SC, mesmo ap\u00f3s o encerramento da Comiss\u00e3o de Solu\u00e7\u00e3o Consensual no \u00e2mbito do TCU.<\/p>\n<p>No que se refere aos investimentos na rodovia, a ANTT pontua que a constru\u00e7\u00e3o de t\u00faneis no trecho do Morro dos Cavalos, em Palho\u00e7a, n\u00e3o integra o escopo originalmente contratado, sendo considerada uma interven\u00e7\u00e3o adicional atualmente em an\u00e1lise t\u00e9cnica. &#8220;Entre as alternativas em avalia\u00e7\u00e3o est\u00e1 a possibilidade de reestrutura\u00e7\u00e3o contratual para viabilizar a solu\u00e7\u00e3o, incluindo eventual transfer\u00eancia desse segmento para outra concess\u00e3o&#8221;, diz o \u00f3rg\u00e3o federal.<\/p>\n<p>Como medida imediata, a ANTT informa que determinou \u00e0 concession\u00e1ria a ado\u00e7\u00e3o de provid\u00eancias para mitiga\u00e7\u00e3o dos riscos identificados no trecho do Morro dos Cavalos, com prioridade \u00e0 seguran\u00e7a vi\u00e1ria. &#8220;As demais interven\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias na rodovia, como a amplia\u00e7\u00e3o de capacidade entre Bigua\u00e7u e Garuva seguem em avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, considerando aspectos contratuais, operacionais e de viabilidade econ\u00f4mico-financeira&#8221;, acrescenta a ag\u00eancia.<\/p>\n<p>Em adendo, o \u00f3rg\u00e3o confirma que n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de aporte direto de recursos federais, tendo em vista que a rodovia est\u00e1 sob responsabilidade de uma empresa privada. &#8220;O modelo de concess\u00e3o \u00e9 estruturado, em regra, com base na remunera\u00e7\u00e3o por meio de tarifa de ped\u00e1gio, sendo eventuais reequil\u00edbrios e novos investimentos tratados no \u00e2mbito contratual&#8221;.<\/p>\n<p>A ANTT acrescenta que &#8220;considerando o est\u00e1gio atual da concess\u00e3o, investimentos de maior vulto demandam an\u00e1lise criteriosa, de modo a evitar impactos significativos na tarifa de ped\u00e1gio e assegurar a modicidade tarif\u00e1ria aos usu\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n<p><span>Atualiza\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>A vers\u00e3o inicial do texto recebeu complemento com a resposta da ANTT sobre os questionamentos feitos pela reportagem.<\/p>\n<p>Atualizado em 02\/04\/2026 \u00e0s 15:25<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A BR-101, rodovia federal mais perigosa de Santa Catarina, ficar\u00e1 sem novos investimentos imediatos do governo federal, ap\u00f3s o fracasso&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":330039,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-331533","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/331533","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=331533"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/331533\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/330039"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=331533"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=331533"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=331533"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}