{"id":328253,"date":"2026-04-01T20:04:59","date_gmt":"2026-04-02T00:04:59","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=328253"},"modified":"2026-04-01T20:04:59","modified_gmt":"2026-04-02T00:04:59","slug":"como-a-guerra-contra-o-ira-pode-afetar-a-disputa-militar-dos-eua-com-a-china-e-a-russia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=328253","title":{"rendered":"Como a guerra contra o Ir\u00e3 pode afetar a disputa militar dos EUA com a China e a R\u00fassia"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A guerra de Israel e Estados Unidos contra o Ir\u00e3, que no fim de semana passado <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/um-mes-de-guerra-contra-o-ira-os-avancos-e-os-impasses-dos-eua-no-conflito\/\">completou um m\u00eas<\/a>, gera consequ\u00eancias que v\u00e3o al\u00e9m do campo de batalha, das quais a mais vis\u00edvel tem sido a alta dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e do g\u00e1s devido ao bloqueio quase total do estrat\u00e9gico Estreito de Ormuz pelo regime iraniano. Por esta passagem, transitavam cerca de 20% do petr\u00f3leo e do g\u00e1s natural liquefeito (GNL) do mundo antes da guerra.<\/p>\n<p>Entretanto, outros impactos j\u00e1 come\u00e7am a ser sentidos e podem influenciar a longo prazo a disputa tecnol\u00f3gica e militar de Washington com seus dois grandes antagonistas globais, a China e a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise recente do <em>think tank<\/em> Soufan Center apontou que os EUA podem enfrentar dificuldades na competi\u00e7\u00e3o com a China devido \u00e0 guerra no Ir\u00e3, que vem causando a<strong> interrup\u00e7\u00e3o de cadeias de suprimentos essenciais,<\/strong> como h\u00e9lio e enxofre liquefeito, destruindo ativos energ\u00e9ticos no Golfo P\u00e9rsico e <strong>comprometendo a extra\u00e7\u00e3o de minerais cr\u00edticos e o processamento de terras raras.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEmbora os impactos a longo prazo da guerra do Ir\u00e3 e da competi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica entre os EUA e a China ainda n\u00e3o estejam totalmente claros, a dura\u00e7\u00e3o das hostilidades ser\u00e1 um fator determinante\u201d, afirmou o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cA guerra do Ir\u00e3 evidenciou que os recursos naturais e a geografia n\u00e3o podem ser ignorados e que o poder industrial \u2014 desde a base at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o \u2014 definir\u00e1 os rumos nos pr\u00f3ximos anos\u201d, destacou o Soufan Center.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, o coronel da reserva do Ex\u00e9rcito brasileiro Marco Antonio de Freitas Coutinho, especialista em rela\u00e7\u00f5es internacionais e mestre em ci\u00eancia pol\u00edtica internacional, explicou que <strong>cada m\u00edssil Tomahawk, pilar do estoque militar americano, depende de pelo menos 18 minerais cr\u00edticos<\/strong>, muitos deles processados majoritariamente na China e alguns afetados diretamente pelas interrup\u00e7\u00f5es log\u00edsticas no Golfo P\u00e9rsico, entre eles, t\u00e2ntalo, prata, cobre, bismuto, f\u00f3sforo, tit\u00e2nio, molibd\u00eanio, cobalto, tungst\u00eanio e grafite.<\/p>\n<p>\u201cEsses materiais s\u00e3o indispens\u00e1veis para os sistemas que garantem a precis\u00e3o, a navegabilidade e a resist\u00eancia do m\u00edssil\u201d, afirmou Coutinho.<\/p>\n<p>O analista destacou que a China domina o processamento de terras raras e de v\u00e1rios metais cr\u00edticos empregados nesses sistemas, controla etapas essenciais da cadeia de valor e \u00e9 menos vulner\u00e1vel ao choque energ\u00e9tico devido \u00e0 sua matriz mais eletrificada e ao dom\u00ednio em tecnologias limpas. \u201cAl\u00e9m disso, pode ampliar sua influ\u00eancia no Golfo no p\u00f3s-conflito, oferecendo financiamento e reconstru\u00e7\u00e3o\u201d, disse Coutinho.<\/p>\n<p>\u201c<strong>A conclus\u00e3o \u00e9 que a capacidade dos Estados Unidos de sustentar opera\u00e7\u00f5es militares de alta intensidade depende de cadeias de suprimentos dominadas pela China.<\/strong> Assim, os efeitos da guerra no Ir\u00e3 n\u00e3o apenas criam dificuldades imediatas para Washington, mas tamb\u00e9m refor\u00e7am tend\u00eancias estruturais que favorecem a China no m\u00e9dio e longo prazo\u201d, alertou o especialista.<\/p>\n<h2>EUA disparam Tomahawks al\u00e9m da capacidade de reposi\u00e7\u00e3o, diz jornal<\/h2>\n<p>Especificamente sobre a quest\u00e3o dos Tomahawks, uma reportagem publicada na semana passada pelo jornal <em>The Washington Post<\/em> afirmou que os Estados Unidos dispararam mais de 850 m\u00edsseis desse tipo nas quatro primeiras semanas de conflito no Ir\u00e3, o que vem gerando preocupa\u00e7\u00f5es sobre escassez desses armamentos.<\/p>\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es do <em>think tank<\/em> Centro de Estudos Estrat\u00e9gicos e Internacionais (CSIS, na sigla em ingl\u00eas), o Pent\u00e1gono tem contratos com empresas que preveem uma taxa m\u00e1xima de produ\u00e7\u00e3o de 2.330 Tomahawks anualmente. Por\u00e9m, as For\u00e7as Armadas dos EUA s\u00f3 compram efetivamente cerca de 90 m\u00edsseis desse tipo por ano.<\/p>\n<p>Kelly Grieco, pesquisadora s\u00eanior do Stimson Center, disse em entrevista \u00e0 emissora CBS News que a estimativa \u00e9 que o <strong>Pent\u00e1gono tenha atualmente cerca de 3,1 mil m\u00edsseis Tomahawk em seu arsenal.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 reconhecido que n\u00e3o temos capacidade suficiente de ataque de longo alcance, por isso temos tentado aumentar esses estoques, mas continuamos a esgot\u00e1-los\u201d, disse Grieco.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>O impasse pode gerar repercuss\u00f5es na guerra na Ucr\u00e2nia, cujo presidente, Volodymyr Zelensky, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/como-e-por-que-a-ucrania-esta-ajudando-os-eua-na-guerra-contra-o-ira\/\">j\u00e1 manifestou preocupa\u00e7\u00e3o<\/a> sobre a possibilidade de falta de armamentos para serem repassados ou vendidos a Kiev para enfrentar a invas\u00e3o russa, que em fevereiro completou quatro anos.<\/p>\n<p>Em entrevista recente \u00e0 BBC, o presidente ucraniano argumentou que para o ditador russo, Vladimir Putin, \u201cuma longa guerra no Ir\u00e3 \u00e9 uma vantagem\u201d, porque, al\u00e9m de estar elevando os pre\u00e7os da energia (petr\u00f3leo e g\u00e1s s\u00e3o os principais produtos de exporta\u00e7\u00e3o russos, e os EUA suspenderam parcialmente san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia nessa \u00e1rea),<strong> o conflito pode \u201cesgotar\u201d reservas americanas de armamentos \u2013 comprometendo as vendas e repasses para aliados como a Ucr\u00e2nia.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOs Estados Unidos produzem de 60 a 65 m\u00edsseis [de v\u00e1rios tipos] por m\u00eas. Imagine, 65 m\u00edsseis por m\u00eas equivalem a cerca de 700 a 800 m\u00edsseis produzidos anualmente. E s\u00f3 no primeiro dia da guerra no Oriente M\u00e9dio, 803 m\u00edsseis foram usados\u201d, disse Zelensky, que projetou que \u201cdefinitivamente\u201d haver\u00e1 um d\u00e9ficit de m\u00edsseis Patriot no futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<h2>Rubio admite que armas podem deixar de ser repassadas para a Ucr\u00e2nia<\/h2>\n<p>Em entrevista coletiva em Paris na sexta-feira passada (27), o secret\u00e1rio de Estado americano, Marco Rubio, admitiu que armas podem deixar de ser entregues \u00e0 Ucr\u00e2nia, para que sejam utilizadas na atual guerra no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>O chanceler disse que por enquanto isso n\u00e3o aconteceu, mas caso realmente ocorra, n\u00e3o se poderia falar em \u201carmas desviadas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEssas armas s\u00e3o nossas; s\u00e3o vendas\u201d, afirmou, citando as vendas militares para a Ucr\u00e2nia que est\u00e3o sendo pagas pela Otan.<\/p>\n<p>\u201cDeixe-me ser claro, se os Estados Unidos t\u00eam uma necessidade militar, seja para reabastecer nossos estoques ou para cumprir alguma miss\u00e3o de interesse nacional dos Estados Unidos, sempre teremos prioridade quando se trata de nossos recursos. Isso vale para todos os pa\u00edses do mundo, a menos que sejam pa\u00edses que n\u00e3o queiram sobreviver\u201d, alfinetou Rubio.<\/p>\n<p>Marco Antonio de Freitas Coutinho apontou que o caso dos Tomahawks ilustra como a capacidade industrial americana n\u00e3o tem acompanhado o ritmo de consumo, j\u00e1 que o volume desses m\u00edsseis empregado no primeiro m\u00eas de guerra equivale a anos de fabrica\u00e7\u00e3o acumulada.<\/p>\n<p>\u201cMesmo que o governo determine a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, a ind\u00fastria de defesa n\u00e3o consegue aumentar a oferta de forma imediata, pois depende de linhas de montagem especializadas, forma\u00e7\u00e3o de pessoal t\u00e9cnico altamente especializado, cria\u00e7\u00e3o de uma estrutura de fornecedores certificados de minerais cr\u00edticos n\u00e3o dependentes da China, e ciclos de manufatura que n\u00e3o podem ser abreviados\u201d, disse o analista, citando o risco de esgotamento de estoques.<\/p>\n<p>Publicamente, <strong>o governo dos EUA n\u00e3o admite essa preocupa\u00e7\u00e3o<\/strong>. \u201c[As for\u00e7as armadas dos EUA] t\u00eam tudo o que precisam para executar qualquer miss\u00e3o no momento e local escolhidos pelo presidente [Donald Trump] e em qualquer cronograma\u201d, disse Sean Parnell, porta-voz do Pent\u00e1gono, em resposta \u00e0 reportagem do Washington Post.<\/p>\n<p>Ele acusou a imprensa americana de ser \u201ctendenciosa e obcecada em retratar as for\u00e7as armadas mais poderosas do mundo como fracas\u201d.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra de Israel e Estados Unidos contra o Ir\u00e3, que no fim de semana passado completou um m\u00eas, gera&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":328254,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-328253","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/328253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=328253"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/328253\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/328254"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=328253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=328253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=328253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}