{"id":316736,"date":"2026-03-28T15:03:53","date_gmt":"2026-03-28T19:03:53","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=316736"},"modified":"2026-03-28T15:03:53","modified_gmt":"2026-03-28T19:03:53","slug":"os-palacios-e-palacetes-que-contam-os-ciclos-de-desenvolvimento-economico-de-curitiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=316736","title":{"rendered":"Os pal\u00e1cios e palacetes que contam os ciclos de desenvolvimento econ\u00f4mico de Curitiba"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A erva-mate impulsionou a forma\u00e7\u00e3o da elite econ\u00f4mica de Curitiba em meados do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Os chamados \u201cbar\u00f5es da erva-mate\u201d ergueram resid\u00eancias amplas e sofisticadas, conhecidas como os pal\u00e1cios e palacetes da capital, alinhados ao padr\u00e3o de conforto e luxo da elite europeia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/H7ozD2alPDA1a3twUX7jw7\">Receba as principais not\u00edcias do Paran\u00e1 pelo WhatsApp<\/a><\/p>\n<p>De acordo com o historiador Marcelo Sutil, os casar\u00f5es hist\u00f3ricos da cidade revelam esse processo de forma\u00e7\u00e3o urbana. &#8220;Im\u00f3veis como o Palacete dos Le\u00f5es, a Casa Gomm, o Palacete Guimar\u00e3es e a Villa Odette re\u00fanem refer\u00eancias diretas aos ciclos da erva-mate e do caf\u00e9 e preservam caracter\u00edsticas arquitet\u00f4nicas de diferentes per\u00edodos&#8221;, ressalta o historiador.<\/p>\n<p>Parte desses espa\u00e7os abriga atividades culturais e institucionais, sem perder a fun\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia hist\u00f3rica na paisagem urbana. &#8220;Esses im\u00f3veis mostram como \u00e9 poss\u00edvel preservar a mem\u00f3ria urbana sem impedir novos usos, mantendo a relev\u00e2ncia hist\u00f3rica na cidade\u201d, afirma o arquiteto e urbanista F\u00e1bio Domingos Batista.<\/p>\n<h2>Palacete dos Le\u00f5es registra o auge do ciclo da erva-mate em Curitiba<\/h2>\n<p>O Palacete dos Le\u00f5es foi conclu\u00eddo em 1902 pelo engenheiro C\u00e2ndido de Abreu para servir de resid\u00eancia \u00e0 fam\u00edlia Le\u00e3o, fundadora da empresa Matte Le\u00e3o. De acordo com Domingos Batista, o im\u00f3vel abrigou por d\u00e9cadas os descendentes de Maria Clara Abreu de Le\u00e3o (irm\u00e3 de C\u00e2ndido) e Agostinho Ermelino de Le\u00e3o J\u00fanior.<\/p>\n<p>Segundo o arquiteto, o Palacete dos Le\u00f5es representa o auge econ\u00f4mico do ciclo da erva-mate ao reunir solu\u00e7\u00f5es construtivas modernas para a \u00e9poca e trabalhos artesanais de alto n\u00edvel, produzidos por artistas locais e estrangeiros.<\/p>\n<p>&#8220;Entre os elementos de destaque est\u00e3o os le\u00f5es do jardim, pe\u00e7as ornamentais importadas da F\u00e1brica Santo Ant\u00f4nio do Vale da Piedade, tradicional ind\u00fastria cer\u00e2mica localizada em Vila Nova de Gaia&#8221;, explica o urbanista.<\/p>\n<p>O palacete \u00e9 um exemplar do ecletismo arquitet\u00f4nico que Curitiba vivia nesse per\u00edodo. &#8220;O casar\u00e3o apresenta mistura de estilos arquitet\u00f4nicos, com elementos neocl\u00e1ssicos, barrocos e <em>art nouveau<\/em>. A estrutura inclui escadaria principal, terra\u00e7o, torre e escada lateral. A fachada re\u00fane pilastras, portas em arco pleno e ornamentos como capit\u00e9is cor\u00edntios, bala\u00fastres e medalh\u00f5es&#8221;, detalha o arquiteto.<\/p>\n<p>Atualmente, o espa\u00e7o pertence ao Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e funciona como centro cultural. Foi oficialmente tombado como Patrim\u00f4nio Cultural pelo estado do Paran\u00e1 em 17 de dezembro de 2003.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/19101225\/leoes.jpg.webp\" \/><i>O Palacete dos Le\u00f5es re\u00fane arquitetura ecl\u00e9tica e elementos que refletem o ciclo da erva-mate no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. (Foto: Ivonaldo Alexandre\/Gazeta do Povo\/Arquivo)<\/i><\/p>\n<h2>Casa Gomm preserva t\u00e9cnica inglesa rara e hist\u00f3ria social em Curitiba<\/h2>\n<p>O industrial ingl\u00eas Henry Blas Gomm e sua esposa Isabel Withers edificaram a Casa Gomm em 1913, no bairro Bigorrilho. O projeto utilizou madeira em toda a estrutura e adotou o sistema <em>balloon frame<\/em>. Domingos Batista explica que nesse modelo, os montantes de madeira v\u00e3o da base ao telhado em pe\u00e7a \u00fanica, ao contr\u00e1rio do modelo moderno, que ergue a estrutura por etapas.<\/p>\n<p>\u201cA Casa Gomm \u00e9 um exemplar bastante curioso em Curitiba, constru\u00eddo na d\u00e9cada de 1910. O sistema <em>balloon frame<\/em> era pouco comum no Paran\u00e1. O im\u00f3vel integrou uma \u00e1rea verde conhecida como Bosque Gomm e manteve intensa atividade social ao longo das d\u00e9cadas&#8221;, ressalta o arquiteto.<\/p>\n<p>O historiador Marcelo Sutil destaca que o espa\u00e7o era palco de grandes celebra\u00e7\u00f5es e muitas festas. &#8220;Entre os anos 1950 e 1960 a casa recebeu visitantes frequentes, durante o per\u00edodo em que Harry Gomm (filho de Henry) atuou como vice-c\u00f4nsul da Inglaterra na cidade&#8221;, relata o historiador.<\/p>\n<p>De acordo com o historiador, registros indicam que, na coroa\u00e7\u00e3o da rainha Elizabeth II, em 1953, a fam\u00edlia Gomm promoveu uma grande celebra\u00e7\u00e3o na resid\u00eancia. No ano seguinte, em 1954, a chegada em Curitiba da miss Brasil, Martha Rocha, tamb\u00e9m motivou um evento que reuniu a sociedade na casa da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia Gomm vendeu a propriedade na d\u00e9cada de 1980. No in\u00edcio dos anos 2000, equipes t\u00e9cnicas desmontaram e transferiram a casa cerca de 200 metros dentro do terreno original para viabilizar um empreendimento comercial. O im\u00f3vel abriga a Coordena\u00e7\u00e3o de Patrim\u00f4nio Cultural do Paran\u00e1 e recebeu tombamento em 1989.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/19101548\/Goom.jpg.webp\" \/><i>A Casa Gomm preserva t\u00e9cnica construtiva inglesa em madeira e tradi\u00e7\u00e3o social da elite curitibana do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. (Foto: Oriel Correa Neto\/Patrim\u00f4nio Cultural Paran\u00e1)<\/i><\/p>\n<h2>Castelo do Batel re\u00fane influ\u00eancia europeia e hist\u00f3ria pol\u00edtica em Curitiba<\/h2>\n<p>No bairro Batel, o cafeicultor e c\u00f4nsul honor\u00e1rio da Holanda, Luiz Guimar\u00e3es, iniciou em 1924 a constru\u00e7\u00e3o do Palacete Guimar\u00e3es, conhecido como Castelo do Batel. &#8220;Ele sonhava em trazer \u00e0 capital paranaense um pouco do requinte europeu que conheceu em suas viagens. O arquiteto Eduardo Fernandes Chaves assinou o projeto, inspirado em palacetes franceses do Vale do Loire&#8221;, detalha o historiador Marcelo Sutil.<\/p>\n<p>O historiador afirma que a obra utilizou materiais importados da Europa e se concluiu ap\u00f3s quatro anos. O im\u00f3vel recebeu personalidades como Assis Chateaubriand e os presidentes Juscelino Kubitschek, Eurico Gaspar Dutra, J\u00e2nio Quadros e Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um exemplar dos mais importantes e mais ricos que n\u00f3s temos aqui na cidade. Em 1947, serviu como resid\u00eancia do governador Moys\u00e9s Lupion&#8221;, afirma Sutil.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, o espa\u00e7o passou a sediar a TV Paranaense. Reformas realizadas nos anos 2000 adaptaram o im\u00f3vel para eventos, com preserva\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas originais. O tombamento estadual, realizado em 31 de janeiro de 1975, reconheceu o im\u00f3vel como patrim\u00f4nio cultural do Paran\u00e1.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/19102423\/castelodobatel.jpg.webp\" \/><i>O Palacete Guimar\u00e3es, conhecido como Castelo do Batel, destaca-se pela arquitetura inspirada em palacetes europeus e riqueza de detalhes. (Foto: Oriel Correa Neto\/Patrim\u00f4nio Cultural Paran\u00e1)<\/i><\/p>\n<h2>Villa Odette re\u00fane arquitetura europeia e conforto de elite no ciclo da erva-mate<\/h2>\n<p>A Villa Odette foi constru\u00edda entre 1923 e 1928, no Alto da Gl\u00f3ria, como encomenda da fam\u00edlia Le\u00e3o ao arquiteto Eduardo Fernando Chaves. A resid\u00eancia apresenta fachadas com elementos enxaimel, t\u00e9cnica de origem alem\u00e3, que utiliza estrutura de madeira aparente, e \u00e1rea constru\u00edda de 825 metros quadrados. O im\u00f3vel reflete a prosperidade associada ao ciclo da erva-mate na cidade.<\/p>\n<p>O arquiteto F\u00e1bio Domingos Batista explica a origem do nome Villa Odette. &#8220;Nesse per\u00edodo, as constru\u00e7\u00f5es seguiam o alinhamento do lote, sem afastamentos laterais. O conceito de vila, nesse caso, \u00e9 o de uma casa implantada em um amplo terreno ajardinado&#8221;, explica Domingos Batista.<\/p>\n<p>O im\u00f3vel \u00e9 distribu\u00eddo em dois pavimentos, com s\u00f3t\u00e3o e por\u00e3o. \u201cEle revela um padr\u00e3o de conforto muito acima da m\u00e9dia para o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, com solu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o eram comuns no Brasil naquele per\u00edodo, como v\u00e1rias lareiras e banheiros equipados com \u00e1gua quente e itens importados\u201d, afirma o historiador Marcelo Sutil.<\/p>\n<p>De acordo com o historiador, a casa continua como resid\u00eancia da fam\u00edlia Le\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/19103224\/00379257.jpg.webp\" \/><i>A Villa Odette destaca-se pelo estilo enxaimel e pela implanta\u00e7\u00e3o em amplo terreno ajardinado. (Foto: Jos\u00e9 Fernando Ogura\/Prefeitura de Curitiba)<\/i><\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A erva-mate impulsionou a forma\u00e7\u00e3o da elite econ\u00f4mica de Curitiba em meados do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX.&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":316737,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-316736","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/316736","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=316736"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/316736\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/316737"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=316736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=316736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=316736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}