{"id":263150,"date":"2026-03-07T07:00:00","date_gmt":"2026-03-07T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=263150"},"modified":"2026-03-07T07:00:00","modified_gmt":"2026-03-07T11:00:00","slug":"como-disputas-entre-paises-afetam-o-preco-do-que-voce-consome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=263150","title":{"rendered":"Como disputas entre pa\u00edses afetam o pre\u00e7o do que voc\u00ea consome"},"content":{"rendered":"<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Conflitos entre pa\u00edses costumam ser percebidos como eventos distantes, restritos \u00e0 diplomacia ou ao campo militar. Na economia global, por\u00e9m, <strong><a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/estreito-de-ormuz-o-que-e-e-por-que-o-bloqueio-da-rota-ameaca-a-economia-mundial\/\">disputas geopol\u00edticas afetam diretamente o pre\u00e7o de itens b\u00e1sicos<\/a> do cotidiano<\/strong>, como alimentos, combust\u00edveis, energia el\u00e9trica e at\u00e9 produtos eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Segundo o professor Ahmed El Khatib, coordenador do Centro de Estudos em Finan\u00e7as da Funda\u00e7\u00e3o Escola de Com\u00e9rcio \u00c1lvares Penteado (FECAP), guerras e tens\u00f5es internacionais funcionam como \u201cchoques sist\u00eamicos\u201d sobre a economia mundial.<\/p>\n<p>\u201cEm um mundo caracterizado por cadeias globais de valor altamente integradas, esses eventos afetam simultaneamente pre\u00e7os, fluxos comerciais, condi\u00e7\u00f5es financeiras e expectativas dos agentes\u201d, afirma \u00e0 Gazeta do Povo.<\/p>\n<p>O pilar da economia mais afetado por esses choques \u00e9 o da oferta. <strong>Conflitos armados e san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas costumam atingir regi\u00f5es estrat\u00e9gicas na produ\u00e7\u00e3o de insumos essenciais<\/strong>, como petr\u00f3leo, g\u00e1s natural, gr\u00e3os, fertilizantes e metais industriais.<\/p>\n<p>Segundo El Khatib, quando h\u00e1 risco de interrup\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o ou dificuldade log\u00edstica, o mercado reage de forma antecipada, elevando os pre\u00e7os internacionais dessas commodities. Do ponto de vista macroecon\u00f4mico, trata-se de um \u201cchoque negativo de oferta\u201d, em que a quantidade dispon\u00edvel diminui ou se torna mais cara.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<h2>Economia em conflito: o exemplo da guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia<\/h2>\n<p>O mecanismo econ\u00f4mico citado acima por El Khatib ficou evidente com a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/paulo-filho\/quatro-anos-de-guerra-na-ucrania-um-conflito-que-reconfigurou-a-ordem-internacional\/\">guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia<\/a>, iniciada em 2022.<\/p>\n<p>Um estudo apresentado no <a href=\"https:\/\/prp.unicamp.br\/inscricao-congresso\/resumos\/2025P24116A40461O3269.pdf\">Congresso de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Universidade de Campinas (Unicamp)<\/a> mostra que o conflito provocou forte alta nos pre\u00e7os de commodities, como g\u00e1s natural, petr\u00f3leo, trigo, milho e fertilizantes, com efeitos na infla\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/02\/19152315\/grafico-1.png.webp\" \/><i>O pre\u00e7o do g\u00e1s natural foi o principal impactado no conflito entre a Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Congresso de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Unicamp)<\/i><\/p>\n<p>No exemplo da Guerra da Ucr\u00e2nia, <strong>o setor de energia foi o mais afetado pelo conflito.<\/strong> O aumento nos pre\u00e7os de g\u00e1s natural, do petr\u00f3leo e do carv\u00e3o impactou diversos pa\u00edses, at\u00e9 mesmo fora da \u00c1sia e da Europa.<\/p>\n<p>\u201cHouve um aumento dos pre\u00e7os de energia, o que acabou sendo repassado para pre\u00e7os de outros servi\u00e7os ou produtos, tendo em vista que a energia \u00e9 insumo para muitos outros setores\u201d, informa pesquisa do Congresso de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica<em>.<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/02\/19152609\/grafico-2.jpg.webp\" \/><i>Gr\u00e1fico mostra o impacto da Guerra da Ucr\u00e2nia na infla\u00e7\u00e3o em seis pa\u00edses. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Congresso de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Unicamp)<\/i><\/p>\n<p>De acordo com o estudo da Unicamp, os Estados Unidos foram diretamente afetados devido ao impacto do pre\u00e7o da energia no pa\u00eds. No caso do Brasil, a Guerra da Ucr\u00e2nia teve um impacto menor sobre a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA guerra apenas acentuou um processo inflacion\u00e1rio que j\u00e1 estava ocorrendo por meio do aumento do pre\u00e7o da energia e dos combust\u00edveis\u201d, explica a pesquisa da Unicamp.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o, as cadeias globais de suprimentos tamb\u00e9m s\u00e3o afetadas. Em <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/paulo-filho\/guerra-no-ira-e-a-incerteza-estrategica\/\">contextos de instabilidade<\/a>, h\u00e1 aumento no custo do frete e dos seguros, redirecionamento de rotas comerciais, forma\u00e7\u00e3o de estoques preventivos por governos e empresas e retra\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio em corredores estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>\u201cO resultado \u00e9 uma perda de efici\u00eancia sist\u00eamica: a mesma economia global passa a operar com maior custo m\u00e9dio e menor previsibilidade\u201d, explica El Khatib.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que <strong>mesmo <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/artigos\/relacoes-comerciais-entre-ira-e-brasil-e-o-dilema-das-tarifas-americanas\/\">pa\u00edses que n\u00e3o participam diretamente do conflito passam a pagar mais caro<\/a> para importar insumos e bens intermedi\u00e1rios<\/strong>, o que se reflete nos pre\u00e7os finais ao consumidor.<\/p>\n<h2>Como a infla\u00e7\u00e3o se espalha e chega ao supermercado?<\/h2>\n<p>Quando o pre\u00e7o de um insumo essencial sobe, o efeito se espalha por toda a economia. Energia, combust\u00edveis e alimentos s\u00e3o utilizados na produ\u00e7\u00e3o e no transporte da maioria dos bens e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O estudo da Unicamp sobre a guerra na Ucr\u00e2nia mostra que o aumento inicial ocorreu principalmente nos pre\u00e7os das commodities energ\u00e9ticas, especialmente g\u00e1s natural e carv\u00e3o. Em pa\u00edses fortemente dependentes da energia russa, como a Alemanha, o impacto foi imediato, com forte acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o em 2022.<\/p>\n<p>Com o tempo, <strong>a infla\u00e7\u00e3o causada pela guerra deixou de apenas setorial e passou a afetar transportes, ind\u00fastria, servi\u00e7os e bens finais.<\/strong> O resultado foi um processo inflacion\u00e1rio mais amplo, observado em diversas economias ao longo de 2022 e 2023.<\/p>\n<h3>O impacto direto no bolso das fam\u00edlias<\/h3>\n<p>Para as fam\u00edlias, os efeitos aparecem de forma concreta: alimentos mais caros, combust\u00edveis pressionando o or\u00e7amento, aumento da conta de energia e encarecimento de bens dur\u00e1veis e eletr\u00f4nicos. Com o tempo, esses aumentos se espalham tamb\u00e9m para servi\u00e7os e custos fixos do dia a dia.<\/p>\n<p>\u201cConflitos geopol\u00edticos reduzem a efici\u00eancia do sistema, elevam custos, aumentam a infla\u00e7\u00e3o global e comprimem o poder de compra. Em um mundo economicamente integrado, n\u00e3o existe mais \u2018conflito distante\u2019: todo grande evento geopol\u00edtico relevante acaba, inevitavelmente, sendo sentido na infla\u00e7\u00e3o, no c\u00e2mbio e no custo de vida de todos n\u00f3s\u201d, resume El Khatib.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o seja poss\u00edvel eliminar esse risco, o professor afirma que \u00e9 poss\u00edvel administr\u00e1-lo do ponto de vista financeiro.<\/p>\n<p>Entre as estrat\u00e9gias est\u00e3o maior cautela com endividamento de longo prazo em per\u00edodos de incerteza global, refor\u00e7o da reserva de emerg\u00eancia, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/7-estrategias-de-planejamento-financeiro-para-proteger-seu-patrimonio\/\">diversifica\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio<\/a> e decis\u00f5es mais estrat\u00e9gicas de consumo, como antecipar ou adiar compras de maior valor conforme o ciclo de pre\u00e7os e c\u00e2mbio.<\/p>\n<h2>O efeito do d\u00f3lar e dos mercados financeiros<\/h2>\n<p>Outro canal importante \u00e9 o financeiro e cambial. Em momentos de alta incerteza geopol\u00edtica, investidores globais tendem a buscar ativos considerados mais seguros, como t\u00edtulos do governo americano. Segundo o professor da FECAP, esse movimento, conhecido como &#8220;flight to quality&#8221;, costuma fortalecer o d\u00f3lar e pressionar moedas de pa\u00edses emergentes.<\/p>\n<p>Para economias como a brasileira, <strong>isso significa maior desgaste do real, o que encarece automaticamente produtos importados e refor\u00e7a a infla\u00e7\u00e3o de bens comercializ\u00e1veis<\/strong>, como combust\u00edveis, alimentos industrializados e eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>\u201cQuando h\u00e1 alta do pre\u00e7o internacional da commodity e valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar ao mesmo tempo, o impacto sobre os pre\u00e7os dom\u00e9sticos \u00e9 duplamente amplificado\u201d, afirma El Khatib.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/alan-ghani\/guerra-israel-x-ira-a-economia-brasileira-pode-ser-afetada\/\">choques geopol\u00edticos elevam frequentemente a infla\u00e7\u00e3o<\/a>, mesmo em pa\u00edses que n\u00e3o est\u00e3o diretamente envolvidos nos conflitos.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da pol\u00edtica monet\u00e1ria, esse tipo de choque cria um problema complexo. A infla\u00e7\u00e3o sobe n\u00e3o por excesso de demanda, mas por aumento de custos.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o das taxas b\u00e1sicas dos juros pode ajudar a conter efeitos secund\u00e1rios e expectativas inflacion\u00e1rias, mas n\u00e3o resolve a causa original do problema, que est\u00e1 na diminui\u00e7\u00e3o da oferta.<\/p>\n<h2>Conflito EUA e Israel x Ir\u00e3: quais os impactos at\u00e9 agora?<\/h2>\n<p>As tens\u00f5es envolvendo Estados Unidos, Israel e Ir\u00e3 j\u00e1 provocaram reflexos no mercado internacional, especialmente ap\u00f3s o fechamento do Estreito de Ormuz. Isso ajuda a explicar como disputas entre pa\u00edses podem afetar diretamente o bolso do consumidor.<\/p>\n<p>No mercado financeiro, o petr\u00f3leo do tipo Brent chegou a subir cerca de 10% na abertura do mercado asi\u00e1tico nesta segunda-feira (2), refletindo a preocupa\u00e7\u00e3o dos investidores com uma <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/em-pronunciamento-trump-delineia-objetivos-eua-ira-nao-descarta-prolongar-guerra\/\">poss\u00edvel escalada do conflito<\/a>. Ao longo da manh\u00e3, por\u00e9m, os pre\u00e7os perderam parte da for\u00e7a em meio a movimentos de ajuste.<\/p>\n<p>Segundo o economista Robson Gon\u00e7alves, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), os efeitos podem se tornar mais severos caso haja interrup\u00e7\u00f5es prolongadas na oferta. Em entrevista \u00e0 CNN, <strong>ele alertou que o encarecimento do petr\u00f3leo rapidamente se transforma em infla\u00e7\u00e3o global.<\/strong> \u201cFretes ficam mais caros, insumos sobem e o custo final acaba chegando ao consumidor\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que um conflito geopol\u00edtico a milhares de quil\u00f4metros do Brasil pode influenciar o pre\u00e7o da gasolina, dos alimentos, de produtos industrializados e at\u00e9 de passagens a\u00e9reas. Fato que refor\u00e7a como crises internacionais acabam impactando o dia a dia das fam\u00edlias.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conflitos entre pa\u00edses costumam ser percebidos como eventos distantes, restritos \u00e0 diplomacia ou ao campo militar. 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