{"id":274605,"date":"2026-03-12T12:32:14","date_gmt":"2026-03-12T16:32:14","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=274605"},"modified":"2026-03-12T12:32:14","modified_gmt":"2026-03-12T16:32:14","slug":"o-novo-mapa-que-revela-os-segredos-escondidos-embaixo-do-gelo-da-antartida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=274605","title":{"rendered":"O novo mapa que revela os segredos escondidos embaixo do gelo da Ant\u00e1rtida"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Durante d\u00e9cadas, a Ant\u00e1rtida foi vista como um imenso bloco branco no mapa. Um <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/artigos\/artico-e-o-novo-e-desconhecido-tabuleiro-de-disputa-geopolitica\/\">continente coberto por gelo<\/a>, isolado e aparentemente uniforme. Mas o novo mapa subglacial da Ant\u00e1rtida mostra que, sob essa camada congelada, que pode ultrapassar quatro quil\u00f4metros de espessura, <strong>existe um relevo complexo, com montanhas, vales profundos e extensos c\u00e2nions subglaciais.<\/strong><\/p>\n<p>O que antes era apenas suposi\u00e7\u00e3o, agora come\u00e7a a ganhar contornos mais precisos a partir da <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aee4245\">recente pesquisa publicada pela revista Science<\/a>, liderada tamb\u00e9m pelo glaciologista Robert Bingham, da Universidade de Edimburgo, na Esc\u00f3cia. E isso muda a forma como os cientistas entendem o passado e o futuro do planeta.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>O que \u00e9 o novo mapa subglacial da Ant\u00e1rtida?<\/h2>\n<p>O novo mapa em quest\u00e3o \u00e9 o resultado de d\u00e9cadas de coleta de dados combinados em um modelo mais detalhado do terreno escondido sob o gelo.<\/p>\n<p>Ele revela com ainda mais precis\u00e3o a geologia da Ant\u00e1rtida, mostrando cadeias montanhosas inteiras, planaltos, depress\u00f5es profundas e estruturas que ajudam a explicar como o gelo se movimenta hoje.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de curiosidade geogr\u00e1fica. <strong>O relevo <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/nasa-encontra-base-militar-construida-sob-gelo-groenlandia-durante-guerra-fria\/\">submerso na Ant\u00e1rtida<\/a> influencia diretamente o comportamento das geleiras<\/strong> e, consequentemente, o n\u00edvel dos oceanos.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Reuters, o glaciologista destaca a import\u00e2ncia do mapeamento. &#8220;Ter o mapa mais preciso do formato do leito glacial da Ant\u00e1rtida \u00e9 crucial, porque o formato do leito \u00e9 um fator importante no controle do atrito que atua contra o fluxo de gelo, o qual, por sua vez, precisamos incluir em modelos num\u00e9ricos usados \u200b\u200bpara projetar a rapidez com que o gelo da Ant\u00e1rtida fluir\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o ao oceano, derreter\u00e1 e contribuir\u00e1 para a eleva\u00e7\u00e3o global do n\u00edvel do mar&#8221;, afirma.<\/p>\n<h3>Como os cientistas mapearam a regi\u00e3o?<\/h3>\n<p>O avan\u00e7o sob camadas de gelo s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao uso de tecnologias de sensoriamento remoto e, principalmente, do chamado radar ant\u00e1rtico.<\/p>\n<p><strong>A t\u00e9cnica funciona de forma relativamente simples: <\/strong>avi\u00f5es e sat\u00e9lites emitem ondas de r\u00e1dio que atravessam o gelo e refletem quando atingem a rocha abaixo. Ao analisar o tempo de retorno do sinal, os pesquisadores conseguem calcular a espessura do gelo e mapear o formato do terreno.<\/p>\n<p>Esses dados foram reunidos por equipes internacionais de ci\u00eancia polar, que compilaram medi\u00e7\u00f5es feitas ao longo de d\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. No entanto, ainda h\u00e1 muito o que descobrir.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea consegue ter uma ideia do que est\u00e1 embaixo do edredom, mas n\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria completa&#8221;, afirma Duncan Young, glaciologista da Universidade do Texas em Austin, em entrevista \u00e0 Science.<\/p>\n<h2>O que o mapa revela sobre a hist\u00f3ria do continente?<\/h2>\n<p>A geologia da Ant\u00e1rtida tamb\u00e9m guarda pistas sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos continentes. As estruturas identificadas ajudam a reconstruir movimentos tect\u00f4nicos antigos, quando a Ant\u00e1rtida fazia parte do supercontinente Gondwana.<\/p>\n<p>Cadeias montanhosas enterradas indicam processos geol\u00f3gicos que ocorreram milh\u00f5es de anos antes de o gelo dominar a paisagem. Assim, o novo mapa n\u00e3o apenas descreve o presente, mas contribui para entender o passado profundo do planeta.<\/p>\n<h3>Montanhas sob o gelo e c\u00e2nions mais profundos do que se imaginava<\/h3>\n<p>O mapa mostra que existem na Ant\u00e1rtida cadeias de montanhas inteiras soterradas, algumas compar\u00e1veis em escala a grandes sistemas montanhosos conhecidos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram <strong>identificados c\u00e2nions subglaciais que ajudam a direcionar o fluxo do gelo.<\/strong> Em algumas regi\u00f5es, o terreno forma verdadeiros corredores naturais que aceleram o deslocamento das massas glaciais em dire\u00e7\u00e3o ao mar.<\/p>\n<p>Essas descobertas refinam o que j\u00e1 se sabia. Antes, os modelos eram mais gen\u00e9ricos. Agora, os cientistas conseguem observar detalhes que fazem diferen\u00e7a nos c\u00e1lculos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<h2>Por que o relevo sob o gelo \u00e9 t\u00e3o importante?<\/h2>\n<p>Entender o mapa subglacial da Ant\u00e1rtida \u00e9 essencial para prever como o gelo vai <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/ideias\/fim-catastrofismo-climatico\/\">reagir ao aumento das temperaturas<\/a>. O estado s\u00f3lido da \u00e1gua n\u00e3o se move de forma aleat\u00f3ria. Ele segue o relevo.<\/p>\n<p>Se o terreno abaixo for inclinado em dire\u00e7\u00e3o ao oceano, por exemplo, o derretimento pode se acelerar. Em \u00e1reas onde h\u00e1 depress\u00f5es profundas, a \u00e1gua do mar pode penetrar por baixo das geleiras, desestabilizando ainda mais a camada de gelo.<\/p>\n<p>Por isso, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e os relevos subglaciais est\u00e3o diretamente conectados. Modelos clim\u00e1ticos que ignoram a topografia detalhada correm o risco de subestimar ou superestimar o impacto no n\u00edvel do mar.<\/p>\n<h2>Quais as implica\u00e7\u00f5es do novo mapeamento da Ant\u00e1rtida para o futuro<\/h2>\n<p>O detalhamento do relevo submerso da Ant\u00e1rtida tamb\u00e9m orienta futuras miss\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica glaciar. Afinal, com dados mais precisos, os pesquisadores podem escolher melhor onde perfurar o gelo, instalar sensores ou estudar lagos subglaciais. Al\u00e9m disso, ocean\u00f3grafos podem avaliar como o fundo rochoso influencia a circula\u00e7\u00e3o de correntes frias ao redor do continente.<\/p>\n<p>&#8220;Agora tamb\u00e9m podemos identificar melhor onde a Ant\u00e1rtida precisa de levantamentos de campo mais detalhados e onde n\u00e3o precisa&#8221;, acrescenta Bingham.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o novo mapa subglacial <strong>ajuda a reduzir a margem de incerteza cient\u00edfica no continente gelado<\/strong> ao mostrar que sob a superf\u00edcie existe um territ\u00f3rio complexo, moldado por for\u00e7as geol\u00f3gicas e agora influenciado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Isso coloca a Ant\u00e1rtida como um dos pontos-chave para compreender o futuro do planeta.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante d\u00e9cadas, a Ant\u00e1rtida foi vista como um imenso bloco branco no mapa. 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