{"id":284746,"date":"2026-03-15T05:02:00","date_gmt":"2026-03-15T09:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=284746"},"modified":"2026-03-15T05:02:00","modified_gmt":"2026-03-15T09:02:00","slug":"o-maior-problema-do-brasil-nao-esta-na-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=284746","title":{"rendered":"O maior problema do Brasil n\u00e3o est\u00e1 na economia"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Com frequ\u00eancia, os governos atribuem \u00e0 falta de recursos a maior dificuldade para o enfrentamento dos principais problemas do pa\u00eds. Trata-se, entretanto, de um sofisma. O Brasil n\u00e3o enfrenta quest\u00f5es econ\u00f4micas e financeiras t\u00e3o graves a ponto de frear o desenvolvimento e garantir aos cidad\u00e3os de todo o pa\u00eds uma vida mais digna. A economia n\u00e3o \u00e9 o problema.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se acostumou propagar, o atual est\u00e1gio do Brasil n\u00e3o \u00e9 culpa da falta de recursos financeiros ou da economia, mas de uma s\u00e9rie de fatores que, reunidos, formam a tempestade perfeita. O que de fato afeta o pa\u00eds s\u00e3o problemas \u00e9ticos, pol\u00edticos e de gest\u00e3o, todos eles com reflexos negativos na sa\u00fade econ\u00f4mico-financeira nacional.<\/p>\n<p>Mentiras, falsas narrativas, corrup\u00e7\u00e3o e impunidade s\u00e3o faces bem vis\u00edveis da degrada\u00e7\u00e3o \u00e9tica da classe pol\u00edtica, contaminando a sociedade com a falsa sensa\u00e7\u00e3o de que o crime compensa ou que o mais importante \u00e9 se dar bem a qualquer custo. \u00c9 a Lei de G\u00e9rson ainda vigorando. Os problemas pol\u00edticos parecem n\u00e3o ter fim, alimentados pela institui\u00e7\u00e3o da reelei\u00e7\u00e3o para cargos do Executivo, em 1997 \u2013 que faz o governante se preocupar em buscar um novo mandato j\u00e1 no primeiro dia de sua gest\u00e3o \u2013; pela transforma\u00e7\u00e3o dos governos de coaliz\u00e3o em governos de coopta\u00e7\u00e3o, com a pr\u00e1tica rotineira do toma-l\u00e1-d\u00e1-c\u00e1; e pela concess\u00e3o sem fim de privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia de tudo isso s\u00e3o os ser\u00edssimos problemas de gest\u00e3o, com dificuldades de governan\u00e7a que trouxeram resultados desastrosos ao Brasil, como gigantismo e inefici\u00eancia da m\u00e1quina p\u00fablica, exorbit\u00e2ncia dos gastos tribut\u00e1rios e d\u00e9ficit p\u00fablico incontrol\u00e1vel. \u00c9 o que mostram os n\u00fameros oficiais.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Mentiras, falsas narrativas, corrup\u00e7\u00e3o e impunidade s\u00e3o faces bem vis\u00edveis da degrada\u00e7\u00e3o \u00e9tica da classe pol\u00edtica, contaminando a sociedade com a falsa sensa\u00e7\u00e3o de que o crime compensa ou que o mais importante \u00e9 se dar bem a qualquer custo. \u00c9 a Lei de G\u00e9rson ainda vigorando<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para sustentar a m\u00e1quina p\u00fablica, por exemplo, o governo geral (Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios) gasta 12,5% do Produto Interno Bruto (PIB). \u00c9 um \u00edndice muito acima da m\u00e9dia (9,8% do PIB) investida pelos 38 pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). O desperd\u00edcio anual brasileiro, portanto, corresponde a 2,7% do PIB, equivalente a cerca de R$ 315 bilh\u00f5es por ano em valores de hoje.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Brasil deixa de arrecadar o correspondente a 5% do PIB com a concess\u00e3o de ren\u00fancias fiscais, hoje denominadas gastos tribut\u00e1rios. Destaca-se que os governos dos presidentes filiados ao PT foram respons\u00e1veis por conceder mais de tr\u00eas quartos do total dessas ren\u00fancias. Nesse caso, desperdi\u00e7a-se o equivalente a 3% do PIB (cerca de R$ 350 bilh\u00f5es por ano em valores de hoje), simplesmente porque deixa de cumprir a Emenda Constitucional n\u00ba 109, de 2021, a qual determina que, em at\u00e9 oito anos, esses benef\u00edcios n\u00e3o poder\u00e3o ultrapassar 2% do PIB.<\/p>\n<p>Outro problema cr\u00f4nico nacional \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o, respons\u00e1vel por consumir de 2,5% a 3,0% do PIB, segundo estimativas de organismos brasileiros e internacionais. Acabar com 100% da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 utopia, especialmente no Brasil. Ent\u00e3o, admitindo-se \u2013 embora n\u00e3o seja ideal e apenas para efeito de redu\u00e7\u00e3o do dano \u2013 que, por meio de medidas efetivas de combate, com severa puni\u00e7\u00e3o e afastamento da vida p\u00fablica dos respons\u00e1veis por crimes praticados contra a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, al\u00e9m da devolu\u00e7\u00e3o integral dos valores desviados dos cofres p\u00fablicos, seja poss\u00edvel reduzir esse percentual de 3% para cerca de 1% do PIB, significaria que dispor\u00edamos de cerca de 2% do PIB por ano (aproximadamente R$ 234 bilh\u00f5es em valores atuais) para investimentos.<\/p>\n<p>Se atacasse essas tr\u00eas frentes, o Brasil economizaria cerca de R$ 900 bilh\u00f5es por ano, algo semelhante a 7,7% do PIB. Um montante significativo, especialmente para uma na\u00e7\u00e3o com tantas car\u00eancias. Refor\u00e7o garantido para o Tesouro, sem necessidade de cria\u00e7\u00e3o de novos impostos e sem fomentar a divis\u00e3o do pa\u00eds entre pobres, ricos e super-ricos.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Tais recursos seriam suficientes para assegurar a isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda para os contribuintes que ganham at\u00e9 R$ 5.000,00 por m\u00eas; corrigir em 10% (soma da infla\u00e7\u00e3o de 2024 e 2025) o benef\u00edcio do Bolsa Fam\u00edlia; e atender necessidades do P\u00e9-de-Meia, da Farm\u00e1cia Popular e do novo Vale-G\u00e1s. Ainda sobraria valor para investimento em infraestrutura e para a elimina\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit prim\u00e1rio, o que abriria a possibilidade de o Banco Central reduzir os juros, baixando a taxa Selic dos atuais 15% para menos de 12% ao ano. Para se ter uma ideia do que isso representaria, cada ponto percentual a menos na taxa Selic assegura ao governo economia adicional de R$ 90 a R$ 100 bilh\u00f5es por ano. Assim, uma redu\u00e7\u00e3o de tr\u00eas pontos percentuais em tr\u00eas anos resultaria em recursos poupados da ordem de R$ 270 a R$ 300 bilh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>Seria um impulso importante para mitigar um grave problema de gest\u00e3o: a d\u00edvida p\u00fablica, que j\u00e1 soma R$ 9,30 trilh\u00f5es, valor que corresponde a cerca de 76,6% do PIB (Folha de S. Paulo, 01.08.2025), ou at\u00e9 80%, se considerado o crit\u00e9rio do Banco Mundial. H\u00e1 outros \u00edndices preocupantes. O d\u00e9ficit p\u00fablico prim\u00e1rio de 0,5% do PIB e o d\u00e9ficit nominal j\u00e1 superam 9% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 1,20 trilh\u00e3o, n\u00fameros suficientes para demonstrar a falta de compet\u00eancia administrativa e comprometimento para estancar e impedir o crescimento da d\u00edvida e a evolu\u00e7\u00e3o do quadro a esse n\u00edvel, altamente prejudicial ao Tesouro nacional.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas alternativas para a revers\u00e3o dessa situa\u00e7\u00e3o, de forma a dar novamente esperan\u00e7a de dias melhores ao povo brasileiro, j\u00e1 cansado de tantas promessas v\u00e3s. Um bom exemplo para o primeiro passo nesse sentido est\u00e1 na hist\u00f3ria e foi dado antes de Cristo, mais precisamente nas palavras do pol\u00edtico e fil\u00f3sofo romano Marco T\u00falio C\u00edcero: \u201cO or\u00e7amento deve ser equilibrado, o tesouro p\u00fablico deve ser reposto. A d\u00edvida p\u00fablica deve ser reduzida. A arrog\u00e2ncia dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos deve ser moderada e controlada e a ajuda a outros pa\u00edses deve ser eliminada para que Roma n\u00e3o v\u00e1 \u00e0 fal\u00eancia. As pessoas devem novamente aprender a trabalhar em vez de viver \u00e0s custas do Estado\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>Samuel Hanan <\/strong>\u00e9 engenheiro com especializa\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de macroeconomia, administra\u00e7\u00e3o de empresas e finan\u00e7as, empres\u00e1rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999\u20132002). Autor dos livros<\/em> Brasil, um pa\u00eds \u00e0 deriva <em>e<\/em> Caminhos para um pa\u00eds sem rumo.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com frequ\u00eancia, os governos atribuem \u00e0 falta de recursos a maior dificuldade para o enfrentamento dos principais problemas do pa\u00eds.&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":284747,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-284746","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/284746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=284746"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/284746\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/284747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=284746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=284746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=284746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}