{"id":291907,"date":"2026-03-17T12:41:01","date_gmt":"2026-03-17T16:41:01","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=291907"},"modified":"2026-03-17T12:41:01","modified_gmt":"2026-03-17T16:41:01","slug":"acervo-de-fosseis-revela-que-parte-do-parana-foi-mar-ha-400-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=291907","title":{"rendered":"Acervo de f\u00f3sseis revela que parte do Paran\u00e1 foi mar h\u00e1 400 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Vest\u00edgios de um antigo mar que cobria parte do territ\u00f3rio paranaense h\u00e1 cerca de 400 milh\u00f5es de anos est\u00e3o entre as descobertas reunidas no novo acervo de f\u00f3sseis da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). As amostras foram coletadas durante um trabalho de salvamento paleontol\u00f3gico realizado ao longo das obras de uma linha de transmiss\u00e3o de energia que atravessa regi\u00f5es dos Campos Gerais e do Norte Pioneiro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/H7ozD2alPDA1a3twUX7jw7\">Receba as principais not\u00edcias do Paran\u00e1 pelo WhatsApp<\/a><\/p>\n<p>Cerca de 2,6 mil amostras foram resgatadas durante nove meses de acompanhamento das escava\u00e7\u00f5es. O material re\u00fane f\u00f3sseis formados entre aproximadamente 400 milh\u00f5es e 280 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, per\u00edodo em que a \u00e1rea que hoje corresponde ao interior do Paran\u00e1 passou por profundas transforma\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>Segundo o paleont\u00f3logo Henrique Zimmermann, respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o do salvamento, os f\u00f3sseis ajudam a confirmar interpreta\u00e7\u00f5es cient\u00edficas sobre o passado geol\u00f3gico da regi\u00e3o. Os registros mais antigos indicam um <strong>ambiente predominantemente marinho<\/strong>, habitado por organismos que viviam no fundo do mar.<\/p>\n<p>\u201cOs f\u00f3sseis mais antigos dessa fase s\u00e3o animais marinhos de v\u00e1rios tipos. J\u00e1 os f\u00f3sseis mais recentes mostram seres que tinham mais afinidade com \u00e1gua doce, o que indica que o ambiente foi gradativamente mudando de marinho para \u00e1gua salobra\u201d, explica.<\/p>\n<p>Entre os organismos encontrados est\u00e3o principalmente invertebrados marinhos, como animais com concha, al\u00e9m de restos de peixes e vest\u00edgios de vegetais. Muitos pertencem a grupos que j\u00e1 desapareceram ao longo da hist\u00f3ria da Terra.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, o conjunto encontrado permite reconstruir um retrato de um ecossistema que existiu milh\u00f5es de anos antes da presen\u00e7a humana no planeta. \u201cEsse conjunto todo \u00e9 um retrato de um ecossistema muito interessante que se perdeu no passado\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Outro aspecto considerado relevante pelos pesquisadores \u00e9 o fato de o trabalho ter revelado novos pontos fossil\u00edferos ainda pouco conhecidos pela ci\u00eancia. As escava\u00e7\u00f5es ocorreram ao longo de uma extensa faixa que inclui munic\u00edpios como Ponta Grossa, Tibagi, Ventania, Ibaiti e Ribeir\u00e3o do Pinhal.<\/p>\n<p>Segundo Zimmermann, a grande quantidade de f\u00f3sseis encontrada ao longo do trajeto confirma a riqueza paleontol\u00f3gica da regi\u00e3o. \u201cEm praticamente todas as torres que foram escavadas pela obra n\u00f3s encontramos f\u00f3sseis. Eles s\u00e3o extremamente comuns na regi\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Escava\u00e7\u00f5es revelam f\u00f3sseis antes que rochas sejam cobertas por obras de infraestrutura<\/h2>\n<p>O trabalho de salvamento paleontol\u00f3gico acontece paralelamente ao avan\u00e7o das obras de infraestrutura. \u00c0 medida que as escava\u00e7\u00f5es s\u00e3o abertas no solo ou na rocha para instala\u00e7\u00e3o das estruturas, equipes especializadas acompanham o processo para identificar e coletar poss\u00edveis f\u00f3sseis antes que eles sejam destru\u00eddos.<\/p>\n<p>De acordo com Zimmermann, essa atua\u00e7\u00e3o exige rapidez e coordena\u00e7\u00e3o com as equipes da obra. Muitas vezes, as cavidades abertas na rocha permanecem expostas por pouco tempo antes de serem preenchidas. \u201c\u00c9 comum que uma cava aberta na rocha seja concretada poucos dias depois. Por isso precisamos agir rapidamente para coletar os f\u00f3sseis antes que o concreto chegue\u201d, explica.<\/p>\n<p>O n\u00famero total de organismos preservados \u00e9 muito maior do que as cerca de 2,6 mil amostras contendo f\u00f3sseis encontradas, j\u00e1 que uma \u00fanica amostra pode concentrar centenas de registros fossilizados. \u201cImagine a quantidade de material cient\u00edfico que seria perdida se esse acompanhamento n\u00e3o acontecesse durante as obras\u201d, afirma o paleont\u00f3logo. Segundo ele, o material coletado pode abastecer estudos por gera\u00e7\u00f5es de pesquisadores.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/09211146\/Fosseis-UEPG_03.jpeg.webp\" \/><i>A abund\u00e2ncia de f\u00f3sseis encontrados na regi\u00e3o dos Campos Gerais e do Norte Pioneiro ajuda cientistas a compreender como antigos ambientes marinhos deram lugar a paisagens atuais. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Nasor Paleontologia e Geologia )<\/i><\/p>\n<h2>Novo acervo de f\u00f3sseis da UEPG amplia conhecimento sobre vida antiga no Paran\u00e1<\/h2>\n<p>Os f\u00f3sseis coletados passar\u00e3o a integrar as cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas da Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde ser\u00e3o catalogados e estudados por pesquisadores e estudantes. O conjunto refor\u00e7a a import\u00e2ncia da regi\u00e3o dos Campos Gerais como uma das \u00e1reas mais ricas em registros paleontol\u00f3gicos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para os cientistas, a abund\u00e2ncia de f\u00f3sseis \u00e9 fundamental para compreender melhor esp\u00e9cies antigas. A an\u00e1lise de diversos exemplares de um mesmo organismo permite identificar varia\u00e7\u00f5es, caracter\u00edsticas anat\u00f4micas e padr\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os pesquisadores destacam que o potencial de descobertas no Paran\u00e1 est\u00e1 longe de ser esgotado. As forma\u00e7\u00f5es rochosas fossil\u00edferas da regi\u00e3o se estendem por centenas de quil\u00f4metros, muitas vezes em \u00e1reas ainda pouco exploradas pela ci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cPor mais que tenhamos coletado muito material, ainda estamos apenas arranhando a superf\u00edcie. As rochas fossil\u00edferas da regi\u00e3o possuem centenas de quil\u00f4metros de extens\u00e3o\u201d, afirma Zimmermann.<\/p>\n<p>Apesar da riqueza fossil\u00edfera, muitos desses vest\u00edgios passam despercebidos pela popula\u00e7\u00e3o. Isso acontece porque a maioria dos f\u00f3sseis n\u00e3o se parece com os grandes ossos ou esqueletos frequentemente associados a dinossauros.<\/p>\n<p>Segundo o paleont\u00f3logo, grande parte deles mede menos de dois mil\u00edmetros e exige treinamento especializado para ser reconhecida. \u201cA maior parte dos f\u00f3sseis \u00e9 muito pequena. Muitas pessoas passam a vida inteira pisando neles sem perceber que est\u00e3o ali\u201d, diz.<\/p>\n<p>Caso algu\u00e9m encontre um poss\u00edvel f\u00f3ssil, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o retirar o material do local. A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 procurar universidades, museus ou centros de pesquisa para que especialistas possam fazer a coleta adequada. No Brasil, <strong>a retirada de f\u00f3sseis sem autoriza\u00e7\u00e3o do governo federal \u00e9 proibida<\/strong>, j\u00e1 que esses vest\u00edgios s\u00e3o considerados patrim\u00f4nio cient\u00edfico e pertencem \u00e0 Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vest\u00edgios de um antigo mar que cobria parte do territ\u00f3rio paranaense h\u00e1 cerca de 400 milh\u00f5es de anos est\u00e3o entre&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":291634,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[189],"tags":[],"class_list":["post-291907","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/291907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=291907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/291907\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/291634"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=291907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=291907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=291907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}