{"id":255145,"date":"2026-03-05T07:00:00","date_gmt":"2026-03-05T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=255145"},"modified":"2026-03-05T07:00:00","modified_gmt":"2026-03-05T11:00:00","slug":"o-purim-o-ira-e-a-crise-moral-do-ocidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villanews.com.br\/?p=255145","title":{"rendered":"O Purim, o Ir\u00e3 e a crise moral do Ocidente"},"content":{"rendered":"<div class=\"postLayout_post-content__gsXFz\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/03\/02180148\/ira-ali-khamenei.jpg.webp\" \/><span>Cartazes com fotos do aiatol\u00e1 Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro, em uma pra\u00e7a de Teer\u00e3. (Foto: Abedin Taherkenareh\/EFE\/EPA)<\/span>\n<p>Ou\u00e7a este conte\u00fado<\/p>\n<div class=\"postBody_post-body-container__1KhtH\">\n<p>Vivemos dias de enorme tens\u00e3o no cen\u00e1rio internacional. A <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/midia-estatal-do-ira-confirma-morte-de-ali-khamenei\/\">morte <\/a>do l\u00edder supremo do <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/ira\/\">Ir\u00e3<\/a>, Ali Khamenei, foi confirmada ap\u00f3s intensos ataques israelenses a estruturas do regime em Teer\u00e3. Declara\u00e7\u00f5es do primeiro-ministro de Israel, <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/benjamin-netanyahu\/\">Benjamin Netanyahu<\/a>, afirmam que o plano estrat\u00e9gico iraniano para destruir <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/israel\/\">Israel <\/a>foi neutralizado e que milhares de alvos militares ligados ao regime ser\u00e3o atacados nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Netanyahu e <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/donald-trump\/\">Donald Trump<\/a> conclamaram o povo iraniano a aproveitar a oportunidade hist\u00f3rica para se levantar contra um sistema pol\u00edtico tirano que, por d\u00e9cadas, governou o Ir\u00e3 com repress\u00e3o interna, censura religiosa e exporta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de viol\u00eancia religiosa para al\u00e9m de suas fronteiras.<\/p>\n<p>Estamos diante de um daqueles momentos em que a hist\u00f3ria muda rapidamente. Seja qual for o desfecho pol\u00edtico imediato, milh\u00f5es de civis est\u00e3o no meio dessa tens\u00e3o. Homens, mulheres e crian\u00e7as carregam o peso real das decis\u00f5es tomadas por governantes e militares.<\/p>\n<h2>Purim, Amaleque e a mem\u00f3ria do mal<\/h2>\n<p>H\u00e1 um elemento profundamente simb\u00f3lico nos acontecimentos atuais. No mesmo per\u00edodo em que esses eventos ocorrem, o mundo judaico celebrou o Purim. A import\u00e2ncia dessa festa reside na celebra\u00e7\u00e3o da provid\u00eancia divina. A festa recorda a salva\u00e7\u00e3o do povo <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/judeus\/\">judeu <\/a>de um genoc\u00eddio planejado por Ham\u00e3 na antiga P\u00e9rsia, conforme narrado no Livro de Ester. Trata-se de uma celebra\u00e7\u00e3o de origem rab\u00ednica que enfatiza temas como a coragem, exemplificada por Ester e Mordecai; a preserva\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o judaica; e a alegria comunit\u00e1ria expressa em refei\u00e7\u00f5es festivas, doa\u00e7\u00f5es aos pobres e na leitura p\u00fablica do Livro de Ester. Purim \u00e9 um memorial permanente de que Deus interv\u00e9m na hist\u00f3ria para preservar seu povo eleito diante do \u00f3dio irracional e das amea\u00e7as de exterm\u00ednio.<\/p>\n<p>A conex\u00e3o aparece na leitura da Tor\u00e1, realizada nas sinagogas em 27 de fevereiro, no Livro do Deuteron\u00f4mio: \u201cLembrem-se do que os amalequitas fizeram no caminho, quando voc\u00eas estavam saindo do Egito. Eles sa\u00edram ao encontro de voc\u00eas no caminho e, quando voc\u00eas estavam abatidos e cansados, atacaram na retaguarda todos os desfalecidos que vinham atr\u00e1s; e n\u00e3o temeram a Deus. Portanto, quando o Senhor, seu Deus, lhes houver dado sossego de todos os seus inimigos ao redor, na terra que o Senhor, seu Deus, lhes d\u00e1 por heran\u00e7a, para que dela tomem posse, apaguem a mem\u00f3ria dos amalequitas da face da terra; n\u00e3o se esque\u00e7am disto.\u201d (25,17-19) Amaleque tornou-se, ao longo da tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, o s\u00edmbolo de for\u00e7as que procuram destruir Israel atacando os fracos e vulner\u00e1veis.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Purim \u00e9 um memorial permanente de que Deus interv\u00e9m na hist\u00f3ria para preservar seu povo eleito diante do \u00f3dio irracional e das amea\u00e7as de exterm\u00ednio<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em 2 de mar\u00e7o o Livro de Ester foi lido na celebra\u00e7\u00e3o de Purim. E nessa pequena obra encontramos um trecho impressionante: \u201cNo dia em que os inimigos dos judeus esperavam apoderar-se deles, aconteceu o contr\u00e1rio, pois os judeus \u00e9 que se apoderaram dos que os odiavam. [&#8230;] Os judeus se reuniram para atacar aqueles que queriam destru\u00ed-los. E ningu\u00e9m podia resistir-lhes, porque o terror que inspiravam caiu sobre todos aqueles povos\u201d (Ester 9,1-2). O antagonista central dessa narrativa \u00e9 Ham\u00e3, descrito como agagita. Essa designa\u00e7\u00e3o \u00e9 teologicamente significativa, pois o conecta \u00e0 antiga linhagem de Amaleque.<\/p>\n<p>Os textos de Deuteron\u00f4mio e Ester conectam-se diretamente \u00e0 festa de Purim ao evocarem, de um lado, a mem\u00f3ria do mal perpetrado por Amaleque, ancestral de Ham\u00e3, e, de outro, a surpreendente invers\u00e3o providencial dos acontecimentos, na qual os inimigos dos judeus s\u00e3o derrotados. Essa revers\u00e3o hist\u00f3rica expressa o livramento extraordin\u00e1rio narrado no Livro de Ester. Como dito, o Purim celebra esse tipo de revers\u00e3o hist\u00f3rica, quando um plano de destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 frustrado e o povo judeu amea\u00e7ado sobrevive.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Essas leituras b\u00edblicas estabelecem princ\u00edpios morais fundamentais na tradi\u00e7\u00e3o judaica: o dever imperativo de lembrar (<em>zachor<\/em>) o mal perpetrado, para que n\u00e3o seja esquecido (<em>lo tishkach<\/em>) e, assim, evitado sua repeti\u00e7\u00e3o; a obriga\u00e7\u00e3o de reconhecer e confrontar amea\u00e7as existenciais que atacam os fracos e desrespeitam o temor a Deus; e a resist\u00eancia resoluta contra regimes ou for\u00e7as que buscam o aniquilamento do povo eleito, culminando no mandamento divino de apagar completamente a mem\u00f3ria dos inimigos da face da terra.<\/p>\n<h2>Um \u201cHam\u00e3 moderno\u201d e o colapso de um regime<\/h2>\n<p>\u00c9 nesse contexto simb\u00f3lico que se pode interpretar a morte de Ali Khamenei. Durante d\u00e9cadas, o regime iraniano construiu sua identidade pol\u00edtica em torno da hostilidade a Israel, aos <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/estados-unidos\/\">Estados Unidos<\/a> e ao Ocidente. Financiou mil\u00edcias terroristas isl\u00e2micas, incentivou guerras por procura\u00e7\u00e3o e declarou repetidamente que Israel deveria desaparecer do mapa. Internamente, governou por meio de repress\u00e3o, controle religioso e persegui\u00e7\u00e3o a dissidentes. Por isso, pode-se descrever Khamenei como uma esp\u00e9cie de \u201cHam\u00e3 moderno\u201d: o rosto de um sistema ideol\u00f3gico que combinava teocracia autorit\u00e1ria, expansionismo militar e uma ret\u00f3rica constante de destrui\u00e7\u00e3o contra o povo judeu e o Ocidente.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>A Escritura lembra repetidamente que regimes constru\u00eddos sobre viol\u00eancia e intimida\u00e7\u00e3o n\u00e3o permanecem para sempre. Imp\u00e9rios surgem. Imp\u00e9rios desaparecem. Reinos humanos parecem invenc\u00edveis at\u00e9 o momento em que, subitamente, entram em colapso. Se os acontecimentos atuais abrirem caminho para transforma\u00e7\u00f5es profundas no Ir\u00e3, poderemos estar testemunhando um ponto de inflex\u00e3o hist\u00f3rico no <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/oriente-medio\/\">Oriente M\u00e9dio<\/a>.<\/p>\n<h2>A crise moral do Ocidente<\/h2>\n<p>Mas a crise atual n\u00e3o se limita ao Oriente M\u00e9dio. Existe tamb\u00e9m uma profunda crise cultural dentro do pr\u00f3prio Ocidente.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos tornou-se comum observar rea\u00e7\u00f5es hostis a Israel vindas de elites pol\u00edticas e intelectuais ocidentais. Lideran\u00e7as como Emmanuel Macron e Keir Starmer frequentemente enfatizam cr\u00edticas a Israel mesmo diante das amea\u00e7as existenciais enfrentadas pelos judeus vindas de regimes totalit\u00e1rios. L\u00edderes como Pedro S\u00e1nchez condenam as a\u00e7\u00f5es militares contra o regime iraniano e restringem a coopera\u00e7\u00e3o militar com os Estados Unidos. Como chegamos a uma situa\u00e7\u00e3o em que uma guerra contra um regime que financia <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/terrorismo\/\">terrorismo <\/a>e reprime seu pr\u00f3prio povo gera tanta hostilidade entre aqueles que se consideram representantes do \u201cmundo esclarecido\u201d?<\/p>\n<p>O que fica claro \u00e9 a influ\u00eancia crescente da ideologia progressista. Essa vis\u00e3o de mundo, fortemente influenciada por categorias neomarxistas, divide a realidade entre \u201copressores\u201d e \u201coprimidos\u201d. Nesse esquema moral simplista, a culpa \u00e9 atribu\u00edda automaticamente aos grupos considerados privilegiados, enquanto aqueles classificados como oprimidos recebem uma presun\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de inoc\u00eancia.<\/p>\n<p>Isso gera uma invers\u00e3o moral profunda. Estados Unidos e (sobretudo) Israel passam a ser retratados como vil\u00f5es, enquanto regimes ou movimentos violentos, como a causa \u201cpalestina\u201d, s\u00e3o relativizados sob o argumento de que representam popula\u00e7\u00f5es oprimidas. O resultado \u00e9 uma cegueira moral e pol\u00edtica perigosa.<\/p>\n<blockquote>\n<p>N\u00e3o celebramos a morte. N\u00e3o nos alegramos com a destrui\u00e7\u00e3o. A guerra, muitas vezes necess\u00e1ria para conter o mal, continua sendo um sinal tr\u00e1gico de um mundo marcado pelo pecado<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>A rea\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Ocidente<\/h2>\n<p>Essa desconex\u00e3o entre elites e popula\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m explica o surgimento de rea\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em v\u00e1rias partes da Europa. Figuras como Nigel Farage, no Reino Unido; Geert Wilders, nos Pa\u00edses Baixos; e Giorgia Meloni, na It\u00e1lia, representam, em diferentes graus, uma tentativa de recuperar elementos da identidade nacional e da tradi\u00e7\u00e3o cultural que muitos acreditam estar sendo dissolvidas por pol\u00edticas progressistas. Mesmo na Alemanha, frequentemente vista como um epicentro do liberalismo europeu, o cen\u00e1rio pol\u00edtico mudou com a ascens\u00e3o do chanceler Friedrich Merz. Nos Estados Unidos, muitos veem a lideran\u00e7a de Donald Trump como uma tentativa de frear o decl\u00ednio cultural e estrat\u00e9gico do Ocidente.<\/p>\n<p>A crise atual revela algo profundo: civiliza\u00e7\u00f5es n\u00e3o entram em colapso apenas por press\u00f5es externas. Muitas vezes elas se enfraquecem primeiro internamente, tal qual o antigo Imp\u00e9rio Romano do Ocidente.<\/p>\n<h2>A raiz espiritual da crise<\/h2>\n<p>O Ocidente nasceu de uma combina\u00e7\u00e3o singular de tr\u00eas heran\u00e7as: a filosofia grega, o direito romano e a cosmovis\u00e3o judaico-crist\u00e3. Especialmente, foi o <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/cristianismo\/\">cristianismo <\/a>que forneceu a base moral para ideias como dignidade humana, liberdade de consci\u00eancia, responsabilidade individual e limites ao poder do Estado. Quando essa base espiritual \u00e9 abandonada, a civiliza\u00e7\u00e3o come\u00e7a lentamente a perder sua coer\u00eancia moral.<\/p>\n<p>A cultura progressista n\u00e3o \u00e9 apenas uma moda intelectual. Ela representa uma tentativa sistem\u00e1tica de reinterpretar a hist\u00f3ria, dissolver identidades nacionais e reconstruir valores morais b\u00e1sicos a partir de categorias ideol\u00f3gicas. Ao substituir verdade moral por ressentimento hist\u00f3rico, ela enfraquece os pr\u00f3prios fundamentos que tornaram poss\u00edvel a liberdade ocidental.<\/p>\n<h2>O futuro do Ir\u00e3 e a esperan\u00e7a crist\u00e3<\/h2>\n<p>Como crist\u00e3os, n\u00e3o podemos tratar tais acontecimentos com leviandade. N\u00e3o celebramos a morte. N\u00e3o nos alegramos com a destrui\u00e7\u00e3o. A guerra, muitas vezes necess\u00e1ria para conter o mal, continua sendo um sinal tr\u00e1gico de um mundo marcado pelo pecado e pelo sofrimento.<\/p>\n<p>VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p>Por isso, a postura do crist\u00e3o diante da guerra \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o. Oramos pela prote\u00e7\u00e3o de civis inocentes. Oramos pela liberta\u00e7\u00e3o de povos que vivem sob regimes opressivos. Oramos por sabedoria nas decis\u00f5es que est\u00e3o sendo tomadas neste momento. Oramos pela igreja no Ir\u00e3, que vive sob enorme press\u00e3o. E oramos para que o evangelho avance mesmo em tempos de crise.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os acontecimentos atuais lembram que Deus continua soberano sobre as na\u00e7\u00f5es. A antiga P\u00e9rsia, que hoje \u00e9 o Ir\u00e3, possui uma hist\u00f3ria extraordin\u00e1ria e um povo com uma rica heran\u00e7a cultural. Muitos iranianos anseiam por liberdade e vivem sob um sistema pol\u00edtico que reprime dissid\u00eancia, controla a <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/tudo-sobre\/religiao\/\">religi\u00e3o <\/a>e limita severamente a express\u00e3o p\u00fablica da f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p>Se os eventos atuais abrirem espa\u00e7o para mudan\u00e7as pol\u00edticas, isso poder\u00e1 marcar um ponto de inflex\u00e3o hist\u00f3rico no Oriente M\u00e9dio. Portanto, que ansiemos para que o povo iraniano encontre espa\u00e7o para respirar liberdade; para que ciclos de viol\u00eancia e instabilidade naquela regi\u00e3o sejam interrompidos; que portas se abram para reformas pol\u00edticas. E, sobretudo, para que o evangelho flores\u00e7a onde por tanto tempo houve medo.<\/p>\n<h2>\u201cGuerras e rumores de guerras\u201d<\/h2>\n<p>Crist\u00e3os sabem que a hist\u00f3ria n\u00e3o caminha em dire\u00e7\u00e3o ao triunfo definitivo de ideologias ou imp\u00e9rios. Ela caminha em dire\u00e7\u00e3o ao reino de Deus e \u00e0 vit\u00f3ria total do Senhor Jesus. Reinos se levantam. Regimes caem. Ideologias surgem e desaparecem. Mas o Messias Jesus continua reinando.<\/p>\n<p>Como Karl Barth lembrou \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o que pastoreava na Su\u00ed\u00e7a, em 2 de agosto de 1914, no in\u00edcio da Primeira Guerra Mundial, a Palavra de Deus continua sendo: \u201cQuando voc\u00eas ouvirem falar de guerras e rumores de guerras, n\u00e3o se assustem; \u00e9 necess\u00e1rio que isso aconte\u00e7a, mas ainda n\u00e3o \u00e9 o fim\u201d (Marcos 13,7). H\u00e1 um prop\u00f3sito nas guerras; elas n\u00e3o pegam Deus de surpresa. E o pr\u00f3prio Jesus afirma: \u201cN\u00e3o se assustem\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A \u00faltima palavra n\u00e3o pertence aos tiranos, nem \u00e0s ideologias, nem aos imp\u00e9rios. Ela pertence a Deus<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Barth reconheceu que o medo em tempos de guerra \u00e9 compreens\u00edvel. \u201cNa guerra, os fundamentos mais seguros da nossa exist\u00eancia s\u00e3o abalados e possivelmente destru\u00eddos.\u201d Nenhum indiv\u00edduo ou institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 plenamente seguro. Tudo pode ser perdido em um instante, e muitas vezes n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a nem racionalidade aparente no que \u00e9 tirado e no que permanece.<\/p>\n<p>Ainda assim, mesmo em um tempo t\u00e3o assustador, disse Barth, o verdadeiro crist\u00e3o possui um fundamento s\u00f3lido na \u201cpresen\u00e7a e no amor do Deus eterno e vivo, que sustenta todas as coisas em sua m\u00e3o e nos guia por sua vontade justa e santa, e que se aproximou de n\u00f3s e se revelou em Jesus Cristo. Quem encontra descanso em Deus n\u00e3o se quebrar\u00e1 nem entrar\u00e1 em colapso diante das coisas tristes e terr\u00edveis que talvez tenhamos de enfrentar\u201d.<\/p>\n<p>A palavra de Jesus, \u201cn\u00e3o se assustem\u201d, significa que Deus permanece presente com e em favor do seu povo em meio ao caos. Ele nos chama a perseverar com fidelidade e coragem, confiando que haver\u00e1 um futuro, quaisquer que venham a ser os resultados. Por isso, Barth exortou sua congrega\u00e7\u00e3o a viver com coragem, cumprindo seus deveres para com a fam\u00edlia e a comunidade. Um dia a guerra terminar\u00e1 e a vida precisar\u00e1 continuar. Portanto, os crist\u00e3os devem trabalhar com dilig\u00eancia mesmo em meio \u00e0s dificuldades, olhando para esse dia com esperan\u00e7a e firmeza.<\/p>\n<p>Nos dias turbulentos que vivemos, nossa tarefa permanece clara: discernir os tempos, resistir ao mal, defender a verdade e clamar ao Senhor da hist\u00f3ria. Porque, no fim, a \u00faltima palavra n\u00e3o pertence aos tiranos, nem \u00e0s ideologias, nem aos imp\u00e9rios. Ela pertence a Deus.<\/p>\n<\/div>\n<p>Conte\u00fado editado por: <a title=\"Link para o perfil de Marcio Antonio Campos\" href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/autor\/marcio-antonio-campos\/\">Marcio Antonio Campos<\/a><\/p>\n<h2>Voc\u00ea pode se interessar<\/h2>\n<p>Encontrou algo errado na mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Comunique erros<\/p>\n<p>Use este espa\u00e7o apenas para a comunica\u00e7\u00e3o de erros<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cartazes com fotos do aiatol\u00e1 Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro, em uma pra\u00e7a de Teer\u00e3. 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