{"id":327981,"date":"2026-04-01T11:35:37","date_gmt":"2026-04-01T15:35:37","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=327981"},"modified":"2026-04-01T11:35:37","modified_gmt":"2026-04-01T15:35:37","slug":"artemis-ii-o-que-o-agro-brasileiro-tem-a-ver-com-a-nova-missao-da-nasa-a-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=327981","title":{"rendered":"Artemis II: o que o agro brasileiro tem a ver com a nova miss\u00e3o da Nasa \u00e0 Lua"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Uma rede brasileira de pesquisadores liderada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) ter\u00e1 uma raz\u00e3o especial para acompanhar a decolagem do foguete SLS, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/artemis-ii-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-missao-que-levara-o-homem-de-volta-a-lua\/\">da miss\u00e3o Artemis II<\/a>, da Centro Espacial Kennedy, na Fl\u00f3rida (EUA), nesta quarta-feira (1\u00ba) a partir das 19h24 (hor\u00e1rio de Bras\u00edlia).<\/p>\n<p>O voo da Nasa que levar\u00e1 quatro astronautas, a bordo da c\u00e1psula Orion, pela primeira vez \u00e0 \u00f3rbita da Lua em mais de meio s\u00e9culo, servir\u00e1 de laborat\u00f3rio cr\u00edtico para validar a sobreviv\u00eancia humana de forma permanente fora da prote\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico terrestre.<\/p>\n<p>O sucesso da jornada representar\u00e1 uma importante etapa para a instala\u00e7\u00e3o, em longo prazo, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/nasa-lanca-missao-que-abre-caminho-para-retorno-permanente-do-homem-na-lua\/\">de bases em solo lunar e at\u00e9 de Marte<\/a> \u2013 um projeto que depende diretamente da expertise da agricultura tropical brasileira, desenvolvida ao longo das \u00faltimas cinco d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que entra a rede de pesquisa Space Farming Brazil, coordenada pela agr\u00f4noma Alessandra F\u00e1vero e que re\u00fane dezenas de cientistas de 22 institui\u00e7\u00f5es, entre as quais, a Embrapa, o Instituto Agron\u00f4mico de Campinas (IAC), o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP (Esalq), ambos da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>O grupo representa o Brasil no Acordo Artemis e trabalha para resolver um desafio que permitir\u00e1 a expans\u00e3o territorial da presen\u00e7a humana para al\u00e9m dos limites planet\u00e1rios: como produzir alimentos em ambientes de radia\u00e7\u00e3o extrema, microgravidade e aus\u00eancia total de solo f\u00e9rtil?<\/p>\n<p>A viabilidade de uma base permanente na Lua, como a planejada pela Nasa a um custo adicional de US$ 20 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos sete anos, depende da resposta a essa pergunta. Hoje o transporte de um quilo de alimento da Terra para a Lua tem um custo proibitivo de aproximadamente US$ 1 milh\u00e3o, o que torna fundamental a produ\u00e7\u00e3o local de vegetais.<\/p>\n<p>\u201cComo o Brasil \u00e9 internacionalmente reconhecido pela pesquisa agr\u00edcola, vislumbrou-se a oportunidade de a Embrapa contribuir, pensando tamb\u00e9m no retorno \u00e0 sociedade brasileira de todas as tecnologias que ser\u00e3o desenvolvidas no decorrer dos trabalhos\u201d, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/agronegocio\/agricultura-espacial-sementes-plantas-espaco\/\">contou Alessandra recentemente \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Estabelecido em 2020 com o objetivo final de colonizar a Lua e, em longo prazo, tamb\u00e9m Marte, o Acordo Artemis foi iniciado pela Nasa e o Departamento de Estado dos EUA em parceria com empresas de voo espacial comercial e parceiros internacionais. Inicialmente o acordo envolvia oito pa\u00edses, mas atualmente conta com 61 na\u00e7\u00f5es signat\u00e1rias \u2013 o Brasil aderiu \u00e0 iniciativa em 2021.<\/p>\n<h2>Pesquisas em agricultura espacial simulam cultivo em ambientes extraterrestres<\/h2>\n<p>Testes realizados pela Esalq\/USP, em Piracicaba (SP), utilizando equipamentos especiais e CubeSats (sat\u00e9lites em miniatura) mostram que, em diferentes condi\u00e7\u00f5es de gravidade, as plantas entram em estresse significativo, comprometendo a produtividade.<\/p>\n<p>Com a simula\u00e7\u00e3o desses ambientes na Terra, \u00e9 poss\u00edvel prever formas de viabilizar a agricultura em esta\u00e7\u00f5es espaciais. A radia\u00e7\u00e3o ionizante c\u00f3smica exige que os cultivos estejam protegidos por inv\u00f3lucros com materiais capazes de absorver as ondas.<\/p>\n<p>O solo da Lua, chamado de regolito, \u00e9 rico em alum\u00ednio e ferro e extremamente pobre em nutrientes, o que exige, em princ\u00edpio, a utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas como aeroponia e hidroponia, que dispensam o uso de solo, at\u00e9 que se consiga adaptar o cultivo \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de superf\u00edcie dos diferentes corpos celestes.<\/p>\n<p>Em dezembro passado, uma equipe da Embrapa realizou sua primeira miss\u00e3o espacial an\u00e1loga no Habitat Marte, uma instala\u00e7\u00e3o de infraestrutura avan\u00e7ada localizada em Cai\u00e7ara do Rio do Vento (RN). Durante a empreitada, pesquisadores da Embrapa Hortali\u00e7as montaram experimentos com tomates utilizando sistemas hidrop\u00f4nicos e aerop\u00f4nicos.<\/p>\n<p>O uso de sensores de Internet das Coisas (IoT) permitiu o monitoramento remoto das plantas, testando a capacidade de gest\u00e3o automatizada que ser\u00e1 exigida em uma estufa lunar, onde a interven\u00e7\u00e3o humana direta deve ser minimizada para economizar o tempo dos astronautas.<\/p>\n<p>Os sistemas de ciclo fechado testados no Habitat Marte demonstraram a capacidade de economizar at\u00e9 80% de \u00e1gua e nutrientes, tecnologia que tem ainda o potencial de servir \u00e0 agricultura familiar em regi\u00f5es que sofrem com a irregularidade de chuvas e o avan\u00e7o da desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Pesquisas brasileiras j\u00e1 chegaram ao espa\u00e7o em voos suborbitais e orbitais<\/h2>\n<p>Em abril do ano passado, a rede Space Farming Brazil estabeleceu um marco ao enviar sementes de gr\u00e3o-de-bico e mudas de batata-doce ao espa\u00e7o, na miss\u00e3o NS-31 da Blue Origin, empresa comercial pertencente ao bilion\u00e1rio americano Jeff Bezos, tamb\u00e9m fundador e CEO da Amazon.<\/p>\n<p>Durante cerca de cinco minutos, os alimentos ficaram expostos a um ambiente de microgravidade, com o objetivo de, ao retornarem \u00e0 Terra, passarem por an\u00e1lise gen\u00e9tica a fim de se identificar par\u00e2metros para o desenvolvimento do cultivo espacial.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Na miss\u00e3o espacial mais recente, em agosto, os pesquisadores brasileiros enviaram sementes de interesse nacional, como de morango, orqu\u00eddeas e grama-batatais (<em>Paspalum notatum<\/em>) para a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Mais para frente, as pesquisas devem envolver ainda vegetais n\u00e3o necessariamente voltados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, mas para a produ\u00e7\u00e3o de fibras, biopl\u00e1stico, biomassa, f\u00e1rmacos e outros derivados essenciais para a manuten\u00e7\u00e3o da vida humana fora da Terra.<\/p>\n<h2>Astronautas da Artemis II ser\u00e3o tamb\u00e9m \u201ccobaias\u201d de experimentos<\/h2>\n<p>Embora n\u00e3o transporte hortas espaciais, a miss\u00e3o Artemis II servir\u00e1 como etapa anterior ao desenvolvimento de um ambiente para sobreviv\u00eancia humana fora da Terra. Al\u00e9m de astronautas, os quatro tripulantes ser\u00e3o tamb\u00e9m \u201ccobaias\u201d de pesquisa biol\u00f3gica em ambiente de radia\u00e7\u00e3o profunda.<\/p>\n<p>O destaque cient\u00edfico da jornada \u00e9 a investiga\u00e7\u00e3o AVATAR (<em>A Virtual Astronaut Tissue Analog Response<\/em>), que utiliza chips que cont\u00eam c\u00e9lulas dos pr\u00f3prios astronautas para monitorar como a radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica e a microgravidade afetam a medula \u00f3ssea e o sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Outros estudos biol\u00f3gicos a bordo incluem o ARCHeR, que avalia padr\u00f5es de sono e desempenho cognitivo sob o estresse do isolamento, e a coleta de saliva para identificar biomarcadores que sinalizam altera\u00e7\u00f5es imunol\u00f3gicas causadas pelo ambiente de espa\u00e7o profundo.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Por se tratar de um voo de teste de dez dias, a carga \u00fatil da c\u00e1psula Orion foi otimizada para a seguran\u00e7a da tripula\u00e7\u00e3o, o que exige a aus\u00eancia de alimentos frescos e acabou excluindo experimentos de agricultura espacial desta vez. O card\u00e1pio dos astronautas ser\u00e1 composto exclusivamente por alimentos processados, termoestabilizados e reidrat\u00e1veis.<\/p>\n<p>A tripula\u00e7\u00e3o \u00e9 formada por <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/quem-sao-os-astronautas-da-missao-artemis-ii-que-marcara-o-retorno-do-homem-a-lua\/\">Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen<\/a>. Durante os dez dias previstos para a miss\u00e3o, o grupo testar\u00e1 sistemas de suporte \u00e0 vida que n\u00e3o podem ser plenamente replicados em \u00f3rbita baixa, onde a ISS goza da prote\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico terrestre.<\/p>\n<h2>Pouso e cultivo vegetal na superf\u00edcie lunar foi adiado para a miss\u00e3o Artemis IV<\/h2>\n<p>Depois de conclu\u00edda a jornada que se inicia nesta quarta, a pr\u00f3xima miss\u00e3o do projeto est\u00e1 prevista para ser lan\u00e7ada em meados de 2027. Originalmente concebida para ser a miss\u00e3o de retorno do homem \u00e0 superf\u00edcie lunar, a Artemis III teve seu perfil alterado para reduzir riscos tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Agora, servir\u00e1 como um voo de teste em \u00f3rbita terrestre baixa, com foco em validar o acoplamento da c\u00e1psula Orion com os sistemas de pouso humano (<em>landers<\/em>) desenvolvidos pela SpaceX e pela Blue Origin, al\u00e9m de testar os novos trajes espaciais Axiom.<\/p>\n<p>Com isso, o pouso tripulado no solo lunar \u2014 o primeiro desde a \u00faltima miss\u00e3o Apollo, em 1972 \u2014 foi transferido para a Artemis IV, planejada para o in\u00edcio de 2028.<\/p>\n<p>De acordo com os planos da Nasa, a ideia \u00e9 transformar o polo sul do sat\u00e9lite natural da Terra em um canteiro de testes para a sustentabilidade da vida com o experimento Leaf (<em>Lunar Effects on Agricultural Flora<\/em>). Essa ser\u00e1 a primeira investiga\u00e7\u00e3o a monitorar a fotoss\u00edntese e as respostas fisiol\u00f3gicas de plantas \u2014 especificamente nabo (<em>Brassica rapa<\/em>), lentilha-d\u2019\u00e1gua (<em>Wolffia sp.<\/em>) e arabeta (<em>Arabidopsis thaliana<\/em>) \u2014 sob a gravidade de apenas um sexto da terrestre e a exposi\u00e7\u00e3o direta \u00e0 radia\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o profundo.<\/p>\n<p>Os astronautas ter\u00e3o o papel de fazendeiros lunares, posicionando a c\u00e2mara de cultivo automatizada no solo e ativando o fluxo h\u00eddrico para iniciar a germina\u00e7\u00e3o. As mudas resultantes ser\u00e3o coletadas e trazidas para laborat\u00f3rios terrestres para an\u00e1lises de desvios biomoleculares.<\/p>\n<p>O sucesso da horta lunar \u00e9 o que permitir\u00e1 \u00e0 Nasa e seus parceiros validar sistemas biorregenerativos capazes de sustentar tripula\u00e7\u00f5es em miss\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o e pavimentar o caminho tecnol\u00f3gico para a futura explora\u00e7\u00e3o de Marte.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma rede brasileira de pesquisadores liderada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) ter\u00e1 uma raz\u00e3o especial para acompanhar a&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":327488,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-327981","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/327981","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=327981"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/327981\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/327488"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=327981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=327981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=327981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}