{"id":330315,"date":"2026-04-02T14:10:27","date_gmt":"2026-04-02T18:10:27","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=330315"},"modified":"2026-04-02T14:10:27","modified_gmt":"2026-04-02T18:10:27","slug":"o-ira-esta-em-guerra-desde-1979","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=330315","title":{"rendered":"O Ir\u00e3 est\u00e1 em guerra desde 1979"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/04\/02150630\/HCfpli2W0AAdfUS.jpg.webp\" \/><span>O regime do Ir\u00e3 n\u00e3o alterna entre paz e guerra. Ele alterna entre formas diferentes de conduzir a mesma guerra (Foto: Abedin Taherkenareh\/EFE\/EPA)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Chamar o que est\u00e1 acontecendo no Ir\u00e3 de \u201cuma guerra que est\u00e1 se tornando longa\u201d \u00e9 um erro de conceito. O conflito atual n\u00e3o nasceu agora. O que existe \u00e9 uma guerra de 47 anos, iniciada em 1979, quando a Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica transformou a confronta\u00e7\u00e3o contra os Estados Unidos, Israel e a ordem ocidental em pol\u00edtica de Estado.<\/p>\n<p>A tomada da embaixada americana em Teer\u00e3 e os 444 dias de sequestro de diplomatas n\u00e3o foram um excesso de juventude revolucion\u00e1ria. Foi a inaugura\u00e7\u00e3o de um regime que escolheu a hostilidade permanente como instrumento de poder.<\/p>\n<p>O Ocidente, por\u00e9m, insiste em cometer o mesmo erro, que \u00e9 tratar como sendo guerra apenas o momento em que m\u00edsseis cruzam o c\u00e9u e bombas atingem alvos vis\u00edveis. Guerras de longo curso n\u00e3o se manifestam apenas por divis\u00f5es blindadas, invas\u00f5es convencionais ou bombardeiros, como vemos agora.<\/p>\n<p>Muitas vezes, elas se apresentam por meio de terrorismo, sabotagem, chantagem nuclear, mil\u00edcias terceirizadas, opera\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia e redes clandestinas de financiamento e log\u00edstica. No caso iraniano, essa sempre foi a l\u00f3gica.<\/p>\n<blockquote>\n<p>O regime n\u00e3o alterna entre paz e guerra. Ele alterna entre formas diferentes de conduzir a mesma guerra<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Essa \u00e9, em ess\u00eancia, a chave interpretativa para entender o que est\u00e1 acontecendo agora. \u00c9 por isso que a pergunta correta n\u00e3o \u00e9 se houve escalada nas \u00faltimas semanas. Claro que houve. A pergunta \u00e9: escalada dentro de qu\u00ea? E a resposta \u00e9 simples: dentro de um conflito cont\u00ednuo que o Ocidente, por conveni\u00eancia ou covardia, muitas vezes fingiu n\u00e3o enxergar.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3 construiu, ao longo de d\u00e9cadas, um modelo de proje\u00e7\u00e3o de poder relativamente barato, resiliente e dif\u00edcil de desmontar por completo: Hezbollah no L\u00edbano, houthis no I\u00eamen, c\u00e9lulas e operadores em diferentes continentes (inclusive no Brasil), al\u00e9m da simbiose entre aparato estatal, Guarda Revolucion\u00e1ria, crime, contrabando e ideologia.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de influ\u00eancia regional. Trata-se de uma arquitetura internacional de guerra assim\u00e9trica. Por isso, quando se fala em \u201cevitar a guerra\u201d, muitas vezes o que se quer dizer, na pr\u00e1tica, \u00e9 permitir que essa guerra continue existindo em sua forma mais conveniente para Teer\u00e3: invis\u00edvel para o grande p\u00fablico, fragmentada o suficiente para n\u00e3o gerar resposta decisiva e letal o bastante para corroer advers\u00e1rios com baixo custo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina conhece bem essa din\u00e2mica. Os atentados contra a embaixada de Israel em Buenos Aires, em 1992, e contra a AMIA, em 1994, mostraram h\u00e1 muito tempo que a guerra iraniana n\u00e3o respeita geografia. Em 2024, a mais alta corte criminal da Argentina voltou a responsabilizar o Ir\u00e3 pelo atentado contra a AMIA, executado pelo Hezbollah dentro de um desenho estrat\u00e9gico iraniano.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Ataque global<\/h2>\n<p>Na semana passada, o governo argentino designou a Guarda Revolucion\u00e1ria Isl\u00e2mica como organiza\u00e7\u00e3o terrorista, refor\u00e7ando uma leitura que, em boa parte da regi\u00e3o, ainda \u00e9 tratada com a conveni\u00eancia de que \u201co melhor \u00e9 n\u00e3o mexer\u201d.<\/p>\n<p>Os iranianos j\u00e1 lideram ataques contra a embaixada americana em Beirute e contra instala\u00e7\u00f5es militares americanas e j\u00e1 tentaram superar o impacto que Osama Bin Laden causou com sua onda de atentados de 11 de setembro de 2001. Como o atentado n\u00e3o deu certo, pouca gente se lembra. Mas o Ir\u00e3 liderou um compl\u00f4 para atacar a infraestrutura de combust\u00edvel do aeroporto JFK, que tinha o potencial de alastrar explos\u00f5es por toda a regi\u00e3o em um efeito em cadeia brutal.<\/p>\n<p>O plano, desmantelado pelas autoridades americanas, mostrou que a guerra iraniana n\u00e3o se limitava a amea\u00e7as ret\u00f3ricas nem a palcos distantes. O caso revelou algo mais importante do que o atentado em si: a disposi\u00e7\u00e3o de operar por meio de redes remotas, agentes perif\u00e9ricos e estruturas dif\u00edceis de rastrear politicamente.<\/p>\n<p>Os terroristas eram da Guiana e tinham v\u00ednculos com as comunidades xiitas da Venezuela e do Brasil, mais especificamente de um centro isl\u00e2mico localizado em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o ponto que muita gente ainda se recusa a entender. O regime iraniano prefere a guerra em camadas, na penumbra, porque ela lhe permite manter a nega\u00e7\u00e3o, confundir democracias e explorar a fadiga e a vulnerabilidade do Ocidente, que gasta tempo brigando em torno de temas laterais e perde o foco no essencial, transformando tudo em briguinha pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Quando o presidente Donald Trump age, ent\u00e3o parte da esquerda passa a chamar a conten\u00e7\u00e3o de aventura imperial, e parte da direita, manobrada por Moscou, faz beicinho dizendo que Trump est\u00e1 a servi\u00e7o do lobby judaico.<\/p>\n<p>Se Israel entra em cena, setores da direita e da esquerda transformam o agressor em v\u00edtima e a resposta em causa do conflito. O inimigo deixa de ser um regime revolucion\u00e1rio que h\u00e1 quase meio s\u00e9culo usa terror, proxies e coer\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<p>Nesse mundo polarizado e de l\u00f3gica invertida, s\u00e3o os ocidentais que s\u00e3o vistos como agressores e geradores de instabilidade. Essa distor\u00e7\u00e3o vai da esquerda antiamericana a segmentos da direita<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em vez de se discutir como encerrar ou reduzir uma guerra longa imposta pelo Ir\u00e3, discute-se como deslegitimar quem reage a ela. Em vez de compreender que a dissuas\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o da paz, vende-se a ideia de que toda demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a \u00e9 automaticamente belicista. N\u00e3o \u00e9. Em alguns momentos, a for\u00e7a n\u00e3o inaugura a guerra; ela tenta impedir que a guerra siga sendo travada apenas nas condi\u00e7\u00f5es do agressor.<\/p>\n<\/div>\n<h2>Voc\u00ea pode se interessar<\/h2>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O regime do Ir\u00e3 n\u00e3o alterna entre paz e guerra. 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