{"id":292562,"date":"2026-03-17T19:45:38","date_gmt":"2026-03-17T23:45:38","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=292562"},"modified":"2026-03-17T19:45:38","modified_gmt":"2026-03-17T23:45:38","slug":"israel-quer-existir-em-seguranca-e-vive-momento-decisivo-diz-ex-soldado-das-fdi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=292562","title":{"rendered":"Israel quer existir em seguran\u00e7a e vive momento decisivo, diz ex-soldado das FDI"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A guerra em curso no Oriente M\u00e9dio entrou em sua terceira semana. Em Israel, a sensa\u00e7\u00e3o que predomina \u00e9 a de que o pa\u00eds vive um momento decisivo em sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, o brasileiro Gabriel Schorr, diretor da Exodus Israel, especialista em Oriente M\u00e9dio e ex-soldado das For\u00e7as de Defesa israelenses (FDI), onde atuou por 23 anos, disse que o confronto em curso contra o Ir\u00e3 \u00e9 visto por muitos cidada\u00f5s de Israel como a etapa central de uma guerra que come\u00e7ou em 7 de outubro de 2023, com os ataques terroristas do Hamas.<\/p>\n<p>\u201cExiste hoje uma sensa\u00e7\u00e3o muito clara de que tudo o que foi feito ao longo desses \u00faltimos dois anos &#8211; a guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza e na Cisjord\u00e2nia, o confronto contra o Hezbollah no L\u00edbano e os ataques contra os houthis no I\u00eamen &#8211; s\u00f3 ganha um significado estrat\u00e9gico completo quando a fonte de financiamento, treinamento e inspira\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica desses movimentos terroristas, que \u00e9 o Ir\u00e3, \u00e9 diretamente enfrentada e contida\u201d, diz<\/p>\n<p>De acordo com Schorr, muitos israelenses veem o enfraquecimento do Ir\u00e3 como um passo decisivo n\u00e3o apenas para reduzir a amea\u00e7a existencial contra Israel, mas tamb\u00e9m para abrir caminho a uma nova etapa no Oriente M\u00e9dio. Segundo ele, h\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o em Israel de que um rev\u00e9s imposto ao regime iraniano pode permitir que Israel \u201cvire uma p\u00e1gina da hist\u00f3ria\u201d e passe a buscar um novo futuro tanto na Faixa de Gaza quanto no L\u00edbano, sem a influ\u00eancia desestabilizadora de Teer\u00e3, que financia grupos terroristas que atuam nesses dois locais: o Hezbollah e o Hamas, respectivamente.<\/p>\n<h2>Ataques contra a popula\u00e7\u00e3o civil de Israel e a rotina de guerra<\/h2>\n<p>Desde o ataque do Hamas, em outubro de 2023, a popula\u00e7\u00e3o de Israel passou a viver sob uma l\u00f3gica de guerra quase permanente, com apenas pausas pontuais ao longo do per\u00edodo. Nesse sentido, a sociedade israelense j\u00e1 estava preparada para lidar com a quebra da rotina, seguir protocolos de seguran\u00e7a e reagir a ataques com m\u00edsseis e outras amea\u00e7as vindas do Ir\u00e3 e de grupos terroristas aliados do regime.<\/p>\n<p>Contudo, como em todo conflito, Schorr relatou algumas mudan\u00e7as profundas na rotina da popula\u00e7\u00e3o com a escalada da guerra contra o Ir\u00e3, que j\u00e1 fechou escolas, restringiu deslocamentos e passou a organizar a vida civil em torno de sirenes, alertas de seguran\u00e7a e idas frequentes a abrigos de prote\u00e7\u00e3o contra m\u00edsseis.<\/p>\n<p>As escolas foram fechadas pelo risco constante de ataques com m\u00edsseis bal\u00edsticos e pelo uso, por parte do Ir\u00e3, de ogivas de fragmenta\u00e7\u00e3o, que espalham submuni\u00e7\u00f5es no ar e ampliam o potencial de atingir \u00e1reas civis. O governo israelense tem denunciado os frequentes ataques de drones e m\u00edsseis do Ir\u00e3 contra \u00e1reas civis de Israel.<\/p>\n<p>Com as escolas fechadas e as crian\u00e7as em casa, o mercado de trabalho em Israel tamb\u00e9m foi afetado. Muitos pais passaram a ter dificuldade &#8211; e, em alguns casos, at\u00e9 impossibilidade &#8211; de manter a rotina normal de trabalho. Parte desse impacto vem sendo amenizado pelo home office, adotado por muitas pessoas com base na experi\u00eancia acumulada desde a pandemia e tamb\u00e9m nos \u00faltimos anos de guerra.<\/p>\n<h2>Sistema de defesa, apoio dos EUA e disciplina civil<\/h2>\n<p>Israel opera hoje com uma estrutura de prote\u00e7\u00e3o em tr\u00eas camadas. A primeira envolve o Domo de Ferro, desenvolvido para interceptar morteiros e m\u00edsseis de curto alcance. Al\u00e9m disso, Schorr lembra que Israel ampliou essa rede de prote\u00e7\u00e3o com outros sistemas, como o Hetz, conhecido em ingl\u00eas como Arrow, e o David\u2019s Sling, ou Estilingue de Davi, voltados para interceptar m\u00edsseis bal\u00edsticos e amea\u00e7as de maior alcance.<\/p>\n<p>A segunda camada \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos ao lado de Israel tamb\u00e9m na intercepta\u00e7\u00e3o e neutraliza\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis disparados pelo Ir\u00e3. J\u00e1 a terceira depende exclusivamente da disciplina da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o de Israel e do sistema de alerta coordenado pelo Comando da Frente Interna, setor do Ex\u00e9rcito israelense respons\u00e1vel pela defesa civil.<\/p>\n<p>\u201cCada vez que um m\u00edssil iraniano \u00e9 disparado, um alerta soa em todos os celulares de Israel &#8211; independentemente de a pessoa ser judia, crist\u00e3, mu\u00e7ulmana, drusa ou de qualquer outra comunidade &#8211; avisando que uma amea\u00e7a pode estar a caminho\u201d, relata<\/p>\n<p>Quando os sistemas conseguem estimar melhor a regi\u00e3o de poss\u00edvel impacto, as sirenes passam a tocar apenas nas \u00e1reas sob risco e a popula\u00e7\u00e3o tem entre 10 segundos e cerca de um minuto e meio para chegar a um abrigo ou quarto seguro, a depender da localiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>O objetivo de Trump no conflito<\/h2>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Schorr, o presidente norte-americano Donald Trump n\u00e3o busca apenas destruir capacidades militares do Ir\u00e3 &#8211; como ele vem afirmando &#8211; mas tamb\u00e9m impedir o avan\u00e7o de uma articula\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica mais ampla liderada por regimes advers\u00e1rios do Ocidente.<\/p>\n<p>\u201cEu diria at\u00e9 que o objetivo [de Trump na guerra em curso] \u00e9 evitar uma ordem mundial potencialmente desastrosa que vinha sendo desenhada pelo que muitos chamam de \u2018eixo do mal\u2019 &#8211; Ir\u00e3, R\u00fassia e China &#8211; ao longo dos \u00faltimos 10 ou 20 anos.\u201d<\/p>\n<p>Para Schorr, o regime iraniano tem papel direto na dissemina\u00e7\u00e3o de armas e tecnologias militares usadas por diferentes atores em conflitos e redes violentas em v\u00e1rias partes do mundo, inclusive na Am\u00e9rica Latina. Na vis\u00e3o do ex-soldado, o avan\u00e7o do fundamentalismo isl\u00e2mico radical, somado \u00e0 influ\u00eancia digital e informacional crescente da China, contribuiu nos \u00faltimos anos para um ambiente internacional mais inst\u00e1vel e marcado pela desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que Donald Trump tem consci\u00eancia dessa dimens\u00e3o estrat\u00e9gica. Por isso, a urg\u00eancia n\u00e3o seria apenas destruir capacidades militares [do Ir\u00e3 na guerra em curso], mas tamb\u00e9m abrir espa\u00e7o para que a popula\u00e7\u00e3o iraniana possa viver como uma sociedade normal, sem medo de se manifestar e ser brutalmente reprimida, e ao mesmo tempo evitar que o sistema internacional caminhe para um rumo muito mais dif\u00edcil de conter no futuro\u201d, analisa.<\/p>\n<h2>Mudan\u00e7a de regime pode exigir tropas em campo e ida da popula\u00e7\u00e3o \u00e0s ruas<\/h2>\n<p>Schorr disse n\u00e3o compartilhar da avalia\u00e7\u00e3o de analistas que descartam o cen\u00e1rio de envio de tropas americanas ao Ir\u00e3 em uma eventual tentativa de mudan\u00e7a de regime. Na vis\u00e3o dele, uma opera\u00e7\u00e3o desse tipo pode acabar exigindo presen\u00e7a militar em solo, seja para proteger o Estreito de Ormuz e garantir a passagem de navios petroleiros, seja para isolar \u00e1reas ao redor de instala\u00e7\u00f5es nucleares e permitir inspe\u00e7\u00f5es diretas e a retirada de materiais sens\u00edveis.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o descarta a necessidade de participa\u00e7\u00e3o de for\u00e7as internacionais em uma eventual fase de estabiliza\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Ir\u00e3. Ao mesmo tempo, ponderou que uma mudan\u00e7a de regime no pa\u00eds persa n\u00e3o dependeria apenas de press\u00e3o externa. A pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o iraniana ter\u00e1 papel decisivo nesse processo, j\u00e1 que nos \u00faltimos anos voltou \u00e0s ruas em grandes manifesta\u00e7\u00f5es contra o regime dos aiatol\u00e1s.<\/p>\n<h2>Capacidade militar do Ir\u00e3 foi abalada, mas guerra pode se prolongar<\/h2>\n<p>Os ataques de Israel e dos Estados Unidos atingiram de forma significativa a capacidade militar e bal\u00edstica do regime iraniano, sobretudo no que diz respeito \u00e0 sua habilidade de lan\u00e7ar ofensivas massivas e imediatas contra Israel.<\/p>\n<p>&#8220;Nos primeiros dias, o Ir\u00e3 lan\u00e7ava em m\u00e9dia de 40 a 50 m\u00edsseis bal\u00edsticos por dia contra o territ\u00f3rio israelense\u201d. J\u00e1 nos dias mais recentes, analisa ele, esse n\u00famero caiu \u201cpara algo entre tr\u00eas e seis por dia\u201d, o que indicaria um enfraquecimento relevante da capacidade ofensiva iraniana.<\/p>\n<p>Mas, mesmo com danos importantes \u00e0 sua infraestrutura militar, o regime isl\u00e2mico ainda pode prolongar o conflito. De acordo com Schorr, a maior parte dos alvos atingidos at\u00e9 agora por Israel e Estados Unidos est\u00e1 concentrada no oeste do Ir\u00e3, regi\u00e3o mais pr\u00f3xima de Israel e do Golfo P\u00e9rsico. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, a por\u00e7\u00e3o oriental do territ\u00f3rio iraniano ainda pode abrigar instala\u00e7\u00f5es militares e plataformas de lan\u00e7amento de m\u00edsseis.<\/p>\n<h2>Ir\u00e3 usa Ormuz para pressionar o Ocidente, e Hezbollah segue como amea\u00e7a<\/h2>\n<p>O regime iraniano est\u00e1 utilizando o Estreito de Ormuz, rota estrat\u00e9gica por onde passa 20% do petr\u00f3leo mundial, como uma forma de pressionar a comunidade internacional. Teer\u00e3 tem amea\u00e7ado navios que passam pelo local e instalado minas sob as \u00e1guas.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Schorr, ao amea\u00e7ar o Estreito de Ormuz, Teer\u00e3 tenta elevar o custo econ\u00f4mico da guerra para for\u00e7ar uma rea\u00e7\u00e3o externa em favor de um encerramento mais r\u00e1pido do conflito.<\/p>\n<p>Sobre as amea\u00e7as representadas pelo chamado \u201ceixo de resist\u00eancia\u201d do Ir\u00e3 no Oriente M\u00e9dio, Schorr afirmou que o Hezbollah continua sendo o principal risco regional para Israel neste momento.<\/p>\n<p>\u201cO Hezbollah \u00e9 um problema que precisa ser enfrentado desde a raiz. Neutralizar essa organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um passo necess\u00e1rio para que o L\u00edbano possa voltar a ser um pa\u00eds mais est\u00e1vel e para eliminar de fato a capacidade do Hezbollah, \u00e9 fundamental cortar a influ\u00eancia que o Ir\u00e3 exerce sobre esse movimento armado&#8221;, aponta.<\/p>\n<h2>Regi\u00e3o ainda vive incerteza<\/h2>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Schorr, a guerra contra o Ir\u00e3 tende a deixar Israel mais forte e mais seguro no longo prazo, ainda que o impacto regional mais amplo permane\u00e7a em aberto. O pa\u00eds deve terminar este conflito com uma percep\u00e7\u00e3o mais clara das amea\u00e7as que enfrenta, com ajustes importantes no sistema de defesa e no modo de opera\u00e7\u00e3o de suas For\u00e7as Armadas, al\u00e9m de refor\u00e7ar alian\u00e7as estrat\u00e9gicas, sobretudo com os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Schorr pondera que ainda \u00e9 cedo para afirmar que a guerra produzir\u00e1 mais estabilidade no Oriente M\u00e9dio como um todo. Na vis\u00e3o dele, h\u00e1 um risco real de que uma eventual queda do regime iraniano n\u00e3o seja seguida por uma transi\u00e7\u00e3o organizada, abrindo espa\u00e7o para fragmenta\u00e7\u00e3o, disputas internas e um novo foco de caos regional.<\/p>\n<p>Apesar dos riscos, Schorr diz ver espa\u00e7o para rearranjos diplom\u00e1ticos importantes no Oriente M\u00e9dio depois desta guerra. Pa\u00edses como L\u00edbano, S\u00edria e at\u00e9 os pr\u00f3prios territ\u00f3rios palestinos poderiam buscar um futuro diferente, com mais estabilidade, desenvolvimento e at\u00e9 formas de coopera\u00e7\u00e3o com Israel. Como exemplo de que esse tipo de rearranjo \u00e9 poss\u00edvel, ele citou os acordos de paz com Egito e Jord\u00e2nia e tamb\u00e9m as novas formas de coopera\u00e7\u00e3o surgidas nos \u00faltimos anos com Emirados \u00c1rabes Unidos e outros pa\u00edses \u00e1rabes.<\/p>\n<h2>\u201cIsrael n\u00e3o aspira ser um pa\u00eds maior, nem dominar outros povos\u201d<\/h2>\n<p>Em mensagem ao p\u00fablico brasileiro, Schorr afirmou que, para entender o que Israel enfrenta neste momento, \u00e9 preciso ter em mente que o pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 em guerra para expandir territ\u00f3rio ou dominar outros povos, mas para garantir a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cIsrael n\u00e3o aspira ser um pa\u00eds maior, nem dominar outros povos. Da mesma forma, o povo judeu n\u00e3o busca ser mais importante do que ningu\u00e9m no cen\u00e1rio internacional. O objetivo central de Israel \u00e9 simplesmente continuar existindo em seguran\u00e7a\u201d, conclui.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra em curso no Oriente M\u00e9dio entrou em sua terceira semana. 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