{"id":287047,"date":"2026-03-15T21:05:56","date_gmt":"2026-03-16T01:05:56","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=287047"},"modified":"2026-03-15T21:05:56","modified_gmt":"2026-03-16T01:05:56","slug":"oito-leiloes-em-um-ano-governo-federal-dara-conta-de-resolver-gargalo-ferroviario-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=287047","title":{"rendered":"Oito leil\u00f5es em um ano: governo federal dar\u00e1 conta de resolver gargalo ferrovi\u00e1rio brasileiro?\u00a0"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Ap\u00f3s d\u00e9cadas de estagna\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, o governo federal est\u00e1 apostando todas as fichas na Pol\u00edtica Nacional de Outorgas Ferrovi\u00e1rias para salvar o setor. A maior carteira de projetos para ferrovias na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds busca responder a um paradoxo antigo: o Brasil \u00e9 um pa\u00eds continental e exportador, mas depende majoritariamente de rodovias para escoar sua produ\u00e7\u00e3o &#8211; um modal caro, poluente e pouco eficiente.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que, da forma como est\u00e1 sendo desenhada, a pol\u00edtica de outorgas dar\u00e1 conta de resolver d\u00e9cadas de pouco investimento e reavivar um setor cheio de desafios hist\u00f3ricos? Essa \u00e9 a ideia do governo, ao menos, que aposta no sucesso das concess\u00f5es rodovi\u00e1rias realizadas nos \u00faltimos anos para repetir a dose com as ferrovias.<\/p>\n<p>Quando lan\u00e7ou o plano, no final de 2025, o ministro dos Transportes, Renan Filho, foi categ\u00f3rico: \u201c\u00c9 uma pol\u00edtica nacional in\u00e9dita, com alinhamento dos projetos a pr\u00e1ticas de estrutura\u00e7\u00e3o mais modernas, \u00e0 modelagem econ\u00f4mica e financeira tamb\u00e9m, uma pol\u00edtica alinhada \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de regras contratuais que n\u00f3s trouxemos do ambiente rodovi\u00e1rio para ferrovias\u201d.<\/p>\n<h2>Leil\u00f5es contemplam 9 mil quil\u00f4metros de ferrovias e inje\u00e7\u00e3o de R$ 600 bilh\u00f5es no sistema<\/h2>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio dos Transportes, a pol\u00edtica de outorgas ferrovi\u00e1rias embute diretrizes de planejamento, governan\u00e7a, sustentabilidade e um novo modelo de capta\u00e7\u00e3o de fundos, que combina recursos p\u00fablicos e privados. S\u00e3o previstos oito leil\u00f5es englobando mais de 9 mil quil\u00f4metros de ferrovias, com <strong>inje\u00e7\u00e3o de R$ 600 bilh\u00f5es no sistema<\/strong>.<\/p>\n<p>Um instrumento bem-vindo, acreditam especialistas. Mas que na pr\u00e1tica se assemelha mais a uma pol\u00edtica de concess\u00f5es do que outorgas propriamente ditas \u2013 j\u00e1 que estas poderiam englobar de forma mais incisiva as autoriza\u00e7\u00f5es, instrumentos legais que permitem n\u00e3o apenas centralizar na Uni\u00e3o os planejamentos e defini\u00e7\u00f5es, mas envolver o setor privado para propor projetos, avaliar riscos e descentralizar decis\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cUma pol\u00edtica nacional de outorgas deveria incluir concess\u00f5es e autoriza\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias, al\u00e9m de maior coopera\u00e7\u00e3o com estados da federa\u00e7\u00e3o. O atual governo tem priorizado o modelo de concess\u00f5es em detrimento das autoriza\u00e7\u00f5es, embora tenha feito algumas autoriza\u00e7\u00f5es pontuais, como a <strong>ferrovia de celulose da Arauco<\/strong>, no Mato Grosso do Sul, e o projeto de <strong>escoamento de min\u00e9rios da Cedro<\/strong>, em Minas Gerais, por exemplo\u201d, lembra o consultor e mestre em Transportes pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB) Marcos Kleber Felix.<\/p>\n<p>J\u00e1 o governo defende que n\u00e3o se trata de priorizar um instrumento em detrimento do outro e, sim, uma complementariedade entre ambos em virtude do tipo de estrat\u00e9gia. Segundo o Minist\u00e9rio dos Transportes, as concess\u00f5es estruturam os grandes corredores log\u00edsticos nacionais, enquanto as autoriza\u00e7\u00f5es viabilizam ferrovias de alimenta\u00e7\u00e3o, conectando polos industriais e regi\u00f5es produtoras a esses corredores.<\/p>\n<h2>Corredor Minas\u2013Rio ser\u00e1 a refer\u00eancia do programa<\/h2>\n<p>Nesse sentido, segundo o minist\u00e9rio, a Pol\u00edtica Nacional de Outorgas Ferrovi\u00e1rias veio para organizar e padronizar o modelo de concess\u00f5es, uma vez que as autoriza\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o disciplinadas pelo Decreto n\u00ba 11.245 de 2022, que regulamenta a Lei das Ferrovias (14.273\/2021) \u2013 o que, para o governo, vem preencher uma lacuna regulat\u00f3ria e consolidar um sistema ferrovi\u00e1rio nacional mais integrado.<\/p>\n<p>Seguindo esse racioc\u00ednio, da lista de desestatiza\u00e7\u00f5es anunciada o <strong>Corredor Minas \u2013 Rio<\/strong> \u00e9 o \u00fanico estruturado como chamamento p\u00fablico, seguindo o modelo de autoriza\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria. Se atrair investidores para operar seus 740 quil\u00f4metros de trilhos, pode servir para outras ferrovias ou trechos subutilizados. A proposta, segundo o minist\u00e9rio, \u00e9 permitir que o setor privado explore, mediante autoriza\u00e7\u00e3o, trechos p\u00fablicos atualmente ociosos, promovendo sua recupera\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para isso, foi estruturado um programa espec\u00edfico para reativar aproximadamente 10 mil quil\u00f4metros de linhas ociosas ou paralisadas, com base em estudo elaborado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O chamamento p\u00fablico do Corredor Minas\u2013Rio ser\u00e1 a refer\u00eancia do programa, batizado \u201cFerrovias Inteligentes\u201d.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Poucos meses, muitos leil\u00f5es<\/h2>\n<p>A Pol\u00edtica Nacional de Outorgas Ferrovi\u00e1rias vem com o desafio de realizar um grande n\u00famero de leil\u00f5es em curto espa\u00e7o de tempo. Oito certames em apenas um ano \u00e9 algo in\u00e9dito no Brasil, e os projetos dependem de aportes p\u00fablicos consider\u00e1veis (dos R$ 600 bilh\u00f5es previstos em investimentos, pelo menos R$ 140 bilh\u00f5es s\u00e3o prometidos dos cofres da Uni\u00e3o).<\/p>\n<p>\u201cIsso se assemelha ao que ocorreu com o PIL I e o PIL II, que eram ambiciosos, mas n\u00e3o se sustentaram do ponto de vista do financiamento, segundo as avalia\u00e7\u00f5es do mercado \u00e0 \u00e9poca\u201d, lembra Felix.<\/p>\n<p>Ele se refere aos Programas de Investimento em Log\u00edstica I e II, de 2012 e 2015, respectivamente.\u00a0 O PIL I, lan\u00e7ado com a meta de direcionar recursos p\u00fablicos e privados para ampliar rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, tinha ambi\u00e7\u00e3o de mobilizar investimentos e modernizar a log\u00edstica nacional, mas acabou sendo atravessado pelos eventos pol\u00edtico-econ\u00f4micos turbulentos entre 2013 e 2016 que limitaram sua execu\u00e7\u00e3o efetiva, fazendo com que muitos projetos &#8211; especialmente no modal ferrovi\u00e1rio &#8211; n\u00e3o sa\u00edssem do papel como planejado.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>Oito certames em apenas um ano \u00e9 algo in\u00e9dito no Brasil.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>J\u00e1 o PIL II, com previs\u00e3o de quase R$ 200 bilh\u00f5es em investimentos e mecanismos mais flex\u00edveis de concess\u00f5es, foi considerado um avan\u00e7o na estrutura\u00e7\u00e3o de modelos de participa\u00e7\u00e3o privada, mas n\u00e3o promoveu mudan\u00e7as estruturais profundas nem resultou em um <em>boom<\/em> de nova infraestrutura ferrovi\u00e1ria, refletindo uma continuidade do investimento em concess\u00f5es existentes e melhorias pontuais em vez de uma reconfigura\u00e7\u00e3o sist\u00eamica do setor.<\/p>\n<p>Para Marcos Felix, em qualquer cen\u00e1rio \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer o protagonismo do investimento privado e oferecer <strong>seguran\u00e7a regulat\u00f3ria<\/strong> para que o mercado continue ampliando aportes no setor. \u201cSe (a nova pol\u00edtica nacional de outorgas ferrovi\u00e1rias) \u00e9 vi\u00e1vel tecnicamente? Essa \u00e9 uma resposta que ser\u00e1 dada pelo TCU (Tribunal de Contas da Uni\u00e3o) nos pr\u00f3ximos meses atrav\u00e9s da an\u00e1lise pr\u00e9via dos editais dos leil\u00f5es\u201d, avalia.<\/p>\n<h2>As ferrovias que est\u00e3o no cronograma<\/h2>\n<p>O Minist\u00e9rio dos Transportes afirma que, at\u00e9 agora, o cronograma previsto deve ser seguido, mas ressalva que eventuais ajustes s\u00e3o poss\u00edveis em fun\u00e7\u00e3o das an\u00e1lises dos processos na Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e no TCU. No tr\u00e2mite normal, os processos passam por an\u00e1lise t\u00e9cnica da ag\u00eancia para depois seguirem ao TCU, que assegura controle e seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Na carteira ferrovi\u00e1ria, a Estrada de Ferro EF-118, conhecida como <strong>Anel Ferrovi\u00e1rio Sudeste<\/strong>, est\u00e1 em an\u00e1lise no TCU. A <strong>Malha Oeste<\/strong> ser\u00e1 encaminhada ao TCU em abril.<\/p>\n<p>O Corredor Minas\u2013Rio est\u00e1 em fase final de an\u00e1lise na ANTT. Na sequ\u00eancia, ser\u00e1 aberta audi\u00eancia p\u00fablica da <strong>Malha Sul<\/strong>, contemplando os estados do Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>O corredor Leste-Oeste (<strong>Fico-Fiol<\/strong>) ser\u00e1 apresentado posteriormente, e ainda neste semestre est\u00e1 prevista a abertura de audi\u00eancia p\u00fablica da extens\u00e3o norte da <strong>Ferrovia Norte-Sul <\/strong>(trecho A\u00e7ail\u00e2ndia\u2013Barcarena, entre Maranh\u00e3o e o Par\u00e1).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0<strong> Ferrogr\u00e3o<\/strong>, o minist\u00e9rio informa que no momento atua junto ao TCU para reverter entendimento t\u00e9cnico que apontou pela paralisa\u00e7\u00e3o do projeto. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que a solu\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria organiza o fluxo log\u00edstico em corredor estruturado, evitando a expans\u00e3o desordenada do transporte rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quando questionado sobre a atratividade de investimentos pelo setor privado para os projetos, o governo diz que mant\u00e9m di\u00e1logo com investidores nacionais e internacionais que t\u00eam demonstrado interesse na carteira.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>O tamanho do desafio<\/h2>\n<p>Todo mundo se pergunta por que o Brasil n\u00e3o tem ferrovias eficientes enquanto vive com rodovias sobrecarregadas. Um modal que simplesmente n\u00e3o d\u00e1 conta do que precisa transportar e que, a cada ano, v\u00ea seus problemas se agravarem em virtude da maior quantidade de carga transportada e uma infraestrutura que n\u00e3o acompanha a demanda.<\/p>\n<p>\u00c9 sist\u00eamico e hist\u00f3rico. O relat\u00f3rio t\u00e9cnico do grupo de trabalho da Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e Defesa Nacional do Senado, lan\u00e7ado em novembro do ano passado, aponta que embora o pa\u00eds possua cerca de 30 mil quil\u00f4metros de trilhos instalados, praticamente a mesma extens\u00e3o registrada nos anos 1920, apenas cerca de 12 mil quil\u00f4metros est\u00e3o plenamente ativos para transporte de cargas.<\/p>\n<p>Isso significa que quase dois ter\u00e7os da malha est\u00e3o abandonados ou subutilizados, resultado da falta de investimentos consistentes nos \u00faltimos 100 anos. A malha nominal de hoje, que s\u00f3 existe no papel, \u00e9 a mesma de 1920, e naquela \u00e9poca era 100% operacional.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Embora o pa\u00eds possua cerca de 30 mil quil\u00f4metros de trilhos instalados, praticamente a mesma extens\u00e3o registrada nos anos 1920, apenas cerca de 12 mil quil\u00f4metros est\u00e3o plenamente ativos para transporte de cargas.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A obsolesc\u00eancia da malha ferrovi\u00e1ria e o abandono de ramais antiecon\u00f4micos \u00e9 um fen\u00f4meno natural e comum internacionalmente, segundo Marcos Felix. Mas, aqui, o que agravou o cen\u00e1rio foi a <strong>aus\u00eancia de investimentos no setor por um per\u00edodo muito longo<\/strong>. \u201cUm fen\u00f4meno mais particular do Brasil: o erro de pol\u00edtica p\u00fablica ao focar todas as fichas no rodoviarismo\u201d, compara.<\/p>\n<p>O documento ressalta que, diferentemente de pa\u00edses como Estados Unidos e China, que expandiram e modernizaram suas redes com planejamento estrat\u00e9gico e investimentos cont\u00ednuos, o Brasil entrou em trajet\u00f3ria de retra\u00e7\u00e3o desde a d\u00e9cada de 1930.\u00a0<\/p>\n<p>Em todo o mundo, as ferrovias foram inicialmente constru\u00eddas pela iniciativa privada entre 200 e 100 anos atr\u00e1s, em uma \u00e9poca em que a log\u00edstica era baseada em barcos a vapor e estradas carro\u00e7\u00e1veis. As ferrovias perderam muito espa\u00e7o para as rodovias pavimentadas, para a avia\u00e7\u00e3o e para navega\u00e7\u00e3o aquavi\u00e1ria cada vez mais moderna e eficiente.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, em muitos locais do Brasil onde os transportes s\u00e3o feitos a menos de 500 quil\u00f4metros de origem a destino \u00e9 muito dif\u00edcil a ferrovia conseguir competir\u201d, reflete. Mas estamos falando de um pa\u00eds continental, onde cargas atravessam uma quilometragem bem maior do que essa em carrocerias de caminh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil n\u00e3o conseguiu construir uma rede ferrovi\u00e1ria gigantesca como a dos EUA, que alcan\u00e7ou mais de 300 mil quil\u00f4metros de trilhos antes de 1915. E isso fez toda a diferen\u00e7a para a obsolesc\u00eancia brasileira.\u201d<\/p>\n<p>Hoje, o modal ferrovi\u00e1rio responde por apenas 17,69% das toneladas-quil\u00f4metro \u00fateis (TKU) movimentadas no pa\u00eds, enquanto o rodovi\u00e1rio concentra cerca de 65%, refletindo o desequil\u00edbrio na aloca\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos.\u00a0<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Outros erros hist\u00f3ricos<\/h2>\n<p>Al\u00e9m da falta de investimentos p\u00fablicos e privados em ferrovias, decis\u00f5es t\u00e9cnicas do passado tamb\u00e9m comprometeram o setor. Diferentemente do que foi feito na Inglaterra em 1833 e nos EUA nos anos 1860, <strong>o Brasil nunca consolidou a malha em uma \u00fanica bitola<\/strong> &#8211; a dist\u00e2ncia entre os trilhos.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma fragmenta\u00e7\u00e3o estrutural da rede em duas bitolas: uma malha antiga, majoritariamente m\u00e9trica, com baixa capacidade e pouca competitividade frente ao transporte rodovi\u00e1rio &#8211; a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a linha duplicada da Vale entre o quadril\u00e1tero ferr\u00edfero de Minas Gerais e os portos capixabas. E outra mais moderna, em bitola larga, voltada principalmente ao transporte de gr\u00e3os e min\u00e9rio em longas dist\u00e2ncias\u201d, menciona o consultor.\u00a0<\/p>\n<p>Com trilhos variando entre 1m e 1,6m, fica imposs\u00edvel garantir que todo trem circule em qualquer trecho. Isso impacta na manuten\u00e7\u00e3o de corredores log\u00edsticos longos e resulta em custos de opera\u00e7\u00e3o maiores, com uma log\u00edstica que demanda mais transbordos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Brasil n\u00e3o investiu em trens de alta velocidade como o mundo desenvolvido come\u00e7ou a fazer nos anos 1960 \u2013 uma somat\u00f3ria de fatores que desfavoreceu o setor ferrovi\u00e1rio por aqui. Para o consultor Marcos Felix, a Lei das Ferrovias de 2021 \u00e9 uma tentativa de desfazer alguns desses erros.<\/p>\n<p>\u201cUm dos erros foi tirar o mercado privado da ferrovia, algo que perdurou por muito tempo. J\u00e1 tivemos mais de 45 empresas independentes no Brasil. <strong>A estatiza\u00e7\u00e3o, portanto, foi um erro<\/strong>. Os contratos de concess\u00e3o de 30 anos em vez de privatizar todo o sistema ou ao menos conced\u00ea-lo a mais longo prazo, como o M\u00e9xico fez, foi outro erro. N\u00e3o ter investimentos p\u00fablicos baseados em demanda foi outro erro. Enfim, a lista \u00e9 longa\u201d, enumera o consultor.<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o da Ferrogr\u00e3o, o pacote de leil\u00f5es tenta endere\u00e7ar justamente essas malhas que est\u00e3o sucateadas e cujos contratos vencem entre 2026 e 2027. <strong>Se os leil\u00f5es fracassarem, a alternativa ser\u00e1 a prorroga\u00e7\u00e3o emergencial dos contratos atuais.<\/strong><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio dos Transportes assegura que haver\u00e1 crit\u00e9rios mais claros de gest\u00e3o, devolu\u00e7\u00e3o racional de ativos e alinhamento \u00e0s diretrizes da pol\u00edtica ferrovi\u00e1ria &#8211; garantias estas que seriam dadas por portaria (532) publicada em 2024. Essas prerrogativas, ali\u00e1s, ser\u00e3o aplicadas em concess\u00f5es em que o governo optou por n\u00e3o fazer nova licita\u00e7\u00e3o e, sim, a renova\u00e7\u00e3o de contratos &#8211; caso das ferrovias <strong>Transnordestina Log\u00edstica<\/strong> (FTL), <strong>Tereza Cristina<\/strong> (FTC) e <strong>Centro-Atl\u00e2ntica<\/strong> (FCA).<\/p>\n<p>\u201cEstamos, portanto, diante de um momento historicamente decisivo. O foco deveria estar na reestrutura\u00e7\u00e3o da malha m\u00e9trica, aprendendo com os erros dos \u00faltimos 30 anos. Em alguns casos, ser\u00e1 necess\u00e1rio reconhecer que certos trechos n\u00e3o s\u00e3o mais vi\u00e1veis para carga e podem ser destinados ao transporte de passageiros em curtas dist\u00e2ncias, especialmente em \u00e1reas tur\u00edsticas ou de alta demanda, em coordena\u00e7\u00e3o com estados e munic\u00edpios. Isso pode ser associado ao modelo de <em>rail + property<\/em>, no qual o retorno do investimento vem tamb\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria nas \u00e1reas das esta\u00e7\u00f5es e p\u00e1tios ferrovi\u00e1rios\u201d, sugere o especialista.<\/p>\n<h2>Aportes p\u00fablicos est\u00e3o garantidos ao longo dos anos?<\/h2>\n<p>Outro desafio \u00e9 garantir que os aportes p\u00fablicos aconte\u00e7am ao longo do tempo conforme previsto nos projetos \u2013 algo historicamente desafiador no Brasil. Se investidores n\u00e3o sentirem seguran\u00e7a nesse aspecto, a tend\u00eancia \u00e9 que os processos n\u00e3o os atraiam.<\/p>\n<p>Na nova pol\u00edtica, os contratos n\u00e3o est\u00e3o limitados ao prazo tradicional de 35 anos. Considerando a magnitude dos investimentos e o ciclo de amortiza\u00e7\u00e3o, poder\u00e3o alcan\u00e7ar 50, 60 ou at\u00e9 70 anos, segundo o Minist\u00e9rio dos Transportes. Nos casos de autoriza\u00e7\u00e3o, os contratos poder\u00e3o chegar a at\u00e9 99 anos. A diretriz \u00e9 assegurar horizonte contratual compat\u00edvel com a natureza dos investimentos ferrovi\u00e1rios.<\/p>\n<p>A portaria que regulamenta a pol\u00edtica prev\u00ea tr\u00eas modalidades: concess\u00e3o comum com investimento cruzado; concess\u00e3o comum com transfer\u00eancia de recursos do Or\u00e7amento Geral da Uni\u00e3o (OGU); e concess\u00e3o patrocinada.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o minist\u00e9rio, os projetos atualmente estruturados n\u00e3o adotam concess\u00e3o patrocinada. A diretriz governamental \u00e9 priorizar concess\u00f5es comuns, preservando a responsabilidade fiscal e evitando a gera\u00e7\u00e3o de despesas correntes de longo prazo.<\/p>\n<p>Quando houver transfer\u00eancia de recursos da Uni\u00e3o, tr\u00eas crit\u00e9rios ser\u00e3o aplicados: o aporte n\u00e3o pode superar o gap de viabilidade do projeto, identificado no Estudo de Viabilidade T\u00e9cnica, Econ\u00f4mica e Ambiental (EVTEA), a partir do valor presente l\u00edquido; o valor transferido n\u00e3o poder\u00e1 exceder as despesas de capital previstas; e os recursos devem se destinar exclusivamente \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de bens revers\u00edveis. O modelo, afirma o governo, permite apoiar projetos estruturantes sem comprometer a sustentabilidade fiscal.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s d\u00e9cadas de estagna\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, o governo federal est\u00e1 apostando todas as fichas na Pol\u00edtica Nacional de Outorgas Ferrovi\u00e1rias para&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":287016,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-287047","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/287047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=287047"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/287047\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/287016"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=287047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=287047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=287047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}