{"id":303678,"date":"2026-03-22T08:35:56","date_gmt":"2026-03-22T12:35:56","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=303678"},"modified":"2026-03-22T08:35:56","modified_gmt":"2026-03-22T12:35:56","slug":"a-fazenda-brasileira-onde-sao-formados-cavalos-militares-enviados-ate-para-o-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=303678","title":{"rendered":"A fazenda brasileira onde s\u00e3o formados cavalos militares enviados at\u00e9 para o exterior"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Uma propriedade rural em S\u00e3o Borja, no extremo oeste do Rio Grande do Sul, na fronteira com a Argentina, abriga uma das maiores cria\u00e7\u00f5es de cavalos de ra\u00e7a do pa\u00eds. A \u00e1rea possui 15.362 hectares, aproximadamente 15 mil campos de futebol, o que corresponde a cerca de 5% do territ\u00f3rio do munic\u00edpio, e re\u00fane aproximadamente 1 mil animais.<\/p>\n<p>No local funciona a Coudelaria e Campo de Instru\u00e7\u00e3o de Rinc\u00e3o, que concentra o nascimento e a cria\u00e7\u00e3o dos equinos utilizados pelo Ex\u00e9rcito brasileiro. A palavra coudelaria deriva do termo \u201ccoudel\u201d, usado em Portugal para designar o capit\u00e3o de cavalaria. Diferente de haras, termo usado para propriedades privadas, a coudelaria \u00e9 associada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de equinos militares ou de propriedade estatal.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito amplo o empenho militar do cavalo, eles fazem parte do arsenal de guerra do ex\u00e9rcito. Os animais ganham destaque nos cerimoniais, mas tamb\u00e9m atuam no combate militar. Em muitas regi\u00f5es n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer a patrulha patrimonial a p\u00e9 ou com ve\u00edculo, ent\u00e3o nesses casos os cavalos s\u00e3o usados\u201d, conta o diretor da coudelaria, o coronel Leandro Sicorra Wilemberg.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Produ\u00e7\u00e3o de cavalos militares segue planejamento de cinco anos<\/h2>\n<p>A coudelaria entrega ao Ex\u00e9rcito cerca de 150 cavalos por ano, prontos para uso militar. O planejamento da produ\u00e7\u00e3o come\u00e7a cinco anos antes da entrega dos animais.<\/p>\n<p>No primeiro ano, a administra\u00e7\u00e3o define o planejamento financeiro que custeia a cria\u00e7\u00e3o. No segundo ano ocorre o emprenhamento das \u00e9guas. Os potros nascem 11 meses ap\u00f3s a insemina\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s tr\u00eas anos de cria\u00e7\u00e3o, os cavalos passam por doma e treinamento.<\/p>\n<p>A equipe t\u00e9cnica avalia linhagem gen\u00e9tica e desempenho f\u00edsico antes de definir o destino de cada animal. Em 2025, a coudelaria entregou 170 cavalos ao Ex\u00e9rcito. O volume representa, em m\u00e9dia, um animal domado e pronto para uso a cada dois dias.<\/p>\n<p>Entre as caracter\u00edsticas desejadas em um cavalo militar est\u00e3o pelagem uniforme, dorso forte e proporcional, pesco\u00e7o alongado, membros fortes e bem aprumados e boa capacidade cardiorrespirat\u00f3ria. Os animais tamb\u00e9m precisam demonstrar aptid\u00e3o desportiva e capacidade para patrulhamento ostensivo.<\/p>\n<p>&#8220;Esses animais s\u00e3o patrim\u00f4nio do governo. A produ\u00e7\u00e3o em m\u00e9dia custa R$ 7 mil. N\u00e3o realizamos venda, apenas doa\u00e7\u00e3o para os \u00f3rg\u00e3os que solicitam. Mas temos <strong>animais com gen\u00e9tica de grandes campe\u00f5es<\/strong>&#8220;, afirma Wilemberg.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/11220552\/cavalo_exercito_1.jpeg.webp\" \/><i>Coudelaria de Rinc\u00e3o cria ra\u00e7as como brasileiro de hipismo, puro-sangue ingl\u00eas, bret\u00e3o e cavalo crioulo para uso militar, esportivo e de patrulhamento. (Foto: Kauan da Silva\/Coudelaria de Rinc\u00e3o)<\/i><\/p>\n<h2>Cria\u00e7\u00e3o no RS atende for\u00e7as armadas de pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina<\/h2>\n<p>No Brasil, os cavalos militares cumprem diferentes fun\u00e7\u00f5es. Parte dos animais participa de atividades cerimoniais nos tr\u00eas regimentos de guarda do Ex\u00e9rcito em Bras\u00edlia, conhecidos como Drag\u00f5es da Independ\u00eancia. Unidades militares no Rio de Janeiro e em Porto Alegre tamb\u00e9m utilizam os equinos.<\/p>\n<p>Outra parcela atua no patrulhamento de campos de instru\u00e7\u00e3o e \u00e1reas militares. Os animais atendem \u00e0 Escola de Equita\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o de oficiais na pr\u00e1tica equestre e pelo incentivo ao hipismo brasileiro.<\/p>\n<p>A For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira, por sua vez, utiliza cavalos da coudelaria em atividades de patrulhamento. Pol\u00edcias militares de diversos estados solicitam equinos para policiamento ostensivo e para unidades de choque.<\/p>\n<p>O criat\u00f3rio mant\u00e9m ainda interc\u00e2mbios com For\u00e7as Armadas de pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, com troca de animais e material gen\u00e9tico. &#8220;Dentro do poss\u00edvel a gente consegue alinhar o desporto e a atividade militar. Temos bons resultados em campeonatos internacionais&#8221;, destaca o coronel Wilemberg.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Treinamento adapta caracter\u00edsticas de cada ra\u00e7a \u00e0s fun\u00e7\u00f5es militares <\/h2>\n<p>A coudelaria mant\u00e9m diferentes ra\u00e7as de cavalos com caracter\u00edsticas voltadas ao uso militar. Entre elas est\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>o brasileiro de hipismo (BH)<\/li>\n<li>o puro-sangue ingl\u00eas (PSI)<\/li>\n<li>o bret\u00e3o<\/li>\n<li>o cavalo crioulo<\/li>\n<li>o polo argentino.<\/li>\n<\/ul>\n<p>De acordo com a se\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da coudelaria, o BH apresenta forte aptid\u00e3o para equita\u00e7\u00e3o. O principal destaque do plantel de Rinc\u00e3o \u00e9 o cavalo brasileiro de hipismo. A propriedade militar mant\u00e9m mais de 800 exemplares da ra\u00e7a e lidera a cria\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>J\u00e1 o cavalo crioulo atende com frequ\u00eancia \u00e0s demandas de pol\u00edcias militares para patrulhamento ostensivo. O bret\u00e3o, por sua vez, exerce fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica na reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As \u00e9guas bret\u00e3s atuam como receptoras de embri\u00f5es de outras ra\u00e7as. A t\u00e9cnica permite o desenvolvimento gen\u00e9tico de diferentes linhagens. A coudelaria de Rinc\u00e3o figura entre os criat\u00f3rios pioneiros do Brasil nessa pr\u00e1tica e mant\u00e9m posi\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia na Am\u00e9rica Latina, enviando animais para a Argentina e o Paraguai.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s procuramos extrair de cada animal, independente da ra\u00e7a, o melhor resultado. Claro que alguns animais podem oferecer mais, temos casos de exemplares que ficaram na ativa por 30 anos. Outros, por raz\u00f5es individuais de sa\u00fade ou acidentes, podem ficar tempo menor, 15, 20 anos. Mas nosso trabalho \u00e9 buscar desenvolver cada um para desempenhar tanto o desporto quanto o uso militar&#8221;, afirma o tenente Lucas Melantonio, chefe da se\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da coudelaria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/11220739\/cavalo_exercito_treino.jpeg.webp\" \/><i>Coudelaria de Rinc\u00e3o entrega cerca de 150 cavalos por ano ao Ex\u00e9rcito, ap\u00f3s um processo de cria\u00e7\u00e3o e treinamento que come\u00e7a cinco anos antes da entrega dos animais. (Foto: Kauan da Silva\/Coudelaria de Rinc\u00e3o)<\/i><\/p>\n<h2>Cria\u00e7\u00e3o dos cavalos militares em S\u00e3o Borja completou 104 anos<\/h2>\n<p>De acordo com os registros hist\u00f3ricos da Coudelaria e Campo de Instru\u00e7\u00e3o de Rinc\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de cavalos para uso militar no Brasil come\u00e7ou no s\u00e9culo XVII, no per\u00edodo colonial, em Pernambuco. No Rio Grande do Sul, a primeira fazenda militar surgiu em 1737 com a Est\u00e2ncia Real de Bojuru.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XVIII, a \u00e1rea atual da coudelaria integrou a Est\u00e2ncia de S\u00e3o Gabriel, da Companhia de Jesus. Em 1843, o Estado incorporou as terras e as arrendou a fazendeiros. O territ\u00f3rio retornou ao Minist\u00e9rio da Guerra em 1891. Em 1922, o Rinc\u00e3o de S\u00e3o Gabriel tornou-se oficialmente a Coudelaria de Rinc\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao longo do s\u00e9culo XX, o Ex\u00e9rcito manteve v\u00e1rias propriedades de cria\u00e7\u00e3o. Em 1950, o pa\u00eds possu\u00eda nove coudelarias: Rinc\u00e3o (RS), Saycan (RS), Avelar (RJ), Campos (RJ), Pouso Alegre (MG), Monte Belo (MG), Tindiquera (PR), Campo Grande (MS) e Campinas (SP).<\/p>\n<p>A mecaniza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas reduziu a necessidade de cavalos. No in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial, em 1939 e 1940, o Ex\u00e9rcito possu\u00eda 22.810 equinos. Hoje, o efetivo soma 2.181 animais.<\/p>\n<p>Em 1975, o Ex\u00e9rcito extinguiu as coudelarias em atividade, inclusive a de Rinc\u00e3o, e transferiu os plant\u00e9is para Campinas. Em 1987, o Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito decidiu fechar a unidade paulista e recriar a coudelaria no Rio Grande do Sul, devido \u00e0 maior \u00e1rea dispon\u00edvel e \u00e0 press\u00e3o da expans\u00e3o urbana em Campinas. Desde janeiro de 1988, Rinc\u00e3o funciona como <strong>a \u00fanica coudelaria do Ex\u00e9rcito Brasileiro<\/strong>.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma propriedade rural em S\u00e3o Borja, no extremo oeste do Rio Grande do Sul, na fronteira com a Argentina, abriga&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":303550,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-303678","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/303678","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=303678"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/303678\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/303550"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=303678"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=303678"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=303678"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}