{"id":282673,"date":"2026-03-14T13:00:00","date_gmt":"2026-03-14T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=282673"},"modified":"2026-03-14T13:00:00","modified_gmt":"2026-03-14T17:00:00","slug":"maioria-dos-psicologos-cre-em-deus-mas-so-discute-religiao-com-paciente-se-ele-pedir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=282673","title":{"rendered":"Maioria dos psic\u00f3logos cr\u00ea em Deus, mas s\u00f3 discute religi\u00e3o com paciente se ele pedir"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/13220252\/psicologos-religiao.jpg.webp\" \/><span>Apesar de a maioria dos psic\u00f3logos crer em Deus e ter filia\u00e7\u00e3o religiosa, eles acham inapropriado iniciar conversa sobre religi\u00e3o com os pacientes. (Foto: Imagem criada utilizando Whisk\/Gazeta do Povo)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>A revista acad\u00eamica <em>Spirituality in Clinical Practice<\/em>, publicada pela Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psicologia, publicou em fevereiro um <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1037\/scp0000412\">perfil <\/a>dos psic\u00f3logos brasileiros no que diz respeito \u00e0 religiosidade pessoal, \u00e0 percep\u00e7\u00e3o sobre os efeitos da f\u00e9 na sa\u00fade mental, e \u00e0 intera\u00e7\u00e3o com pacientes. O artigo tem como base a <a href=\"https:\/\/repositorio.ufjf.br\/jspui\/bitstream\/ufjf\/12370\/3\/pedritareisvargaspaulino.pdf\">tese de doutorado<\/a> de Pedrita Reis Vargas, pesquisadora do N\u00facleo de Pesquisa em Espiritualidade e Sa\u00fade da Universidade Federal de Juiz de Fora (Nupes-UFJF), defendida em 2019, com dados coletados entre 2016 e 2018. Dos 4,3 mil psic\u00f3logos com registro em conselho que responderam ao question\u00e1rio, 83,4% acreditam em Deus e quase 80% t\u00eam alguma filia\u00e7\u00e3o religiosa, mas eles evitam tomar a iniciativa de conversar sobre religi\u00e3o com os pacientes: quase 78% dos entrevistados acham inapropriado discutir religi\u00e3o ou espiritualidade com os pacientes se eles mesmos n\u00e3o trouxerem o assunto \u00e0 tona.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A religiosidade dos psic\u00f3logos foi uma das constata\u00e7\u00f5es que surpreenderam Pedrita. \u201cDurante muito tempo existiu uma percep\u00e7\u00e3o de que a psicologia seria um campo majoritariamente distante da religi\u00e3o. O que os dados mostram \u00e9 que a realidade \u00e9 mais complexa: muitos profissionais t\u00eam cren\u00e7as pessoais, mas isso n\u00e3o significa automaticamente que essas cren\u00e7as orientem a pr\u00e1tica cl\u00ednica \u2013 e nem deveria\u201d, afirmou ela ao <strong>Tubo de Ensaio<\/strong>. Al\u00e9m dos dados sobre cren\u00e7a em Deus e filia\u00e7\u00e3o religiosa, a pesquisa ainda identificou que um ter\u00e7o dos entrevistados participa de cerim\u00f4nias religiosas (missa, culto etc.) ao menos uma vez por semana, e 41% reportaram altos \u00edndices de religiosidade.<\/p>\n<h3>Psic\u00f3logo n\u00e3o pergunta sobre religi\u00e3o, mas pacientes costumam trazer o tema<\/h3>\n<p>O fato de os psic\u00f3logos terem cren\u00e7as religiosas ou espirituais, considerarem a f\u00e9 importante em suas vidas ou frequentarem templos ou igrejas n\u00e3o significa que eles tenham o h\u00e1bito de puxar o assunto com seus pacientes: 77,9% dizem que \u00e9 inapropriado falar de religiosidade ou espiritualidade com os pacientes por iniciativa pr\u00f3pria. Isso n\u00e3o significa que a f\u00e9 passe longe dos consult\u00f3rios: quatro em cada cinco entrevistados (80%) afirmaram que os pacientes trazem o assunto ao menos de vez em quando.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<p>\u201cDurante muito tempo existiu uma percep\u00e7\u00e3o de que a psicologia seria um campo majoritariamente distante da religi\u00e3o. O que os dados mostram \u00e9 que a realidade \u00e9 mais complexa.\u201d<\/p>\n<p><cite>Pedrita Reis Vargas, pesquisadora do Nupes-UFJF<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Se \u00e9 o paciente quem traz a religi\u00e3o para a consulta, s\u00e3o 70,1% os psic\u00f3logos que acham apropriado discutir o tema, indicando que uma parcela significativa, ainda que minorit\u00e1ria, n\u00e3o acha que seja uma boa ideia conversar sobre religi\u00e3o com os pacientes mesmo quando s\u00e3o eles que tomam a iniciativa. A principal atitude descrita pelos entrevistados \u00e9 a de ouvir respeitosamente; \u00e0s vezes os psic\u00f3logos encorajam a pr\u00e1tica religiosa dos pacientes, raramente compartilham as pr\u00f3prias experi\u00eancias e quase nunca rezam junto com os pacientes \u2013 atitude considerada inapropriada por 67,5%. \u201cA psicologia cl\u00ednica \u00e9 centrada no paciente. O que orienta o processo terap\u00eautico s\u00e3o os valores e a experi\u00eancia da pessoa atendida, n\u00e3o as cren\u00e7as pessoais do profissional\u201d, diz Pedrita.<\/p>\n<h3>Psic\u00f3logos avaliam efeitos da espiritualidade sobre a sa\u00fade mental<\/h3>\n<p>A maioria dos psic\u00f3logos disse considerar que a religi\u00e3o e a espiritualidade podem ajudar o paciente a lidar com dor, o sofrimento ou a doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m que elas podem provocar culpa, ansiedade ou sentimentos negativos \u2013 90% e 70%, respectivamente. A pesquisa encontrou algumas correla\u00e7\u00f5es interessantes: os psic\u00f3logos que t\u00eam f\u00e9 religiosa tendem mais a acreditar em efeitos ben\u00e9ficos da espiritualidade sobre os pacientes; no sentido contr\u00e1rio, os psic\u00f3logos com maior grau acad\u00eamico (mestrado ou doutorado), e os que seguem a linha da psican\u00e1lise, s\u00e3o mais propensos a destacar os efeitos negativos.<\/p>\n<p>Comentando esses n\u00fameros, Pedrita alertou que correla\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa causalidade, e por isso ela apenas levanta algumas hip\u00f3teses interpretativas. \u201cUma das possibilidades \u00e9 a de que a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica mais avan\u00e7ada estimule uma postura mais cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es sociais, incluindo as religiosas. Esses profissionais tamb\u00e9m costumam estar mais expostos a debates sobre poss\u00edveis efeitos negativos da religiosidade, como culpa excessiva, conflitos morais ou experi\u00eancias de exclus\u00e3o\u201d, diz a pesquisadora. Al\u00e9m disso, ela afirma que, na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, os psic\u00f3logos tendem a se aprofundar em \u00e1reas cada vez mais espec\u00edficas do conhecimento. \u201cEsse foco mais especializado pode reduzir o contato com temas interdisciplinares, como a interface entre espiritualidade e sa\u00fade, que ainda n\u00e3o est\u00e1 amplamente presente em muitas forma\u00e7\u00f5es\u201d, acrescenta Pedrita.<\/p>\n<p>E a psican\u00e1lise? \u201cAlgumas tradi\u00e7\u00f5es da psicologia historicamente tiveram uma postura mais cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o, o que pode influenciar a forma como certos profissionais interpretam o fen\u00f4meno religioso\u201d, diz Pedrita. Se pensarmos que o \u201cpai da psican\u00e1lise\u201d, Sigmund Freud, era um sujeito bastante hostil \u00e0 pr\u00f3pria ideia de Deus, e via a religi\u00e3o como uma forma de canalizar impulsos primitivos, de fato n\u00e3o surpreende que tantos de seus adeptos prefiram destacar os efeitos negativos da espiritualidade sobre os pacientes. Mas essa percep\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de ser movida por puro preconceito antirreligioso. \u201cA pr\u00f3pria literatura cient\u00edfica contempor\u00e2nea mostra que religiosidade e espiritualidade podem ter tanto efeitos positivos quanto negativos sobre a sa\u00fade, dependendo de como s\u00e3o vividas. A pesquisa n\u00e3o toma posi\u00e7\u00e3o sobre isso, apenas procura mapear a vis\u00e3o dos psic\u00f3logos\u201d, afirma a pesquisadora do Nupes-UFJF.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h3>Falta treinamento para psic\u00f3logos lidarem com quest\u00f5es de espiritualidade e sa\u00fade<\/h3>\n<p>\u201cEmbora muitos profissionais reconhe\u00e7am que a espiritualidade pode influenciar a sa\u00fade e o bem-estar das pessoas, apenas uma parcela menor relatou ter recebido treinamento para abordar esse tema de forma adequada na cl\u00ednica\u201d, diz Pedrita. Pouco menos de um quarto dos entrevistados (24,2%) disseram ter tido algum tipo de treinamento em temas de religi\u00e3o e espiritualidade \u2013 na maioria dos casos, isso ocorreu durante a faculdade, embora tamb\u00e9m tenham sido mencionados outros canais como cursos, confer\u00eancias e leituras. Cerca de dois ter\u00e7os dos psic\u00f3logos entrevistados (68,3%) gostariam de adquirir mais conhecimento sobre o tema, com uma porcentagem ligeiramente menor (63,7%) achando que ele deveria estar presente de alguma forma no curr\u00edculo dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia. Novamente, Pedrita encontrou uma correla\u00e7\u00e3o entre maior religiosidade dos psic\u00f3logos e maior demanda por aprofundamento em quest\u00f5es de religi\u00e3o e espiritualidade na pr\u00e1tica cl\u00ednica.<\/p>\n<h3>Hostilidade laicista de conselhos j\u00e1 era percebida<\/h3>\n<p>Parece paradoxal que, enquanto a ampla maioria dos psic\u00f3logos acredite em Deus e tenha filia\u00e7\u00e3o religiosa, os conselhos que regulam a atividade em n\u00edvel estadual e federal demonstrem uma hostilidade laicista que vai al\u00e9m da simples laicidade. Ainda que a pesquisa n\u00e3o tivesse entre seus objetivos avaliar posi\u00e7\u00f5es institucionais do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e dos conselhos regionais (CRPs), eles foram mencionados por alguns entrevistados, especialmente evang\u00e9licos: um se disse \u201cintimidado com a rigidez com que os conselhos de psicologia lidam com o tema\u201d; outra afirmou perceber \u201ccerta intoler\u00e2ncia por parte da categoria quanto \u00e0s premissas e perspectiva da minha religi\u00e3o\u201d; para uma terceira, os conselhos \u201ccom frequ\u00eancia se posicionam contra a pr\u00e1tica crist\u00e3, enquanto outros psic\u00f3logos que defendem outras religi\u00f5es n\u00e3o sofrem tal press\u00e3o\u201d. Um entrevistado cat\u00f3lico disse que \u201ctemos sempre muito medo de discuss\u00f5es devido \u00e0s in\u00fameras amea\u00e7as sofridas por profissionais pelo conselho de psicologia\u201d. E isso, recordemos, foi entre 2016 e 2018, muitos anos antes da c\u00e9lebre <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/guilherme-de-carvalho\/artigo-bruno-bracco-conselho-federal-de-psicologia\/\">Resolu\u00e7\u00e3o 7\/2023<\/a> do CFP&#8230;<\/p>\n<p>\u201cO princ\u00edpio da laicidade na profiss\u00e3o \u00e9 importante porque garante que o atendimento psicol\u00f3gico n\u00e3o seja orientado por cren\u00e7as religiosas do profissional. Isso protege a diversidade de pacientes e evita pr\u00e1ticas de proselitismo\u201d, diz Pedrita. \u201cAo mesmo tempo, reconhecer a laicidade da profiss\u00e3o n\u00e3o significa ignorar que a religiosidade e a espiritualidade podem ser dimens\u00f5es importantes na vida de muitos pacientes. O desafio da forma\u00e7\u00e3o em psicologia \u00e9 justamente preparar os profissionais para lidar com essa dimens\u00e3o de forma \u00e9tica, t\u00e9cnica e centrada no paciente, quando ela aparece no contexto cl\u00ednico. O foco principal do estudo \u00e9 contribuir para o debate sobre forma\u00e7\u00e3o profissional e compet\u00eancia cultural, e n\u00e3o sobre disputas institucionais\u201d, acrescenta a pesquisadora.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<p>\u201cO terapeuta precisa estar apto a compreender e respeitar os valores, cren\u00e7as e formas de dar sentido \u00e0 vida que s\u00e3o importantes para aquela pessoa.\u201d<\/p>\n<p><cite>Pedrita Reis Vargas, pesquisadora do Nupes-UFJF<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Pedrita finaliza dizendo que a pesquisa n\u00e3o defende a introdu\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o na terapia. \u201cO ponto central \u00e9 compreender se os profissionais est\u00e3o preparados para lidar com essa dimens\u00e3o quando ela aparece na experi\u00eancia do paciente. O terapeuta precisa estar apto a compreender e respeitar os valores, cren\u00e7as e formas de dar sentido \u00e0 vida que s\u00e3o importantes para aquela pessoa. Mais do que compartilhar as mesmas cren\u00e7as, o fundamental \u00e9 que o profissional tenha forma\u00e7\u00e3o e preparo para acolher essa dimens\u00e3o quando ela \u00e9 significativa para o paciente, sem impor suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es\u201d, diz.<\/p>\n<h2>Sindonologistas respondem a pesquisador brasileiro que prop\u00f4s hip\u00f3tese para forma\u00e7\u00e3o da imagem do Sud\u00e1rio<\/h2>\n<p>Os sindonologistas Tristan Casabianca, Emanuela Marinelli e Alessandro Piana tomaram conhecimento da resposta que o pesquisador brasileiro C\u00edcero Moraes enviou ao <strong>Tubo de Ensaio<\/strong>, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/tubo-de-ensaio\/resposta-cicero-moraes-sudario-de-turim\/\">publicada na coluna anterior<\/a>, e tamb\u00e9m pediram espa\u00e7o para uma tr\u00e9plica, reproduzida a seguir, e traduzida do italiano pelo colunista.<\/p>\n<h3>Moraes faz <em>cherry-picking<\/em> da literatura acad\u00eamica sobre o Sud\u00e1rio<\/h3>\n<p><em>Tristan Casabianca, Emanuela Marinelli e Alessandro Piana<\/em><\/p>\n<p>Para n\u00f3s, a resposta de C\u00edcero Moraes \u00e9 uma boa not\u00edcia. Especialmente pela forma pacata, o que muda a situa\u00e7\u00e3o. Desde a publica\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/epdf\/10.1111\/arcm.70109?domain=author&amp;token=6X8FRKD9X5SZRVQEEEGR\">nosso coment\u00e1rio em <em>Archaeometry<\/em><\/a> Moraes n\u00e3o havia cessado de perseguir-nos nas m\u00eddias sociais com sua vingan\u00e7a e insultos. Proclamava em alto e bom som, para sua grande satisfa\u00e7\u00e3o, ter-nos demolido, feito em peda\u00e7os, qualificando-nos como arrogantes, covardes, mal-educados, \u201cindiv\u00edduos passivos que s\u00f3 compartilham as not\u00edcias favor\u00e1veis\u201d etc. Agora, moderou o tom, e isso \u00e9 positivo.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que os pesquisadores normalmente t\u00eam um ego grande, e s\u00e3o raros os que gostam de ver suas teorias contestadas. Mas \u00e9 preciso saber impor-se um limite. Moraes, que n\u00e3o para de se vangloriar de ter uma intelig\u00eancia fora do comum, de pertencer \u00e0 Poetic Genius Society (sim, existe de verdade!), deveria compreender isso e demonstrar mais conten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que Moraes v\u00ea seu trabalho colocado em debate e perde o controle. Em 2024, foi <a href=\"https:\/\/www.arup.cas.cz\/en\/statement-aru-arub\/\">severamente criticado<\/a> pelo Instituto de Arqueologia da Academia Tcheca de Ci\u00eancias. Ele havia tentado reconstruir o rosto de Jan \u017di\u017eka de Trocnov; os cientistas afirmaram que o m\u00e9todo usado era \u201ccientificamente inadequado para reconstruir um rosto inteiro a partir de pequenos fragmentos\u201d, e acrescentaram que \u201cnos opomos ferrenhamente a ataques pessoais da parte da equipe de autores contra membros da comunidade cient\u00edfica que resolvam criticar publicamente o trabalho atual ou passado de Moraes e seus colegas\u201d. No mesmo ano, Moraes procurou reproduzir o rosto do fara\u00f3 Amenhotep I; o c\u00e9lebre egipt\u00f3logo Zahi Hawass descreveu o m\u00e9todo como <a href=\"https:\/\/www.dailymail.co.uk\/sciencetech\/article-13894605\/True-face-pharaoh-Valley-Kings-ancient-Egypt.html%20https:\/english.ahram.org.eg\/News\/533942.aspx\">\u201ccientificamente defeituoso\u201d<\/a>. \u00a0Mas Moraes pode pensar que h\u00e1 g\u00eanios incompreendidos&#8230;<\/p>\n<p>Infelizmente, ele repete os mesmos erros com o Sud\u00e1rio de Turim, um tema que ele claramente n\u00e3o domina. N\u00e3o faltam erros de metodologia em seu artigo original; eles s\u00e3o evidentes e resultam principalmente de uma grande ignor\u00e2ncia da literatura acad\u00eamica. Como ressaltamos em nossa resposta, o fen\u00f4meno da distor\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica \u00e9 bem conhecido por todos os especialistas e foi descrito com precis\u00e3o j\u00e1 em 1902, pelo cientista franc\u00eas Paul Vignon. Mas Moraes ignora totalmente esse aspecto, e sua resposta a nosso coment\u00e1rio evidencia uma t\u00e1tica ret\u00f3rica que tenta se justificar de forma enganosa.<\/p>\n<p>Moraes faz <em>cherry-picking<\/em>, ou seja, destaca uma frase de um artigo para faz\u00ea-lo dizer seu exato oposto, contextualizando-a de forma que lhe seja vantajosa. Ele fez isso com uma <a href=\"https:\/\/shroud.com\/pdfs\/Chemical%20Investigation%20%20Heller%20Adler%201981%20OCR.pdf\">publica\u00e7\u00e3o<\/a> de J.H. Heller e A.D. Adler, do Shroud of Turin Research Project (Sturp), como se eles estivessem falando de pigmentos de tinta. Moraes escreve: \u201cAfirma-se com frequ\u00eancia que a aus\u00eancia de pigmentos foi demonstrada definitivamente. No entanto, os mesmos pesquisadores reconheceram que a aus\u00eancia de certos compostos detect\u00e1veis n\u00e3o significa necessariamente que tais subst\u00e2ncias nunca tenham estado presentes\u201d. Mas Heller e Adler n\u00e3o buscavam pigmentos de um artista; eles se referiam a a gordura, \u00f3leos e sab\u00f5es, pois estavam checando a hip\u00f3tese de que a imagem do Sud\u00e1rio tivesse sido feita pelo suor do corpo e pelos perfumes em solu\u00e7\u00e3o oleosa com os quais tanto o cad\u00e1ver quanto o pano pudessem ter sido tratados.<\/p>\n<p>Moraes tamb\u00e9m tenta fazer com que digamos o contr\u00e1rio do que dissemos em <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/arcm.12467\">nosso artigo de 2019 publicado por <em>Archaeometry<\/em><\/a>. Ele destaca a seguinte frase: \u201cNossos resultados estat\u00edsticos n\u00e3o implicam que a hip\u00f3tese medieval para a idade da amostra analisada deva ser exclu\u00edda\u201d. E a comenta assim: \u201cos pr\u00f3prios autores afirmam que seus resultados estat\u00edsticos n\u00e3o implicam o descarte da hip\u00f3tese medieval, mantendo o tema em aberto no campo cient\u00edfico\u201d. Mas n\u00f3s nos refer\u00edamos \u00e0quela amostra de apenas tr\u00eas cent\u00edmetros, que \u00e9 medieval, com uma margem de erro de 150 anos.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<div class=\"postQuote_post-quote-content__wp4c4\">\n<p>\u201cO fen\u00f4meno da distor\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica \u00e9 bem conhecido por todos os especialistas e foi descrito com precis\u00e3o j\u00e1 em 1902, pelo cientista franc\u00eas Paul Vignon. Mas Moraes ignora totalmente esse aspecto.\u201d<\/p>\n<p><cite>Tristan Casabianca, Emanuela Marinelli e Alessandro Piana<\/cite><\/p><\/div>\n<\/blockquote>\n<p>Que fique claro: a heterogeneidade das medi\u00e7\u00f5es \u00e9 tanta que n\u00e3o temos nenhuma garantia de que elas reflitam a idade exata da amostra analisada, e nem que essa amostra seja representativa do pano todo, devido \u00e0s in\u00fameras contamina\u00e7\u00f5es constatadas. Pior ainda: como afirmamos em nosso coment\u00e1rio, a exist\u00eancia de um gradiente dentro da amostra torna absurdo cravar qualquer intervalo de tempo, porque bastaria que a medi\u00e7\u00e3o fosse feita poucos cent\u00edmetros para dentro do pano para que a idade resultante fosse bem diferente. Conclu\u00edmos que \u201cn\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que a data\u00e7\u00e3o por carbono-14 de 1988 oferece \u2018evid\u00eancia conclusiva\u2019 de que o intervalo temporal \u00e9 preciso e representativo de todo o tecido\u201d.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O fato \u00e9 que Moraes faz <em>cherry-picking<\/em> de toda a literatura acad\u00eamica sobre o Sud\u00e1rio de Turim. Todos os estudos que n\u00e3o se encaixam em seu quadro interpretativo pr\u00e9-definido s\u00e3o descartados <em>a priori<\/em>. Quando se multiplicam as confirma\u00e7\u00f5es independentes da presen\u00e7a de sangue no tecido, quando ningu\u00e9m mais coloca em d\u00favida a superficialidade da imagem, quando se sabe que n\u00e3o h\u00e1 imagem sob as manchas de sangue, nada disso conta para ele: s\u00f3 o que conta \u00e9 uma velha teoria interpretativa j\u00e1 descartada nos anos 1980, a de um enorme baixo-relevo, \u00fanico do g\u00eanero e imposs\u00edvel de realizar na Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>Os elementos hist\u00f3ricos laboriosamente apresentados por Moraes contradizem sua tese e, mais uma vez, resultam de uma enorme incompreens\u00e3o da hist\u00f3ria da arte. N\u00e3o apenas os exemplos dados por ele n\u00e3o t\u00eam \u2013 como ele pr\u00f3prio admite \u2013 qualquer liga\u00e7\u00e3o com uma representa\u00e7\u00e3o de Jesus crucificado, como tamb\u00e9m Moraes parece crer que um g\u00eanio medieval an\u00f4nimo, desconhecido dos historiadores, surgiu do nada, sem se beneficiar da transmiss\u00e3o t\u00e9cnica, n\u00e3o deixou vest\u00edgio algum de si mesmo e tampouco reuniu um grupo de disc\u00edpulos capazes de transmitir seu conhecimento. Nenhum g\u00eanio, em toda a hist\u00f3ria da arte ocidental, surgiu dessa forma, de Fra Angelico a Picasso, passando por Leonardo da Vinci. Isso n\u00e3o s\u00f3 nunca existiu, como nunca poderia ter existido!<\/p>\n<p>A tentativa de C\u00edcero Moraes falhou porque ela n\u00e3o apoia \u2013 como ele afirma desajeitadamente \u2013 a hip\u00f3tese do um baixo-relevo medieval, muito pelo contr\u00e1rio. Seu fracasso tem ra\u00edzes mais profundas: uma abordagem metodologicamente falha para realizar reconstru\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas. Profeta involunt\u00e1rio, Moraes acaba de anunciar, de forma ruidosa, confusa e contra a sua vontade, uma boa not\u00edcia: a autenticidade do Sud\u00e1rio de Turim.<\/p>\n<\/div>\n<h2>Voc\u00ea pode se interessar<\/h2>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de a maioria dos psic\u00f3logos crer em Deus e ter filia\u00e7\u00e3o religiosa, eles acham inapropriado iniciar conversa sobre religi\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":282674,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-282673","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/282673","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=282673"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/282673\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/282674"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=282673"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=282673"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villanews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=282673"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}