{"id":291857,"date":"2026-03-17T14:44:50","date_gmt":"2026-03-17T18:44:50","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=291857"},"modified":"2026-03-17T14:44:50","modified_gmt":"2026-03-17T18:44:50","slug":"a-era-da-criticofobia-por-que-criticas-sao-tratadas-como-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=291857","title":{"rendered":"A Era da Criticofobia: por que cr\u00edticas s\u00e3o tratadas como crime?"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/17154027\/criticas.jpg.webp\" \/><span>Hoje, cr\u00edticas a certas pautas ou ideias s\u00e3o rapidamente rotuladas como preconceito ou at\u00e9 racismo. N\u00e3o importa o conte\u00fado, o contexto ou a inten\u00e7\u00e3o. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI\/Gazeta do Povo)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 deve ter percebido o quanto se fala em liberdade, diversidade e pluralidade hoje e, ao mesmo tempo, o qu\u00e3o dif\u00edcil se tornou discutir certos assuntos. Criticar ou questionar determinadas ideias ou pessoas transformou-se quase em um ato de risco \u2013 por vezes tratado como se fosse um desvio grave. Vivemos, ao que tudo indica, em meio \u00e0 criticofobia.<\/p>\n<p>Essa sensibilidade exacerbada \u00e9 especialmente vis\u00edvel entre aqueles que ocupam posi\u00e7\u00f5es de poder, como pol\u00edticos, autoridades e figuras p\u00fablicas. Pessoas que, pela pr\u00f3pria natureza de suas fun\u00e7\u00f5es, deveriam estar habituadas ao escrut\u00ednio da opini\u00e3o p\u00fablica passaram a demonstrar uma surpreendente fragilidade diante de cr\u00edticas ou questionamentos \u2013 e, quando disp\u00f5em de instrumentos para isso, n\u00e3o hesitam em tratar discord\u00e2ncias como ofensas pessoais. Nada mais distante do esp\u00edrito democr\u00e1tico.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<p>Hoje, cr\u00edticas a certas pautas ou ideias s\u00e3o rapidamente rotuladas como preconceito ou at\u00e9 racismo. N\u00e3o importa o conte\u00fado, o contexto ou a inten\u00e7\u00e3o: o simples ato de questionar j\u00e1 basta para a condena\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ainda que pare\u00e7a elementar, conv\u00e9m lembrar: a cr\u00edtica, mesmo quando incisiva, dura ou at\u00e9 deselegante, \u00e9 elemento essencial da vida p\u00fablica. A <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/liberdade-de-expressao\/\">liberdade de express\u00e3o<\/a> e de pensamento, assegurada no artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o, \u00e9 cl\u00e1usula p\u00e9trea. A pr\u00f3pria jurisprud\u00eancia consolidada reconhece que figuras p\u00fablicas est\u00e3o sujeitas a um grau mais intenso de cr\u00edtica, justamente porque exercem fun\u00e7\u00f5es de interesse coletivo.<\/p>\n<p>Mesmo assim, cresce a tend\u00eancia de determinadas autoridades se colocarem acima de qualquer questionamento, como se integrassem uma categoria imune ao debate. Fen\u00f4meno semelhante ocorre \u2013 talvez com ainda mais intensidade \u2013 no terreno dos chamados grupos identit\u00e1rios. Hoje, cr\u00edticas a certas pautas ou ideias s\u00e3o rapidamente rotuladas como preconceito ou at\u00e9 racismo. N\u00e3o importa o conte\u00fado, o contexto ou a inten\u00e7\u00e3o: o simples ato de questionar j\u00e1 basta para a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso afirmar o \u00f3bvio com clareza: criticar n\u00e3o \u00e9 discriminar. Discordar n\u00e3o \u00e9 odiar. Quando todo questionamento \u00e9 convertido em agress\u00e3o, cria-se um ambiente em que o debate se torna invi\u00e1vel e em que a busca pela verdade cede lugar \u00e0 necessidade de n\u00e3o desagradar.<\/p>\n<p>Mulheres, negros, ind\u00edgenas, pessoas LGBT \u2013 como quaisquer outros cidad\u00e3os \u2013 est\u00e3o naturalmente inseridos no debate p\u00fablico quando suas pautas extrapolam a esfera privada e produzem efeitos na vida coletiva. Blindar determinados temas sob o pretexto de prote\u00e7\u00e3o equivale, na pr\u00e1tica, a interditar o di\u00e1logo e a reduzir a sociedade a uma condi\u00e7\u00e3o de imaturidade permanente.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Uma sociedade livre n\u00e3o comporta temas proibidos. Quest\u00f5es consideradas pessoais frequentemente possuem impactos sociais, jur\u00eddicos e econ\u00f4micos e, por isso, devem poder ser discutidas. Impedir esse debate \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, impedir que a sociedade compreenda a si mesma. Da mesma forma, n\u00e3o pode haver indiv\u00edduos ou grupos t\u00e3o privilegiados a ponto de se tornarem imperme\u00e1veis \u00e0 cr\u00edtica. Em uma rep\u00fablica, ningu\u00e9m \u2013 absolutamente ningu\u00e9m \u2013 deve estar acima do questionamento.<\/p>\n<p>Uma sociedade que n\u00e3o consegue debater certos temas, que n\u00e3o tolera cr\u00edticas a determinadas autoridades e que passa a encarar a liberdade de express\u00e3o como amea\u00e7a n\u00e3o se torna mais civilizada \u2013 torna-se mais fr\u00e1gil. Sem confronto de ideias, n\u00e3o h\u00e1 avan\u00e7o. Sem discord\u00e2ncia, n\u00e3o h\u00e1 aprendizado. Sem cr\u00edtica, resta apenas a estagna\u00e7\u00e3o, ainda que disfar\u00e7ada sob a apar\u00eancia confort\u00e1vel de harmonia.<\/p>\n<\/div>\n<h2>Voc\u00ea pode se interessar<\/h2>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, cr\u00edticas a certas pautas ou ideias s\u00e3o rapidamente rotuladas como preconceito ou at\u00e9 racismo. 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