{"id":302086,"date":"2026-03-21T10:34:50","date_gmt":"2026-03-21T14:34:50","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=302086"},"modified":"2026-03-21T10:34:50","modified_gmt":"2026-03-21T14:34:50","slug":"o-negocio-que-cresce-a-quase-mil-metros-de-altitude-e-transforma-a-regiao-mais-fria-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=302086","title":{"rendered":"O neg\u00f3cio que cresce a quase mil metros de altitude e transforma a regi\u00e3o mais fria do Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Quando plantou as primeiras mudas de uva h\u00e1 quase 25 anos, no frio da serra catarinense, o empres\u00e1rio Everson Suzin apostava em um projeto incerto. Hoje, ele integra um setor que cresce acima de 900 metros de altitude e ajuda a consolidar a regi\u00e3o como refer\u00eancia nacional em vinhos finos \u2014 os chamados <strong>vinhos de altitude<\/strong>.<\/p>\n<p>O que parecia improv\u00e1vel no in\u00edcio dos anos 2000 \u2014 produzir r\u00f3tulos de alta qualidade em uma das regi\u00f5es mais frias do pa\u00eds \u2014 virou uma atividade sofisticada, em expans\u00e3o e com reconhecimento de mercado. A trajet\u00f3ria de Suzin acompanha a evolu\u00e7\u00e3o do setor.<\/p>\n<p>O investimento surgiu a partir de um movimento de empres\u00e1rios locais, incentivados por estudos t\u00e9cnicos e experi\u00eancias internacionais. \u201cA Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria e Extens\u00e3o Rural de Santa Catarina (Epagri) dizia que a regi\u00e3o tinha potencial. Meu pai foi para a It\u00e1lia, gostou do que viu, e eu ergui a bandeira do vinho\u201d, afirma o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>Sem conhecimento pr\u00e9vio, o caminho foi estudar. \u201cA gente n\u00e3o sabia nada, mas via potencial\u201d, conta. Ao longo dos anos, ele acumulou especializa\u00e7\u00f5es e at\u00e9 um mestrado em vitivinicultura. \u201c\u00c9 estudo cont\u00ednuo.\u201d<\/p>\n<p>Apesar da valoriza\u00e7\u00e3o, o retorno \u00e9 gradativo. \u201cO <em>payback<\/em> \u2014 tempo necess\u00e1rio para recuperar o capital investido \u2014 pode chegar a 12 ou 15 anos\u201d, afirma. Segundo Suzin, o diferencial est\u00e1 na agrega\u00e7\u00e3o de valor. \u201cProduzir s\u00f3 a uva n\u00e3o se paga como outras culturas. O ganho est\u00e1 no vinho \u2014 mas exige estrutura, investimento e marca&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/18163432\/vinhos-de-altitude-sc.jpeg.webp\" \/><i>Na serra catarinense, a produ\u00e7\u00e3o de vinhos de altitude combina clima rigoroso, t\u00e9cnica e investimento.  (Foto: Matheus Lu\u00eds Docema\/Acervo pessoal)<\/i><\/p>\n<p>A <strong>Vin\u00edcola Suzin<\/strong>, localizada em S\u00e3o Joaquim (SC), produz entre 90 e 105 toneladas de uva por ano, o que resulta entre 45 mil a 60 mil garrafas para vinifica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, conforme a safra. O restante da uva \u00e9 vendida para outras vin\u00edcolas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O principal risco segue sendo o clima. Geadas tardias podem comprometer toda a produ\u00e7\u00e3o. \u201cTivemos geada em novembro que destruiu o vinhedo inteiro\u201d, relata o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, \u00e9 esse ambiente que propicia a identidade do produto.<strong> A colheita tardia permite maior matura\u00e7\u00e3o das uvas<\/strong>. O resultado s\u00e3o vinhos com teor alco\u00f3lico elevado (at\u00e9 15,9%), boa acidez, taninos mais concentrados e maior intensidade de cor.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Altitude, frio e solo criam vinhos mais complexos<\/h2>\n<p>Os vinhos de altitude t\u00eam como diferencial a combina\u00e7\u00e3o de clima, solo e altitude. Segundo o pesquisador em fitotecnia da Epagri, Matheus Lu\u00eds Docema, o frio, a amplitude t\u00e9rmica e a radia\u00e7\u00e3o solar fazem com que a uva amadure\u00e7a mais lentamente. \u201cIsso favorece a <strong>concentra\u00e7\u00e3o de aromas<\/strong> e o <strong>equil\u00edbrio entre a\u00e7\u00facar e acidez<\/strong>\u201d, explica.<\/p>\n<p>Os solos rasos e pedregosos limitam a produtividade e elevam a qualidade da fruta. O ciclo mais longo da videira tamb\u00e9m contribui para vinhos mais estruturados e complexos. Entre as principais cultivares est\u00e3o Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Cabernet Franc, Montepulciano e Sangiovese, al\u00e9m de Sauvignon Blanc e Chardonnay.<\/p>\n<p>De acordo com a Epagri, Santa Catarina tem cerca de 40 propriedades vitivin\u00edcolas. Destas, 27 integram Vinhos de Altitude Produtores e Associados de Santa Catarina, que det\u00e9m a <strong>Indica\u00e7\u00e3o de Proced\u00eancia<\/strong> (IP), reconhecida em 2021 pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).<\/p>\n<p>As 27 propriedades somam aproximadamente 250 hectares de vinhedos em altitude e uma produ\u00e7\u00e3o anual pr\u00f3xima de 1 milh\u00e3o de garrafas. A certifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o abrange todos os produtores e exige regras rigorosas: uso exclusivo de <em>Vitis vinifera<\/em>, cultivo acima de 840 metros e limites de produtividade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 exig\u00eancias m\u00ednimas de matura\u00e7\u00e3o \u2014 12% de gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica potencial para tintos, 11,5% para brancos e 11% para rosados. O selo garante origem, qualidade e rastreabilidade.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Faturamento cresce 593% em uma d\u00e9cada<\/h2>\n<p>A vitivinicultura de altitude se consolidou como um vetor econ\u00f4mico relevante na serra catarinense. De acordo com dados da Associa\u00e7\u00e3o Vinhos de Altitude Produtores e Associados, as 27 vin\u00edcolas que integram a entidade geram cerca de 800 empregos diretos e indiretos.<\/p>\n<p>Em dez anos, a \u00e1rea plantada cresceu 315%, passando de 74,8 hectares, em 2013, para 235,5 hectares em 2023. O faturamento avan\u00e7ou 593% no per\u00edodo, passando de R$ 7,55 milh\u00f5es para R$ 44,81 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A efici\u00eancia tamb\u00e9m aumentou<\/strong>, com crescimento de 88% no faturamento por hectare. As vin\u00edcolas associadas est\u00e3o distribu\u00eddas pelos munic\u00edpios de S\u00e3o Joaquim, Videira, Urubici, Urupema, Campo Belo do Sul, Rancho Queimado e Bom Retiro. A produ\u00e7\u00e3o anual gira em torno de 1 milh\u00e3o de garrafas e quase triplicou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/18161958\/vinhos-de-altitude-santa-catarina-2.jpg.webp\" \/><i>A altitude e o clima da regi\u00e3o s\u00e3o a combina\u00e7\u00e3o para uma matura\u00e7\u00e3o lenta das uvas e vinhos com maior intensidade e estrutura. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Vin\u00edcola Suzin)<\/i><\/p>\n<p>A qualidade acompanha o avan\u00e7o. Nos \u00faltimos quatro anos, foram lan\u00e7ados 260 novos r\u00f3tulos, que somam cerca de 180 premia\u00e7\u00f5es. O enoturismo \u00e9 um dos principais motores desse crescimento e responde por 38% do faturamento \u2014 R$ 17,04 milh\u00f5es em 2023. Em 2024, 55 mil garrafas foram certificadas ap\u00f3s an\u00e1lises t\u00e9cnicas, refor\u00e7ando o padr\u00e3o de qualidade dos vinhos catarinenses.<\/p>\n<p>Um dos principais impulsionadores desse movimento \u00e9 a Vindima de Altitude de Santa Catarina, realizada h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada e que ocorre entre mar\u00e7o e maio, atraindo cerca de 50 mil visitantes por ano.<\/p>\n<p>O impacto se espalha pela economia regional. Hot\u00e9is e pousadas registram alta ocupa\u00e7\u00e3o fora da temporada de inverno, restaurantes ampliam a oferta e a qualifica\u00e7\u00e3o profissional abre novas oportunidades. \u201cA representatividade do setor vai al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o. H\u00e1 impacto direto na qualidade de vida, no surgimento de novos neg\u00f3cios e na forma\u00e7\u00e3o profissional\u201d, afirma Diego Censi, presidente da associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando plantou as primeiras mudas de uva h\u00e1 quase 25 anos, no frio da serra catarinense, o empres\u00e1rio Everson Suzin&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":301524,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-302086","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/302086","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=302086"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/302086\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/301524"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=302086"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=302086"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=302086"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}