{"id":301041,"date":"2026-03-21T05:01:00","date_gmt":"2026-03-21T09:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=301041"},"modified":"2026-03-21T05:01:00","modified_gmt":"2026-03-21T09:01:00","slug":"latas-de-conservas-a-estrategia-para-levar-o-conservadorismo-ao-esquecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=301041","title":{"rendered":"\u201cLatas de conservas\u201d: a estrat\u00e9gia para levar o conservadorismo ao esquecimento"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>O carnaval de 2026 j\u00e1 passou, mas n\u00e3o se pode deixar escapar as reflex\u00f5es que emergem dos acontecimentos na Sapuca\u00ed, especialmente dos arroubos travestidos de \u201cliberdade de express\u00e3o\u201d, quase sempre exercida de forma unilateral. Com dinheiro p\u00fablico financiando escolas de samba e, n\u00e3o raramente, recursos oriundos do tr\u00e1fico irrigando outras, a esb\u00f3rnia multiplicou-se. Em tempos de degenera\u00e7\u00e3o acentuada de parte da sociedade, sobretudo nos grandes centros, onde o evento se converte em espet\u00e1culo de massa, o carnaval deixou de ser apenas festa para tornar-se s\u00edntese simb\u00f3lica de um processo mais profundo. Essa degenera\u00e7\u00e3o foi refor\u00e7ada por uma cr\u00edtica sistem\u00e1tica ao conservadorismo, promovida por setores que sequer compreendem o que significa, em ess\u00eancia, ser conservador.<\/p>\n<p>Foi justamente o comportamento conservador em preservar o que funciona, o que sustenta, o que d\u00e1 coes\u00e3o, que permitiu que cheg\u00e1ssemos at\u00e9 aqui vivos, organizados e razoavelmente civilizados. Confundiu-se conservadorismo com engessamento, prud\u00eancia necess\u00e1ria com retrocesso, impingindo r\u00f3tulos inapropriados \u00e0 maioria silenciosa que deseja apenas trabalhar, constituir fam\u00edlia e viver sob o senso comum, esse acordo t\u00e1cito, n\u00e3o escrito, de normalidade comportamental, que tentaram \u201cenlatar\u201d simbolicamente. Tudo o que remete ao bom, ao belo, ao justo, ao \u00e9tico, ao correto, ao moral, ao sim\u00e9trico e ao sistemicamente organizado passou a ser tratado como s\u00edmbolo de um suposto patriarcado opressor. A pr\u00f3pria ideia de ordem foi convertida em acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a feiura deliberada, as formas assim\u00e9tricas, as est\u00e9ticas disformes e a exalta\u00e7\u00e3o do grotesco, nas artes visuais, na moda, na m\u00fasica, \u00e9 que passaram a ditar comportamentos. Uma cal\u00e7a jeans rasgada e artificialmente desgastada vale uma fortuna se acompanhada da etiqueta certa e da aura de algum \u00edcone do showbiz. O \u201cbad boy\u201d, estere\u00f3tipo romantizado da transgress\u00e3o, tornou-se admirado e desejado, relegando o bom mocismo \u00e0 caricatura. A \u201crebeldia feminina\u201d tamb\u00e9m foi cultivada, traindo a pr\u00f3pria natureza da mulher. Isso est\u00e1 em curso h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Chegamos a 2026 com um cen\u00e1rio que muitos descrevem como apocal\u00edptico e que promete ainda mais tens\u00f5es. A politiza\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo atingiu sua apoteose, inclusive com homenagens controversas financiadas pelo contribuinte<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A ruptura deixou de ser experimento art\u00edstico e tornou-se norma cultural. Desde as desconstru\u00e7\u00f5es cubistas de Picasso at\u00e9 o gesto bizarro e provocador de Duchamp com seu urinol invertido (1917), hoje associado ao circuito que consagrou obras no Louvre, a l\u00f3gica da ruptura foi elevada a paradigma. O que nasceu como provoca\u00e7\u00e3o intelectual deformou mentes em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 a corros\u00e3o das bases que produziram grandes criadores, m\u00fasicos e artistas cuja obra dialogava com propor\u00e7\u00e3o, harmonia e transcend\u00eancia, que s\u00e3o princ\u00edpios que ecoam na Lei \u00c1urea e na sequ\u00eancia de Fibonacci, essa geometria recorrente que sugere ordem at\u00e9 nas estruturas do universo vis\u00edvel. Perdeu-se, para muitos, a no\u00e7\u00e3o de est\u00e9tica, gravada exatamente por tal ordem, cuja funcionalidade abrange at\u00e9 o campo vibracional, afetando o indiv\u00edduo e o coletivo.<\/p>\n<p>Paralelamente, movimentos articulados multiplicaram-se contra qualquer express\u00e3o de conservadorismo. Invadiram a imprensa, as escolas, as universidades, as artes, a pol\u00edtica e at\u00e9 o ambiente familiar. Sob o manto do \u201cpoliticamente correto\u201d, instaurou-se uma nova forma de patrulhamento ideol\u00f3gico, sutil, mas coercitiva. A narrativa organizada da minoria estrat\u00e9gica passou a dominar aparelhos de express\u00e3o e influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim, aquilo que durante s\u00e9culos estruturou o senso comum das sociedades ocidentais, em grande medida formadas sob a matriz judaico-crist\u00e3, passou a ser classificado como opress\u00e3o. A tradi\u00e7\u00e3o virou suspeita, a moral virou instrumento de domina\u00e7\u00e3o e a autoridade virou viol\u00eancia simb\u00f3lica. O carnaval, por sua pr\u00f3pria natureza hist\u00f3rica, sempre foi momento de suspens\u00e3o das amarras sociais, uma v\u00e1lvula de escape. Mas o que era exce\u00e7\u00e3o delimitada no calend\u00e1rio transformou-se em plataforma permanente de contesta\u00e7\u00e3o e politiza\u00e7\u00e3o orientada por raz\u00f5es escusas.<\/p>\n<p>Chegamos a 2026 com um cen\u00e1rio que muitos descrevem como apocal\u00edptico e que promete ainda mais tens\u00f5es. A politiza\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo atingiu sua apoteose, inclusive com homenagens controversas financiadas pelo contribuinte, enquanto a maioria social \u00e9 caricaturada como \u201cconserva\u201d, algo a ser enlatado e armazenado no por\u00e3o da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Enlatar o conservadorismo, trat\u00e1-lo como algo a ser selado e colocado nas prateleiras do esquecimento, tornou-se met\u00e1fora de um projeto cultural mais amplo. Como gafanhotos que avan\u00e7am sobre os ramos fr\u00e1geis de uma \u00e1rvore social debilitada, processos de desconstru\u00e7\u00e3o encontram terreno f\u00e9rtil na perda de sentido, na fragmenta\u00e7\u00e3o das refer\u00eancias e no vazio existencial de gera\u00e7\u00f5es formadas sob pol\u00edticas centralizadas de um Estado disfuncional. Sim, a estrutura do Estado \u00e9 a causa prim\u00e1ria das disfuncionalidades institucionais, mas tamb\u00e9m sociais.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>A mensagem psicol\u00f3gica \u00e9 sofisticada: convencer o cidad\u00e3o comum de que o conservadorismo \u00e9 ultrapassado, inadequado, exclu\u00eddo. O senso comum, que sempre foi o ch\u00e3o cultural compartilhado, passa a ser apresentado como atraso hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Mas talvez esta quarta-feira de cinzas seja mais longa. M\u00e1scaras j\u00e1 ca\u00edram, e muitas continuam caindo, como nunca antes visto no mundo todo, n\u00e3o apenas no campo cultural, mas tamb\u00e9m nas elites financeiras, pol\u00edticas e midi\u00e1ticas internacionais. Esc\u00e2ndalos recentes expuseram redes de poder que pareciam intoc\u00e1veis, enquanto figuras p\u00fablicas enfrentam investiga\u00e7\u00f5es que abalam imagens cuidadosamente constru\u00eddas.<\/p>\n<p>A queda de m\u00e1scaras, diferentemente daquelas dos carnavais, ser\u00e1 muito mais traum\u00e1tica do que se possa prever, pois, diferentemente dos Pierrots e Colombinas, est\u00e3o se revelando seres desprez\u00edveis de v\u00e1rias esp\u00e9cies. Al\u00e9m deles, v\u00e3o se revelar estruturas inteiras sustentadas por d\u00e9cadas, talvez s\u00e9culos, de ilus\u00e3o coletiva. Muitos mascarados, que queriam enlatar as pessoas de bem, acabar\u00e3o em outras latas: a do lixo da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as geopol\u00edticas, tecnol\u00f3gicas, financeiras, culturais e sociais sugerem reorganiza\u00e7\u00f5es profundas, principalmente do ponto de vista individual. E, desta vez, das cinzas das ilus\u00f5es queimadas, \u00e9 prov\u00e1vel que voe a f\u00eanix de uma nova humanidade, mais desperta.<\/p>\n<p><em><strong>Thomas Korontai <\/strong>\u00e9 empres\u00e1rio, jornalista, coordenador da Liga Federalista Nacional.<\/em><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O carnaval de 2026 j\u00e1 passou, mas n\u00e3o se pode deixar escapar as reflex\u00f5es que emergem dos acontecimentos na Sapuca\u00ed,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":301042,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-301041","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/301041","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=301041"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/301041\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/301042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=301041"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=301041"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=301041"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}